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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

POR QUE TANTA VIOLÊNCIA NO CARNAVAL? NOSSO BLOG DE ECOLOGIA E DE CIDADANIA ABRE SEU WEBESPAÇO PARA UM JURISTA ESPECIALIZADO NESSE TEMA


Mesmo tendo havido mudanças genéticas desde a descoberta da agricultura (10 mil anos atrás), nossas pulsões, propensões e necessidades, nossa biologia segue sendo ainda hoje basicamente a de um primata caçador-recoletor, afirma o professor e especialista em Direito Penal Dr. Luiz Flávio Gomes

Na nossa biologia e nossa psicologia sobrevive o primata caçador


Confira na íntegra aqui no blog da ecologia, da cidadania e da não violência, argumentos e informações do professor Luiz Flávio Gomes, que é jurista e criador do movimento Quero Um Brasil Ético, sendo ele um doutor em Direito Penal pela Universidade Complutense de Madrid na Espanha, também um mestre pela Universidade de São Paulo, um advogado que pode ajudar muito a todo tempo (também no Carnaval) pessoas da nossa população.



 Dr. Luiz Flávio Gomes analisa a violência no carnaval e na vida


"No Brasil todo, neste carnaval, os relatos dão conta do aumento da violência: mais mortes e tiroteios em Salvador, estupros e roubos no Rio de Janeiro, violência policial em São Paulo… é a explosão da violência por toda parte. Por exemplo, o carnaval de Salvador registrou um crescimento de 10% do número de lesões corporais leves em relação ao ano passado; ocorreram duas mortes, além de 21 feridos com disparos de armas de fogo, a cada ano, vem aumentando quase sete vezes maisdo que no ano anterior. O governador da Bahia chegou a admitir que a separação dos foliões que pagam por cordas (e abadás) é (também) causa direta da violência, as cordas são utilizadas como delimitador de espaço entre aqueles foliões que pagaram por um abadá e os que optaram por seguir os trios sem a roupa VIP, que em muitos casos chega a custar mais de mil reais. Para o governador, as cordas comprimem o folião que está de fora, resultando em brigas. O carnaval, com suas distinções de classes que acompanham grandes conglomerados de pessoas, se converteu num retrato trágico do apartheid social (ou seja, da hierarquização da sociedade brasileira): há os camarotizados (detentores dos melhores lugares, mas também os mais caros), os cordanizados (os que podem pagar por um abadá) e o grupo tido como a ralé da pipocação (o que não pode pagar, que fica excluído dos melhores lugares, o que gera desconforto e indignação). A ralé da pipocação, como se vê, é a que está fora do camarote, fora da corda, fora da saúde, da educação de qualidade, do trabalho seguro, da moradia decente, do consumo despreocupado...e dos direitos do cidadão e da cidadã".

Em todos os momentos da nossa história e da nossa realidade

Injustiça econômica e social além de memória tribal e história na raiz da violência


Várias formas de injustiça social e econômica também na raiz da violência agora


"Precisamos considerar que vivemos no continente mais violento do planeta (em média 30 assassinatos para cada 100 mil pessoas) e além do mais, estamos num dos países que mais assassinam pessoas (Brasil é o 12º mais violento no ranking mundial), território onde praticamente não existe o império da lei, nem tampouco educação de qualidade, toda grande concentração de pessoas num espaço territorial angusto constitui nitroglicerina pura. A explicação biológica e psicopatológica para isso é a seguinte: os humanos somos tribalistas (nos identificamos com as pessoas do nosso grupo e não nutrimos simpatia nem empatia com os demais, com “os outros”); toda tribo se considera diferente das outras e deseja ser percebida dessa maneira (Garrett Hardin); a tribo da “camarotização” tem ojeriza das outras; a tribo da “cordanização” não tem empatia com “os outros” (sobretudo com a ralé da pipocação). As classes sociais, por exemplo em países gritantemente demarcados pelo apartheid de origem escravizante, são tribos inconfundíveis (e normalmente inimigas). Toda tribo possui uma dupla moral: julga os comportamentos dentro do seu grupo de uma maneira e se valem de outras réguas (e padrões) para julgar os “demais”; seus membros são complacentes com os “de dentro” e (muito) rigorosos “com os de fora”; o assédio sexual de um membro da tribo A é valorado de forma bem diferente frente a outro da tribo B; são membros da mesma tribo os que compartilham a mesma língua, os antepassados, o território, a ideologia, a mesma religião ou etnia, o mesmo time de futebol ou partido político e, nos países com longa tradição escravagista, a mesma classe social; a tribo camarotizada não se identifica com a tribo cordanizada, que não se identifica com a tribo tida como a patuleia da pipocação. A grande maioria das tribos divide o mundo entre os que pertencem ao seu grupo e os que integram os “outros”. Desde crianças já manifestamos preferência pelo nosso grupo e desconfiança, preconceito, medo e hostilidade para com os outros". 

 Desde crianças nossos sentimentos tribais e primitivos


As gangues têm relação até também com os tempos tribais da nossa espécie




"Quando o tribalismo (particularmente o fundado na hierarquização social de viés escravagista ou na divisão de gangues) interage com os sistemas cerebrais de dominação e depredação, a agressividade e a violência explodem com muita facilidade. Quem ocupa status mais baixo e acredita que tem o direito de também integrar o mais alto, tem intenso ressentimento assim como “inimigos”, que acabam sendo considerados culpados pelo seu baixo status social. Este ressentimento leva à violência (ou mesmo a guerras entre países ou extermínios coletivos). E o inverso também ocorre: quem tem alto status pode atuar com agressividade e violência contra os “outros” para reforçar seu hipotético domínio. O tribalismo (como explicam os autores do livro citado: Somos una espécie violenta?) não explica todo tipo de comportamento violento mas constitui um fator importante nas condutas humanas agressivas. Outro fator relevante é o territorialismo (demarcação de território), que também se faz presente no carnaval, cujos espaços físicos são totalmente demarcados (o pessoal camarotizado não se mescla com os demais e os cordanizados não aceitam a invasão da patuleia). Também é certo que nem todas as pessoas se comportam consoante as características comuns do tribalismo. Em muitos não há a agressividade típica da dominação social. Eles são humanistas, pacifistas e respeitadores dos direitos humanos universais. O mais macabro aspecto do tribalismo reside, no entanto, na desumanização dos membros dos outros grupos. Chegados a esse ponto, os “outros” não mais são considerados humanos dotados de direitos (daí a mutilação, a tortura, o extermínio sem nenhum sentimento de culpa). A destruição do “inimigo” (do outro) passa a ser um prazer, um desfrute (como no tempo do Homo caçador-coletor); não podemos esquecer que durante 95% da existência do Homo sapiens ele foi caçador-coletor. Mesmo tendo havido mudanças genéticas desde a descoberta da agricultura (10 mil anos atrás), nossas pulsões, propensões e necessidades, nossa constituição biológica intrínseca segue sendo basicamente a de um primata caçador-recoletor. O tribalismo com a ativação do sistema cerebral de recompensa (de prazer, de satisfação) que produz a conduta depredadora pode explicar a crueldade humana contra os que não pertencem ao nosso grupo (incluindo-se a pena de morte). "Salvo que uma educação esmerada tenha contido os impulsos naturais, o humano desfruta da caça e do ato de matar” (S. Washburn). A caça gera prazer (tanto quanto o castigo do outro). O espetáculo público da tortura e da morte acontece para que todos possam desfrutar disso (para o prazer coletivo). O caçador tem prazer de caçar e de matar os integrantes dos outros grupos".
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(Confira na seção de comentários deste nosso blog outros conteúdos dentro desta pauta hoje com este texto especial do especialista Luiz Flávio Gomes) 






Fontes: luizflaviogomes.com
             folhaverdenews.blogspot.com

7 comentários:

  1. Leia mais sobre este artigo aqui: http://institutoavantebrasil.com.br/por-que-tanta-violencia-no-carnaval/

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  2. Logo mais, mensagens e comentários que nos estimulam a criticar a realidade de violência, no carnaval, na vida: você pode colocar aqui sua opinião ou então mandar pro e-mail da redação do nosso blog o seu conteúdo, mande para navepad@netsite.com.br

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  3. Vídeos, fotos, material de informação, sugestão de matérias, mande para o e-mail do nosso editor de conteúdo do blog padinhafranca603@gmail.com

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  4. "Em enfoque diferente da violência do carnaval e da realidade do nosso dia a dia, um texto que pode nos ajudar a compreender e combater esta overdose de comportamentos violentos": comentário de Agenor dos Santos Pereira, economista, de São Paulo (SP).

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  5. "Acho que as pessoas em geral não sabem curtir a liberdade e confundem as coisas ou se aproveitam da situação": comentário de Ana Luíza Montes, atriz de teatro, Rio de Janeiro, ela que veio do Espírito Santo e trabalha na capital carioca há uma década.

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  6. "Vejo isso como um absurdo, as pessoas ficarem por ai distribuindo porrada,socos,chutes e pontapés, seja nesta festa como em qualquer outra, acho que se todos fossem amigos e não ficassem discutindo ou mesmo brigando, nós teríamos um mundo melhor, concordo com o texto do jurista, somos ainda selvagens": comentário de José Inácio Sousa, de São João da Boa Vista (SP), comerciante.


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  7. "Poderia ser uma farra com paz, cada coisa que acontece nesses feriados, é acidente ou mesmo agressões que me deixam mais triste de ver que as pessoas estão abaixo da linha da humanidade e isso vale também para as autoridades e a polícia, que primeiro bate, depois investiga": Júlio Baptista, de São Paulo, TI.

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