Os
estudos ambientais são insuficientes para aprovação segundo o parecer técnico do
Ibama mas continua a ameaça de exploração de petróleo e gás lá na Foz do Rio Amazonas onde em consórcio a francesa Total a britânica BP e a Petrobras tentam concretizar um projeto nas águas profundas da região de grande risco ambiental
O site nacional de assuntos socioambientais EcoDebate dá em manchete hoje que um parecer técnico do Ibama (n° 72/2018-COEX/CGMAC/DILIC) concluiu que o Estudo Ambiental
de Caráter Regional da Bacia da Foz do Amazonas, elaborado pelas empresas
Total, BP e Queiroz Galvão, apresenta “lacunas e incongruências que
inviabilizam a sua aprovação”. Segundo o documento, são necessárias informações
e esclarecimentos dos empreendedores sobre os meios físico e biótico. Também em outro parecer identificado com o n° 73/2018-COEXP/CGMAC/DILIC já concluiu pendências e incertezas identificadas no licenciamento ambiental
para exploração de petróleo e gás na Foz do Amazonas, algo que impede o prosseguimento
do processo da Total. A dificuldade da empresa ou do consórcio em apresentar um Plano de
Emergência Individual (PEI) satisfatório é apontada como um dos impeditivos,
além da ausência dentro do acordo bilateral entre o Brasil e a França relacionado a
ocorrências que envolvam eventuais derramamentos de óleo. Mas a indústria petrolífera com todo seu poderio e lobby não irá desistir tão facilmente e vai daí que o movimento ecológico, científico e de cidadania do Brasil e de países que percebam o gigantesco problema de meio ambiente de alcance internacional que pode ser criado com o projeto, coloquem em ação uma luta para impedir a concretização desta loucura.
A jornalista Marta Nogueira fez uma matéria especial para a agência de notícias Reuters sobre esta questão que a grande mídia nacional desconhece ou finge não existir, por algum outro interesse que não seja proteger a última ecologia amazônica, na região do Amapá. A matéria levanta o temor evidente que o a região que abriga um dos maiores berçários de vida
marinha e de floresta preservada do mundo, fique apenas com os riscos
ambientais da atividade petrolífera, uma preocupação de muitas outras comunidades,
além de cientistas e ecologistas, os pescadores e os indígenas. Mesmo com a oposição de ambientalistas, o consórcio transnacional petrolífero já anda divulgando o projeto, que classifica como "uma nova era de
perfurações na Bacia da Foz do Amazonas, a 120 quilômetros da longínqua cidade
de Oiapoque, pode começar ainda em 2018".
A francesa Total junto com a britânica BP e a Petrobras apostam que vão concretizar o projeto, estas companhias gastaram mais de 600 milhões de reais apenas na aquisição de cinco blocos exploratórios na área, de olho em reservas gigantes estimadas em 14 bilhões de barris in situ, que incluem possíveis jazidas adjacentes. Somente a petroleira francesa, líder do consórcio, investiu em atividades na região outros 200 milhões de reais. Mas até agora praticamente pouca informação chegou aos moradores da região e à mídia nacional. Algo que atrasou o empreendimento é que ele exige equipamentos e infraestruturas não encontradas no Amapá, um dos estados mais pobres do país e que desde 2016 vem registrando a maior taxa de desemprego no Brasil. Mas o consórcio não está pensando nisso: as petroleiras planejam, por exemplo, instalar sua base marítima no Porto de Belém, no Pará, onde tubos de perfuração e brocas já estão ali armazenados, aguardando o início das perfurações. O Ministério Público Federal no Amapá, inclusive, recomendou ao Ibama nesta semana que suspenda a exploração de petróleo na foz do rio Amazonas, até que sejam avaliados os impactos da atividade. Os impactos ambientais não atingirão somente os corais...
A riqueza extraordinária dos recursos naturais e hídricos da Bacia da Foz do Amazonas se estende ao longo de toda a costa do Estado
do Amapá e da Ilha de Marajó (Pará) e abriga o maior cinturão contínuo de
manguezais do planeta, que chega a ter 80 quilômetros de largura em alguns
pontos, formado pelas toneladas de sedimentos trazidos ao mar pelos rios
amazônicos todos os anos, incluindo o Amazonas, o maior rio do mundo. Ele com certeza será afetado por um empreendimento deste tipo. A revista Science Advances alertou sobre os prejuízos que podem ser causados a todo o ecossistema que está contido em águas mais profundas do que o comum, de
mais de 100 metros de profundidade. O Greenpeace já lançou uma forte
campanha em defesa dos corais amazônicos e contra a tentativa de abertura de
uma nova fronteira petrolífera ali onde está uma das últimas reservas da ecologia do planeta, O momento não é o de explorar petróleo, gás, energia fóssil mas de buscar formas mais limpas e sustentáveis de energia para garantir a vida na Terra, sem destruir a última natureza. Os cientistas, as leis, o bom senso serão ouvidos? Ou vão prevalecer os megainteresses da indústria petrolífera mais uma vez?
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| A ganância e o lobby da indústria petrolífera mundial... |
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| ...mira reservas em aquíferos e até na Foz do Rio Amazonas |
(Confira mais informações na seção de comentários do nosso blog de ecologia e de cidadania inclusive sobre cientista alertando sobre as correntes das marés na região que podem provocar uma tragédia continental no caso de derramamento de óleo por ali)
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| A voz dos índios já vinha alertando sobre este perigo... |
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| ...Cientistas, ecologistas, MP, Ibama, leis e bom senso serão ouvidos? |
Fontes: EcoDebate - Ibama - extra.globo.com - Reuters
folhaverdenews.blogspot.com








Cientistas além do mais também, descobriram um rio subterrâneo que corre embaixo do Amazonas. É o Rio Haniza, de 6 mil km de extensão, 4 mil metros de profundidade, com vazão de água maior do que todo o São Francisco. Enfim, uma extraordinária reserva de água que poderia ser também afetada diretamente pela exploração de petróleo e gás na Foz do Rio Amazonas...
ResponderExcluir"Lá na Foz do Rio Amazonas, um consórcio da francesa Total com a britânica BP e a Petrobras aposta realizar a próxima grande exploração de petróleo em águas profundas do país. As companhias gastaram mais de 600 milhões de reais apenas na aquisição de cinco blocos exploratórios na área, de olho em reservas gigantes estimadas em 14 bilhões de barris in situ, que incluem possíveis jazidas adjacentes": comentário destacado de notícia da agência Reuters sobre estes fatos.
ResponderExcluir"Para o Ibama, não há nada decidido, por ser uma área de muita sensibilidade, tudo ali preocupa o Brasil... a gente só consegue chegar a uma decisão final (sobre se as empresas poderão trabalhar ali) com mais estudos de licenciamento ambiental. Em meio à complexidade ambiental e à dificuldade para a obtenção da licença, a agência reguladora do setor de petróleo (ANP) ampliou o prazo para a conclusão da primeira fase de perfuração dos cinco blocos de 2017 para 2020. O processo de licenciamento já tem bastante detalhe e atualmente o órgão aguarda respostas das empresas sobre questões como projetos de mitigação e de monitoramento. Mas especialistas da região temem que os esforços de planejamento de ações relacionadas a acidentes não sejam suficientes, até pela incerteza de alguns movimentos das marés típicas da região, que poderiam provocar uma tragédia no caso de derramamento de óleo": comentário de Alexandre Souza, analista de meio ambiente do Ibama, feito em matéria da Reuters.
ResponderExcluir"As correntes marítimas vão para acima do Brasil, mas as correntes das marés, perpendiculares ao continente, são completamente desconhecidas. As correntes de marés varrem todo o litoral e adentram os rios até mais de 100 km, dependendo do rio... Se houver um derramamento de óleo hoje e você perguntar onde ele irá atingir, ninguém sabe dizer o que acontecerá": comentário de Valdenira Ferreira, uma das responsáveis pela elaboração do Atlas de Sensibilidade Ambiental de Óleo na Bacia da Foz do Amazonas, pesquisadora do Instituto de Pesquisas Cientificas e Tecnológicas do Amapá (Iepa).
ResponderExcluirVocê pode colocar direto aqui a sua opinião ou informação, se precisar, envie uma mensagem à nossa redação e aguarde que vamos depois fazer uma nova edição desta seção de comentários: o e-mail da equipe deste blog é o navepad@netsite.com.br
ResponderExcluirVídeos, fotos, material de informação, sugestão de pauta ou matérias e notícias você pode mandar por e-mail diretamente pro editor do nosso blog, mande para padinhafranca603@gmail.com
ResponderExcluirBela reportagem Padua, espero que não entregue mais esta riqueza natural,como fizeram com o pre-sal,para o apetite voraz do capital estrangeiro, cujo objetivo é so a exploração,sem nenhuma preocupação com o meio ambiente.
ExcluirBoa noite.
"Considero um grande absurdo numa época em que os combustíveis fósseis estão finalmente em baixa e sendo questionados, até proibidos em alguns casos e em algunas países, como na Alemanha, destruir ou ameaçar destruir a ecologia da Amazônia para extrair petróleo e gás em benefício tão somente de grandes empresas transnacionais": comentário de Carlos Alberto Barcelos, engenheiro elétrico, de São Paulo, que nos envia material relacionado ao tema de hoje do blog da gente. Agradecemos e vamos estudar estas informações.
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