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sábado, 6 de outubro de 2012

UMA CIDADE-FANTASMA NO INTERIOR DO BRASIL

Daqui 50 anos Franca poderá ser uma cidade-fantasma


como Desemboque, que era próspera há 150 anos atrás

Antônio de Pádua Padinha *

Se nós não criarmos o futuro desta cidade que já foi um pólo de liderança política e econômica no nordeste paulista e em toda a macrorregião, divisa com Minas e coração do interior do país, Franca poderá virar uma cidade-fantasma em mais meio século de má administração pública, sem planejamento para equacionar os problemas e sem a visão de desenvolvimento sustentável, que equilibre o avanço da economia com a ecologia dos recursos naturais da nossa região. Este tipo de coisa temos colocado como advertência constantemente aqui neste blog, Folha Verde News, webespaço que ao longo de quase dois anos já teve até hoje mais de 150 mil visitas e acessos de internautas do Brasil e do exterior também, como se comprova nas medições do Google. Nossa macrorregião, de Ribeirão até a Serra da Canastra, por aqui nas barrancas dos rios Grande, Pardo, São Francisco, Santo Antônio, Sapucaí, fica em cima do Aqüífero Guarani, é cientificamente catalogada como uma das maiores reservas de água e riqueza hidromineral do planeta, com certeza, a maior do país.
Falo dos recursos naturais também para que eles movam a nossa vida econômica, de forma sustentável para que exista futuro por aqui, veja, toda a energia elétrica que alimenta o progresso de todo o Sudeste do país - a região brasileira mais desenvolvida entre todas - vem do nosso Rio Grande, aqui na divisa entre São Paulo e Minas Gerais. Claro que o custo ambiental disso foi alto, foi alterado o clima regional, a regularidade das chuvas, a intervenção mexeu na biodiversidade, os alagamentos emitem excesso de gás carbônico e sepultaram centenas de espécies vegetais e animais nativos, milhares de nascentes, todo um manancial de riquezas hidrominerais, do tempo da onça, quando Franca era ainda uma estância mineral. Nesta época, Desemboque era pequena mas era rica, uma metrópole regional, por causa da exploração do ouro, do diamante, das tropas de sal que via a estalagem francana invadia o sertão de Goiás e Mato Grosso, quando ainda sobreviviam por aqui os índios Kaiapós. Pois é, menos de 2 séculos depois, Desemboque são ruínas fantasmas no alto do Chapadão da Canastra. Não houve um processo de recriação ou mudança da sua realidade para se adequar então a novos tempos.


Existe um potencial fora do comum em recursos hidrominerais na macrorregião...

...da Serra da Canastra onde hoje Desemboque é uma cidade-fantasma...

...e o que aconteceu no passado deve nos advertir sobre a falta de futuro

Esta imagem poderia ser um condomínio invadido por mato na Franca de 2025...

Uma das principais alternativas regionais são as energias eólica e solar

É fundamental um novo mapeamento das reservas de água do Aquífero Guarani...

...antes que os desgovernos e falta de visão sustentável acabem com nossa vida, nossa história

Franca, depois de uns 100 anos da implantação da indústria coureira-calçadista, vivencia até agora um progresso econômico, a capital dos calçados já foi vanguarda de todo o interior brasileiro, além dos calçados, teve o auge da economia do café, e os imigrantes italianos advertiram porém não foram ouvidos. Italianos, espanhóis e outros imigrantes, com base na experiência ou cultura européia, alertavam sobre a necessidade de proteção da natureza, quando ainda nem existia o conceito de ecologia. Não foram ouvidos. Córregos foram poluídos, a água com os efluentes dos curtumes contendo cromo (metal pesado, altamente tóxico) acabaram por tirar de Franca a condição de estância hidromineral. Virou uma cidade industrial. Só no final do século passado (já por pressão do então nascente movimento ecológico), se iniciou uma fase de despoluição das águas, tanto dos esgotos domésticos como dos efluentes industriais. Mas é marketing que nosso espaço tem 100% da água tratada, talvez, estejamos a 70% deste ponto. O processo de despoluição precisa continuar, ser aperfeiçoado, se integrar agora (ainda que tarde) a todo um programa de desenvolvimento sustentável, reequilibrando um novo avanço econômico com uma recuperação do equilíbrio do meio ambiente. A nossa natureza recuperada poderá gerar um novo fluxo de riquezas para o povo, via a economia verde, o ecoturismo regional, novas alternativas de atividades, como a informática, a agroecologia e em especial, a implantação de toda uma nova estrutura energética. Sim, desde a Serra da Canastra, de onde se iniciou toda a povoação regional - hoje já com mais de 3 milhões de habitantes – há um potencial fora de comum em ventos e em solarização, podendo alimentar parques de energia Eólica e Solar que abastecerão a cidade e toda a macrorregião, trazendo recursos para um avanço no tempo das tecnologias que aproveitam a natureza sem destruí-la. Analistas especializados já estão profetizando o fim do ciclo dos calçados, o café já não é a mesma realidade faz tempo e quais novas alternativas econômicas e sustentáveis estão sendo implantadas para se criar novos empregos via novas atividades urbanas e rurais? Apenas um dos sete candidatos a Prefeito de Franca, no caso, Cassiano Pimentel, do Partido Verde (PV) falou em planejar para resolver problemas e preparar o futuro da cidade e da região. Esta é a proposta mais importante nestas eleições. Com os políticos sem visão de economia ecológica, novamente sendo eleitos através de um poderoso esquema de marketing e/ou se aproveitando de erros ou limites da atual legislação eleitoral, então, a projeção de Franca como uma cidade-fantasma já pode começar a ser feita para a próximas décadas de desgoverno, falta de cidadania e de amor à nossa terra e à nossa gente, sacrificada por outros interesses imediatos e que destroem a história do nosso povo.

* Padinha é repórter, autor, produtor cultural, edita o blog Folha Verde News, é um dos fundadores em nível nacional do Partido Verde (PV) e ativista do movimento da cidadania, da ecologia e da não-violência, que se preocupa com o processo coletivo da criação do futuro, para que ele exista, como disse o redator e editor do nosso blog aqui neste texto escrito em Franca (SP) em 6 de setembro de 2012.

Fontes: Fotos de Gláucio Henrique Chaves
              www.google.com.br
              http://folhaverdenews.blogspot.com

4 comentários:

  1. Às vésperas das eleições municipais de 2012, o nosso editor Padinha faz um relato da história de desgovernos e da falta de visão sustentável que podem criar uma nova cidade-fantasma por aqui na macrorregião, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais.

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  2. Através deste depoimento, que esclarece em alguns pontos o que é este tal de Desenvolvimento Sustentável, o nosso redator adverte com base em fatos históricos a destruição da chance de futuro de nossa terra, nossa gente.

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  3. Esta é uma forma de apoio cultural às candidaturas de Cassiano Pimentel e Chuí à Prefeitura de Franca (SP) pelo Partido Verde (PV) mas também, de alerta à população sobre a necessidade de mudanças e avanços na atual realidade da cidade e da região.

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  4. Você pode enviar sugestões, críticas e comentários para o e-mail do nosso editor navepad@netsite.com.br
    que poderá postar aqui estas informações de interesse de muita gente por aqui no interior do Brasil.

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