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terça-feira, 26 de maio de 2020

UMA TRAGÉDIA BEM BRASIL NOS ESTADOS UNIDOS: O CORONAVÍRUS ESTÁ DIZIMANDO O MAIOR POVO INDÍGENA DA AMÉRICA DO NORTE DENUNCIA O MOVIMENTO ECOLÓGICO

Acontece agora nos States: uma tempestade completa detonada pela pandemia na maior reserva indígena da América do Norte se torna uma reportagem da BBC que bomba nas redes sociais de todo o planeta e aqui no blog da gente um resumo das principais informações para você


Michelle Tom, médica em Winslow (Arizona), voltou para...

... a Nação Navajo para ajudar na luta contra o Coronavírus...

 ...que pode dizimar os últimos descendentes deste povo nativo dos States

Os Navajos, que têm uma língua bastante descritiva, chamam a nova doença de Dikos Ntsaaígíí-Náhást'éíts'áadah, significa literalmente "a grande doença da tosse 19". "Explicamos que ela afeta os pulmões, que terão dificuldade para respirar, que dá muita tosse e febre. Temos que explicar muito didaticamente porque, do contrário, as pessoas da nossa comunidade não entendem o que estamos falando". Uma reportagem de Lioman Lima, emitida pela BBC News Mundo foi captada e reproduzida em uma rádio local da Nação Navajo, maior reserva indígena dos Estados Unidos: a mulher Hoskie ficou paralisada. Não por causa da reportagem e nem pelo vírus em si, mas em razão de uma das recomendações mais eficientes para evitá-lo que ela ouviu: "Disseram que devemos lavar as mãos durante 20 segundos. E eu me pergunto como eu iria fazer isso se não tenho nem água para beber, cozinhar ou limpar?", afirmou a mulher Navajo ao serviço em espanhol da BBC. Hoskie vive em Monument Valley, uma das diversas comunidades da Nação Navajo que foram atingidas severamente pela pandemia de Covid-19. Ela, como muitos ali, precisa se locomover quase 30 km várias vezes por semana a fim de encontrar uma fonte de água potável: "Agora nos dizem que devemos ficar em casa. Mas eu tenho que sair, mesmo que eu não queira."Ela não enfrenta essas dificuldades sozinha. Quase 40% dos Navajos que vivem na reserva não têm acesso a água potável. Energia elétrica, Internet e ruas pavimentadas são quase luxo por ali. E como se não bastasse, a Nação Navajo é a região com mais casos de Coronavírus per capita nos Estados Unidos. Até 18 de maio, mais de 4 mil indígenas haviam contraído o vírus, e cerca de 170 haviam morrido em decorrência da Covid-19: "Há muitos aqui que perderam pai, mãe e irmãos em poucas semanas. O golpe tem sido forte, muito forte", lamenta Hoskie.

As tradições da cultura nativa do povo Navajo...

 ...quase sumiram do território tradicional destes índios

Se a reserva fosse um estado seria o mais pobre - Se a Nação Navajo fosse um país, teria quase o tamanho de Portugal. É a maior reserva indígena em área ocupada nos Estados Unidos ao longo de três Estados (Arizona, Utah e Novo México), mas é apenas uma fração da área que ocupava até o governo dos States tomá-la, escreve Lioman Lima. Ainda que alguns vivam atualmente de mineração, hotelaria e cassinos, como ocorre em outras reservas indígenas, os Navajos também sofrem com um elevado índice de pobreza, abuso de drogas, violência sexual, baixos níveis de educação, desemprego, serviços de saúde esvaziados e habitações precárias. Hoje, vivem ali cerca de 170 mil pessoas, descendentes de um dos povos originários do oeste americano. Se a Nação Navajo fosse um Estado americano, segundo vários estudos, seria o mais pobre do país. Dados do Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano apontam que mais de um terço das residências ali estão superlotadas e com escassez de água, energia elétrica, aquecimento, geladeiras e outras necessidades básicas. A Nação Navajo é também a mais tóxica: abriga 521 minas de urânio abandonadas, quatro processadores nucleares desativados e mais de 1.100 lugares contaminados por resíduos radioativos, segundo a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos da América.
Os últimos guerreiros da nação Navajo enfrentam agora o Coronavírus

Para Allison Barlow, diretora da Universidade Johns Hopkins para a Saúde dos Indígenas Americanos, a situação que se vive na Nação Navajo há décadas atingiu uma tempestade completa e a crise do Coronavírus se tornou um massacre ali: "O que vemos hoje é resultado de um sistema falido e disfuncional que perdura há gerações", afirmou Barlow, Segundo a especialista, a situação nesta e na maioria das tribos indígenas dos Estados Unidos é causada pela "falta de ação do governo federal, que não respeita os termos dos acordos com essas nações".  Após a tomada do território da maioria das tribos indígenas durante a expansão territorial do país (e anos de conflitos), as autoridades governamentais americanas se comprometeram a oferecer tratamento especial para os integrantes dos povos primitivos ou nativos ou indígenas. Como ocorreu com outras comunidades, o governo central firmou há mais de um século um acordo com a Nação Navajo no qual se responsabilizava pela oferta de saúde, educação e bem-estar social, entre outros serviços. "Na prática o governo federal falha no financiamento adequado a esses programas. Não se trata só de Trump agora. Não importa quem esteja no comando da Casa Branca, republicanos ou democratas. Os maus-tratos às populações indígenas são uma constante", denunciou Allison Barlow, da Universidade Johns Hopkins: "A Covid-19 apenas jogou uma luz atual sobre esse sistema falido em que o governo americano obriga os povos indígenas a viver".

Os mais idosos têm um status de sábios entre os Navajos mas estão entre os mais ameaçados agora pela Covid-19


A BBC News Mundo entrou em contato com o Escritório de Assuntos Indígenas, a agência do governo dos USAresponsável pelos povos originários, a fim de ouvir o que o órgão tem a dizer sobre os pontos relatados pelas pessoas ouvidas na reportagem. Mas não houve resposta até a publicação desta reportagem. 

A última arte da vida Navajo


Depoimentoconheço a maioria dos pacientes desde a infância "Me chamo Michelle Tom. Fui jogadora de basquete profissional e agora sou uma das poucas médicas de origem Navajo que atuam na comunidade.Trabalho em um hospital em Winslow, no Arizona, um pequeno povoado na fronteira sul da Nação Navajo. Nunca tive dúvida de que retornaria à minha comunidade depois de estudar Medicina. Eu poderia ter ido parar em algum hospital de uma grande cidade, com certeza não me faltariam recursos ou melhores condições, mas isso não era uma opção para mim. Acredito que tenha a ver com a forma como criamos os navajos. Você, como indivíduo, nunca vem primeiro: antes vem sua família e sua comunidade.Nunca imaginei que um ano depois de voltar me veria em algo assim. É um momento muito emotivo na minha vida, talvez o mais intenso que eu terei em toda minha carreira. A maioria dos pacientes que chegam doentes com coronavírus ao hospital onde eu trabalho são pessoas que conheço desde criança. Não são estranhos. Este é o meu lugar, esta gente é a minha família. Os membros de nosso clã são todos uma família, porque sentimos que estamos conectados uns com os outros".


Formada médica Michelle Tom voltou para ajudar o seu povo Navajo na luta contra um dos seus maiores inimigos, a Covid-19


 navajo que atuam na sua própria comunidade
Continua Michelle Tom: "E esta ligação entre a gente só aumenta minha angústia. Chego todo dia para trabalhar e não temos testes suficientes, só posso testar os que estão muito doentes. Não temos cardiologistas nem outros especialistas necessários para atender esses casos. Para toda a Nação Navajo, só há 25 leitos de cuidados intensivos, por isso muitos pacientes precisam ser transportados pelo ar para outros hospitais a centenas de quilômetros daqui, e nesta doença esse tempo pode significar vida ou morte. Tampouco temos equipamentos de proteção necessários para mim e meus colegas de equipe. Passei a conversar com uma ONG para tentar obtê-los. Desde meados de março, eu tive que mudar de casa para não colocar em risco a minha família. Eu cresci em um lar com nove pessoas, e somos muito unidos. Hoje isso é uma situação de muita impotência também, porque muitas vezes, por mais que se queira ajudar os outros, não está em nossas mãos". 

Alimentos tipo junk food diminuíram a imunidade dos Navajos hoje com baixa resistência à pandemia

80% dos alimentos vendidos na reserva são junk food  - Quando Amber Kanazbah Crotty precisava fazer compras, ela viajava quase 65 km até o mercado mais próximo de sua casa. A delegada do Conselho da Nação Navajo, uma espécie de Congresso do governo interno da reserva, afirmou  que essa é uma realidade para milhares de pessoas ali. Segundo Kanazbah Crotty, encontrar comida fresca na Nação Navajo é quase uma utopia, e há ali altos índices de doenças na comunidade associadas à má alimentação. Um levantamento do grupo de especialistas Navajos Diné Community Advocacy Alliance identificou apenas dez mercados e 80% dos alimentos vendidos neles podem ser considerados junk food (tradução: comida lixo, hamburguer, salgadinhos, pizza, produtos alimentícios industrializados, típicos da soiciedade de consumo americana). 
 Vai ficando no passado como velhas fotos os alimentos naturais e tradicionais da cultura Navajo

Um povo sendo destruído por alimentos de consumo - "O alimento mais acessível é o de pior qualidade, e isso influencia nossas altas taxas de diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares, condições que sabemos ter impacto também na letalidade do Coronavírus", diz Kanazbah Crotty: "Também temos problemas respiratórios e câncer porque temos minas de carvão e urânio, coisas que afetam nosso corpo há anos e enfraquecem agora também nossa resposta ao vírus". Segundo dados oficiais, quase um quarto dos habitantes da Nação Navajo têm diabetes, cerca de 10% padecem de alguma doença cardiovascular e metade da população é obesa.  Ainda que existam jovens entre os afetados, um dos maiores temores na comunidade envolve a saúde dos mais velhos, considerados figuras sagradas e sábias dentro da tradição e sem os recursos culturais necessários para entender o que está acontecendo: "Temos uma população adulta que fala apenas uma língua, e traduzir o idioma Navajo exige tempo e experiência", explicou Kanazbah Crotty. 

Kanazbah Crotty, mestre Navajo


"Os Navajos, que têm uma língua bastante descritiva, chamam a nova doença de Dikos Ntsaaígíí-Náhást'éíts'áadah, que significa literalmente a grande doença da tosse 19. Explicamos que afeta os pulmões, que terão dificuldade para respirar, que dá muita tosse e febre. Temos que explicar muito didaticamente porque, do contrário, as pessoas da nossa comunidade não entendem o inglês e o que estamos falando" (Kanazbah Crotty)

 Um território diferente e atração turística...


...uma terra rústica como este povo nativo da América do Norte

Depoimento: tudo tem um lugar neste universo"Meu nome é Greg Casarroja. Sou do clã Todich'iinii (Água Amarga) e nasci no clã Bit'ahnii (Braços Cruzados). Agora dou aulas na Diné, a universidade dos navajos em Tsaile, no Arizona. Acredito que aqui na Nação Diné (esse é o nome originário do povo Navajo) a pandemia de Covid-19 abriu um debate sobre nossos valores tradicionais. Em nossos ensinamentos antigos, acreditamos que tudo no universo está relacionado a nós e tudo está relacionado um ao outro. Todos e tudo têm seu devido lugar neste universo. Em nossa cultura, temos um lema: só você pode tomar a iniciativa. São tempos difíceis, mas o povo Navajo, Diné, está sendo testado e começamos a perceber mais uma vez que nossa história, cultura, canções e orações estão cheias de remédios para enfrentar os monstros que vagam por aqui e pelo planeta. Nessas circunstâncias difíceis que nossa nação está passando, fazemos oferendas à Terra, oferendas aos elementos naturais. Muitos estão tomando remédios naturais, ervas e poções que nossos sábios sabem como preparar, mas também perdemos cada vez mais os que têm esse conhecimento antigo. Mas Diné também tem certeza de que isso passará. No fim, sabemos que a Mãe Terra sempre nos oferta e protege e, quando morremos, só retornamos a ela" (Depoimento de Greg Casarrija, Navajo).
Greg Casamja estuda a cultura do povo Navajo...


...que sobrevive com dificuldade em seus últimos e mais remotos redutos nos desertos do Arizona, Utah e Novo México



(Confira depois mais informações na seção de comentários deste blog onde postamos 3 vídeos, um clip sobre a Águia símbolo do povo (Red Shadow), outro PBS News Hour e um outro clássico da resistência dos índios americanos, também os Navajos, Telesur, agora encarando além do mais o desafio do Coranavírus)



Artista Navajo busca resgatar imagens do seu povo nativo



Fontes: BBC News Mundo -  PBS News Hour - Telesur 
                      folhaverdenewws.blogspot.com

7 comentários:

  1. Depois, mais tarde, aqui nesta seção, mais algumas informações sobre a Nação Navajo e a sua luta (pode ser ser final) contra a extinção diante do Coronavírus.

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  2. Você pode postar direto aqui sua opinião ou se preferir envie o seu conteúdo (foto, arte, vídeo, pesquisa, notícia) pro e-mail deste blog navepad@bol.com.br ou ainda diretamente para o nosso editor padinhafranca603@gmail.com

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  3. "O abandono das comidas tradicionais do povo e o consumo de alimentos industrializados como salgadinhos, hamburguer, pizzas prontas, fez baixar a resistência orgânica dos Navajos que pela baixa imunidade são mais frageis diante agora do Coronavírus" comentário extraído da matéria da BBC News Mundo.

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  4. Os alimentos típicos das cidades na sociedade de consumo consumidos pelos Navajos também foram batisados como junk food por Michael Jacobson, diretor do Center for Science in the Public Interest, em 1972. Significa literalmente comida lixo.Desde então, o uso desta expressão de disseminou, mas não diminuiu o costume desse tipo de alimentação quepode ser visra como típica dos Estados Unidos.

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  5. "A junk food contém frequentemente altos níveis de gordura saturada, sal ou açúcar e numerosos aditivos alimentares tais como glutamato monossódico e tartrazina; ao mesmo tempo, é carente de proteínas, vitaminas e fibras dietéticas, entre outros atributos saudáveis. Popularizou-se entre os fabricantes porque é relativamente barata de produzir, possui prazo de validade prolongado e pode nem mesmo precisar de refrigeração (caso dos salgadinhos industrializados). Tem tornado-se popular em todo mundo porque é fácil de encontrar (supermercados, lojas de conveniência etc), requer um mínimo ou nenhum preparo antes do consumo, e pode exibir uma vasta gama de sabores. Mundialmente, o consumo de junk food tem sido associado à obesidade, doenças coronarianas, diabetes tipo 2, hipertensão e cáries. Há também preocupações quanto ao marketing direcionado para crianças e populações mais vulneráveis consumirem": comentário de Michael Jacobson, diretor do Center for Science in the Public Interest.

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  6. Depois aqui mais comentários, aguarde e participe com a sua mensagem, como fez Isabel Moreira, de São Paulo, artesã, que nos enviou e-mail: "Conheci índios brasileiros de várias regiões do Brasil, devido a minhas pesquisas de artesanato e muitos deles sofrem situação similar ais dos Navajos".

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  7. "Curti a matéria sobre a luta dos Navajos e a postura da média Michelle Tom, sobre os alimentos prejudicais ao índios, pelo que pesquisei, no Brasil, por exemplo, fast food do tipo hambúrguer com batatas fritas fornecido por empresas como McDonald's, KFC, Burger King e Pizza Hut pode ser rotulados como junk food, enquanto que os mesmos produtos vendidos em estabelecimentos frequentados pela elite, como a Zebeleo Burger, não são assim considerados, mesmo que frequentemente possuam o mesmo conteúdo nutritivo ou até pior. Alguns alimentos étnicos ou tradicionais altamente calóricos, tais como falafel, pakora, gyoza ou acarajé não são geralmente considerados como junk food, embora possuam escasso valor nutritivo e sejam ricos em gordura, já que são fritos em óleo. Outros alimentos, tais como arroz branco, batatas tipo fritas e pão branco também não são considerados junk food a despeito de terem reduzido conteúdo nutritivo se comparados aos alimentos integrais. De modo semelhante, nos Estados Unidos os cereais matinais são tradicionalmente considerados saudáveis, mas eles também podem conter altos níveis de açúcar, sal e gordura ou aditivos": comentário também de Isabel Moreira, artesã, de São Paulo.

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