Um dos temas do debate que mais está despertando a atenção dos jovens: a perspectiva de um futuro fracassado
Recebemos por e-mail aqui no blog do movimento ecológico, científico e de cidadania matéria do Jornal da Unicamp com texto de Álvaro Kassab, fotos de Antonio Scarpinetti, onde de cara há um alerta feito pelo historiador Luiz Marques: "O nosso futuro está se afigurando, com toda a
probabilidade, catastrófico. É preciso admitir que estamos funcionando
mentalmente à base de autoengano. É preciso encarar de frente as evidências”. Este alerta estará
no centro de todos os debates que vão ocorrer neste Seminário Internacional Degradação Socioambiental: Catástrofe e Distopias, que acontece até amanhã,14 de agosto, na Unicamp, evento que já virou manchete no site nacional de assuntos ambientais EcoDebate hoje. Aqui no blog Folha Verde News a gente resume alguns dos principais conteúdos desta iniciativa, que é apoiada pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) e também por Carlos Eduardo Berriel, que atua como professor do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), pelo alcance, o debate estará reunindo especialistas de diferentes áreas do conhecimento, atingindo a discussão bem ampla de temas ligados à realidade do meio ambiente, aqui agora. E assim como Marques, Berriel está otimista: "Apesar do risco de que tal heterogeneidade suscite fricções e
talvez alguma cacofonia, a aposta de base é que toda essa diversidade de perspectivas será bem produtiva”. Acompanhe a seguir mais alguns conteúdos deste evento que resumimos para a sua informação, a bem do nosso movimento pela ecologia, pela ciência, pela cidadania, pelo avanço da realidade brasileira e do ser humano hoje em dia.
Segundo o professor Carlos Eduardo Berriel, no século XX a distopia tornou-se dominante, a utopia desapareceu e diante disso, "dada a gravidade extrema e a
pluralidade das atuais crises ambientais, nenhum saber isolado terá a
abrangência compatível com o caráter totalizante e globalizante dessas crises”,
completa Berriel, autor do livro no tema deste evento também Capítalismo e Colapso Ambiental, livro que foi premiado com o Jabuti em 2016. Por sua vez, Luiz Marques se refere a um quadro que resultará logo em “um colapso socioambiental inevitável”. Não à toa,
no texto de apresentação do seminário, há uma declaração de Kevin
Anderson, vice-diretor do Tyndall Centre for Climate Change Researchal:
“Estamos conscientemente enveredando em direção a um futuro fracassado”.
"Perto dos
cenários projetados pela ciência, os cenários imaginados pela ficção parecem
cada vez mais tímidos” (Luiz Marques, historiador)
"Vamos debater também o livro Tietê, Tejo e Sena - a obra de Paulo Prado dentro do contexto histórico e ambiental", comenta Carlos Eduardo Berriel, que também é coordenador do U-Topos (Centro de Estudos sobre Utopia)
(Confira na seção de comentários do nosso blog alguns trechos de entrevistas e opiniões neste tema geral, que podemos resumir como o caos do ambiente e da vida, nesta realidade sem perspectiva de futuro)
Os alertas, enfoques e pesquisas de Luiz Marques, os livros de Carlos Eduardo Berriel, a atuação do Centro de Estudos sobre Utopia e do Instituto de Estudos de Linguagem vem se tornando referência no Brasil, podem ajudar todo o nosso movimento da ecologia, da cidadania, da pesquisa científica para estimular a criação coletiva do nosso futuro", comenta aqui no blog nosso editor, o ecologista Antônio de Pádua Silva Padinha. Quem não está podendo acompanhar ao vivo este evento na Unicamp, tem aqui este resumo básico dos debates e no comentários, mais informações e enfoques de interesse, uma luta da cultura da vida que todos precisamos divulgar, no objetivo de mudar e de avançar a realidade de agora do país, do nosso dia a dia com os mais variados problemas socioambientais, urge uma solução sustentável.
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| Comunidades rurais alternativas buscam praticar a utopia ecológica ou a cultura da vida e da não violência |
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| Charge sobre a violência da realidade hoje no país |
Fontes: EcoDebate - Jornal da Unicamp
folhaverdenews.blogspot.com








"Este evento surgiu de uma ideia do professor Carlos Eduardo Berriel, diretor do U-TOPOS, Centro de Estudos sobre Utopia do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL). O professor Berriel é responsável pelo caráter internacional dessa iniciativa, à qual eu me associei com muito entusiasmo, porque compartilhamos, com muitos de nossos colegas, as mesmas preocupações. Decidimos, assim, que o encontro será aberto no IEL e aberto no IFCH, nos dias 13 e 14 próximos. Como já seu título o explicita, seu objetivo é afirmar que nosso futuro se afigura, com toda a probabilidade, catastrófico e que é preciso admitir que estamos funcionando mentalmente à base de autoengano. É preciso encarar de frente as evidências": comentário de Luiz Marques, historiador.
ResponderExcluir"Tal como o Protocolo de Kyoto, também o Acordo de Paris, os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e demais acordos internacionais em prol da conservação da biodiversidade terrestre e marítima não estão a caminho de atingir, nem de perto, suas metas. Esse seminário tem, portanto, o objetivo de contribuir, na medida de nossas possibilidades, para um sobressalto das consciências acerca das ameaças que pesam sobre nosso presente e nosso futuroa partir também da realidade brasileira": comentário de Carlos Eduardo Berriel, diretor do U-TOPOS, Centro de Estudos sobre Utopia do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL)
ResponderExcluir"Em face das crises socioambientais extremamente graves de nossos dias e da necessidade de elaborar respostas a elas, a ideia é colocar em contato pessoas de saberes, experiências, sensibilidades, linguagens e horizontes de pesquisa muito diferentes, desde cientistas a estudiosos do imaginário literário e visual. Apesar do risco de que tal heterogeneidade suscite fricções e talvez alguma cacofonia, a aposta de base é que a diversidade de perspectivas é intelectualmente produtiva. Dada a gravidade extrema e a pluralidade de aspectos das crises ambientais, nenhum saber isolado tem abrangência compatível com o caráter totalizante e globalizante dessas crises, e não é capaz de avaliar o alcance material, cultural e mesmo espiritual de suas consequências": comentário sobre o evento no Jornal da Unicamp
ResponderExcluir"O que se nota, de fato, é que o imaginário distópico dos séculos XIX e XX foram, como não poderia deixar de ser, tributários seja da riquíssima tradição escatológica judaico-cristã, seja da ideia de “cansaço” e de declínio da natureza, recorrente na tradição clássica desde Homero e Hesíodo. O que se nota nos últimos decênios, entretanto, é que a ciência vem se somando às expectativas de um unhappy end de nossas sociedades ainda no horizonte deste século. Não porque essas tradições escatológicas ou porque as tendências irracionalistas contemporâneas tenham “contaminado” a ciência, como disso a acusam seus detratores e os chamados “mercadores de dúvidas”, fomentados pelas corporações. A ciência emite prognósticos a partir de um acúmulo rigoroso e consistente de dados, modelos e análises das coordenadas do sistema Terra e esses prognósticos, sóbrios em suas formulações, são não raro mais sombrios que as mais assustadoras ficções de antecipação. Basta lembrar aqui um exemplo. Um aquecimento médio global de 3 graus centígrados acima do período pré-industrial, que é, mantida a trajetória atual, a mais otimista projeção para este século, significa o fim das florestas tropicais e a conversão em savana do que resta da floresta Amazônica, pela ação combinada de secas e incêndios, com adicional liberação de CO2 na atmosfera. Há mais de 10 anos, em 2007, James Hansen alertava para o fato de que tal nível de aquecimento conduziria à ultrapassagem de pontos críticos no sistema Terra, além dos quais há alta probabilidade de uma transição para temperaturas ainda mais altas. Perto dos cenários projetados pela ciência, os cenários imaginados pela ficção parecem, em suma, cada vez mais tímidos": comentário sobre o evento na Unicamp em matéria do site de assuntos socioambientais EcoDebate
ResponderExcluir"A distopia é um galho da grande árvore da utopia, pois paradoxalmente compartilham de elementos comuns. Há em toda utopia um elemento distópico, e vice-versa. A utopia, uma obra e gênero criados por Thomas Morus em 1516, se caracterizava pela criação de uma sociedade imaginária num lugar inexistente, porém conectada ao mundo real por serem o seu contrário, a sua visão especular. Os graves problemas da sociedade do autor utopista vinham resolvidos, como projeto e programa, nesta sociedade fictícia. As utopias eram marcadas, portanto, pela época de seu autor, sendo portanto datadas. O elemento distópico – isto é, negativo – das utopias estava em que elas eram engessadas pelo seu tempo, pois se suas soluções eram “perfeitas”, não poderiam portanto serem aperfeiçoadas ou mesmo modificadas. A utopia era imediatamente u-cronias, isto é, sociedades estáticas, sem tempo. Aí está a distopia, o pesadelo social. Quando a distopia se torna praticamente um gênero em si mesmo – talvez com Frankenstein, de Mary Shelley (1818) – há uma marca original: um elemento da sociedade real, uma ameaça em estado latente, é dilatado ao ponto de representar uma ameaça mortal para esta sociedade. Tendo como exemplo o mesmo Frankenstein, temos que uma ciência avançadíssima, porém desprovida de uma ética que a controle, gera monstros. Pensemos na bomba atômica, nos agrotóxicos, etc. No século XX a distopia tornou-se dominante, enquanto a utopia desapareceu. O Estado totalitário, mantido pelo controle das mentes e pela universal vigilância dos indivíduos, está em 1984, de George Orwell. A destruição do planeta está em tantos filmes, como Blade Runner, que mostra também como a humanidade pode ser substituída por criaturas artificiais: quantos de nós já perderam o emprego para um robô? Então, a distopia diz antes as mais graves questões de nosso tempo. Essa é sua importância": comentário de Carlos Eduardo Berriel, diretor do U-TOPOS, Centro de Estudos sobre Utopia do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL)
ResponderExcluirLogo mais, mais informações e comentários, você pode colocar aqui sua opinião, mande o conteúdo pro e-mail da redação deste blog para navepad@netsite.com.br e/ou diretamente pro e-mail do nosso editor padinhafranca603@gmail.com
ResponderExcluir"Um evento bem expressivo da crise socioambiental do país e do planeta também, se as pessoas mais especializadas não debatem os problemas, eles terão pouca chance de serem resolvidos de forma sustentável, evento importante na Unicamp": comentário de Douglas Campos, do Rio de Janeiro, estudante da Engenharia na UFRJ.
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