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Ouça o giro de notícias com o jornalista e ecologista Antônio de Pádua Silva (Padinha).

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

LIVE E EVENTO DISCUTIRAM UM APOIO À FAPESP AMEAÇADA POR CORTE DE VERBAS PELO GOVERNO PAULISTA

Jornal da USP questiona projeto de lei orçamentária do estado de SP para 2021 prevendo uma redução de 30% nos repasses à pesquisas elas que são fundamentais para vencer os problemas atuais da realidade brasileira


O valor extraordinário das pesquisas no Brasil influi...



 ...em vários setores e em várias regiões da realidade brasileira...

 ...hoje há 25 mil pesquisas sendo feitas em todo país com apoio da Fapesp

Recebemos por e-mail aqui no blog Folha Verde News matéria de Herton Escobar mostrando a situação agora da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Representantes de seis universidades estaduais e federais estiveram reunidos virtualmente nestes dias para uma live que foi na prática um evento de repúdio ao corte de recursos para Fapesp que está previsto no projeto de lei 627 do governo estadual. Em resumo, ele estabelece o orçamento para 2021 e entre outras coisas, prevê uma redução de 30% no valor que deverá ser repassado a esta entidade da maior importância para os cientistas e a ciência, para a população como um todo, na perspectiva de solução sustentável para os problemas brasileiros. Isso significará um corte de 454 milhões de reais nos recursos disponíveis para pesquisa científica e tecnológica no Estado de São Paulo, tanto nas universidades quanto no setor privado. A Fapesp gasta menos de 5% de seu orçamento com sua própria administração e investe mais de 95% dos recursos que recebe diretamente em bolsas e projetos de pesquisa, que fazem do estado paulista o principal motor do desenvolvimento científico no país.

 

 

Milhares de estudos podem definir a criação do nosso futuro



Corte inconstitucional - O orçamento da Fapesp é estipulado e protegido pelo Artigo 271 da Constituição Estadal de 1989 que determina que “O Estado destinará o mínimo de um por cento de sua receita tributária à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, como renda de sua privativa administração, para aplicação em desenvolvimento científico e tecnológico”. Essa vinculação constitucional de 1% nunca foi antes desrespeitada nem nos piores momentos da história do Brasil e de São Paulo.

 

 

São milhares de pesquisas...

...que vêm sendo feitas em busca de...

 ...resolver problemas e criar soluções

Tragédia anunciada - Pelas contas verdadeiras, esse 1% em 2021 equivaleria a R$ 1,5 bilhão; mas o projeto de lei propõe repassar apenas R$ 1,06 bilhão, o equivalente a 0,7%, usando como argumento a possibilidade de desvinculação de receitas prevista na Emenda Constitucional 93/2016.e no PL 529, que propunha confiscar as reservas financeiras da Fapesp e das universidades estaduais de 2021 em diante, que felizmente acabou há algum tempo sendo retirada pelo governo após forte pressão de vários setores da população e da mídia, informada sobre a dimensão que tem a sequência das pesquisas para resolver problemas e criar nova realidade (também para evitar um caos do ambiente e do clima). Na ocaisão, um abaixo-assinado da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp) contra o PL 529 recebeu 165 mil assinaturas.

 

(E a Academia de Ciências lançou, agora, um novo manifesto contra o corte na Fapesp, que você poderá conferir depois na seção de comentários deste blog da ecologia e da cidadania: na seção de vídeos, hoje vamos postar um resumo da live-evento denunciando a ameaça de corte de verbas e um outro, Tedx Talks sobre o que é afinal a sustentabilidade, que tem tudo a ver com o avanço das pesquisas, da ciência, da tecnologia, da criação do futuro)

  

A gente aqui se lembra do biólogo Paulo Nogueira Neto com meio século de luta  na USP pela Fapesp e pelo avanço da ciência ambiental no Brasil: a sua memória deveria ser respeitada hoje

O movimento em defesa da pesquisa, da ciência e do bom senso é organizado pelas Pró-Reitorias de Pós-Graduação da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal do ABC (UFABC), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Cada instituição contou com dois representantes no encontro, que foi transmitido ao vivo pelo Canal da PRPG USP no YouTube. A Fapesp já obteve ao longo de sua história totalmente positiva grandes conquistas para a ciência, a tecnologia, a saúde e a qualidade de vida da população paulista e brasileira, sendo que no momento ela está hoje apoiando 25 mil pesquisas em andamento por aqui e em todo o Brasil. 

 

Fapesp, a meca da criação do futuro sustentável no país


Fontes: Jornal da USP - AFP - Canal da PRPG USP

                folhaverdenewd.blogspot.com

 

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

PELA PRIMEIRA VEZ PESQUISADORES CONSEGUEM DESTRUIR NINHO DE VESPAS GIGANTES NOS ESTADOS UNIDOS

Elas são chamadas também de vespas assassinas pela mídia sensacionalista: estes insetos de 5 centímetros são uma nova ameaça de extinção das Abelhas e insetos polinizadores que por sua vez são essenciais para a ecologia da natureza

 

Elas ameaçam Abelhas que vêm sendo extintas em algumas regiões por excesso de agrotóxicos e de pesticidas

Muita gente pensava até hoje que vespas gigantes eram somente mito ou fruto de imaginação e sensacionalismo, porém a informação agora é que cientistas que pesquisavam o problema exterminaram o primeiro ninho de vespas gigantes asiáticas encontrado nos Estados Unidos. A espécie representa um perigo tanto para os humanos quanto para outros insetos. Estima-se que cerca de 40 pessoas morrem por ano, na Ásia, em especial no Japão e também na China, vítimas de picadas das vespas assassinas que também podem dizimar toda uma colônia de abelhas em poucas horas. O ninho, encontrado no estado de Washington, foi localizado após especialistas colocarem rastreadores em vespas da espécie, avistadas pela primeira vez na região há cerca de um ano. Cerca de 200 vespas viviam no ninho que foi sugado por uma mangueira a vácuo neste final de semana em uma área remota de floresta. A árvore onde os insetos estavam ainda será cortada para remover quaisquer outros ninhos. 


Foi documentada a destruição de um ninho de super vespa em Washington agora...

 ...estes insetos gigantes já haviam sido detectados antes em matas na região de Vancouver


Estes insetos mais comuns em regiões asiáticas estão entre as maiores vespas do mundo, com as rainhas da espécie podendo atingir mais de 5 centímetros de comprimento. Os Entomologistas, especialistas em insetos, que fizeram a remoção do ninho ao norte dos States correram riscos na operação, pois o ferrão das vespas pode perfurar as roupas de proteção de astronautas usadas no processo. A espécie com nome científico Vespa-mandarina também mais populares como vespas assassinas, têm uma picada poderosa e podem até cuspir veneno, lançado à distância. A principal presa das vespas são as Abelhas que não têm um mecanismo de defesa natural contra esse predador. Estas  super vespas invadem e ocupam as colmeias, matam as abelhas adultas e devoram as larvas e pupas. A picada das vespas gigantes, também chamadas de asiáticas, é dolorosa, mas elas só atacam humanos ao se sentirem provocadas ou ameaçadas. Mesmo que uma pessoa não seja alérgica, se ela sofrer algumas picadas pode não resistir as toxinas liberadas e morrer.


A vespa mandarina ainda está sendo investigada...

 ...a destruição de um ninho ao norte dos States vai avançar a pesquisa e talvez resolver o mistério


Teorias de conspiração à parte, ainda não se sabe como nem porquê as vespas chegaram ao Canadá e Estados Unidos. O habitat delas está em áreas florestais remotas da Ásia, . Canadenses destruíram um ninho encontrado na Ilha de Vancouver, em dezembro do ano passado. E agora se confirma mais este problema ambiental, ameaçando em especial as Abelhas, que vêm sofrendo ondas de desaparecimento, também na América do Sul e na África, devido a overdose de pesticidas e de agrotóxicos.  


Mais do que o aparecimento das super vespas o problema maior é a extinção das Abelhas que polonizam vegetais e produzem mel um dos alimentos mais nutritivos do planeta


(Confira que vamos postar neste blog da ecologia e da cidadania dois vídeos que de forma diferente documentam as super vespas e debatem este assunto, depois, caso a gente consiga dados vamos divulgar mais informações sobre elas na seção de comentários do Folha Verde News)


Assim, a luta é contra as super vespas mas em especial a favor da vida das Abelhas


Fontes: Yahoo - Uol -  AFP - North News

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terça-feira, 27 de outubro de 2020

O RIO PARAGUAI ESTÁ AGORA COM A VAZÃO MAIS BAIXA DOS ÚLTIMOS 50 ANOS

Uma seca histórica no rio Paraguai impede a navegação de barcos e ameaça tanto a economia como a ecologia deste país e por tabela do Brasil neste final de outubro, registrou a repórter Antia Castedo da BBC News Mundo e por sua vez o G1 da Globo informa que este rio é a principal fonte de água para o Pantanal porém hoje está no nível mais baixo em 5 décadas de medição:  em alguns dos seus pontos a profundidade não passa de um metro e meio, quando o ideal seria o dobro, perto da cidade de Corumbá, ponto crítico, são apenas 25 centímetros de água muito embora novas chuvas agora começam a dar os primeiros sinais de recuperação segundo o site Campo Grande News


A situação mais dramática em 5 décadas

A tragédia do Pantanal mais La Niña e a crise do clima e do ambiente acabando com as águas e peixes do Paraguai



Com a escassez de chuvas nos últimos meses no Pantanal brasileiro, o rio Paraguai já atingiu a mínima histórica, 4 a 8 centímetros abaixo de seu zero hidrométrico (o padrão para medir sua vazão, localizado em porto de Assunção, medido nesta semana)Em certos pontos, o rio não tem mais fundura, como o povo diz, ele não é mais profundo o suficiente para que navios comerciais maiores transportem grãos, combustível ou minério de ferro, travando também a economia. "Na bacia do Paraná mais à frente houve chuvas, mas a situação da seca no meio do rio Paraguai é absolutamente crítica", comentou Esteban dos Santos, presidente do Centro de Armadores Fluviais e Marítimos do Paraguai: "E o pior é que a profundidade está caindo a uma taxa de três centímetros por dia". Por causa disso, o governo paraguaio prevê que dentro de alguns dias ou semanas, se tudo continuar como antes — estas chuvas dos últimos dias não têm sido suficientes nem são regulares em 2020—  devido a isso os navios já começam a ter que ficar atracados no porto. "Se não for encontrada uma solução e esta situação persistir, a navegação será praticamente impossível, creio que dentro de um mês mais ou menos", alertou Jorge Vergara, diretor de Projetos Estratégicos do Ministério das Obras Públicas e Comunicações do Paraguai. 


 A medição da "fundura" das águas é a  pior em 50 anos...

Desmate, queimadas, incêndios, tragédia do Pantanal influi diretamente na seca do Rio Paraguai



O rio Paraguai, o maior do Pantanal, atingiu o menor nível dos últimos 50 anos. A noite dá para ver como o fogo continua ainda sobre o Pantanal, em Mato Grosso. E a luz do dia revela o tamanho da destruição ocorrida às margens da Transpantaneira, rodovia que cruza a maior planície alagável do planeta. A equipe do Jornal Nacional andou em cima de um Corixo, uma área que nunca tinha sido visto secar. Além do calor, muita fumaça. A pior seca do Pantanal. Voluntários rodam pela região tentando identificar novos focos e resgatando bichos. O pesquisador-chefe do projeto Bichos do Pantanal, que estuda a biodiversidade no bioma, diz que o fogo pode já ter matado milhares de animais. "Tem a seca do rio Paraguai e todo esse desastre ambiental. Realmente é muito. 20% do Pantanal está queimado. Você pode contar que 20% das populações dos animais que são lentos, que não sabem correr, nós perdemos também”, diz Douglas Trent, pesquisador do projeto Bichos do Pantanal. Uma coisa tem a ver com outra. O rio Paraguai, principal fonte de água para o Pantanal, está no nível mais baixo dos últimos 50 anos. Em alguns pontos não passa de um metro e meio, quando o ideal seria o dobro. Na cidade de Corumbá, ponto crítico, são apenas 25 cm de água. Os peixes estão morrendo nas baias, que secaram. Sem chuva, o nível da água diminui um pouco a cada dia. Quanto mais raso fica o rio, maior o risco de acidentes, até mesmo para os barcos pequenos que podem encontrar pelo caminho bancos de areia submersos. “Devido a essa seca horrível, tem muito banco de areia no rio. No meio do rio está bem raso e a gente pegou um e aconteceu isso, quebrou a hélice”, explica Wanderson Dalton, guia de turismo. A previsão de chuva para os próximos dias é uma esperança, mas para o seu José, que é pescador, as perdas já são incalculáveis: “Eu fico muito mal, muito triste porque eu sei que isso aqui é a fonte da minha vida”, conta José Santana Faria, pescador profissional.



(Confira depois mais tarde na seção de comentários deste blog da ecologia e da cidadania mais dados sobre esta situação do Rio Paraguai, nesta edição do Folha Verde News vamos postar dois vídeos, um deles um resumo em reportagem do Jornal Nacional da Globo e um outro, música Rio Paraguai, da região, com o grupo Canto da Terra)



 30% da fauna do Pantanal foi sacrificada pelos focos de fogo

A largura do Rio Paraguai se reduziu à metade


Até barcos de pescadores não estão podendo navegar


O grande Rio Paraguai ficou pequeno com essa crise do clima e do meio ambiente agora
 

Sinal de recuperação - Aline Santos, do site Campo Grande News, comenta que "o Rio Paraguai, principal curso de água do Pantanal, começou a responder à chegada das chuvas e as cotas começaram a apresentar tendência de estabilização neste 2020, ano de seca histórica, com menor nível em cinco décadas". Boletim do Serviço Geológico do Brasil aponta tendência de estabilização, sinalizando o fim do processo de seca. O documento destaca que o governo de Mato Grosso do Sul mesmo assim decretou situação de emergência e recomendou uso racional da água.



Fontes: BBC News Mundo - G1 - Campo Grande News

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segunda-feira, 26 de outubro de 2020

ESPANHA DESENVOLVE ESTUFA DO FUTURO NO DESERTO EM ALMERIA QUE PODE SER UMA SOLUÇÃO SUSTENTÁVEL PARA PRODUZIR FRUTAS E LEGUMES NO SEMIÁRIDO DO BRASIL

O projeto Greendomo é apoiado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional e transformou uma terra árida em jardim ou em fartura e em esperança para muita gente no mundo


 O que era um deserto em Almeria...

 ...hoje responde de 30% da produção de frutas e de legumes de toda Unidade Europeia


O que outrora foi um deserto é hoje em Almería, no sudeste de Espanha, um mar de plástico visto como o jardim da Europa. A agricultura intensiva de estufa trouxe prosperidade a esta área e com ela a especialização em novas técnicas de cultivo de frutas e legumes. Agora, um grupo de empresas pioneiras quer implementar esta tecnologia também em cidades (ou em outros países) com um modelo de estufa mais estético ainda, dez vezes mais produtivo e mais integrado ao meio ambiente, com harmonia, uma solução sustentável para a vida futura em muitos lugares do planeta ameaçados pela desertificação ou pela falta de água e de alimentos.



A estufa é um sistema de plantação vertical

   

"A estufa Greendomo tem a forma de um globo terrestre. É uma cúpula geodésica, composta por triângulos, que é a forma geométrica mais simples que existe. O consumo de energia e materiais é mínimo, de modo a que não haja obstáculos estruturais à chegada da radiação solar às plantas e para que estas possam fazer a fotossíntese", explicou Juan Pardo, que dirige a estufa para a empresa Novagric: "A energia da luz é distribuída aqui de forma global e homogénea, de modo a que não haja sombras que prejudiquem as plantas, a produtividade aumenta e o consumo de energia ou material é mínimo". 


Almeria já exporta frutas e legumes para toda Europa


O sistema de plantação vertical em colunas rotativas permite que as culturas sejam produzidas ao longo do ano, utilizando 70% menos água. A estrutura é hermética, o que vai protegê-la de condições climáticas adversas e de pragas que afetam o rendimento e a qualidade na agricultura mais tradicional. Esta estufa do futuro pode ser implantada agora em qualquer lugar do mundo (e também nas regiões brasileiras mais desérticas como a Caatinga no Nordeste).


Greendomo serão 50 mil hectares de estufas


A ideia é mesmo que estas estruturas possam ser instaladas em qualquer local: dentro das cidades, em parques, praças ou mesmo no topo de edifícios. Para a manutenção, são necessários apenas dois trabalhadores. (Pode ser uma boa alternativa para a produção de alimentos também em favelas e na periferia de grandes cidades brasileiras). Por sua vez, o gerente deste projeto nos informou que "este pode até ser ainda mais rentável do que um sistema de produção tradicional ou de um sistema convencional de agricultura intensiva. Porquê? Porque há a questão da proximidade, poupa no transporte, cumpre os requisitos da pegada de carbono e fornece um produto fresco. O consumidor pode pagar mais, mas sabe que aquele é um produto que acabou de ser colhido", falou Eduardo Pardo, que atua neste projeto, para uma empresa auxiliar, Tecnova.


Além do mais uma qualidade fora do comum...

...de alimentos produzidos onde antes era deserto


Enfim, a ideia da Greendomo em Almeria na Espanha pode desempenhar um papel importante na agricultura urbana e do futuro. Claro que é necessário o apoio de governos e fundações pioneiras para dar esse grande impulso, o que ajudará a satisfazer a crescente procura global de alimentos, bem como, transformar problema em solução na vida  dos habitantes de áreas desérticas e de cidades de todo o planeta. 


As estufas poderão render 1,5 bilhão de dólares por ano em frutas e legumes de alta qualidade, orgânicos, sem agrotóxico


Fontes: Euronews - Novagric - Tecnova - Youtube

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sábado, 24 de outubro de 2020

POVO DA FLORESTA NO ACRE TRATOU DA COVID-19 SÓ COM PLANTAS DO MATO E COM A PROTEÇÃO DOS PAJÉS

"Só uma família na minha aldeia não chegou ser infectada com o Coronavírus", diz Ninawa falando do que aconteceu lá com a comunidade indígena acreana Huni Kuin povo da Amazônia em entrevista à BBC News 



Ninawa contou a BBC como foi a luta do seu povo da floresta ...

...que contou só com Pajés e a magia das plantas para escapar do Coronavírus


Praticamente sem acesso a serviços de saúde, os Huni Kuin trataram da Covid-19 somente com plantas medicinais nativas e doações, explicou Ninawa nesta reportagem e texto de Camilla Veras Mota, de São Paulo, reportagem e imagens de Fernando Crispim e José Monteiro, de Feijó (AC), e produção de Ana Terra Athayde, do Rio de Janeiro, "é um material de grande expressão e de valor para a gente entender a realidade brasileira no norte do país, que recebemos por e-mail aqui no blog da ecologia e da cidadania", comenta por sua vez o editor do blog Folha Verde News, Antônio de Pádua Silva Padinha. Confira a seguir alguns dos principais momentos deste material da BBC made in Brazil. 


A antiga cultura Kaxinauá do povo Huni Kuia...


...substituiu a medicina da cidade e jovens índias da tribo...

...criaram máscaras de proteção no estilo dos Hunis Kuias


Em meados de maio, o tio de Ninawa Inu Huni Kui, líder dos Huni Kuin, comunidade indígena espalhada pelo Estado do Acre, começou a sentir sintomas de gripe. Quando a tosse e a febre evoluíram para "dor no pulmão" e falta de ar, veio a desconfiança de que ele poderia ter sido infectado com a doença nova que circulava "na cidade". Maná duá Bakê foi o primeiro caso de Covid-19 da aldeia, que, em algumas semanas, viu praticamente todos os seus 200 habitantes, distribuídos em 40 famílias, caírem doentes. "Só uma família não foi infectada", conta Ninawa. A aldeia Maê Txanayá fica no extremo noroeste do país, próximo à fronteira com o Peru, no território Hênê Bariá Namakiá. Quatro dias antes de apresentar sintomas, Maná tivera contato com uma pessoa vinda de Feijó, o município mais próximo, que está a seis horas de barco pelo rio Envira. A localização remota explica, em parte, por que apenas duas pessoas chegaram a ser atendidas no hospital — uma mulher grávida e uma adolescente de 12 anos. A maioria foi tratada na aldeia mesmo pelos Pajés, com plantas medicinais do mato, utilizadas em chás, defumações e poções mágicas. 


 Pajés na medicina tradicional do povo do mato...


 ...conseguiram com plantas, poçoes e infusões...

...salvar esse povo do Acre da destruição pelo Coronavírus


No período da pandemia mesmo na aldeia, quando estava todo mundo acamado e bem complicada a situação, não apareceu ninguém da Saúde. Então os pajés tomaram essa decisão, com resultados muito positivos na utilização da medicina tradicional indígena. Porque, se fosse esperar por assistência do sistema de saúde, se fosse depender disso, acho que teriam acontecido coisas bem mais piores. Muitas mortes. Segundo a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), ligada ao Ministério da Saúde, o primeiro caso de covid em um indígena da aldeia foi oficialmente diagnosticado em 6 de julho no município de Feijó, uma mulher. "Dada a necessidade de monitoramento para identificação de possíveis novos casos, a equipe de saúde se dirigiu imediatamente à região, estando presente no local no dia 08/07, ocasião em que a coordenadora do DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena) Alto Rio Juruá também compôs a equipe", afirmou, em nota, a assessoria de imprensa deste serviço. Sebastião Carlos Oliveira Amorim Kaxinawá, genro de Maná, afirma, entretanto, que após o atendimento em julho a aldeia não teve mais contato com os agentes, a não ser pela visita de um dentista algum tempo depois. Ninawa foi o terceiro da aldeia a pegar a doença. Acha que foi infectado no hospital, já que, alguns dias antes, fizera um procedimento para retirada da vesícula. Não chegou a desenvolver uma forma grave de Covid-19, mas atingiu o que ele apelidou de "terceira fase": teve febre, diarreia, "dores no pulmão" e muita dor nas articulações. Como líder da Federação do povo Huni Kuin no estado do Acre, ele se divide entre a capital, Rio Branco, e a aldeia. E foi na cidade que ele ficou recluso por mais de um mês, já que o exame diagnóstico, depois dos primeiros 14 dias de quarentena, continuou dando positivo. "Depois eu fiz e não deu mais positivo. Foi quando eu saí para poder correr atrás de socorro pra ajudar o meu povo também". Comunidade fez vaquinha na Internet para garantir alimentação e alguns equipamentos médicos para os indígenas infectados ou ameaçados pelo Coronavírus. Por meio da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Ninawa e outros líderes indígenas da região se articularam para pedir doações. Do poder público, segundo ele, a aldeia recebeu algumas cestas básicas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), distribuídas pela Funai. No início, a principal necessidade era de alimentos, já que parte dos indígenas depende da cidade para comprar mantimentos e, naquele momento, o isolamento era quase total. Depois, a demanda era por materiais de limpeza e alguns equipamentos médicos. Carolina Marçal dos Santos, que trabalha na campanha Amazônia do Greenpeace, uma das entidades que se mobilizaram nesses últimos meses, conta que unidades de atenção primária indígena, algo semelhante a uma "enfermaria de campanha", chegaram a ser construídas dentro de alguns territórios. "Era prá que eles tivessem condições de enfrentar a situação ali dentro e não precisassem ser deslocados para regiões distantes". O projeto, batizado de Asas da Emergência, fez até o momento 68 voos para distribuir mais de 63 toneladas de doações, percorrendo mais de 96 mil km. "Faltam coisas básicas como sabão, álcool e coisas mais focadas para atenção de saúde, como cilindros de oxigênio, que a gente tem levado. Em muitas regiões não há energia, a gente precisa inclusive levar geradores para que possam ser utilizados esses equipamentos médicos", contou Carolina Marçal dos Santos. 


 

O coletivo de artistas indígenas Mahku ajudou muito...

 ...para mobilizar recursos e boas energias ao seu povo...

 ...através da arte da floresta dos Kaxinauás e Huni Kuins

Arte Huni Kuin tem base no sentimento e na magia da natureza, copie e abra este link no Youtube:

https://www.youtube.com/watch?v=O_eEa3FBTec


Os dados agora da Secretaria Especial da Saúde Indígena (Sesai) apontam 30,7 mil casos de Covid-19 entre indígenas no país e 462 óbitos. Quase 80% das comunidades indígenas da Amazônia foram atingidas. No caso, a aldeia dos Huni Kuin soma 16 mil pessoas, não se sabe ao certo quantas foram afetadas (ou se curaram com plantas, defumações e poções). Levantamento feito pela Coiab apenas para a região amazônica com dados complementares fornecidos por lideranças e profissionais de saúde, entretanto, sinalizam um total bem maior: 26,1 mil casos e 676 mortes, com 132 das 170 comunidades indígenas da Amazônia atingidas, quase 80%. Uma das razões para a discrepância entre os números é o fato de que as informações oficiais consideram apenas os indígenas que habitam aldeias. A Coiab e o instituto de pesquisa ambiental da Amazônia (IPAM) argumentam, entretanto, que os indígenas formam um grupo de risco independentemente do local em que moram e, por isso, aqueles que vivem nas cidades também devem compor as estatísticas. Levantamento: a taxa de mortalidade por Covid-19 entre indígenas é 150% mais alta do que a média brasileira e 20% mais alta do que a registrada na região Norte (que é a maior do país). Detalhe: conforme o registro oficial, não há óbitos na aldeia de Ninawa, mas entre os Huni Kuin, que contam quase 16 mil habitantes distribuídos em 5 municípios diferentes, foram contabilizados 8 mortes quase todos idosos. "Com eles foi embora muito conhecimento, de todos os tipos, principalmente da medicina. Os anciões são nossas bibliotecas vivas", argumenta Ninawa. 


Foto de Cassandra Kury de criança Huni Kuin...


...um povo de grande beleza e tradição cultural nativa


Por ali no alto do Rio Juruá,  o próprio modo de vida das comunidades acaba facilitando o contágio de um vírus. São vidas de comunidade, em que tudo é muito compartilhado: "Todo mundo é acostumado a comer junto, estar junto, participando das atividades, dividindo a vida", diz Ninawa. Assim, na tentativa de conter o surto nas aldeias, além de orientar a população sobre a necessidade do distanciamento social, as lideranças indígenas chegaram a distribuir cartilhas e a gravar áudios na língua local explicando o que era a doença e como ela era transmitida. Hoje a situação está melhor, ele conta. Mas a ideia é "não facilitar", já que o Coronavírus continua circulando."O povo voltou novamente, não 100%, mas retomou o convívio social na comunidade", falou Ninawa, com um porém: "Sempre que tem uma reunião nas comunidades os pajés estão lá com as ervas e sua energia fazendo sua defumação". Cá entre nós, foi o que salvou este povo da floresta, que por enquanto sobrevive no Acre. 


(Confira depois outros trechos da reportagem BBC bem como outras informações sobre o povo Huni Kuin (Kaxinauá) na seção de comentários deste blog, onde vamos postar dois vídeos, um deles, de que participou em sua realização o escritor Ailton Krenak e um outro, um filme sobre este povo ancestral do Acre e da Amazônia que vale a pena conferir e salvar a bem da cultgura popular brasileira)



 Jovens criaram um jogo online sobre o povo Huni Kuin...


 ...no rio Juruá depois que ele se abraça com a floresta...

...como assim desta forma contou Ninawa

MAIORIA - 64,5% dos índios e índias de várias regiões e etnias entrevistados na pesquisa de Elaine Barbosa de Moraes, com apoio da Fapesp, respondem que preferem as plantas do mato do que os remédios de branco, logo mais esta informação vai estar nos comentários da matéria sobre o povo Huni Kuin do Acre, sem socorro da Saúde, o que salvou milhares de pessoas por lá do Coronavírus foi a sabedoria da natureza dos Pajés,


Fontes: BBC - Kaxinawá - Instituto Catitu - Coletivo Nahku

               folhaverdenews.blogspot.com



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