PODCAST

domingo, 15 de abril de 2018

UM VIRUS ALÉM DA POLUIÇÃO RESPONSÁVEIS PELA MORTE DE MAIS DE 250 GOLFINHOS NO LITORAL DO RIO DE JANEIRO E DE SÃO PAULO

Golfinhos estão morrendo aos montes no sudeste brasileiro mais em Sepetiba baia que concentra o maior número de animais desta espécie aqui no país e no planeta

 

Um dos golfinhos que apareceram mortos em Sepetiba



Já há alguns meses este fato triste vinha ocorrendo mas agora se acentuou e com informações do repórter Felipe Floresti aqui no blog da ecologia e da cidadania uma resumo de mais esta tristeza em relação à natureza brasileira, tema de matéria de sites como Galileu da Globo e do jornal New York Times neste domingo: dezenas de Golfinhos da espécie conhecida como Boto Cinza têm sido encontrados por pesquisadores, vigilantes sanitários e turistas agonizando ou mortos desde o início de dezembro de 2017 no litoral sul carioca e no litoral norte paulista. Agora, já passam de 250 animais mortos e a situação mais grave acontece na Baía de Sepetiba, na zona oeste da capital fluminense. É lá que fica a maior concentração da espécie no mundo, uma população entre 800 e mil indivíduos.  Até o último dia 7 de janeiro, 102 botos cinza haviam sido encontrados mortos, mas agora já passam de 200, mais de 20% da população destes cetáceos simpáticos e raros. "É algo que se trata duma mortalidade fora de padrão", avalia Carla Barbosa, do Instituto Argonauta de Conservação Marinha. 


Para pesquisadores mais de 200 vítimas no sudeste do Brasil

 Espécie de Golfinhos tipo Botos Cinza são raros no mundo


Entre os meses de novembro e dezembro de 2017 foram recolhidos por pesquisadores de Biologia e Oceanografia 47 botos cinza mortos. Para efeito de comparação, no mesmo período de 2015 foram sete e em 2016, seis. Agora, mais de 200 vítimas dum vírus que já vinha sendo detectado e estudado, além da poluição do Atlântico. Apesar do nome, o Boto Cinza é uma espécie rara e importante de Golfinho que atinge até dois metros de comprimento, habitando em águas da costa do Brasil, mas também ao longo de toda a faixa costeira do Oceano Atlântico, que vai de Honduras à Argentina. É um dos menores cetáceos do mundo mas que pesquisas revelaram ser de grande inteligência e vivacidade. 

Operação na baía fluminense de Sepetiba resgata centenas de mortos


Pesquisadores que investigam a causa da mortalidade dos Golfinhos do Rio de Janeiro encontraram como culpado um vírus da família do paramixovírus, a mesma que causa o sarampo em humanos. Em São Paulo, o resultado da necropsia ainda está para ser completado, mas se acredita que esta seja mesmo a principal causa mortis: "Se for um vírus mesmo, a gente não tem nem o que fazer", afirma André Barreto, coordenador do Projeto de Monitoramento de Praias Fase 1, que cobre uma área de Santa Catarina a Ubatuba. “Não dá para sair vacinando por aí todos os Botos Cinza sem definir o problema que tem outros conteúdos que também precisam ser analisados com urgência". De incidência incomum por aqui, esse tipo de vírus já foi ligado a mortalidade em massa de cetáceos em outros cantos do mundo, como quando matou 333 Golfinhos-nariz-de-garrafa na costa leste dos Estados Unidos. Pesquisadores afirmam que não há risco para saúde humana e admitem a poluição da águas na costa brasileira podem ser um fator complicador.


Ecologistas e pesquisadores denunciam gravidade da situação

 
Mesmo não sendo o criador do vírus que mata os golfinhos, os seres humanos estão longe de serem inocentes nessa história: "Faz 30 meses que submetemos a necropsia todos os animais mortos encontrados, seja Golfinho, Tartaruga ou alguma outra ave”, conforme considera André Barreto: “O que a gente percebeu é que o estado de saúde dos animais não está bom. De modo geral estão doentes, com problemas no fígado, rins, sistema imunológico, há algo mais além do vírus, pode ser a poluição". Para ecologistas e pesquisadores em geral, estes animais marinhos podem até não morrer por causa dos poluentes, mas a poluição atrapalha demais o sistema imunológico deles. Quando aparece um vírus novo, por já estarem com a saúde debilitada, ficam vulneráveis. Especialistas indicam que o caminho é cuidar da saúde das águas e dos Golfinhos também, para não virem a ser vítimas de doenças. Saudáveis, uma parcela menor dos Golfinhos seria vítima deste vírus agora. 

Esta espécie de Golfinhos tem muita inteligência e vivacidade

 

(Confira na seção de comentários aqui no nosso blog mais informações ou detalhes sobre este morticínio, bem como mensagens ou opiniões e sugestão para resolver o problema)


Na Amazônia sem vírus nem poluição mas com a violência da pesca



Fontes:  Galileu - New York Times - Reuters
              Instituto Boto Cinza - Instituto Argonauta
              folhaverdenews.blogspot.com

10 comentários:

  1. "A saúde dos Golfinhos tipo Botos cinza também preocupa no Rio de Janeiro. análise mostra que mais de 50% dos indivíduos adultos avistados estão mais magros que o normal, e mais de 80% dos filhotes apresentam lesões de pele e magreza": comentário que extraímos de um monitoramento do Instituto Boto Cinza na Baía de Sepetiba.

    ResponderExcluir
  2. “É muita pesca, o que os deixa sem alimentos. Muito esgoto no ambiente, com um monte de vírus e bactérias. É fácil esses patógenos que se desenvolvem no ser humano sofrerem uma mutação e contaminar os mamíferos marinhos, como o Golfinho. Em um peixe é mais difícil, por ter um metabolismo diferente”: comentário de Carla Barbosa, do Instituto Argonauta de Conservação Marinha.

    ResponderExcluir
  3. Logo mais por aqui nesta seção mais informações e comentários, participe desta edição, coloque aqui sua opinião ou então envie uma mensagem pro e-mail da nosso blog de ecologia e de cidadania, mande para navepad@netsite.com.br

    ResponderExcluir
  4. Vídeos, fotos, material de informação você pode enviar diretamente para o editor de conteúdo deste blog e-mail padinhafranca603@gmail.com

    ResponderExcluir
  5. "Despoluir as águas do litoral brasileiro é uma urgência também para a população humana, para a qualidade da pesca, para a saúde do próprio mar, é assim que vejo todas estas mortes de Golfinhos entre o Rio e São Paulo": comentário de Fábio Portho, que é fotógrafo e ecologista, formado em Oceanografia na Unicamp.

    ResponderExcluir
  6. "O número de mortes acima do normal preocupa os pesquisadores. Ás vezes a gente encontra animais boiando e quando eles chegam na praia estão decompostos, estamos tentando entender o que significa de fato essa mortalidade": com,entário de Beatriz Barbosa, Bióloga do Instituto Argonautas.

    ResponderExcluir
  7. "Alguns especialistas acreditam que uma maneira de tentar salvar a espécie é tornar o ambiente em que em que esses animais vivem mais saudável. Entre as ações estão a suspensão da dragagem em porto e do turismo de observação de Botos. Além disso eles sugerem a criação de uma unidade de conservação marinha. A pressão humana sobre o ambiente marinho tem mostrado que esses animais tem sofrido com falta de alimento, poluição, entre outros fatores que levam esses animais a uma imunidade diminuída": comentário do oceanógrafo Hugo Gallo, a quem conhece bem o editor deste blog de ecologia.

    ResponderExcluir
  8. "Exames comprovaram Em São Paulo que os animais foram infectados pelo mesmo vírus que provocou mortes no Rio de Janeiro. Amostras de um animal encontrado foram analisadas em um laboratório da Universidade de São Paulo e indicaram a morte por morbilivírus. Esse mesmo vírus já causou mortes em golfinhos também nos Estados Unidos, na Europa e Austrália": comentário da médica veterinária Kátia Groch, pesquisadora da USP.

    ResponderExcluir
  9. "Esse é o mesmo vírus que provoca sarampo em humanos e cinomose nos cães. Nos golfinhos ele é transmitido por via respiratória e passa facilmente de um animal para o outro. O surto teria começado na Baía de Sepetiba, no litoral do Rio de Janeiro, onde está concentrada a maior população desse tipo de Golfinho no Brasil. Como eles vivem em grupos com mais de 100 indivíduos, a doença se espalhou rapidamente. Foram registradas 250 mortes entre as baías de Sepetiba e Ilha Grande, no Rio de Janeiro": comentário também da médica veterinária da USP, Kátia Croch.

    ResponderExcluir
  10. "Esta espécie é considerada vulnerável, Se a gente tem uma mortalidade grande aqui, a gente está causando um problema pra população da espécie em toda a costa brasileira, são urgentes medidas que resolvam este problema": comentário de Leonardo Flach, biólogo do Instituto Boto Cinza.

    ResponderExcluir

Translation

translation