Através desta médica ambientalista (de quem divulgamos hoje este texto aqui agora) homenageamos todos e todas profissionais de saúde indo à luta hoje em dia no país
Júlia Rocha é ecologista hoje escrevendo no site Uol: ligada ao movimento Ecoa, esta cidadã de Belo Horizonte (Minas Gerais) concilia por opção pessoal e também por uma tradição de sua família a música e a medicina. Ela se tornou médica com a mesma naturalidade com que atua como compositora e cantora: "Sou especialista em gente, médica de família e da comunidade", ela explica. Drª Júlia Rocha utiliza seu blog que tem uma grande visualização na mídia nacional como um espaço para refletir sempre, não só agora no Coronavírus, sobre a importância da humanização do atendimento médico, também sobre algumas questões da vida no dia a dia e na realidade em geral, argumentando que "afinal, a saúde vai muito além de diagnósticos e receituário". Como ambientalista, Júlia Rocha dá uma força à Ecoa, uma entidade fundamental na história e na luta pela ecologia e das populações mais carentes ou vulneráveis do país em especial no Pantanal e no Cerrado, onde surgiu há 4 décadas. Mais uma razão para a gente divulgar aqui no blog do movimento ecológico, científico, da cidadania e da cultura da vida este texto da médica, música, ecologista e cidadã Júlia Rocha.
(Confira depois na seção de comentários aqui no blog Folha Verde News mais informações nestes temas de hoje também sobre a entidade Ecoa - Ecologia e Ação. Hoje, aqui em nossa webpágina dois vídeos, uma homenagem que Câmera Record fez a médicos e profissioinais de saúde na luta contra a Covid-19 e um documentário da WWW Brasil sobre biomas Pantanal e Cerrado, reservas de água, fauna e vida futura para o país, enfrentando grandes desafios ambientais)
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| Ela pede pelo povo mais vulnerável de todo o país que deveria mesmo ser a prioridade de todos nós e de todos os setores nesse momento de crise e do Coronavírus |
A saída para o Brasil não se tornar o Reino do Caos
"Nossa capacidade de agir e pensar de forma coletiva está severamente
comprometida. Parece haver uma doença social que nos impede de olhar além das
supostas soluções individuais. Talvez as causas deste tipo de comportamento já
estejam bastante explícitas: desassistência, ineficiência e negligência por
parte de agentes públicos eleitos para nos governar, uma ideologia hegemônica
individualista e meritocrática explicam grande parte do que vivemos. Nos
últimos 15 dias acompanhei sem descanso a reação de pessoas em sites e vídeos
sobre nutrição, saúde, e notícias a respeito da pandemia. Tentava encontrar
pistas para o comportamento no mínimo inusitado de pessoas que não precisavam
se expor mas optam por fazê-lo em meio a maior crise sanitária das últimas
décadas. Qual foi minha surpresa ao ler as centenas de receitas caseiras e
indicações de vídeos para "aumentar a imunidade" espalhadas como
verdades científicas incontestáveis por toda a internet. Em uma busca rápida por vídeos, as palavras imunidade e corona vão te
levar a um sem número de explicações, algumas inclusive com racionalidade
científica, sobre suplementos, alimentos e receitas que podem melhorar a sua
resposta imunológica, fortalecendo o sistema de defesa do seu corpo contra
possíveis infecções. Em março e abril deste ano, ocorreram até mesmo abertura
de investigações por parte de conselhos regionais de medicina contra
profissionais e suas prescrições de suplementos e agentes supostamente
responsáveis por "turbinar" o sistema imunológico. Fórmulas propagandeadas
em redes sociais e aplicadas em pacientes com custos que ultrapassavam R$1.200. É interessante observar o movimento das coisas. As pessoas estão
pensando em saídas 24 horas por dia. E se não há unidade e propostas
responsáveis e centralizadas de saídas coletivas, elas começam a buscar o que
podem fazer sozinhas, por elas mesmas e pelos seus. Nossa capacidade de agir
coletivamente, como um povo, como a nação que somos, ou deveríamos ser, foi
minada de tal forma que adormeceu. Está inativa, sabe-se lá até quando. Foi lendo e assistindo a tantas informações desencontradas que resolvi
fazer uma lista de coisas que podem melhorar a nossa imunidade coletivamente.
Sim, como grupo. Um grupo de duzentas e poucas milhões de pessoas. Sou daquelas
inocentes e iludidas que acha que ninguém vai ter coragem de deixar os mais
pobres, os moradores de rua, os doentes sem assistência para trás. O caminho em
direção a estas mudanças é longo e exige mobilização coletiva. Dá um trabalhão
danado e por isso é frequentemente substituído por essas saídas fáceis
supostamente encontradas na ponta de uma agulha. Se você sentir preguiça só de
pensar que isso vai demorar, lembre-se que as saídas rápidas e individuais
estão sendo investigadas como crimes e charlatanismo. As primeiras ações mais efetivas que melhoram a nossa saúde e nos
impulsionam para uma infância mais ativa e feliz não têm nada a ver com
vitaminas, suplementos ou remédios. A alfabetização feminina, o acesso à
assistência pré-natal qualificada e a garantia de renda durante os seis meses
do aleitamento materno exclusivo do bebê geram um impacto maior na imunidade de
nossas crianças do que qualquer outra intervenção. Alimentos livres de venenos, com produção local que evita poluição e
gastos desnecessários com transporte, saneamento básico, acesso à água limpa,
preservação do meio ambiente, um modo de produção voltado para o bem-estar e
não para a acumulação infinita de bens, um sistema de produção e reprodução da
vida que leve em conta a finitude dos recursos naturais e o óbvio esgotamento
dos nossos biomas. Uma agricultura que privilegie pequenos produtores em vez de
priorizar monoculturas que devastam o cerrado e as florestas, que exigem
utilização de muito mais agrotóxicos e aniquilam a biodiversidade. Acesso à saúde
pública de qualidade, com atendimento integral e universal. Direitos
trabalhistas que nos garantam descanso, férias e nos protejam de trabalhos
adoecedores. Quer coisa mais eficiente para melhorar a nossa vida e a nossa saúde do
que se sentir seguro no lugar onde moramos? Há algo mais danoso que a percepção
de que trabalharemos até o fim da vida sem conseguir aposentar? Aliás, o
estresse crônico provocado pelas incertezas em relação ao que comeremos, a quem
cuidará dos nossos enfermos, a quem protegerá os mais vulneráveis, esse
estresse que nos paralisa também nos adoece e nos deixa imunologicamente mais
frágeis. Não há saídas individuais dignas para este momento. Não há solução que
não o profundo respeito à dignidade humana, aos direitos humanos. Não há meritocracia
capaz de poupar você e os seus da morte, mesmo que você pague caro por
suplementos e outras poções. Já fomos longe demais com nosso individualismo e
não conseguimos aprender muito com isso, infelizmente. A cada vez que ouço
um: "doutora, o que podemos fazer para aumentar a nossa imunidade?"
eu me pergunto: O que vamos fazer do outro lado do rio, após esta longa
travessia, sozinhos?". (Texto de Drª Júlia Rocha)







Você pode postar direto aqui nesta seção a sua mensagem ou opinião, se preferir, envie o seu conteúdo (texto, foto, vídeo, notícia, pesquisa) pro e-mail do editor deste blog que depois mais tarde divulgamos o material: mande então já e-mail para padinhafranca603@gmail.com
ResponderExcluirMais tarde também aqui nesta seção vamos colocar mais dados sobre os temas presentes no texto da médica e ecologista Júlia Rocha, que atualmente escreve no site Uol, e desde já aqui informações sobre a Ecoa, entidade que Júlia Rocha procura sempre apoiar e divulgar.
ResponderExcluirEcoa - Ecologia e Ação surgiu ainda em 1989, em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, formada por um grupo de pesquisadores que atuam em diversos segmentos profissionais, tais como: biologia, comunicação, arquitetura, ciências sociais, engenharia e educação. O principal objetivo era, e ainda é, estabelecer um espaço para reflexão, formulações, debates, além de desenvolver projetos e políticas públicas para a conservação ambiental e a sustentabilidade tanto no meio rural, quanto no meio urbano. O Pantanal e a Bacia do rio da Prata, nesta perspectiva, foram identificados como as regiões prioritárias para a sua ação, sendo que nas regiões pantaneiras e - inclusive em áreas do Cerrado - se concentram atividades de base comunitária, indicando também uma das razões para criação da organização.
ResponderExcluirPara exemplificar o que faz a Ecoa, esta entidade iniciou em 2012 o mapeamento climático do Pantanal, alisando os deus efeitos sobre populações vulneráveis em eventos extremos. Também ficou popular no país por ter feito campanha para que o Pantanal fosse eleito uma das Sete Maravilhas naturais do Mundo. Conseguiu. Este detalhe ajuda demais a preservação da natureza pantaneira nestes tempos de desafios monstros para a ecologia.
ResponderExcluirEcoa é uma organização não governamental que visa promover ações para preservar o meio ambiente desde o final dos anos 80 no Brasil, associando investigação cientifica e ação política no sentido amplo do termo, envolvendo comunidades, instituições de ensino e pesquisa, instituições governamentais e também outras entidades de sociedade civil. Como ferramentas promove campanhas e processos de diálogos multissetoriais para criar espaços de reflexão, negociação e decisão frente a questões prioritárias para a conservação ambiental e para o desenvolvimento sustentável. Uma das principais características da instituição é o permanente suporte para o surgimento e desenvolvimento de redes, fóruns, articulações e organizações locais no Brasil e em outros países, também participando de eventos, como workshops para discussão de leis ambientais, como em especial e muito reconhecida a legislação sobre o Pantanal.
ResponderExcluir"Aproveitando para valorizar a luta dos profissionais da medicina e da saúde neste época do Coronavírus, encontramos neste texto da médica, ecologista, música e cidadã Júlia Rocha um exemplo positivo de luta e de conteúdo para mudar e avançar o nosso país": comentário de Antônio de Pádua Silva Padinha, ecologista e editor do Folha Verde News. Participe você também com seu comentário, que postaremos depois, OK?
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