Pesquisadores na Europa
criam biocombustível a partir de palha como uma nova opção nos informa matéria da Euronews que descreve todo o processo de fabricação
A notícia vem de Portugal, através de reportagem de Elza Gonçalves, enviada aqui para o blog da gente: cientistas
europeus estão tentando produzir biobutanol a partir da palha. Os
biocombustíveis que são produzidos a partir da beterraba ou do milho têm a desvantagem
de desperdiçar plantas que poderiam ser usadas para a alimentação humana, o que não é o caso desra matéria prima pesquisada agora. O projeto Butanext usa pesquisadores de dois países da Unidade Européia, parte dos estudos acontecem na Espanha, onde Inês de Campo, engenheira química, explicou para a Euronews as vantagens do butanol: "O uso do butanol como biocombustível tem vantagens porque é um alcóol mais pesado
e menos volátil, isso permite reduzir os problemas das emissões e volatilidade
que podem ocorrer nas estações de serviço ou industriais", afirmou esta cientista espanhola que atua no Centro Nacional de Pesquisas Renováveis, na
Espanha. Do ponto
de vista mecânico, químico e molecular, a transformação da matéria-prima em
butanol se trata dum processo complexos, as pesquisas têm de testar centenas de
variações possíveis para chegar à melhor solução. Por sua vez, em outro país e ao mesmo tempo, no Reino Unido, a bióloga molecular Holly Smith, do laboratório britânico Green Biologics conta que desenvolveu ali estirpes de bactérias que toleram melhor o processo químico.
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| ...em dois países da Europa por duas equipes de pesquisadores |
"Aqui na Espanha, moemos
a palha para obter pequenas partículas. Depois aquecemos o material a 175°C durante
cinco minutos com um pouco de ácido. Isto gera um substrato que é ótimo para as
enzimas, para reduzir essas longas cadeias químicas em moléculas chamadas
monómeros. Depois adicionamos micro-organismos que se alimentam dessas
moléculas e as transformam em butanol de forma ótima", explicou a bióloga
espanhola Irantzu Alegría, também atuando para concretizar o biocombustível a partir da palha. Já no Reino Unido, alguns cientistas desenvolvem a bactéria a ponto de transformar a palha em combustível de forma rápida: "O
maior desafio foi trabalhar com todas as matérias-primas fornecidas pelo projeto.
Porque elas contém químicos inibidores que podem estressar as
bactérias durante a fermentação. Por isso desenvolvemos bactérias
que toleram melhor esses componentes químicos", comentou a bióloga molecular Holly
Smith, uma das coordenadoras dos trabalhos no laboratório britânico Green Biologics. A exemplo do que acontece com os carros elétricos, um dos principais desafios é baixar os custos de produção do butanol para assim o produto ser mais acessível aos consumidores finais, um detalhe da maior importância, os combustíveis à base de petróleo são poluentes mas se mantém no mercado por serem relativamente baratos, argumenta a pesquisadora.
(Confira depois na seção de comentários mais algumas informações dos Bios, um avanço para a qualidade do ar e da vida nos espaço urbanos)
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| A pesquisa de biocombustíveis de macaúba no Brasil é como do butanol |
"A
tecnologia existe e a questão chave é reduzir os custos de produção, para tanto vão ser necessários uns 5 ou até 10 anos para iniciar a comercialização e depois
também é preciso que haja boa vontade de fazer uma legislação nova no setor, os políticos e técnicos farão isso, porém só quando além dos alertas de médicos e de ecologistas, houver uma pressão comercial", comentou Edward Timothy Davies,
engenheiro bioquímico, coordenador geral do projeto Butanext na Europa.
Fontes: euronews.com
folhaverdenews.blogspot.com





A seguir apresentamos alguns comentários que exemplificam o desafio dos biocombustíveis, postados no site scielo.br
ResponderExcluir"A demanda crescente por combustíveis verdes para a substituição dos combustíveis fósseis levou, em todo o mundo, ao lançamento de programas para a produção de biocombustíveis. O governo brasileiro, ao lançar primeiro o programa do álcool e depois o do biodiesel, saiu na frente nessa corrida. Hoje, no Brasil, é obrigatória a adição de álcool à gasolina (em teor que varia de 20 a 25% de acordo com a oferta de etanol anidro no mercado) e de biodiesel ao diesel (com teor fixo de 5%).1 Para atender a demanda anual por mais de 40 bilhões de litros da mistura diesel/biodiesel, a produção desse biocombustível no Brasil já passou de 2 bilhões de litros ao ano, com uma forte tendência de aumento para conseguir acompanhar o crescente consumo da mistura diesel/biodiesel, que hoje cresce a uma taxa de quase 1% ao mês".
ResponderExcluirAinda sobre a questão dos biocombuustíveis no Brasil: "A vantagem dos biocombustíveis em relação aos combustíveis fósseis é a diminuição de emissão de CO2, SOx, fuligem e hidrocarbonetos. No entanto, se por um lado os biocombustíveis são menos poluidores, por outro a sua produção exige grandes áreas de terras agricultáveis. Como a demanda por combustíveis para transporte aumenta anualmente, a produção de biocombustíveis exigirá cada vez mais terras aráveis, e isso começa a ameaçar a segurança alimentar, porque produzir mais álcool significa produzir menos açúcar, e também porque, no Brasil, a maior parte do biodiesel é feita a partir do óleo de soja. Para que este problema não se agrave, será necessário desenvolver novas tecnologias e, principalmente, passar a usar resíduos urbanos, industriais e agrícolas, além de novas fontes de biomassa como matéria-prima para a produção de biocombustíveis": comentário extraído de debate neste tema no site Scielo.
ResponderExcluirEntre as muitas alternativas de produção de biocombustíveis, o cultivo intensivo de algas e fungos vem recebendo especial atenção devido à possibilidade de se produzir até 200 vezes mais óleo ou açúcar por hectare, sem a necessidade do uso de terras férteis. (Essa é também a perspectiva dos pesquisadores da Espanha e Reino Unido mostrados hoje no blog da gente).
ResponderExcluir"Além de poupar terras e florestas, tanto as algas como os fungos podem ser colhidos em poucos dias, o que não exige infraestrutura para armazenamento.
ResponderExcluirEste fato levou pequenas e grandes empresas e muitos pesquisadores, em todo o mundo, a investirem recursos e muito tempo a estudos em laboratório com algas como fonte de óleo e açúcar.
Os resultados alcançados, em pequena escala de laboratório, são animadores. Entretanto, todas as experiências com algas, em grande escala, para a produção de óleo visando biocombustíveis no entanto falharam": veja a seguir sequência desta informação no próximo comentário.
"Algas para produção de biocombustíveis. As principais razões das falhas no processo foram:
ResponderExcluir1 - ataque de cepas selvagens não produtoras de óleo;
2 - preço alto dos nutrientes;
3 - o óleo obtido geralmente tem alto teor de ácidos graxos livres e elevado índice de iodo;
4 - dificuldades em se desidratar a alga para extração do óleo;
5 - controle difícil dos parâmetros acidez, temperatura e nutrientes para evitar quedas bruscas na produção e até mesmo a extinção dos cultivares das algas.
Como a tecnologia para a produção de biodiesel foi toda desenvolvida com base em catalisadores básicos o alto teor de ácidos graxos no óleo obtido de algas encarece o seu processo de produção, pois são necessárias onerosas etapas prévias de purificação. Esse problema é agravado pelo alto grau de insaturação do óleo que, por isso, é muito sensível à oxidação, sendo necessária a modificação do óleo antes de seu processamento ou o uso de aditivos antioxidantes. Em consequência, o custo de produção de óleo a partir de algas é hoje cerca de 20 vezes superior, por exemplo, ao do óleo de soja. Mesmo assim, as algas têm grande potencial como futura fonte de matéria-prima para a produção de biodiesel. Entretanto, para que este futuro se torne realidade, é necessário que se encontre condições adequadas para seu crescimento em grande escala, para que a produção de óleo seja viável economicamente. Até que isso aconteça, a produção de biodiesel a partir de algas deve ser encarada como uma solução de longo prazo. É por essas e outras razões que algumas grandes empresas anunciaram recentemente que vão interromper suas pesquisas neste campo, infelizmente": comentário de José Rubens Pereira, engenheiro, elogiando por outro lado as pesquisas na Espanha e no Reino Unido divulgadas aqui no blog da gente.
"Hoje, a produção de biodiesel a partir de algas depende fortemente da pesquisa fundamental e de desenvolvimento tecnológico. Se as agências de fomento tiverem linhas de financiamento para estudos com algas para a produção de óleo, o Brasil poderá ganhar mais esta corrida dos biocombustíveis e começar, talvez, o que se pode chamar de uma segunda "revolução verde". Os programas do álcool e do biodiesel, além dos dividendos econômicos que renderam ao Brasil, serviram para mostrar que sempre que há financiamento, os pesquisadores brasileiros se destacam no cenário internacional. O melhor exemplo é a liderança brasileira no ranking mundial das publicações científicas envolvendo estudos sobre biodiesel": comentário também no site scielo.br
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