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sábado, 19 de novembro de 2011

EXECUTADO CACIQUE KAIOWÁ GUARANI NO MATO GROSSO DO SUL

Pistoleiros matam líder indígena violentamente

Os índios Kaiowá Guarani defendem suas terras contra grandes interesses...
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Foto: Divulgação/CIMI cacique Nísio acampado em Tekoha Guaiviry
A Polícia Federal e uma comitiva com integrantes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e conselho Aty Guassu (Grande Assembleia Guarani) estão no acampamento Tekoha Guaiviry, entre os municípios de Amambai e Ponta Porã (MS), onde uma comunidade Kaiowá Guarani foi atacada por um grupo com cerca de 40 pistoleiros - munidos com armas de groso calibre - na sexta-feira. O massacre ceifou a vida do cacique Nísio Gomes, 59 anos, executado com tiros de calibre 12. Depois de morto, o corpo do indígena foi levado pelos pistoleiros, prática usada também em outros massacres cometidos contra os Kaiowá Guarani no MS. As informações são preliminares e transmitidas por integrantes da comunidade. Não se sabe se além de Nísio outros indígenas foram mortos, aparentemente, sim. Os relatos dão conta de que os pistoleiros sequestraram mais dois jovens e uma criança e apontam também para o assassinato de pelo menos uma mulher e uma criança.
“Estavam todos de máscaras, com jaquetas escuras. Chegaram ao acampamento e pediram pros índios deitarem no chão. Portavam armas calibre 12”, disse um indígena da comunidade que presenciou o ataque e terá sua identidade preservada por motivos de segurança.
Conforme relato do indígena, o cacique foi executado com tiros na cabeça, no peito, nos braços e nas pernas. “Chegaram para matar nosso cacique”, afirmou. O filho de Nísio tentou impedir o assassinato do pai, segundo o indígena, e se atirou sobre um dos pistoleiros. Bateram no rapaz, mas ele não desistiu. Só o pararam com um tiro de borracha no peito. Na frente do filho, executaram o pai. Cerca de dez indígenas permaneceram no acampamento. O restante fugiu para o mato e só se sabe de um rapaz ferido pelos tiros de borracha – disparados contra quem resistiu e contra quem estava atirado ao chão por ordem dos pistoleiros. Este não é o primeiro ataque sofrido pela comunidade, composta por cerca de 60 Kaiowá Guarani. Eles reivindicam as suas próprias terras, onde vivem antes da colonização há mais de 500 anos.

Decisão dos índios é de permanecer em suas terras 

Desde o dia 1º deste mês os indígenas ocupam um pedaço de terra entre as fazendas Chimarrão, Querência Nativa e Ouro Verde em Território Indígena de ocupação tradicional dos Kaiowá. A ação dos pistoleiros foi respaldada por cerca de uma dezena de caminhonetes – marcas Hilux e S-10 nas cores preta, vermelha e verde. Na caçamba de uma delas o corpo do cacique Nísio foi levado, bem como os outros sequestrados, estejam mortos ou vivos. “O povo continua no acampamento, nós vamos morrer tudo aqui mesmo. Não vamos sair do nosso tekoha”, afirmou o indígena.
Ele disse ainda que a comunidade deseja enterrar o cacique na terra pela qual a liderança lutou a vida inteira.
“Ele está morto. Não é possível que tenha sobrevivido com tiros na cabeça e por todo o corpo”, lamentou. A comunidade vivia na beira de uma rodovia estadual antes da ocupação do pedaço de terra no tekoha Kaiowá. O acampamento atacado fica na estrada entre os municípios de Amambai e Ponta Porã, perto da fronteira entre Brasil e Paraguai.
Conforme recente publicação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) sobre a violência praticada contra os povos indígenas do MS nos últimos oito anos, no estado está concentrada a maior quantidade de acampamentos indígenas do País, 31 - há dois anos, em 2009, eram 22. São mais de 1200 famílias vivendo em condições degradantes à beira de rodovias ou sitiadas em fazendas. Expostas a violências diversas, as comunidades veem suas crianças sofrerem com a desnutrição – os casos somam 4 mil nos últimos oito anos - e longe do território tradicional. Atualmente, 98% da população originária do estado vivem efetivamente em menos de 75 mil hectares, ou seja, 0,2% do território estadual. Em dados comparativos, cerca de 70 mil cabeças de gado, das mais de 22,3 milhões que o estado possui, ocupam área equivalente as que estão efetivamente na posse dos indígenas hoje. Com relatório em fase de conclusão pela Fundação Nacional do Índio (Funai), a área ocupada pela comunidade está em processo de identificação desde 2008. Por conta disso, o ataque tem como principal causa o conflito pela posse do território. A região do ataque fica a meia hora da fronteira com o Paraguai. Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do Ministério Público Federal (MPF), referente ao processo de demarcação da Terra Indígena, está em execução. Do lado de lá estão grandes fazendeiros e megainteresses das empresas que se dedicam à pecuária, plantio de soja ou agronegócios. Neste último sertão do Brasil, aqui também a luta ruralistas X ambientalistas (no caso, os índios Kaiowá Guarani) que no Senado discute o novo Código Florestal. A realidade de violência invade esta dicussão, como comentou o ecologista Padinha (Folha Verde News) ao receber a informação do Cimi.
A luta dos Kaiowá Guarani é pelas suas próprias terras


Eles estão sendo exterminados violentamente diz o Cimi
Região sul de MS, onde cacique Kaiowá teria sido morto, é palco de constantes conflitos armados






A região onde houve ataque armado contra índios Guarani Kaiowá – que, segundo informações de entidades ligadas ao setor indígena, ocasionou o assassinato do cacique Nísio Gomes, 59 anos – é palco de constantes disputas entre fazendeiros e indígenas. A vítima liderava o acampamento Tekoha Guaviry, entre Ponta Porã e Amambai. O sul do Estado, onde habitam os cerca de 30 mil componentes das etnias Guarani Kaiowá e Guarani Ñadeva, é um dos locais onde mais há conflitos por terras. Por ora, as polícias Federal e Civil, Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF-MS) e Fundação Nacional do Índio (Funai), estão com representantes no local para investigar o caso, que é tratado pelo MPF-MS como desaparecimento. Em 2009, assassinatos de dois professores da mesma etnia de Nísio causou indignação em todo o Estado. Genivaldo Vera e Rolindo Vera foram executados em Paranhos. Exame de DNA confirmou que corpo encontrado em um córrego naquele município era de Genivaldo. Inclusive o Exército precisou ser acionado pelo MPF-MS para atuar nas buscas. Já o corpo de Rolindo não foi encontrado. Em maio de 2011, índios Kaiowá também ocuparam fazendas nas terras conhecidas como Laranjeiras Ñanderu, no município de Rio Brilhante. Já em 2009, eles tentaram reocupar terras que consideram como suas tradicionalmente. São cerca de 400 pessoas acampadas à margem da BR-163.

Fontes: www.capitalnews.com.br
                 
Conselho Indigenista Missionário (Cimi)
              http://folhaverdenews.blogspot.com

5 comentários:

  1. É diferente a luta dos índios, como no caso os Kaiowá Guarani, e a dos Sem Terra em suas invasões: os indígenas e povos da floresta defendem terras que são historicamente suas, há mais de 500 anos, muito mais. A violência dos ruralistas em defesa de grandes interesses do agronegócio, da pecuária, do agrotóxico e de lucros cada vez maiores não poupa índios nem as leis da natureza ou do país e da Justiça.

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  2. A grande mídia, que por suas ligações explícitas ou não com os interessados em ocupar as terras indígenas, no mais das vezes se cala ou não se pronuncia no tom necessário para mostrar fatos como este agora em Mato Grosso do Sul, fronteira com o Paraguai, uma terra sem lei. A grande mídia ao não relatar os acontecimentos em toda a sua gravidade está também sendo cúmplice desta violência, deste crime.

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  3. Nosso blog Folha Verde News, de ecologia, atualidades e esportes, não se furta de sua responsabilidade de discutir com todas as suas implicações acontecimentos como este, que revleam uma vez mais uma violência sem limites e o pior, institucionalizada no Brasil, que em casos assim se mostra como o Paraguai, uma terra sem lei.

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  4. Projeto de lei ameaça liberdade na web: SOPA, sigla para Stop Online Piracy Act - em português lei de impedimento da pirataria online - é a mais recente investida da indústria americana no que se refere à proteção da propriedade intelectual e dos direitos autorais. Mas na verdade, na prática, a lei, se aprovada, permitirá que o governo dos Estados Unidos bloqueie sites e impeça os usuários - parci...al ou totalmente - de entrarem neles. Confira no site Terra esta notícia, mais uma ameaça à liberdade de informação na Internet, a última fronteira da liberdade: por exemplo, ainda agora, os índios Kaiowá Guarani estão sendo assassinados no Mato Grosso do Sul por ruralistas e a grande mídia se cala - o Facebook, os Twiterrs, os Blogs e os Sites mais independentes, a luta pelo futuro da vida, pela inteligência e não violência, não terá espaço e será destruída também a dingidade na Terra.

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  5. Neste ponto se unem a luta dos índios, dos ecologistas, dos estudantes, dos variados setores da Nação e de lideranças do movimento de cidadania do país e de vários países onde estes fatos estão rolando: lutamos para que os conflitos e os problemas sejam encarados ou resolvidos com o uso da inteligência e não da violência, que prevaleçam as leis, o bom senso, a dignidade e as chances de vida e de evolução a uma realidade melhor para todos.

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