quarta-feira, 14 de novembro de 2018

CIDADES QUE PRESERVAM OS SEUS RECURSOS NATURAIS OU AS SUAS ÁREAS VERDES MERECEM E PRECISAM RECEBER MAIS RECURSOS GOVERNAMENTAIS

Um programa pioneiro no Brasil hoje beneficia 204 municípios no Paraná que foi o primeiro estado a implantar esta política pública ambiental: agora em Nova Iorque já se busca até usar áreas subterrâneas da cidade (confira o vídeo que está hoje aqui no blog da gente) em busca do lazer e da saúde da população urbana e do meio ambiente por exemplo para bancar a preservação de nascentes e de rios nessa época que já há escassez hídrica em várias regiões do país e de cortes orçamentários muito grandes no setor ambiental do Governo (como você pode constatar na seção de comentários aqui do nosso webespaço de ecologia e de cidadania)


Londrina e o Paraná foram pioneiros no ICMS Verde



Laís Taine fez uma reportagem no site e jornal Folha de Londrina sobre o Paraná enfocado como pioneiro em aplicar recursos no meio ambiente, captados desde 1991, quando por lá foi implantada a Lei Complementar que visa destinar parte maior do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) aos municípios que abrigam e cuidam em seus territórios de  unidades de conservação, áreas protegidas ou mananciais de abastecimento locais ou regionais.  Já atualmente, o ICMS Verde atualmente é replicado em outros 15 estados brasileiros, sendo uma das raras fontes de investimento das cidades brasileiras em recursos naturais ou em carências e problemas ambientais urbanos, que não são poucos numa era de poluição e outras formas de violência neste setor. Pela Constituição Federal em vigor no país, 25% da arrecadação do ICMS dos estados deve ser repassada aos municípios. Desta quantia, no mínimo três quartos são distribuídos conforme a proporção do valor adicional fiscal e um quarto seguindo leis estaduais. No Paraná, 5% do valor repassado aos municípios são oriundos do ICMS Verde, dividido em duas partes: metade para aqueles que possuem mananciais de abastecimento de água regional e outra parte aos que possuam unidades de conservação, áreas de terras indígenas, RPPN (Reservas Particulares do Patrimônio Natural) ou remanescentes de áreas florestais. Rubens Lei, que coordenou o ICMS Ecológico por Biodiversidade do Paraná, fala que o projeto incentivou a preservação ou a recuperação do equilíbrio ecológico, estimulando a manutenção de áreas protegidas e o cadastro de novos territórios. "É uma grande ferramenta para fazer a gestão de áreas de natureza, impacta de forma positiva a renda dos municípios. Hoje nós temos diversas cidades que tiveram forte ampliação da receita por conta do ICMS Verde". Mas ele mesmo admite que em alguns casos e em alguns lugares estes recursos acabam por não serem aplicados no meio ambiente, que em geral na realidade urbana é um dos setores mais carentes de verbas ou de investimentos governamentais e municipais. 


Área de floresta nativa preservada na região de Londrina

 Recursos hídricos e lazer ecológico vitais no Paraná e em todo país




A lei não exige que todos os recursos sejam aplicados exclusivamente em questões ambientais. "O IAP (Instituto Ambiental do Paraná) não monitora, tampouco pode direcionar a aplicação do recurso. Contudo, algumas ações são planejadas objetivando a melhora na qualidade da unidade de conservação da natureza e demais áreas especialmente protegidas", comenta Rubens Lei. Este incentivo gera novas formas de pensar questões ambientais, podendo gerar um crescimento da pesquisa científica também nas unidades de conservação, além de aumentar a conscientização da população por meio da educação ambiental. Desde 1991, ano da implementação da lei, até os dias atuais, a evolução  que se registra lá é de mais de 1 milhão de hectares de superfícies protegidas no Paraná, o que resultou  em um aumento global de 147%, muito devido aos critérios de distribuição do recurso, que entre outros fatores, leva em conta o percentual de área verde que existe num município. Enfim, se trata de um caminho que hoje precisa ser apoiado e ampliado em busca dum desenvolvimento urbano sustentável nas cidades brasileiras.  


Poluição das águas e do ar nas cidades precisam de recursos


No Paraná, proprietários de áreas preservadas ambientalmente podem contribuir com o aumento do repasse do ICMS Verde ao município ao cadastrar parte ou todo território como RPPN (Reservas Particulares do Patrimônio Natural), sem aí perder o direito da propriedade. "Não é uma doação, é um cadastro. O proprietário irá continuar sendo o responsável pela área, a diferença é que a região fica registrada como unidade protegida, aumentando o índice que gera receita ao município", diz o texto desta lei. O ato é voluntário e, seguindo normas, a área pode receber parte do recurso à gestão dessas unidades. A regularização das parcerias entre gestores públicos e privados se deu também de forma pioneira no Paraná. Considerando que a manutenção das áreas de preservação tem um custo e que o seu cadastro contribui no cálculo de valores recebidos pelo município, o decreto visa regularizar o repasse às RPPN, que deve conter todo um Plano de Manejo, definindo então todas as atividades a serem desenvolvidas e indicando as medidas de conservação. Os recursos recebidos deverão ser utilizados exclusivamente na manutenção dessas reservas, últimas manchas de natureza nas cidades.



 Quanto mais natureza nas áreas urbanas mais ecologia e melhor saúde para a população


(Confira aqui na seção de comentários mais informações sobre recursos no Paraná e em Londrina destinados ao meio ambiente, por exemplo, na recuperação de rios e proteção de nascentes, algo que indica um rumo positivo nesta era de crise na economia e nas finanças das cidades ou de cortes governamentais no meio ambiente, luta a bem da última ecologia urbana) 



Hortas orgânicas em torno das cidades são cada vez mais urgentes


 Há soluções e tecnologia, faltam recursos


Fontes: Folha de Londrina - Ted Channel - WWF
              folhaverdenews.blogspot.com

terça-feira, 13 de novembro de 2018

CIENTISTA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO ALERTA SOBRE DANOS AO BRASIL CASO O MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE SEJA FRAGILIZADO OU "VENHA A SER APENAS UM ÓRGÃO DE FACHADA"

Para o professor Enrico Bernard que dirige o Laboratório de Ciência Aplicada À Conservação da Biodiversidade da UFPE este é um momento decisivo para se revalorizar o MMA e não acabar com ele (o que causaria um grande dano ao país) e sim dar estrutura ao setor que é vital para o desenvolvimento sustentável brasileiro



Pesquisa da UFPE mostra pressão do agronegócio sobre espécies ameaçadas de extinção no Brasil


O pesquisador da Federal de Pernambuco foi entrevistado por Daniela Bragança, do site O ECO, para falar sobre o trabalho da pesquisadora Fernanda Silva de Barros que, sob a ótica técnica, critica o Agronegócio em relação a animais em extinção na natureza brasileira (em resumo, a pesquisa mostra que a pecuária e a soja entre outras atividades impactam 2 em cada 3 espécies de vertebrados ameaçados de desaparecimento no Brasil agora). Em seguida, mais detalhes deste estudo que em breve estará sendo publicado nas principais revistas científicas do planeta e divulgaremos por aqui também neste blog. Agora, a gente aqui no blog da ecologia e da cidadania abre discussão primeiramente sobre algumas declarações do diretor do laboratório da UFPE que supervisiona este estudo: ao falar sobre ele para a mídia, o professor Enrico Bernard deixou escapar alguns comentários de preocupação com toda a estrutura do Meio Ambiente no Brasil, ele falou perguntado por repórteres como da Agência Brasil no calor destes tempos de discussão sobre qual será o destino do Ministério do Meio Ambiente a partir de 2019, considerando a tendência do novo governo eleito de dar mais peso para a bancada ruralista do Congresso Nacional, ela que será decisiva na hora de se escolher o novo ministro da pasta ambiental brasileira.



 Fala um cientista especializado



Um cientista especializado em meio ambiente -  Ligado ao Departamento de Zoologia da Universidade Federal de Pernambuco, Enrico Bernard é graduado em Ciências Biológicas pela FFCLRP USP (1995), sendo mestre em Ecologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (1998) e Doutor em Biologia pela York University, Canadá (2002). Responsável pelo Laboratório de Ciência Aplicada à Conservação da Biodiversidade e Professor de Biologia da Conservação no Departamento de Zoologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife, hoje ele é orientador credenciado junto ao PPG em Biologia Anima, tendo sido gerente de projetos ambientais em organizações não-governamentais (2003-2009), atuantes, entre outras atividades no setor na Amazônia e também em Minas Gerais. Editor de publicações científicas, possui grande experiência nas áreas de Zoologia e Ecologia, com ênfase em Conservação de Biodiversidade, atuando especialmente na conservação de ecossistemas tropicais, mantém relacionamento com pesquisadores do exterior também, além de atuar na implementação de políticas públicas voltadas à conservação da biodiversidade. Enfim, um cidadão qualificado numa das áreas mais sensíveis e importantes sob o ponto de vista da recuperação do equilíbrio ambiental essencial a todo o país e mais ainda ao Brasil na atualidade. 



Suçuarana, uma das espécies mais ameaçadas de desaparecimento

Das espécies ameaçadas quase a metade sofre pressão do agronegócio


"A média de pressões aumenta sobre as espécies", explica Enrico Bernard: "Das 464 espécies, 168 sofrem com apenas uma pressão. Só que 58% das 464 tiveram duas ou mais pressões simultâneas e há exatamente uma tendência de que as espécies de grupos mais ameaçados, como mamíferos e aves, experimentem mais pressões e ameaças”. Ele cita para exemplificar os casos da Suçuarana ou onça-parda (puma concolor), do Macaco-Prego sapajus cay – espécie que ocorre no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul –, e do Macaco Guigó-de-coimbra-filho (callicebus coimbrai) apresentam, cada uma, 10 pressões ou ameaças cada uma destas espécies. O estudo da pesquisadora Fernanda Silva de Barros, que ele orienta, é uma pesquisa do Laboratório de. Ciência Aplicada à Conservação da Biodiversidade da Universidade Federal de Pernambuco, revelando que o agronegócio impacta 2 em cada 3 espécies de vertebrados ameaçados de extinção no Brasil. A pesquisa reuniu os dados de 464 espécies de vertebrados que estão na Lista Vermelha dos ameaçados de extinção do ICMBio e localizou 1036 registros de pressões e ameaças. Dos 1036 registrados, 452 são diretamente decorrentes do agronegócio, o que torna este setor o que mais ameaça espécies de vertebrados no país, muito mais por sinal do que as mudanças climáticas. Esta é uma situação que precisa realmente ser modificada. 


A recuperação do equilíbrio da ecologia...

...ajudará todos os recursos naturais e até a economia ou a saúde 



Para Enrico Bernard, esta pesquisa que resumimos a grosso modo aqui no blog da gente, evidencia que a ideia (já abandonada) de se  juntar o Meio Ambiente com a Agricultura, que felizmente foi descartada pelo novo Presidente da República, não daria certo:"Seria unir em um único órgão tanto o responsável pela proteção de espécies ameaçadas como o setor que mais pressiona ou ameaça essas espécies". Mesmo com o anunciado abandono da ideia de fusão dos ministérios antagônicos, o cientista Bernard está cauteloso. “Nós que acompanhamos essa questão no dia a dia sabemos que não precisa fundir órgãos para acabar com a ação do Ministério do Meio Ambiente, há como matá-lo por inanição ou ir lentamente desmontando os quadros, estrangulando ainda mais o orçamento, ao mesmo tempo que se mantém algo assim como um MMA de fachada, mas sem a capacidade operacional capaz de executar todas as funções que ele deve e precisa executar. Então, isso também deveria estar sendo considerado e discutido amplamente pela mídia e pela própria população, a bem do Brasil". 

Cientistas e pesquisadores também preocupados com o MMA 



Fontes: oeco.org.br – Agência Brasil
              folhaverdenews.blogspot.com

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

A MAIORIA DAS PESSOAS DE TODAS AS REGIÕES DO PAÍS CONSIDERAM MUITO IMPORTANTE PRESERVAR A NATUREZA DO BRASIL

Pesquisa do instituto Imazon resume dados sobre este tema da hora e o blog de Alexandre Mansur discute detalhes deste levantamento. Aqui no Folha Verde News a gente hoje abre o nosso webespaço para estas informações e comentários que estão divulgados também no site Exame da Abril, bem como nas redes sociais (estão em posts de ativistas de vários setores e postagens do movimento ecológico, científico e de cidadania): este levantamento divulgado aqui hoje é essencial para todos os que buscamos o desenvolvimento sustentável, algo capaz de equilibrar os interesses econômicos com a preservação do meio ambiente, um enfoque superimportante na realidade agora



Esta pesquisa de opinião pública mostra o que o povo pensa da nossa natureza



“Não mexam com a floresta”, escreve Alexandre Mansur no blog ligado à agência de causas O Mundo Que Queremos, o seu texto é ilustrado com uma foto de Marcelo Camargo que mostra criança que vive em comunidade ribeirinha no  Amazonas de coletar castanha, borracha e óleos vegetais, sem destruir a natureza, mantendo a floresta em pé. Ele também divulga o levantamento feito pelo Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), comentando que “a pesquisa de opinião demonstra que os brasileiros de todas as regiões do país defendem a integridade e até a expansão das áreas de preservação da Amazônia”. Mansur acrescenta ainda que “O país pode estar polarizado. Mas, quaisquer que sejam as diferenças ideológicas, de visão política ou de região onde moram, os cidadãos têm em comum sua visão de orgulho pela riqueza natural do Brasil”.




Alexandre Mansur postou esta foto de Marcelo Camargo para ilustrar esta pesquisa


Aqui, um resumo da pesquisa do Imazon -  Uma sondagem feita pela organização de defesa do consumidor ReclameAqui, para o Imazon revela que cidadãos e cidadãs de várias regiões brasileiras condenam também ataques recentes às áreas de conservação. A pesquisa foi realizada assim: foram convidados todos os usuários cadastrados nesta agência (cerca de 20 milhões de usuários no total do cadastro) a responderem um questionário com oito perguntas. Entre 26 de outubro e 4 de novembro agora foram recolhidos 4.294 questionários integralmente pela Internet. As pesquisas foram feitas por região do país, porque há o entendimento que a visão ambiental varia de um lugar para o outro. Os resultados mostraram que, embora os brasileiros em geral apoiem a conservação da Amazônia, quem mora na própria região Norte tem uma perspectiva diferente (talvez porque convive mais diretamente com áreas nativas). Metade dos questionários são de pessoas que conhecem e usam parques e unidades de conservação em todas as regiões. Já visitou algum parque nacional ou estadual? Quase 50% dizem que sim no Sudeste, entre os nordestinos, 40% de repostas afirmativas. Em todas as regiões brasileiras, muito, muito pouca gente teve condição ou oportunidade de conhecer ao vivo florestas da Amazônia, uma minoria, diante do custo e dos limites atuais do Ecoturismo no país.


 Ecoturismo como em Foz do Iguaçu visto como positivo


Em geral, a maioria dos entrevistados apoiam a existência das Unidades de Conservação. Sobre as áreas preservadas na Amazônia, a maioria fora da região Norte (83% no Centro-Oeste, 87% no Nordeste, 88% no Sudeste e 82% no Sul) acham que a região não está devidamente protegida e que se precisa reservar mais áreas de conservação. Entre os que acham que a Amazônia tem áreas protegidas em excesso e que falta terra para produção, a maior proporção está no Centro-Oeste, com 5%, e a menor no Sudeste, com 4%. A resposta é diferente na própria região Norte, onde 65% opinam que é preciso proteger mais ainda, 18% dizem que há área suficiente protegida e lá ainda 17% acreditam que falta terra para produção. Computando tudo, a maioria em todas as regiões acha que é preciso preservar mais. Os entrevistados apoiam a existência das Unidades de Conservação em sua maior parte, discordam que o Brasil proteja mais do que deve e não acreditam que falte terra para produção. (Neste ponto, vale lembrar que outras pesquisas já mostraram que já há terras suficientes para ampliar a agricultura e a pecuária, não sendo necessários desmatar mais nada, nem mesmo um alqueire mais de matas, como divulgou a campanha do Greepeace, Desmatamento Zero).

Arte de Krischner Franzi sobre o povo do Brasil


Na região Norte, 88% responderam que os parques da Amazônia são “patrimônio público que conserva a floresta, os rios, a biodiversidade, as chuvas e têm potencial para o turismo”. Apenas 12% optaram pela afirmação que são “terra improdutiva que poderia ser usada para agricultura, pecuária, gerando empregos e alimentos”. Nas outras regiões, o apoio é ainda maior. Cerca de 95% acham que os parques são patrimônio público que conserva as florestas. E apenas 5% dizem que são terra improdutiva. Sobre os invasores das Unidades de Conservação, 62% no Norte e 66% no resto do país pensam que sejam “latifundiários que querem se apropriar do patrimônio público para enriquecer mais”. Apenas 9% no Norte, 7% no Sudeste e Nordeste, 4% no Sul e Centro-Oeste admitem que as pessoas “fazem isso porque precisam de terra para produzir e alimentar sua família”. Para 95% dos que responderam a esta pesquisa, quando um grupo de pessoas ocupa terras públicas protegidas na Amazônia (para tirar madeira ou criar bois) eles estão se apropriando de um bem do povo brasileiro para 95% de quem responde na região Norte e de 97% a 98% de quem responde nas outras regiões. Só 5% na região Norte e 2% a 3% nas outras regiões acham que essas ocupações são vistas como justiça social (usar uma terra improdutiva para subsistência).

Queimadas, o desmatamento, a poluição, a destruição dos recursos naturais...


Quem representa a maior ameaça para a preservação?  - "Os grandes latifundiários gananciosos” são os culpados para a maioria: 55% no Norte, 62% no Sul, 64% no Nordeste e Sudeste e 68% no Centro-Oeste. Os “interesses estrangeiros” levam a culpa para 22% no Centro-Oeste, 25% no Sul e Sudeste, 27% no Nordeste e 30% no Norte. “Populações pobres com falta de opção para produzir” levam a responsabilidade para 6% no Centro-Oeste, 7% no Nordeste, 8% no Sul e Norte, 9% no Sudeste. Ao contrário do que muita gente supõe, a maior parte da Amazônia é terra pública. Pesquisadores do Imazon (com base em dados federais e estaduais) estimam que 18% das terras são privadas, 30% estão indefinidas (podem ou não ter títulos válidos), e os outros 52% definitivamente são patrimônio público. A maioria da população acha que essas áreas públicas devem continuar com florestas. Entre os entrevistados de todas as regiões, de 1% a 2% acham que essas terras devem ser “loteadas e vendidas para produtores rurais”. Cerca de 17% na região Norte e 7% no resto do país acreditam que essas terras devem ser “usadas para geração de renda a partir de produtos da floresta”. O restante dos entrevistados – a maioria em todas as regiões – acha que essas florestas devem ser mantidas intocadas e apenas para uso turístico ou sustentável. 

 Pedro Paulo Diniz é um empresário que se dedica a alimentos orgânicos e acredita no uso sustentável dos recursos naturais

Sinal de alerta para empresários e políticos -  Segundo comentou Alexandre Mansur em seu blog, postado no site Exame da Editora Abril, “está claro o sinal para o setor produtivo e para o poder público. As empresas que desejam manter boa reputação diante dos consumidores, fornecedores e investidores devem manter distância de grupos envolvidos em invasões de terras públicas ou de grupos mobilizados para reduzir Unidades de Conservação. Não pega bem. Isso é especialmente crítico para negócios com cadeia de valor na Amazônia, como pecuária, madeira ou soja. Também é mais seguro garantir que não há ilegalidade na cadeia de suprimento. Principalmente uso irregular de recursos em terras públicas de conservação, como madeira roubada de terra indígena ou carne de bois criados ilegalmente em alguma Unidade de Conservação imprópria para esse fim. Para o poder público, o recado é que a população quer ajuda para proteger – e até expandir – as áreas preservadas. Existem várias formas de gerar riqueza e empregos de forma sustentável na Amazônia”.


 Operações do Ibama tentam combater a destruição das florestas



Fontes: exame.abril.com.br - Greenpeace - Agência Brasil
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domingo, 11 de novembro de 2018

BRASIL PODERIA VIR A SER LÍDER EM DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL NO MUNDO DIZEM CIENTISTAS AO LANÇAR RELATÓRIO EM ENCONTRO INTERNACIONAL NO RIO DE JANEIRO

Ecosystem Services Partnership: encontro de toda América Latina lançou documento com um 1º relatório elogiando o potencial da biodiversidade brasileira mas criticando o fato que ela precisa ser assimilada pelos governos e apoiada por políticas públicas por aqui em nosso país como já ocorre hoje em outros países



Há um movimento científico para apoiar a busca do desenvolvimento sustentável no país


Pesquisadores em busca do equilíbrio entre economia e ecologia para mudar e avançar a realidade no Brasil

Recebemos aqui no blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News informações sobre este encontro de cientistas, que acontece em vários lugares do mundo, a plataforma brasileira do Ecosystem Services Partnership. Uma de nossas fontes é a matéria da repórter Akemi Nitahara, da Agência Brasil, bem como uma outra, uma resenha completa do evento desta semana, divulgando as primeiras conclusões e que nos foram relatadas por André Julião , da Agência Fapesp.  A seguir, vamos fazer aqui um resumo destes resumos para você ter uma ideia da importância deste conteúdo, no sentido do país avançar para um equilíbrio sustentável entre os interesses ecológicos com os econômicos. Ao apresentar a sua visão, a professora da Universidade de Brasília Mercedes Bustamante afirmou que o protagonismo do Brasil na questão do desenvolvimento sustentável poderia se dar pela biodiversidade que sua natureza tem, uma vez que possui 42 mil espécies vegetais e 9 mil espécies de animais vertebrados, além de 129 mil espécies de invertebrados conhecidos, embora também a lista de espécies ameaçadas de extinção tenha 1.173 animais e 2.118 plantas. 

 O potencial de sustentabilidade brasileira é grande mas os avanços de gestão nesse sentido pequenos

Há muitos pesquisadores e técnicos atuando mas as políticas públicas precisam crescer com urgência


Mercedes Bustamante e outros pesquisadores destacaram que existe também uma diversidade cultural importante em nosso país, que poderia ajudar mudanças e avanços, levando em conta que há 5 milhões de brasileiros que pertencem a comunidades tradicionais, como indígenas, quilombolas, caiçaras e ribeirinhos, que dependem diretamente da natureza no seu modo de vida e trazem um rico conhecimento de práticas agroecológicas e medicinais. Essa população ocupa um quarto do território nacional. E deveria ser valorizada e não desprezada ou ignorada pelos políticos e pela população. Na questão econômica, o levantamento ressalta que a biodiversidade do Brasil permite a exportação de 350 produtos agrícolas. E relembra que 70% do consumo de alimentos pela população brasileira vêm não do grande agronegócio e sim da agricultura familiar. Foi também destacado que dois terços da energia elétrica que o Brasil consome são produzidas em usinas hidrelétricas que, por outro lado, dependem da integridade do ecossistema. Somos também o terceiro maior exportador de produtos da silvicultura, com 3,64% da produção mundial: "Infelizmente porém, vivemos uma crise sistêmica global, expressa por várias situações, como a pressão demográfica, a escassez de recursos, as mudanças nos padrões de consumo, o que é chamado de tempestade perfeita de crises simultâneas”, afirma o documento. É urgente que haja avanços para garantir um futuro sustentável. “Para isso, é preciso incorporar a biodiversidade e serviços ecossistêmicos às políticas de desenvolvimento do país, promover o cumprimento das leis, inovar no desenho de políticas que integrem componentes sociais, econômicos e ambientais e reconhecer o papel da ciência como elemento-chave na tomada de decisão”, comentou o professor de Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro Fabio Scarano, um dos coordenadores do trabalho. A cada ano, os dados científicos trazem novas informações e evidências sobre a urgência de se cuidar do planeta e também do nosso país sob o ponto de vista dos recursos naturais, da natureza, da cultura da vida. Ele destaca que apesar de ainda ter muitas questões para resolver, o Brasil já andou um pouco nesse rumo. País com a maior biodiversidade do planeta, temos por aqui uma legislação relativamente avançada e necessária, possuímos o capital humano e a capacidade instalada para ser líder mundial nos acordos globais para o desenvolvimento sustentável, porém, ainda é essencial corrigir muitos desvios, limites e erros, corrigir rumos e adotar políticas públicas mais adequadas. É o que em síntese aponta o Sumário para Tomadores de Decisão do Primeiro Diagnóstico Brasileiro de Biodiversidade e de Serviços Ecossistêmicos, documento lançado agora pela Plataforma Brasileira de Biodiversidade e de Serviços Ecossistêmicos (BPBES) em evento no Museu do Amanhã, na zona portuária do Rio de Janeiro. Esta plataforma vem sendo preparada deste 2015 e agora em 2018 reúne cerca de 120 pesquisadores, com apoio financeiro do governo federal e do governo paulista, tendo sido inspirada por um trabalho similar das Nações Unidas. "Estamos formando mais do que um doutor por dia no setor de biodiversidade, o país tem histórico de liderança em trabalhos científicos relativos a acordos globais, tanto na diversidade biológica como no clima, no combate à desertificação e na busca dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, das Nações Unidas", argumenta Fabio Scarano. Ele mesmo questiona: e então o que falta? "O  país tem ações contraditórias, temos várias leis que não são cumpridas, cerca de 80% do desmatamento no país é ilegal. Temos também a necessidade de se mudar de uma prática mais marrom para uma prática mais verde de produção e consumo". Outros cientistas lembraram também que a iniciativa não deve vir só do Governo, mas também do setor privado, das empresas, para a gente criar um ambiente mais favorável para o Brasil mudar e avançar. Um outro líder do movimento científico, Carlos Joly, da Unicamp, defende que a principal mudança seria dar escala global para soluções locais: “Não é uma construção exclusivamente da academia, de nós os pesquisadores, hoje a exigência é que ela possa estar envolvendo todos os setores. Agora, com essas conclusões, nós temos que tentar ver de que forma tudo isso pode ser implementado na gestão e na realidade do país. Se você senta com o produtor agrícola e explica que manter áreas de vegetação nativa, com a presença dos polinizadores, isso vai aumentar a produtividade em 20% na soja, ele vai entender que tem a ganhar com isso e participar da preservação da nossa última ecologia". 



O movimento ecológico e de cidadania ajuda com a educação ambiental e a informação...

...mas o impasse são os jacarés da política e outros interesses que atrasam a nova realidade 


Fontes: agencia.fapesp.br - Agência Brasil
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sábado, 10 de novembro de 2018

ARTISTA BRASILEIRA SE CONSAGRA NA FRANÇA COM SUAS PINTURAS CONTEMPORÂNEAS TENDO SIDO DESTAQUE AGORA NA RFI SOBRE A SUA NOVA EXPOSIÇÃO DE CONTEÚDO ECOLÓGICO

Dalva Duarte é do Maranhão e vive atualmente radicada na França: nas pinturas mais recentes que está expondo em seu ateliê, ela denuncia o desmatamento da Amazônia em telas gigantes, ampliando a atenção sobre a arte brasileira  e também sobre a luta da ecologia em nosso país hoje, algo cada vez mais urgente



Aqui, a Dalva Duarte na RFI


A gente recebeu por e-mail aqui no blog da ecologia Folha Verde News reportagem de Maria Paula Carvalho, nestes dias, é sobre um talento de arte contemporânea vindo do Brasil: você pode conferir parte desta entrevista no vídeo da RFI aqui em nossa webpágina hoje. Este talento é Dalva Duarte, que deixou Carolina, no Maranhão, na década de 80 e vem perseguindo um sonho há mais de 40 anos: depois de estudar na Escola de Belas Artes de Paris, divulgar seus trabalhos no exterior, defendendo ao mesmo tempo a cultura brasileira e a nossa natureza por onde for e expor. Desde então, a artista viaja o mundo fazendo exposições de suas pinturas a óleo. Depois de passar por muitos países, ela se instalou definitivamente no sul da França, onde encontrou um refúgio para a sua inspiração. Confira mais a seguir.



 Ela cria uma visão da vida contemporânea


Uma das suas obras murais sobre a Amazônia

“Eu ia dos Estados Unidos para a França, voltando para a minha pátria de adoção e estava procurando um espaço grande porque eu já estava pintando os 24 Caprichos de Paganini, que é meu trabalho agora de 92 metros, pintado dos dois lados em grandes telas”.


Aqui algumas criações da hora de Dalva Duarte












Uma das artes sobre a floresta amazônica


“Um amigo me convidou para conhecer a Ardèche (região Auverne-Rhône-Alpes) e fiquei apaixonada à primeira vista. Encontrei uma antiga fábrica de fio de seda em Saint Priest, cercada por montanhas, rios, cachoeiras. Então passei alguns anos transformando essa ruína em um ateliê de mil metros quadrados e uma galeria de 600 metros quadrados onde eu faço exposições, um espaço cultural aqui". 


Aqui o ateliê e espaço cultural dela em Saint Priest

Dalva Duarte, do Maranhão para a França e o mundo 

Após quase 60 anos dedicados à pintura, Dalva Duarte resolveu retratar a sua própria terra.  Seu trabalho mais recente mede 14m de comprimento por 3,5m de altura e faz um alerta sobre a destruição da maior floresta tropical do mundo e o descaso com os povos indígenas brasileiros, informa da rádio e televisão francesa: Dalva conta que a inspiração veio da letra da música “Era uma floresta na altura do Equador”, interpretada nos anos 80 pelo cantor Xangai. Xangai Lopes é considerado no Brasil um cantor das coisas do sertão e sempre está divulgando canções nativas e originais. Numa próxima edição do blog da gente vamos divulgar algum dos seus videoclips de muito valor cult. 

A floresta que Dalva Duarte avistava antes voando...

...sobre a Amazônia, ela vê cada vez mais agredida


“Eu gostaria de fazer uma exposição para passar essa emoção que é a Amazônia e a destruição que está acontecendo agora. Desde que Xangai, em 1980, deu esse grito de alarme, continuam destruindo e é preciso um movimento dos artistas para despertar nas pessoas essa necessidade de defender a Amazônia” (Dalva Duarte, direto da França, expondo em Saint Priest).



Olhar de ternura humana


Para realizar essa obra de grande dimensão, a artista conta que precisou improvisar pincéis de 3 m de comprimento com pedaços de bambu. O trabalho composto por três telas de grandes dimensões unidas retrata a floresta, os índios e a destruição desse patrimônio natural do Brasil: "Eu mostro uma transformação que vem ocorrendo nos povos indígenas, uma mutação”. Ela alerta: “Nós temos que preservar este pulmão do mundo. É preciso dar esse grito para parar de cortar a Amazônia. Parar de comercializar a madeira. Tem gente ficando rica cortando as árvores, vendendo madeira, destruindo o bioma e isso é um crime”. "Existe uma urgência em mudar, não só com discursos em simpósios, mas os nossos dirigentes políticos também precisam agir, colocar normas para que o planeta que nós vamos deixar para as próximas gerações seja mais sadio”, diz com esperança esperar que nossa geração de agora consiga implantar um desenvolvimento de verdade, sustentável, capaz de equilibrar os interesses da economia com os da ecologia, fazendo a vida mais feliz desde já e criando um futuro melhor para todos: "A gente cumprimenta aqui Dalva Duarte pelo seu extraordinário trabalho de criação e também pelo ativismo ecológico, a arte com a ternura do olhar humano e a magia da natureza". comenta o ecologista Antônio de Pádua Silva Padinha, editor do blog da ecologia, da cidadania, da ciência e da não violência Folha Verde News: "A arte desta brasileira precisa ser mais conhecida pela nossa população, divulgada pela mídia daqui e exposta em locais públicos do Brasil, como por exemplo no MASP em São Paulo ao lado da produção de gente como Di Cavalcanti, Portinari, Lasar Segal e dos novos talentos da pintura brasileira contemporânea". 
Uma arte que expressa muito tudo

Fontes: br.rfi.fr - folhaverdenews.blogspot.com


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