Hoje cerca de 40% da população do planeta sofrem com a escassez de água, uma proporção que aumentará até dois terços em 30 anos (esse aumento será causado tanto pelo consumo excessivo de água para a produção de alimentos e para a agricultura como pela falta de gestão governamental do meio ambiente: segundo a BBC, toda essa escassez já está causando conflitos e migrações, fazendo crescer também o número de refugiados ambientais
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| Manifestação contra escassez da água em Basra: já foi considerada a Veneza do Iraque cidade cortada por vários canais hoje poluidos |
Sandy Milne fez uma reportagem especial beste tema na BBC Future, a gente resume aqui alguns dos principais ângulos e dados, com a entrevista com Ali al Sadr que participou de alguns protestos em Basra, Golfo Pérsico, Iraque, sua cidade que era considerada a Veneza do Oriente, cortada por uma rede de canais, porém, as águas foram poluídas com esgoto sem tratamento, 120 mil pessoas foram hospítalisadas só em 2018. Na mais recente manifestação, policiais atiravam nos participantes e Ali conseguindo escapar com vida, fugiu para a Europa, hoje vive em Amsterdã onde foi entrevistado. A sua história é um bom resumo da questão da água.
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| Já agora 40% da população planetária sofrendo conflitos por escassez de água, algo que aumenta também no Brasil |
"Se não tem água, as pessoas
começam a ir embora", disse Kitty Van Der Heijden, chefe de cooperação
internacional do Ministério de Relações Exteriores dos Países Baixos e
especialista em hidropolítica. A escassez de água já afeta
aproximadamente 40% da população mundial e, segundo estimativas das Nações
Unidas e do Banco Mundial, as secas (como esta que acontece atualmente em meio Brasil) poderão colocar 700 milhões de pessoas em
risco de deslocamento em 2030."Se não há água, os políticos vão tentar controlar esse recurso e é possível que comecem a brigar por ele", comentou ainda Van der Heijden. Ele explica que ao longo do século 20, o uso mundial
de água cresceu mais do que o dobro da taxa de crescimento populacional. Essa
dissonância está levando atualmente muitas cidades a racionar água, de Roma e
Cidade do Cabo a Lima e muitos municípios do Brasil. A crise da água tem estado todos os
anos, desde 2012, entre os cinco maiores perigos na lista de Riscos Globais por
Impacto do Foro Econômico Mundial como está hoje. Ele cita que a seca severa de 2017 contribuiu para a pior crise humanitária desde a Segunda Guerra Mundial, 20 milhões de pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas devido à escassez de alimentos e os conflitos envolvendo água.
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| Basra, Veneza do Oriente, mas hoje canais com águas mortíferas devido a esgoto sem tratamento |
O Pacific
Institute, com sede em Oakland, Califórnia, passou as últimas três décadas
estudando o vínculo entre a escassez de água, guerras e migração ou aumento de refugiados. Ele aledrta que os conflitos por água estão aumentando: "Cada vez mais pessoas
morrem por causa de água contaminada ou devido a conflitos por acesso a
água", avalia o diretor deste instituto Peter Gleick. Ele e a sua equipe estão por trás de
uma cronologia de disputas por água chamada Water Conflict Chronology, um registro de 925 conflitos
hídricos, grandes e pequenos, que remontam aos dias do rei babilônico
Hammurabi. A lista não é exaustiva e os conflitos enumerados variam de guerras
a disputas de vizinhos. Mas o que a cronologia revela é que a relação entre
água e conflitos é direta. O Pacific Institute concluiu que o que desencadeia o conflito é que a violência se associas a disputas sobre acesso e i controle da água, que é utilizada como arsenal, é o caso de represas de hidrelétricas que retém água ou inundam comunidades rio abaixo aí, quaisquer recursos hídricos ou estações de tratamento ou dutos viram alvois de ataques e de problemas. Cá entre nós, basta ver o que acontece no entre os índios e a posse do Rio Xingu pela Usina de Belo Monte.
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| Em todos os continentes do planeta, refugiados do clima por inundações ou seca, escassez de água |
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| Belo Monte no Rio Xingu hoje já com escassez... |
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| ...e conflitos entre população indígena e hidrelétrica |
Nesse mapeamento de conflitos fica claro que a maior parte dos problemas hídricos está relacionada à agricultura. Talvez isso não seja surpreendente já que a
agricultura representa 70% do uso da água doce no planeta. Na região do rio São Francisco e no Cerrado, a gente sabe p que ocorre. Na região de Sahel, na África, por
exemplo, há registros frequentes de violentos enfrentamentos entre pastores e
agricultores devido à escassez de água para seus animais e cultivos. "À medida que aumenta a demanda por
água, também cresce a escala dos potenciais conflitos". destacou Charles Iceland, diretor global de água
do World Resources Institute: "O crescimento da população e esse modelo de desenvolvimento econômico estão impulsionando a crescente demanda por água no
mundo todo. Ao mesmo tempo, as mudanças climáticas estão diminuindo o
abastecimento de água ou fazendo com que as chuvas sejam mais irregulares em
muitos lugares do mundo". sim isso acontece também com o desmatamento, a pecuária e a soja em grande escala na Amazônia, no Pantanal, no interior do nosso país. O efeito duplo de
estresse hídrico e mudança climática é muito evidente na ampla bacia dos
rios Tigre e Eufrates, que inclui Turquia, Síria, Iraque e oeste do Irã.
Segundo imagens de satélite, a região está perdendo água subterrânea mais
rápido que quase qualquer outro lugar do mundo. Alguns países fazem
tentativas desesperadas para garantir seu abastecimento de água, suas ações
estão prejudicando as nações vizinhas.
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| O Rio Grande assim como o São Francisco ou o Paraná... |
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| ...crise hídrica que está de outra forma no Indo (rio entre a Índia, Paquistão e China) |
O rio Indo é fonte vital de água para a Índia e o Paquistão, mas se origina nas montanhas do Tibete, controladas pela China. Embora a ferramenta de previsão identifique conflitos em potencial, ela também pode ajudar a entender o que está acontecendo em áreas que já estão enfrentando disputas devido à escassez de água. As planícies do norte da Índia, por exemplo, são uma das áreas agrícolas mais férteis do mundo. No entanto, essa região é palco de frequentes confrontos entre agricultores devido à escassez de água. Os dados revelam que o crescimento populacional e os altos níveis de irrigação já ultrapassaram os suprimentos de água subterrânea disponíveis. Apesar das exuberantes terras agrícolas na área, o mapa de Água, Paz e Segurança classifica quase todos os distritos no norte da Índia como extremamente alto em termos de estresse hídrico. Vários rios importantes que alimentam a área, o Indo, o Ganges e o Sutlej, se originam no lado tibetano da fronteira, mas são vitais para o abastecimento de água na Índia e no Paquistão. Vários conflitos na fronteira eclodiram recentemente entre Índia e China, por reivindicações de áreas de acesso ao rio. Recentemente, um violento confronto em maio do ano passado no vale de Galwan, por onde passa um afluente do Indo, deixou 20 soldados indianos mortos. Menos de um mês depois, houve relatos de que a China estava construindo estruturas que poderiam garantir água para os chineses mas reduzir o fluxo do rio para a Índia. Conflitos assim dimensionam a realidade que, mesmo num país como o nosso, marcado por uma grande riqueza hídrica, poderá ter conflitos ou problemas internos ou externos, O que faz a gente concluir que só com uma gestão ambiental sustentável e governamental, com o controle das mudanças climáticas e dos desmatamentos ou fontes de poluição hídrica poderão no Brasil evitar secas monstros como esta de 2021. Não precisa ir longe, basta levantar a situação do Aquífero Guarani no interior brasileiro e da América do Sul, com a sobrecarga de utilização das águas subterrâneas e com a exploração de fontes de gás natural a maior reserva de água doce do continente já está ameaçada de acabar por desaparecer do mapa. Faz parte deste cenário de crescente perda da ecologia, o que acontece em 10 estados brasileiros, rios e nascentes secando, chuvas escassas, formação de um deserto no país que era da natureza e das águas.
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| Também no Brasil a perda da ecologia por falta de gestão ambiental dos Governos, estrutura energética e tipo de desenvolvimento |
(Depois, mais tarde mais informações na seção de comentários do blog Folha Verde News, ligado ao movimento ecológico, científico e de cidadania, cultura da vida: nesta edição, vamos também postar dois vídeos, um deles, da série Matéria de Capa, com informações também da ONU sobre escassez de água e refugiados do clima, como inundações ou secas, tema também de reportagem da Band)
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| Em vários lugares do mundo crise hídrica e insegurança alimentar |
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| Na Arábia Saudita usina que extrai água de plantas busca solução sustentável para a escassez |
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| Na Etiópia problemas hídricos similares aos do Brasil hoje |
Fontes: BBC Future - Band - Matéria de Capa
folhaverdenews.blogspot.com
"Na verdade, a história da escassez de água em Basra tem duas partes, primeiro, há o despejo de esgoto nos cursos d'água locais sem nenhum tratamento. Mas a construção de barragens na fronteira com a Turquia também deve ser considerada: com menos água doce descendo o Tigre e o Eufrates, a água salgada (do Golfo Pérsico) está se infiltrando rio acima. Com o passar do tempo, está arruinando as colheitas e deixando as pessoas doentes": comentário de Charles Iceland em emissão da BBC News.
ResponderExcluirO caso de Basra exemplifica bem o que acontece em todas as regiões do planeta, do nosso país também, onde há o cenário de crise hídrica. Mais tarde mais comentários sobre esta questão aqqui nessa seção do blog da gente, venha conferir.
ResponderExcluirVocê pode postar direto aqui a sua opinião, se puder, envie o seu conteúdo (foto, vídeo, arte, pesquisa, notícia etc) pro e-mail do editor deste blog que posteriormente divulgará todo o material recebido: padinhafranca603@gmail.com
ResponderExcluir"Por exemplo, aqui em Franca (SP) e em quase todo nordeste e norte paulistas, sudoeste de Minas (Serra da Canastra), essa era uma região temperada, sempre foi de muita riqueza hídrica toda a macrorregião, com vários rios, São Francisco, Grande, Pardo, Sapucaí, Canoas, mas ara os córregos, as nascentes, está tudo secando e já se anuncia racionamento de água. Claro que há La Niña ou El Niño, mas a principal causa são os desequilíbrios ecológicos, poluições, desmat5am,ento que vêm desde a Amazônia e o Cerrado escasseando as chuvas, somado a isso uma falta crônica de gestão ambiental. E então, agora, uma seca monstro, aqui e em grande parte do interior do país nesse processo de destruição da ecologia da natureza": comentário de Antônio de Pádua Silva Padinha, editor deste blog. Envie também a sua visão, a sua mensagem que a gente divulga aqui.
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