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domingo, 15 de agosto de 2021

ESTÁ SENDO CRIADO O DESERTO BRASIL (EMPOBRECIMENTO DO SOLO COM PECUÁRIA EXCESSIVA MAIS MONOCULTURA E A EROSÃO ALÉM DE UMA FALTA CRÔNICA E TOTAL DE GESTÃO AMBIENTAL DOS GOVERNOS)

Nem se mediu ainda quanto aumentou a desertificação no Brasil mas várias regiões já começam hoje a ser estéreis e pobres em nutrientes deixando a vegetação cada vez mais escassa num cenário de falta de chuvas pelo desmatamento e mudanças do clima já agora uma seca monstro invade até áreas que eram antes muito férteis e temperadas

 

Há mais de 10 anos que o Brasil poderia estar mais sustentável...

...agora se chega a uma situação limite para as próximas décadas

Esse processo de desertificação não é de hoje, crônico e demorado, só que aumentou demais nestes últimos anos mudando a paisagem e a realidade brasileira que, por falta de gestão governamental do meio ambiente poderá consumar num deserto Brasil em uma ou duas décadas. A desertificação cresce e ameaça terras não só do Nordeste mas de Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Paraná até mesmo no Pantanal e alguns pontos da Amazônia. Já em 2018, em estudos por exemplo de Humberto Costa, especializado em ciência da terra na Universidade Federal de Alagoas, ele alertava sobre o semi árido aumentando seu alcance em 32%. O Correio Braziliense fez matéria especial sobre desertificação nestes últimos tempos, a área afetada aumentou aumentou 482% nos últimos cinco anos, não só devido ao desmatamento da Caatinga e do Cerrado, como ao uso intensivo do solo, à irrigação inadequada e à mineração excessiva, isso tudo que o repórter Otávio Augusto detalhou e mais o desmonte ou a inércia e a corrupção no Ministério do Meio Ambiente em 2021 estão cada vez mais dramatizando esta situação e anunciando uma nova tragédia brasileira.

 

 Todo mundo em todo o planeta sabe o que acontece aqui no país
 

Enquanto um relatório nestes dias construído ao longo de 10 anos por cientistas do IPCC da ONU alertava sobre a situação limite do meio ambiente e do clima (agendando para novembro um encontro  mundial em Glasgow, Escócia, em busca de recursos e de alternativas de solução sustentável), em nosso país  - que ainda não se mostrou interessado neste COP26 que terá cerca de 100 bilhões de dólares para repartir entre os países na luta pela recuperação da ecologia - enquanto isso, por aqui, já aumentou a população de 35 milhões de pessoas que há 2 anos estava sujeita a experimentar fortes perdas agrícolas, assistir à escalada de doenças e, sem alternativa, ter de procurar outro lugar para viver. Os danos econômicos são incalculáveis. Essas pessoas moram em 1.488 municípios de 11 estados, incluindo todo o Nordeste, o norte de Minas Gerais e o do Espírito Santo, agora mais recentemente, interior de São Paulo e toda a bacia do Paraná. já são vítimas da desertificação. Para ter ideia da gravidade do problema, há cinco anos o Instituto Nacional do Semiárido (Insa) advertia autoridades governamentais do meio ambiente, calculando que 230.000 km estavam virando deserto. A área passou rapidamente dos 1.340.863 km iniciais, com uma alta de quase 500%. 

 

Com certeza você já se surpreendeu com esta paisagem em algum lugar do Brasil em quase todos os estados e regiões se configura este cenário  




Atualmente, uma região maior do que o estado do Ceará já virou deserto. São 200 mil km entre Bahia, Ceará e Pernambuco, os estados mais castigados, embora, proporcionalmente, a Paraíba seja a região com maior extensão de área comprometida: 71% de seu território já sofrem perdas consideráveis. Técnicos há uma década vêm mapeando seis núcleos mais propensos à desertificação. Hoje, a situação se alastrou para 70% do Nordeste. E agora o câncer se estende até também para alguns pontos do Sudeste e do Sul. As causas são velhas conhecidas do brasileiro: o desmatamento, o uso intensivo do solo, a ocupação humana irregular, as práticas inadequadas de irrigação, a fertilização química do solo, a mineração excessiva e a falta de um planejamento governamental do meio ambiente. O fenômeno poderá reduzir em 11% o Produto Interno Bruto (PIB) do Nordeste nas próximas décadas e nem ainda foi calculado o rombo em outras regiões brasileiras já como o processo de desertificação avançando. Agora com La Niña, El Niño e todas as mudanças climáticas em nível planetário, a gravidade deste cenário aumentou demais e já prenuncia uma tragédia. 


Além de afetar o PIB e toda condição de vida no país a escassez de chuvas desorganiza o sistema de eletricidade com apagões, com o uso caro e poluente das termoelétricas que detonam o meio ambiente e a economia do povo

Há 10 anos o Ministério de Minas e Energia prometia usar placas flutuantes de Energia Solar para atualizar, tornar sustentável e aumentar a geração de eletricidade mas até 2021 praticamente nada foi feito
 
 A erosão é uma das faces do Deserto Brasil em formação

Pesquisadores e ecologistas clamam como profetas no deserto que vai aumentando a cada seca 


 Em condições normais, a vegetação da caatinga renasce até 15 dias depois da chuva. Nas áreas em processo de desertificação, não importa o quanto chova, a vegetação não brota mais. A estiagem sempre influenciou o modo de vida no semi árido. A falta d'água sempre existiu. A região viveu um período de seis anos consecutivos com chuvas abaixo da média, entre 2012 e 2017. O que está em jogo agora, porém, não é só a falta de chuva, mas a degeneração da terra.

 


A desertificação é um processo cumulativo de degradação ambiental, que afeta as condições econômicas, ecológicas e sociais do país, ao mesmo tempo em que reduz continuamente a superfície das terras habitáveis, alerta Aldrin Perez-Marin, pesquisador do Insa, uma das principais referências do setor: "As consequências se apresentam em âmbito local, regional, nacional e global, visto o empobrecimento da população, o declínio da qualidade ambiental, os processos migratórios, a perda de biodiversidade, perda de território produtivo e na elevação do risco social". Este pesquisador é enfático: "O processo de desertificação deve ser encarado como um problema pangeoespacial. A tendência é que esses processos se intensifiquem e que a população desses locais ocupe novos territórios em busca de sobrevivência. Em muitos casos, as famílias fogem, migrando para grandes centros urbanos, a velha história ainda não resolvida. Essas famílias, como refugiadas ambientais nesses novos territórios, sem condições financeiras e instrução adequada, se estabelecem em áreas periféricas, geralmente inadequadas para ocupação e até poluindo e detonando lugares que são reservas de água e de natureza". 

 

Esta imagem documenta a tragédia em formação

 Esta outra sintetiza o Deserto Brasil que "avança"



Fontes: Correio Braziliense - BBC - AFP - MapBiomas - Band - folhaverdenews,blogspot.com 

7 comentários:

  1. "Junior Aleixo, 30 anos, vive na zona rural de Prata, no sertão da Paraíba, um dos municípios afetados pela desertificação. Ele sabe como é sobreviver em áreas sem água e onde do chão nada brota. O criador de bode e cabras de leite já teve que deixar sua casa para trabalhar em outra cidade por não ter como alimentar os animais": comentário extraído de matéria do site e jornal Correio Braziliense.

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  2. "O solo era infértil e não tinha como melhorar. Tínhamos dificuldade com água e pastagem. A gente tinha que vender os animais. Não tinha como manter os animais sem comida e água. O governo, por meio de programas de Unidades de Recuperação de Áreas Degradadas (Urad) e redução da vulnerabilidade, instalou uma barragem subterrânea para atenuar os problemas no local mas não resolveu nem voltou a ser como era antes da seca": comentário de Júnior Aleixo, Prata, Minas Gerais.

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  3. "O Brasil, com outros 192 países, participa da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos das Secas ; UNCCD na sigla em Inglês. No entanto, o processo de recuperação é complexo e demorado, já que exige ações de longo prazo e inclui conscientização política, econômica e social. Nos últimos quatro anos, o governo federal gastou R$ 28 milhões na recuperação dessas áreas. Somente em 2018, serão gastos US$ 5 milhões (R$ 18,7 milhões) do Fundo Global para o Meio Ambiente, Fundo Clima e da Agência Nacional de Águas": comentário de Valdemar Rodrigues. do Departamento de Desenvolvimento Rural em Brasília (DF).

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  4. "Para o Brasil atingir pelo menos a meta de 2018 - 2030 da UNCCD, o país terá que reduzir de 15% das áreas degradadas. Parte dos recursos obtidos com a conversão de multas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) seriam empregadas em ações de combate à desertificação. (As multas diminuiram com a crise do Ibama)... O primeiro chamamento público contempla a Caatinga, o bioma mais afetado;, adianta. O governo ainda discute o percentual a ser destinado a cada região": comentário dO diretor do Departamento de Desenvolvimento Rural Sustentável e de combate à desertificação do Ministério do Meio Ambiente, Valdemar Rodrigues.

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  5. "A desertificação é um processo cumulativo de degradação ambiental, que afeta as condições econômicas e sociais do país, ao mesmo tempo em que reduz continuamente a superfície das terras habitáveis": comentário de Aldrin Perez-Marin, pesquisador do Insa, uma das principais referências do setor.

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  6. "As consequências da desertificação se apresentam em âmbito local, regional, nacional e global, visto o empobrecimento da população, o declínio da qualidade ambiental, os processos migratórios, a perda de biodiversidade, perda de território produtivo e na elevação do risco social": comentário também de Aldrin Perez-Marin, que dimensiona bem o alcance desta tragédia.

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  7. "O processo de desertificação deve ser encarado como um problema pangeoespacial. A tendência é que esses processos se intensifiquem e que a população desses locais ocupe novos territórios em busca de sobrevivência. Em muitos casos, as famílias fogem, migrando para grandes centros urbanos. Essas famílias, como refugiadas ambientais nesses novos territórios, sem condições financeiras e instrução adequada, se estabelecem em áreas periféricas, geralmente inadequadas para ocupação e danosas para o meio ambiente": comentário também do pesquisador Aldrin Perez=Marin.



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