Antônio de Pádua Padinha*
O Partido Verde nas eleições municipais de 2012 sofreu com a atual estrutura eleitoral, carente de uma Reforma Política que vem sendo adiada a dano do avanço da cidadania na política, sofrendo também com a saída de Marina Silva, um grande desfalque para o PV que vinha crescendo muito anteriormente, tanto que na eleição municipal de 2008 teve o melhor desempenho da história dos Verdes no Brasil, elegendo então 76 Prefeitos e 1.237 Vereadores no país. Agora sem partido, liderando um movimento socioambiental, a ex-Ministra e ex-Senadora pouco influiu nas eleições de 2012 e o PV (do qual saiu por discordar do seu sistema organizacional e também por querer renovar o seu conteúdo programático) o PV também teve uma performance eleitoral muito frágil, se compararmos as eleições de 2008 e de 2012. Além de desfalcado e passando por uma crise interna, o PV entrou no jogo eleitoral agora com um outro problema: os outros partidos passaram a tratar os Verdes como adversários políticos, para impedir uma reedição do bom desempenho do PV de 2008 e além disso, ainda, permanece vigorando na Nação uma legislação eleitoral cheia de erros, limites e vícios, que acabam privilegiando o poder econômico, que prejudicam o avanço da cidadania na política, que dentro das velhas normas ainda em vigor para as eleições faz com que em geral prevaleça a chamada politicagem. A Reforma Política, para o que já existem boas idéias e propostas no Congresso Nacional, não se efetivou nos últimos quatro anos, por culpa do interesse dos maiores partidos ou mais tradicionais, e as eleições de agora aconteceram dentro de uma estrutura onde predominou a indústria do voto e não a cidadania, onde a democracia foi prejudicada com o predomínio do poder econômico e das artimanhas da velha política que precisa ser reformada para que o país possa evoluir politicamente, abrindo espaço para a criação do futuro via uma nova política, que inclui o desenvolvimento sustentável, o principal conteúdo de mudança proposta pelo PV. A velha estrutura das legislação que rege as eleições precisa ser mudada pela Reforma Política urgentíssima no Brasil: o Horário Eleitoral Gratuito está desmoralizado tal como é hoje e chega a ser antidemocrático na divisão de tempo entre partidos e candidatos; as pesquisas de intenção de votos precisam ser regulamentadas de forma que não façam das eleições somente um negócio e só marketing, as pesquisas são encomendadas a empresas e por serem pagas, encomendadas, são manipuláveis e em algumas situações, substituem o voto, o eleitor deixa se levar por elas e não pela proposta dos candidatos ou partidos; o poderio econômico também se manifesta como um outro problema na atual prática eleitoral, privilegiando grupos economicamente mais fortes ou ligados a “máquinas” dos governos federal, estadual ou municipal. Tudo isso torna a eleição manipulável e enfraquece a cidadania, a democracia e o poder do voto, que deveria ser o foco central e a essência da eleição.
(Neste ponto, um parêntese: o Partido Verde agora deveria priorizar a luta pela Reforma Política, a tempo de criar melhores condições democráticas e de cidadania para as eleições legislativas e presidencial de 2014, revitalizando a política e ampliando as chances de avanço da Nação).
Em 2010, com a candidatura de Marina Silva à Presidência, o PV conseguira se impor como terceira via em uma eleição marcada pela polarização entre PT e PSDB. Marina teve 19,6 milhões de votos. Apesar do terceiro lugar, saiu como "vitoriosa " no primeiro turno. Na ocasião, o PV elegeu 15 deputados federais, sua maior bancada desde a criação do partido em 1986. Marina deixou o partido em 2011, junto de outros quadros que se filiaram na mesma época que ela ou Verdes que se identificaram mais com as mudanças organizacionais e de conteúdo propostas por ela.
O ex-deputado Fernando Gabeira, segundo colocado na disputa à Prefeitura do Rio em 2008 e ao governo do Estado, em 2010 permanece no PV e afirma que os problemas enfrentados neste ano ocorrem porque as circunstâncias das duas últimas eleições não se repetiram. Uma das dificuldades apontadas por Gabeira em 2012 é a falta de dinheiro para as campanhas. "Hoje aposta-se menos em candidatos com poucas chances de vencer." Ele falando assim também se refere à estrutura eleitoral, à indústria do voto e à necessidade de se mudar a legislação e a prática da política. Já o presidente nacional do PV, deputado federal José Luiz Penna, afirma que o partido trabalhou pela permanência do grupo de Marina Silva e tem trabalhado em sua agenda, tocando em temas como a economia criativa. Para ele, apesar do baixo desempenho na eleição municipal agora, os maiores problemas vieram de fora e não de dentro do Partido Verde. Ele também se refere claro a uma necessidade de reforma eleitoral que possibilite uma oxigenação da própria política no país.
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| Diante também dos erros estruturais da legislação eleitoral a luta Verde ficou mais difícil neste ano... |
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| ...também em cidades do interior, como Franca, bem como nas maiores capitais do Brasil... |
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| ...onde a luta pela cidadania e desenvolvimento sustentável perdeu para a velha política |
O PV agora em Franca e em todo o Brasil
Nestas condições e circunstâncias, para exemplificar o que aconteceu em todo o país, Aspásia Camargo teve mau desempenho no Rio de Janeiro, já tradicional reduto do PV, que agora ali só elegeu um vereador. Em São Paulo e em Ribeirão Preto (SP), o partido vai ao segundo turno mas coligado com o PSDB, ao contrário de Porto Velho (Rondônia) ou de Diadema (SP) onde há a liderança da deputada estadual Regina Gonçalves - cidades exceção - onde os Verdes disputarão o 2º Turno sem a companhia de grandes partidos. Em Campinas, com a candidatura do oceanógrafo e professor universitário Rogério Menezes, o PV saiu sozinho mas assim como no Rio ou em Franca (SP) não superou as barreiras da realidade política e eleitoral do momento. Na cidade do interior Patrocínio Paulista, o PV conquistou a Prefeitura coligado com o PT, reelegendo o vereador Professor Giovani, o único eleito na região de Franca (SP), onde mesmo com uma dupla que conquistou a simpatia dos eleitores - o professor e empresário Cassiano Pimentel e o ex-jogador de basquete Chuí - o Partido Verde ficou com apenas cerca de 5% dos votos. Nesta cidade dos calçados, do basquetebol e do café, o PT não passou dos 10% da votação que foi polarizada entre o candidato do prefeito do PSDB (com já 8 anos de mandato) e a sua principal opositora neste período (a delegada e vereadora Graciela Ambrósio David, do PP, coligada com o DEM apesar de ela pessoalmente ter uma liderança de cidadania). Tanto o candidato do PSDB como a candidata do PP na prática fizeram campanha por pelo menos quatro anos. Faltou tempo para o PV, levando em conta também a forma em que se estabelece o Horário Eleitoral no Rádio e na TV, faltou tempo e dinheiro, para bancar pesquisas, marketing, campanha de comunicação de massa que faz da votação atualmente uma indústria de votos. Esta situação em Franca exemplifica o que ocorreu em milhares de cidades brasileiras, não só em relação ao PV, mas também em vários casos de candidaturas também de outros partidos que representavam uma nova alternativa para os eleitores, em especial dos Verdes, por causa da luta da hora pelo desenvolvimento sustentável e criação de uma realidade mais avançada, para a política e para a vida da população.
* Padinha é repórter, autor, produtor cultural, edita o blog Folha Verde News, é um dos fundadores em nível nacional do Partido Verde (PV) e ativista do movimento da cidadania, da ecologia e da não-violência, que se preocupa com o processo coletivo da criação do futuro, para que ele exista, como disse o redator e editor do nosso blog aqui neste texto escrito em Franca (SP) em 8 de setembro, no day after das Eleições de 2012
Fonte: http://folhaverdenews.blogspot.com



Este texto do ecologista que edita o nosso blog, Padinha, resume bem a atualidade do PV, especialmente também sob o ponto de vista da luta pela cidadania e pelo desenvolvimento sustentável, que em geral aqui e em todo o país, perderam para a velha política.
ResponderExcluirFica claro que o enfoque desta análise sobre o desempenho dos Verdes na eleição municipal de 2012 propõe como prioritária a luta pela Reforma Política e uma nopva estrutura na legislação eleitoral, sem o que a indústria do voto acabará por destruir a democracia da votação.
ResponderExcluirEsta análise do nosso editor-ecologista procura focar o desempenho do PV dentro do contexto da realidade política de hoje e da atual estrutura eleitoral no país, realmente, os problemas enfrentados pelos candidatos a Prefeito ou a Vereador que pregavam o desenvolvimento sustentável (equilibrando avanço da economia com a ecologia dos recursos naturais), a cidadania e a criação do futuro, os problemas estavam mais fora do que dentro do próprio Partido Verde.
ResponderExcluirPor aqui na região de Franca, com todas estas dificuldades apontadas aqui no blog da eologia, 5 vereadores foram eleitos: faltando ainda os números desta votação em Ribeirão Preto, em Cristais Paulista (onde o candidato a Prefeito Toninho Raiz ficou em 2º com 22,60% dos votos), elegeu-se o vereador Professor Edinho; em Patrocínio Paulista, como já eplicamos, na coligação PT-PV, foi eleito o Verde Giovani. Do lado mineiro aqui da região, mais 3 vereadores em cidades vizinhas de Franca: dois vereadorers do PV em Cássia (Sérgio Cabral e Elaine Advogada) e mais um Verde em Ibiraci (Gino Baiano).
ResponderExcluirNo caso de Franca, pesquisas de intenção de voto manipuláveis (e que estão sendo questinadas agora por gente de vários partidos e setores da cidade) colocovam erroneamente o candidato do PV Cassiano Pimentel com cerca de 1%. Ele teve na eleição por volta de 5%. Se as pesquisas tivessem sido certas (e/ou corretas), registrando esta porcentagem, na votação ele poderia ter alcaçado bem mais, muitos não votaram nele por achar que ele não tinha nenhuma chance.
ResponderExcluirConforme e-mail que recebemos do eleitor José Pedro Paris Neto, "os erros das pesquisas encomendadas, por exemplo, em São Paulo e em Franca, sinalizam a necessidade de se mudar a forma que estes levantamentos são feitos por empresas de marketing, pagas para esta função, talvez, devessem ser feitas pela própria Justoça Federal para terem mais isenção ou imparcialidade e não influenciarem negativamente no voto do eleitor".
ResponderExcluirVia Facebook, Ernesto Vivona comenta: "O Partido Verde cresceu muito na Gde SPaulo, pulou de 1 pra 5 prefeituras... não é pouco"
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