Esta foi uma conclusão a partir de dados e de análises de conferência realizada na Colômbia
Representantes de organizações diversas reuniram-se
para debater os principais problemas que atualmente enfrenta a América Latina, discutindo-se também soluções práticas que transformem a vida bem violenta da sociedade civil nesta região do planeta: esta matéria é destaque no site Brasil de Fato, enfocando a primeira Conferência Regional de Prêmios Nobel Alternativo em Bogotá na Colômbia, evento que teve informações e declarações contra a
violência sofrida por indígenas, camponeses e líderes sociais
latino-americanos. "Um ponto de maior interesse para nós aqui no Brasil são a conclusão de dados e a constatação que somos o país com maior violência neste continente na atualidade", comentou aqui no blog da cidadania e da ecologia Folha Verde News, o repórter e ecologista Padinha, editando esta postagem, onde inseriu também um levantamento postado no site de assuntos socioambientais EcoDebate. Segundo
estatísticas da Global Witness, em nível mundial e para o período
2002-2011, o Brasil foi o país que registrou a maior quantidade de
assassinatos de líderes ambientais e sociais, com 365 vítimas.
Seguem-lhe Peru, com 123; e Colômbia, com 70 assassinados. Somente nos
seis primeiros meses de 2013, o Movimento de Trabalhadores Rurais Sem
Terra (MST) já contabilizou 11 mortes por aqui em nosso país, vinculadas à luta pela
reforma agrária.
Também na Colômbia é de longa
data a violência no âmbito rural. A própria Associação de Trabalhadores
Camponeses do Carare (ATCC) relatou que para a década de 1970-1980 foram
500 mortos. Evaristo Nugkuag Ikanan, que vive e trabalha na selva
peruana junto a povos da floresta, auxiliando na organização das comunidades indígenas, contou que
eles já lamentam a morte de cinco companheiros, que resistiam à expulsão
de suas terras, e que, além disso, eles têm muita difi culdade em
conseguir o apoio de advogados.
Relacionando
aspectos econômicos e políticos, Martín Almada recordou que o golpe de
estado no Paraguai esteve vinculado a pressões de grandes empresas
estrangeiras, com interesses sobre extensas porções de terra no país. Com
profunda preocupação, especialistas na Conferência de Bogotá se referiram, também, aos numerosos
assassinatos de jornalistas, intermediários entre quem luta e o conjunto
da sociedade civil.
“Precisamos promover a proteção daqueles que trabalham em
denunciar e oferecer soluções alternativas”, assegurou Raúl Montenegro,
da Argentina. Afirmando
que “a economia tem matado mais gente que todas as guerras juntas”, o
economista chileno Manfred Max-Neef propôs a criação de um Tribunal para
Crimes Econômicos contra a Humanidade. “São evidentes os estragos do
sistema dominante atual. Devemos promover um novo paradigma de
desenvolvimento baseado na felicidade, no qual não falemos do Produto
Interno Bruto (PIB) senão da Felicidade Interna Bruta (FIB), o que supõe
viver de maneira sustentável com tudo o que somos”. Por sua vez, Francisco Whitaker fomentou a assinatura da declaração Por uma América Latina e Caribe livres de Centrais Nucleares,
que condena a tendência regional a expandir o uso deste tipo de energia
não sustentável, assumindo graves e desnecessários riscos para as
atuais e futuras gerações. A partir de suas reuniões e conversas, neste evento foi subscrito o documento Chamado de Bogotá,
que compila suas análises sobre as necessidades observadas em matéria
de direitos humanos e ambientais, processos de paz e memória,
participação democrática e autonomia dos estados latino-americanos. Simultaneamente, ainda hoje, pesquisa mostra que em São Paulo por exemplo os homicídios que aumentam em quantidade, também cada vez mais são cometidos com maior crueldade. No Brasil se debate bastante também a violência contra os índios, como emblemática desta situação. Para exeplificar isso, os índios Guarani, que vivem nas proximidades de Florianópolis, seja
em Biguaçu ou no Morro dos Cavalos, vivem a mesma triste realidade dos
irmãos de outras etnias no Brasil. Sem terras boas, perdidos de sua
cultura num mundo que nem os integra nem os aceita, precisam sair das
aldeias para trocar as belezas que fabricam por dinheiro. Muita vezes,
são esses minguados trocados garantidos pelas mulheres que permitem a
sobrevivência. Tutelados pelo estado, mas sem uma assistência digna, as
mais de 240 etnias brasileiras vivem em constante combate com o poder
público bem como com o agronegócio, sempre disposto a roubar tudo o que resta
de terra indígena para o monopólio da soja, da cana ou do gado. E, nessa
batalha, o índio acaba sendo sempre a parte mais fraca. Roubado,
assassinado, destruído, marginalizado e até mal visto por parte da população e até apagado da história. Produzido pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI) O relatório da violência contra os povos indígenas no Brasil é a prova mais
concreta dessa realidade. O trabalho levanta todos os enfrentamentos e
retrocessos vividos pelos indígenas no ano de 2012, espaço de tempo em
que se percebe uma brutal intensificação da violência, seja ela física
ou institucional. Foi em 2012 que a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos
Deputados aprovou a Emenda Constitucional 215, um tremendo retrocesso
legal articulado pelas bancadas dos ruralistas e dos evangélicos. Com
essa emenda fica na mão dos deputados a decisão sobre a titulação das
terras não só dos indígenas, mas também dos quilombolas. Ora, essas
bancadas são as representações do capital internacional concretizados em
empresas como a Monsanto, Bayer, Syngenta, Cargill e outras, todas
ligadas ao agronegócio, que vem abrindo novas fronteiras agrícolas em
estados como o Mato Grosso do Sul e Amazônia, espaços onde ainda têm
muito índio. Daí a necessidade de ter o controle das demarcações. Muitas
têm sido as manifestações contrárias por parte dos indígenas, mas o problema avança. Até porque, as demais entidades, à exceção de lideranças da ecologia e da cidadania, em geral os movimentos populares e
sindicais não conseguem assumir a causa indígena como sua ou de toda a Nação. E este é mais um detalhe cruel da realidade de violência, que se intensifica no meio rural e urbano do Brasil, que tristemente lidera o ranking dos países mais violentos da América Latina. ![]() |
| A violência policial e os vandalismos durante as recentes manifestações de cidadania no país são um alarme |
Fontes: www.brasildefato.com.br
www.ecodebate.com.br
http://folhaverdenews.blogspot.com



Todos os dados, informações e levantamentos de variadas entidades e fontes nos levam à uma necessidade urgentíssima de mudar a atual realidade de violência no país, na América Latina e em todo o planeta.
ResponderExcluirNo caso dos índios, são lutas que ficam na periferia dos movimentos. Um outro relatório, também em 2012, este da Advocacia Geral da União publicou uma portaria, a 303, na qual apresenta uma interpretação sobre as condicionantes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal no que diz respeito à terra indígena Raposa Serra do Sol (Pará), estendendo as mesmas para todas as áreas e isso de uma forma retroativa, o que significa que qualquer demarcação já realizada pode ser revista a qualquer momento. De novo aí estão agindo as grandes empresas internacionais do agronegócio em parceria com a oligarquia rural local. Esta "coligação" tem ampliado ultimamente a violência contra os indigenas.
ResponderExcluirAinda só para analisarmos a violência contra os índios (algo que se manifesta em outros vários setores da população também) tem havido importantes manifestações indígenas, de luta, protesto, reivindicação. Tudo isso enfrentado com violência estatal e empresarial, ocasionando mortes e desaparecimentos dos líderes. E omissão de muita gente na Nação.
ResponderExcluirPosts com o este de hoje aqui no blog da cidadania e da ecologia avançam no sentido de denunciar a situação e também de tentar mobilizar todos os setores da população para combater as causas e diminuir os índices de violência, ao mesmo tempo, buscando alternativa de solução para todos criarmos uma nova realidade mais humana, mais sustentável.
ResponderExcluirNeste post de hoje aqui no Folha verde News, além das informações sobre a Conferência de Bogotá, que captamos no portal Brasil de Fato, resumimos dados do artigo publicado no blogue Palavras Insurgentes, da jornalista Elaine Tavares e reproduzido pelo site socioambiental EcoDebate, mostrando que no caso indígena, por exemplo, a situação chegou a tal ponto que, no Mato Grosso do Sul, onde estão centenas de indígenas esperando demarcação de terras, vivendo na beira de estradas, um grupo de Guarani-Kaiowá precisou lançar um manifesto anunciando a decisão de morrer coletivamente se preciso fosse para que o governo acordasse um mínimo diante da tragédia destes povos nativos, fundamentais na formação do nosso povo, no passado, e por certo, importantes na criação coletiva de nosso futuro, que só criaremos com a superação desta realidade, argumenta nosso editor, o repórter e ecologista Padinha.
ResponderExcluirSe vc tiver algum comentário ou alguma informação, opinião ou mensagem dentro desta pauta, envie o e-mail aqui para a redação do nosso blog: navepad@netsite.com.br
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