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segunda-feira, 15 de julho de 2013

JUCA KFOURI ANALISA A VOZ DAS RUAS NO MOVIMENTO PARA MUDAR O BRASIL

Se não houver respostas as manifestações serão maiores ainda durante a Copa do Mundo 2014


Workaholic assumido – ele é colunista da Folha de São Paulo, da rádio CBN, do UOL e apresentador e comentarista na ESPN -, Juca Kfouri foi entrevistado pelos jornalistas Ciro Barros, Bruno Fonseca e Renato Leite Ribeiro, a matéria da APública está postada no site Brasil de Fato e nós aqui do blog da cidadania e da ecologia Folha Verde News resumimos a entrevista nos seus pontos de maior interesse geral, em especial, para os jovens que sairam às ruas durante a Copa das Confederações dentro de um movimento alimentado pelas redes sociais na Internet, Muda Brasil. Juca recebeu os repórteres numa sexta-feira ensolarada em seu escritório, em Higienópolis, São Paulo, depois de gravar uma entrevista com o filósofo Vladimir Safatle justamente sobre a... “Copa das Manifestações”... O papo também foi além do futebol: em mais de uma hora de conversa ele falou sobre manifestações – incluindo a cobertura da imprensa – e sobre a reação dos poderosos do futebol e de autoridades governamentais ao que aconteceu nas ruas. E fez sua previsão para a Copa de 2014: “Se não houver respostas, a reação dos jovens deste movimento de cidadania popular vai ser maior ainda do que foi”. "Juca não chegou a analisar a fundo o  problema da violência, nem o da repressão policial nem o do vandalismo, mas talvez este será o maior problema na Copa em 2014, as manifestações pacíficas são um caminho de avanço da Nação, a violência, atraso", comentou por sua vez o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha ao editar aqui no blog esta entrevista superinteressante, que é também uma oportunidade de colocar a voz das ruas aqui nestes nosso webespaço.

Um entrevista com muita informação no calor dos acontecimentos

Juca Kfouri cita a importância das redes sociais e ...

...o valor de todas as manifestações esportivas e sociais

Ele constatou e alertou sobre a questão da violência...



...e destacou a força política do povo nas ruas

Como você avalia as manifestações pautadas na Copa do Mundo? Por que no Brasil elas tomaram esta proporção? Acho que as manifestações vão continuar porque infelizmente estão fechando as primeiras portas mais óbvias para as saídas que deem solução. A mini-constituinte, que era uma ótima idéia, estranhamente a própria Presidenta recuou dela. A idéia foi mal recebida pela mídia, mas isso não deve ser motivo para se desistir, ao contrário. Se a mídia está olhando de cara feia é bom insistir nisso. Tem uma solução criativa ali e acho que, na verdade, se mostra um medo brutal das soluções criativas que o povo eventualmente seja capaz de dar. Uma coisa que me chamou muita atenção: conversando com jornalistas estrangeiros, vi que todos eles estavam surpresos, não faziam ideia de que o Brasil fosse capaz disso. Há uma imagem distorcida do que seja o povo brasileiro. A começar pela má compreensão da ideia do homem cordial, que não é o homem cordato que baixa a cabeça para tudo. Não se está levando em conta as manifestações mais recentes da história do Brasil. Em que outro país mais de um milhão de pessoas foram às ruas pedir Diretas Já? Ou fizeram um processo de impeachment de um Presidente recém-eleito, como o Collor? Além de todas as nossas revoltas regionais, que caracterizam a história do Brasil. Então acho que nesse sentido a Copa das Confederações, em alguns lugares, foi a gota d’água. A suntuosidade faraônica dos estádios padrão FIFA agrediu as pessoas. Nós não estamos conseguindo dar respostas para transporte coletivo, outros problemas aí e foi feito um estádio como esse em Brasília? Ou somos capazes de fazer um estádio como o Maracanã, que custa R$ 1,2 bi, e por R$ 480 milhões damos para uma empreiteira e para um mega-empresário pagarem em 30 anos, em módicas prestações, aquilo que foi feito com dinheiro público? Então acho que isso teve um caráter de despertar a indignação. Daí queremos “escola padrão FIFA”, “saúde pública padrão FIFA”, que ainda haverá quem critique dizendo: “pera aí, padrão FIFA não porque ele exclui os pobres”. Mas as reivindicações são de escolas padrão FIFA e acessíveis a todo mundo. Então acho que não há uma razão só para terem acontecido os protestos, acho que são diversas.
Mas o fato é que no megaevento Copa do Mundo isso nunca tinha acontecido nessa proporção…
Já cobri uns doze megaeventos nessa vida, entre Olimpíadas e Copa do Mundo, e nunca vi nada parecido. A coisa mais chocante que eu já tinha visto foi na Copa de 1982, na Espanha, quando jogaram Polônia e União Soviética e o pessoal do Solidariedade fez uma manifestação nas arquibancadas e a polícia, ainda resquício do franquismo, cobriu os caras de porrada.Você tem trânsito nas altas cúpulas do futebol. Como esse pessoal recebeu? Felizmente não tenho todo esse trânsito, mas fico sabendo das coisas. Mas escuta, meu, é a primeira vez que uma decisão de uma Copa dessa importância não teve cartola no telão do Maracanã. Porque já na triscada que o povo deu do Blatter com o Marin mandando a camisa para o Mandela, o estádio começou a vaiar. Aí eles não foram nem entregar medalha, nem troféu. Foi lá o ministro do Esporte Aldo Rebelo, que é uma figura que as pessoas mais ou menos desconhecem. Então isso dá a medida. E não é verdade que as pessoas que estavam no estádio eram alienadas enquanto que só eram conscientes as que estavam na rua. Porque inclusive aquela maneira de cantar o hino à capela era um recado de amor ao Brasil. Aquilo mostrou uma sabedoria que, por incrível que pareça, a nossa intelectualidade e a nossa mídia tem medo.  As manifestações subverteram a propaganda oficial da Fifa e dos políticos?
Por um lado podem ter subvertido, diante de uma visão conservadora. Diante de uma concepção mais de vanguarda, não. Elas mostraram a pujança do Brasil. Que país vivo é esse? Ou você não acha que o Brasil vai ser um país melhor depois disso tudo?  Junho de 2013 marca um momento na história do Brasil, daqui a 50 anos vai se falar disso. A minha preocupação nesse momento é apenas de ver a nossa elite fechando portas para soluções de baixo, as soluções que vem da rua. Se fizer isso, vai pegar fogo. Porque primeiro: eu adoro aquele cartaz que diz “cidade muda não muda”. Segundo: você não conhece na história da humanidade nenhuma transformação que não tenha sido feita com alguma violência. Há evidentemente uma polarização. E depois do que aconteceu na Maré, no Rio de Janeiro, essa questão está ainda mais colocada…Sim. Porque é isso: eles vão para a guerra. A postura deles não é outra, a postura é de guerra. Você é inimigo para eles. Quem vai a campo de futebol sabe disso. Quer dizer, para organizar uma fila para compra de ingresso eles jogam o cavalo em cima da torcida. Aí você fala: “Ah, mas o torcedor é violento”. Mas como é que você acha que o cara vai entrar em campo? Uma faísca já vai pegar fogo. Eu sempre digo isso: trate o torcedor feito gado e ele vai se comportar feito um animal. Vale pros manifestantes nas ruas.

Fontes: APública
             www.brasildefato.com.br
             http://folhaverdenews.blogspot.com

6 comentários:

  1. Na entrevista, o jornalista pede para que o Brasil não só ecoe mas decifre e pratique a voz das ruas nas recentes manifestações, prevendo que elas vão retornar e aumentar no ano que vem, por ocasião da Copa do Mundo de 2014, se a voz das ruas não for ouvida realmente.

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  2. Uma análise lúcida, imparcial, jornalística mesmo que feita no calor dos acontecimentos: Juca prega um respeito à cidadania, tanto por parte das autoridades policiais, esportivas ou governamentais, podendo prever sem ser profeta que o clima será mais pesado no ano que vem se nada ocorrer de mudanças reais até lá.

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  3. Na Copa do Mundo 2014 a exposição mundial do Brasil será maior ainda e com certeza os jovens e todo o movimento de cidadania sabem disso, o que Juca Kfouri espera é que as autoridades não finjam de surdas, cegas, mudas e inertes, a bem dos avanços na Nação e do próprio megaevento que então poderá ter efeitos positivos para todo o país.

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  4. "Juca Kfouri pertence à Geração 68, aquela de ajudou a derrubara a Ditadura e depois com os Caras Pintadas, Collor, sabe o que está falando e é positivo que ele veja as manifestações como algo feliz para o país, aqui e no exterior, entendendo como normais e positivos os atos públicos e os protestos, é um cronista esportivo mas não é bitolado só no futebol", é a mensagem que nos manda o ex-jogador Biju, que terminou a carreira em Goiás e se tornou professor de escola pública.

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  5. Mande vc tb a sua mensagem, o seu comentário, análise, sugestão ou crítica aqui para o e-mail da redação do nosso blog de cidadania e de ecologia navepad@netsite.com.br

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  6. Conversando sobre este mesmo tema desta entrevista com o Juca Kfouri, em BH, com um especialista em marketing, o nosso editor resolveu lançar o seu documentário questionando a violência da atualidade em 2014, à época da Copa do Mundo: "resolvi lançar na época da Copa em 2014, quando a exposição de mídia no Brasil e o prórpio movimento de cidadania serão 3 ou 4 vezes mais intensos do que foram na Copa das Confederações".

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