Megacidade da Indonésia está afundando e pode ficar submersa em menos de
3 décadas: é destaque na BBC News e enquanto isso por aqui já se destaca a situação de cidades que exploram demais a água
do Aqüífero Guarani para o abastecimento da sua população algo que
já começa a ficar alarmante também por causa da cada vez maior escassez de chuvas e o aumento das secas por todo o interior do Brasil
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| Exploração de aguífero na cidade de Ribeirão Preto (SP)... |
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| ...coloca esta região em risco como de Jacarta (Indonésia) |
"Boa Noite. Vendo a reportagem sobre o
Aqüífero Guarani fiquei preocupada com a informação que li, daqui 20 ou 30 anos
ficaremos sem água e nossas crianças que são o futuro deste país como será a
vida delas? PS: temos que nos mobilizar para uma boa razão afinal o povo não se
une para carnaval para o Rock Rio para movimento gay? E então vamos plantar
mais árvores". O comentário é de Elisabete da Silva Oliveira,
moradora de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, depois de ler uma reportagem no jornal local feita por Lucas Catanho no A Cidade ON. Ela nos enviou a matéria por e-mail aqui para o blog do movimento ecológico, científico e de cidadania Folha Verde News. Imagine se ela morasse na Indonésia e lesse ou ouvisse a reportagem de Mayuri Mei Lin e Rafiki Hidavat, divulgada na BBC? Se trata dum megaproblema que hoje é também uma das manchetes no site Terra. De toda forma, a comparação entre Jacarta e Ribeirão Preto é válida e procedente. O norte de Jacarta,
capital da Indonésia, afundou 2,5 metros em 10 anos e continua
"descendo" até 25 centímetros por ano. Com uso excessivo dos
aquíferos pela população, o fenômeno ganha fôlego e partes da cidade podem acabar
completamente debaixo d'água antes até de 2050. Mais de 10 milhões
de pessoas vivem atualmente em Jacarta, capital da Indonésia, a cidade que está
afundando mais depressa que qualquer outra no planeta. Mas mesmo não sendo um caso tão extremo. Ribeirão Preto e outros espaço urbanos que abusam dos recursos hídricos do Aqüífero Guarani já devem sim tomar medidas de proteção do seu lençol freático e de suas águas subterrâneas. Ainda em setembro de 2015, o Ministério Público obteve liminar que protegia uma área de
recarga do Aquífero Guarani equivalente a 9 mil campos do Maracanã, na zona Leste de Ribeirão Preto. Um
mês depois, o Tribunal de Justiça cassou a liminar e o processo hoje tramita na
1ª Vara da Fazenda Pública, informa o G1 da Globo que tem feito matérias que alertam: o nível do Aquífero Guarani baixa um metro por
ano em Ribeirão Preto. Já a pesquisa do DAAE (órgão responsável por águas e energia elétrica no estado de São Paulo) afirma que o lençol freático recuou 60 metros desde 1950 até agora na cidade, onde o consumo de água é 13 vezes maior que a recarga da chuva.
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| Cientistas já divulgam alerta e perigos do Aquífero Guarani por aqui no nordeste e norte paulista |
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| Esta reserva de água é a maior da América do Sul |
Adriano Oliveira, que atua no G1 de Ribeirão Preto e Franca, já informou que o nível do Aquífero Guarani, o maior reservatório de água potável da América
Latina, está diminuindo um metro por ano por aqui na região, segundo dados dum monitoramento realizado também pelo DAAE, advertindo que desde 1950 já se comprovou
que por exemplo na região central da cidade de Ribeirão o lençol freático já baixou 60 metros. Esta é uma cidade totalmente
abastecida pelo aquífero, que na macrorregião pode ser atingido a apenas 100 metros
de profundidade, enquanto na Argentina está a um quilômetro da superfície. O
problema, segundo o engenheiro Renato Crivelenti, é mesmo a
exploração de água que no município, que chega a ser 13 vezes maior do que a recarga direta da
chuva. Atualmente, Ribeirão tem
13 poços do Departamento de Água e Esgoto (Daerp) e 400 licenciados. A
estimativa é que existam pelo menos outros 400 pontos clandestinos. Além
disso, 45% da água captada é desperdiçada no sistema de distribuição. Isso é
preocupante. Em países de primeiro mundo esse índice chega a apenas 15%. Quando o nível diminui, é preciso substituir o poço por outro mais profundo,
uma operação cara. O campus ribeirãopretano da USP por exemplo anunciou quer investirá cerca de
R$ 1,3 milhão para recuperar um poço desativado. Segundo dados da Universidade de São Paulo, em 11 anos a bomba já foi rebaixada 42 metros. A contaminação em áreas de
recarga do aquífero, quando a chuva penetra no solo e atinge as águas subterrâneas, como
acontece na zona leste de Ribeirão, também preocupa os especialistas. Segundo Renato Crivelenti, estudos apontam que o uso de agrotóxicos no solo pode ser
prejudicial nessas regiões: “Devemos proteger esse locais da instalação de
lixões e indústrias. A água do aquífero é nobre e não é importante só para nós,
mas para toda a América do Sul”.
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| Afloram águas do Aquífero Guarani em toda macrorregião como entre Franca e a Serra da Canastra, já no sudoeste de Minas Gerais |
Em Ribeirão Preto no interior do Brasil a área da bomba na USP já foi rebaixada em 42 metros. Por sua vez, em Jacarta na Indonésia, a BBC News está informando que a cidade afunda 25 metros por ano: se nada for feito, especialistas alertam que algumas partes da megacidade podem acabar completamente debaixo
d'água ao longo dos anos e das próximas décadas. Há pouco tempo para reverter a situação lá. Construída sobre um
terreno pantanoso, Jacarta é banhada pelo Mar de Java e cortada por 13 rios.
Não é de se espantar, portanto, que inundações sejam frequentes na cidade. Mas não se trata
apenas do grande volume de enchentes, esta megacidade está literalmente ficando
submersa, adverte o pesquisador Heri Andreas, do Instituto de Tecnologia Bandung, que estuda há 20
anos o afundamento do solo de Jacarta. Menos dramaticamente que Jacarta que na sua região norte 95% da área pode ficar submersa em pouco tempo, são urgentes medidas de proteção ao Aquífero Guarani por aqui no interior do Brasil, por dia,
o Daerp (Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto) capta 260 milhões de
litros de água do aquífero e segundo informação também de Lucas Catanho, de A Cidade ON, a zona Leste de Ribeirão é a principal área de recarga do Aquífero Guarani, considerado por geólogos de vários país hoje o maior manancial de água doce entre fronteiras do mundo, 70% dele estão no Brasil e o restante entre Argentina, Paraguai e Uruguai. O manancial é responsável 100% pelo abastecimento de água de quase 1 milhão de ribeirão-pretanos. Por dia, só o Daerp capta 3 mil litros por segundo". Se Ribeirão Preto não sentiu a crise hídrica, isso se deu por causa do Aquífero Guarani”, defende Claudia Habib, promotora do Gaema (Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente). O professor de política ambiental da USP de Ribeirão, Marcelo Pereira de Souza, destaca que "o Aquífero Guarani é uma fonte maravilhosa de recursos hídricos”. Mas, prefeituras da região devem disciplinar o uso do solo e o uso da água, a população deve usar a água de maneira adequada para preservar este tesouro hídrico. Estudo técnico que serviu de base para o Plano Municipal de Saneamento Básico conclui que, se a infraestrutura de captação e de distribuição de água se mantiver como está hoje, Ribeirão conseguirá abastecer a população utilizando o Aquífero Guarani apenas até 2035. Inquérito do Ministério Público descobriu que o Aquífero Guarani já teve um rebaixamento de 70 metros e que a exploração do manancial hoje é quatro vezes maior que a recarga. A zona Leste de Ribeirão Preto é uma área de afloramento do aquífero, ou seja, abaixo do solo já está a rocha onde a água se infiltra e é aproveitada. Nessa região, após a terra já está a rocha com água nos interstícios, então não se pode construir o que seja e toda esta região precisa urgentemente se protegida. Este é o objetivo do projeto que planeja a efetivação da Estação Ecológica Guarani por ali, onde há pouco tempo existia um lixão a céu aberto. Já estão sendo preparadas quase 100 mil mudas de árvores nativas para esta reserva, que pode revitalizar toda a bacia hidrográfica do Rio Pardo. Porém por enquanto, ainda se trata na prática somente dum projeto. E então faz sentido também o alerta da simples moradora de Ribeirão Preto, Elisabete da Silva Oliveira. As autoridades políticas é que precisam acordar para esta realidade e para os alertas do movimento ecológico e científico.
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| Um novo drama: exploração no aquífero do Gás de Xisto |
(Mais informações e alertas na seção de comentários deste nosso blog, confira por exemplo os riscos da exploração do Gás de Xisto no Aquífero Guarani, projeto de empresas petrolíferas dos Estados Unidos)
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| A grande maravilha a natureza do interior do país precisa ser protegida com a maior urgência |
Fontes: BBC News - Terra - A Cidade ON - G1 da Globo
folhaverdenews.blogspot.com
Nesse momentop, 14h, apenas 2h após a postagem desta matéria quase 700 pessoas de várias regiões (de acordo com a medição do Google) já visualizaram este nosso post, chegando no total em 7 anos de Internet a quase 800 mil visualizações, o que é muito positivo pro nosso movimento ecológico, científico e de cidadania, na luta ambiental direto e sempre.
ResponderExcluirDezenas de pessoas entre centenas que visualizaram uma chamada da matéria no Facebook agora já curtiram este enfoque de luta a bem do Aquífero Guarani. Um deles foi João Noronha, que é de Franca (SP), atuou na capital paulista e em Belo Horizonte, Minas, como repórter fotográfico, hoje em Curitiba, no Paraná: eles nos enviou dois links de vídeos sobre pontos de contaminação das águas subterrâneas em Bauru e em Ribeirão Preto. A luta continua e está só começando. Vamos todos juntos.
ResponderExcluirAbraços Padinha, a luta ecológica continua sempre. 🇧🇷
ExcluirVamos juntos, todos os que amamos a ecologia e lutamos para avançar nosso país e nossa vida, abraço aí em Curitiba, paz, João.
Excluir"Estudos apontam que o uso de agrotóxicos no solo pode ser prejudicial demais nessas regiões de abrangência. Devemos proteger esse locais da instalação de lixões e de efluentes, de atividades como indústrias poluentes. A água do aquífero é nobre e não é importante só para nós, mas para toda a América do Sul”: comentário de Renato Crivelenti, engenheiro de Ribeirão Preto (SP).
ResponderExcluir"O Aguífero Gurani, importante para todo o planeta, é hoje considerado por geólogos de vários países o maior manancial de água doce entre fronteiras do mundo, 70% dele estão no Brasil e o restante entre Argentina, Paraguai e Uruguai": comentário de Cláudia Salles, professora de Geografia, formada pela Unesp de Araraquara (SP), que é de Santos (SP).
ResponderExcluirUm problema a mais entre tantos que colocam em risco a reserva de água do Aquífero Guarani, a exploração do Gás de Xisto. Logo mais estará postado aqui no blog, um vídeo feito no Mato Grosso sobre o perigo que representa o projeto de empresas multinacionais, vindas dos Estados Unidos, de se explorar por aqui no subsolo (manancial de águas) o Gás de Xisto, algo que não podem fazer lá, onde os ecologistas lutam em defesa de suas águas com muita informação, ao contrário do que ocorre no Brasil, onde a grande mídia vem se silenciando ou sendo silenciada sobre este problema.
ResponderExcluirNós aqui, por 3 ou 4 vezes fizémos no blog Folha Verde News matérias sobre o Gás de Xisto como uma das maiores ameaças ao Aquífero Guarani e nestes 3 ou 4 anos, apesar da repercussão dos posts no meios científico e ecológico, não vimos político nenhum buscar junto ao Poder Público medidas de proteção a esta riqueza nacional e continental. Contrariamente, a bem da ecologia, mais de 200 municípios do Paraná e Santa Catarina, já criaram legislação para impedir prospecção e exploração de Gás de Xisto em suas regiões.
ResponderExcluir"Se Ribeirão Preto não sentiu a crise hídrica de forma brutal ainda, isso se deu por causa do Aquífero Guarani”: comentário de Claudia Habib, promotora do Gaema (Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente).
ResponderExcluir"Eu destaco que o Aquífero Guarani é uma fonte maravilhosa de recursos hídricos”: comentário de Marcelo Pereira de Souza, professor de política ambiental da USP de Ribeirão Preto.
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