Julgamento do marco temporal no STF é adiado: uma sessão histórica na semana que vem poderá definir futuro dos povos originários brasileiros (Governo fez fake news nesse tema que só interessa aos ruralistas e agride os direitos indígenas ou as bases reais do nosso povo e na realidade do nosso próprio sentido de nação)
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| Índios de todas as regiões e etnias sabem o que... |
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| ...aconteceu com o povo Xokleng e que agora... |
Um dos melhores
resumos deste assunto foi feito pelo jornalista Murilo Pajola, desde Lábrea, no
Amazonas, ouvindo os dois lados no site Brasil de Fato. A BBC analisou
com todos os detalhes esta situação, também o Jornalismo da TV Cultura: a
seguir uma síntese para você aqui no blog do movimento ecológico, científico e
de cidadania, Folha Verde News, ligado também à não violência, a
cultura da vida.
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| ...o Marco Temporal influirá em todas as demarcações,,, |
O julgamento
histórico no Supremo Tribunal Federal (STF) acerca do chamado marco temporal
ficou para o meio da semana que vem e se trata duma tese jurídica que restringe
demarcações de terras indígenas. Na primeira sessão, realizada após uma
sequência de adiamentos desde outubro do ano passado, foram ouvidas as partes
envolvidas no processo e um grupo de entidades interessadas na causa, algumas
representadas por advogados indígenas. Conforme o presidente do Supremo,
ministro Luiz Fux, o julgamento que servirá de base para inúmeras decisões
judicias futuras será retomado nos próximos dias, Curioso que nesse meio tempo
até o procurador-geral da República, Augusto Aras de posicionou contra este
conceito, posição que irá influenciar a decisão sobre esta polêmica. Humoristas
de plantão já chamam o marco de...temporão.
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| ...é realmente histórica a luta dos índios por suas... |
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| ...terras tradicionais que continuam sendo invadidas como foram no passado em Santa Catarina onde vivia o povo Xokleng desde sempre |
Tudo indica que
será rejeitada a consolidação do critério temporal para demarcar os territórios
ancestrais, porém não se pode duvidar da força dos ruralistas e de outros
interesses (por exemplo, da mineração, do garimpo, da grilagem das terras dos
índios) segundo o alerta da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil).
Ela buscou apoiar também o protesto de cerca de mil indígenas, de várias etnias
e regiões, que se mobilizaram até Brasília (DF), preocupados com o que poderá
ocorrer em relação aos direitos fundamentais dos povos da florestas às suas
terras e às suas vidas. Lideranças destes povos e pesquisadores do tema são
unânimes em afirmar que a validação do Marco Temporal é incompatível com a
própria Constituição do país e coloca sob ameaça até a sobrevivência dos povos
originários do Brasil.
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| Tanto os últimos descendentes da etnia Xokleng como... |
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| ...indígenas de todas as regiões e etnias temem por seus direitos e suas terras tradicionais... |
Entre os favoráveis
à consolidação do tal marco temporal, que prevê que povos indígenas
só teriam direito às terras que estivessem ocupando desde antes da promulgação
da Constituição Federal de 1988, estava o procurador-geral de Santa
Catarina, Alisson de Bom de Souza, assumindo ser necessário proteger os
interesses ou direitos dos empresários e agricultores de Santa Catarina. É que
nesta região houve a questão ligada à etnia Xokleng. O estado catarinense
foi o responsável por ingressar com a ação contra o povo Xokleng que agora é
julgada pelo Supremo, alegando que eles não podem reivindicar um território que
não estavam ocupando antes da promulgação da Constituição. Do outro lado,
representando os Xokleng, os advogados Carlos Marés e Rafael Modesto dos
Santos dividiram o tempo de fala. Modesto classificou a defesa de um
critério de tempo para definir demarcações como “ficção” e
“negacionismo”. "Negar-lhes o território é negar-lhes a organização
social. Manter o 'marco temporal' é dizer claramente: os índios serão
integrados e as sociedades indígenas desaparecerão", complementou
Marés. Representando o governo federal, que também é parte do processo, o
advogado-geral da União Bruno Bianco Leal defendeu que o Marco Temporal vai
contribuir para a “pacificação social”.
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| ...como é o caso também do povo Guarani no Pico do Jaraguá em plena Grande São Paulo |
O que é o Marco
Temporal - O processo que voltará a ser analisado pelos ministros diz
respeito à posse do território do povo Xokleng, de Santa Catarina e se trata de
uma ação de reintegração de posse movida em 2009 pelo governo do estado
referente à Terra Indígena (TI) Ibirama-Laklãnõ. Criticado severamente por
organizações indígenas, o Marco Temporal é uma tese jurídica defendida por
ruralistas que ergue novas barreiras à demarcação de terras dos povos
originários. Caso aprovado, os territórios só podem ser demarcados se os
povos indígenas conseguirem provar que estavam ocupando a área anteriormente ou
na data exata da promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988, ou se
ficar comprovado conflito pela posse da terra. "Muitos de fato não
estavam nas suas terras nessa data porque foram expulsos, tiveram suas terras
tomadas por fazendeiros", argumentou o advogado indígena Eloy Terena, que
esclareceu que o conceito constitucional não fala em datas nem em posse, mas de
povos tradicionais e originários desde sempre em alguns lugares do Brasil
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| Este debate poderá quem sabe marcar um fim ou um avanço dos direitos dos povos indígenas |
Pelo Movimento
Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia (Mupoiba), Samara
Pataxó citou os mais de 500 anos de exploração vividos pelos povos
indígenas. O julgamento "decidirá sobre o futuro das nossas vidas e
da nossa continuidade existencial enquanto povos originários do nosso
país", afirmou a advogada. Por sua vez, o advogado Ivo Aureliano, do Conselho
Indígena de Roraima, rebateu o argumento apresentado pelo procurador-geral
catarinense, sob o nome de Marco Temporal há muitos interesses. E Daniel
Pinheiro, procurador do estado do Amazonas, que tem a maior e mais diversa
população indígena no país, também de posicionou contrariamente ao Marco
Temporal. Por uma associação de servidores da Funai, a advogada Camila Gomes da
Silva defendeu os critérios atuais de demarcação de territórios indígenas
e criticou aqueles que consideram o Marco Temporal uma forma de simplificar o
procedimento, transparecendo mais é que o conceito irá agilizar a derrubada dos
direitos dos povos indígenas à suas terras e às suas vidas.
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| Agora na Bahia dos Pataxós, no Cerrado, na Amazônia... |
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| ...a memória amarga do que ocorreu com o povo Xokleng |
A área em disputa se tornou
formalmente parte da terra indígena em 2003, isso segundo o Governo de Santa
Catarina. informando que ela está parcialmente ocupada por plantações de fumo.
Já os indígenas afirmam que já ocupavam a região, aquele era um território
usado pela comunidade para a caça, pesca e coleta de frutos, mas que décadas de
perseguições e matanças forçaram o grupo a deixar a área. Na realidade, os
Xokleng foram um dos povos mais impactados pela ação de bugreiros, milícias
contratadas até a década de 1930 para expulsar indígenas de territórios
entregues a imigrantes europeus na região Sul. No julgamento em o STF vai
avaliar se a Terra Indígena Ibirama La-Klãnõ — habitada pelos Xokleng e por
outros dois povos, os Kaingang e os Guarani — deve incorporar ou não áreas
pleiteadas pelo governo de Santa Catarina e pelos ocupantes de propriedades
rurais. Esta questão definirá por jurisprudência todas as demarcações de terras
indígenas no Brasil. Os índios são os Pais deste País mas poderão ser cada vez
mais virarem uma outra espécie de refugiados, expulsos de suas terras
tradicionais.

Vale conferir na seção de comentários deste blog texto de Gaspar Tsiwari líder da aldeia Xavante de Namunkurá no Cerrado, ele que é formado em História pela UFMT e vivencia direto essa questão
Fontes: Brasil de Fato
- BBC - TV Cultura - AFP
folhaverdenews.blogspot.com












"Boa noite meu grande irmão, sim fico muito contente de continuação que o PGR se expõe a favor dos povos indígenas do Brasil e lembrou muito bem na fala de uns dos caciques :Eu não quero os seus bens como os carros,dinheiros, eu quero a demarcação das terras para viver em paz dentro da floresta e do cerrado, quero o ar puro, quero que animais vivem em paz, quero que os peixes respirem bem, não quero os ferimentos dos morros, não quero a devastação ou seja o desmatamento das matas ciliares porque os nossos ancestrais cuidavam com muito carinho porque dá os alimentos e finalizou e ele não quer sair da constituinte de 1988 por isso fiquei muito feliz um grande abraço": comentário de Gaspar Tsiwari, líder Xavante da aldeia de Namunkurá, Mato Grosso, nos enviada via o Facebook.
ResponderExcluirVocê também pode enviar por e-mail ou até postar direto aqui nesta seção a sua opinião ou comentário como fez de maneira muito lúcida e emocionada Gaspar Tsiwari, líder Xavante do Cerrado e formado em História pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT). Mande pro e-mail do editor deste blog para padinhafranca603@gmail.com
ResponderExcluirMais tarde, amanhã mais dados, informações e comentários nesta seção, venha conferir.
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