O ecologista Sebastião
Salgado tinha razão quando fez documento de alerta sobre o risco de extermínio
de indígenas brasileiros por falta de estrutura nas aldeias diante da Covid-19: agora a BBC fez reportagem com médicos e enfermeiros que atuam no município de São Gabriel da Cachoeira que mostra a gravidade da pandemia no interior do Amazonas, lá onde ficam 13 das 20 cidades brasileiras com a maior proporção de moradores infectados
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Caso de barqueiro contaminado no alto do Rio Negro...
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...expressa bem o perigo que correm lá as comunidades indígenas
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O blog da gente Folha Verde News recebeu por e-mail enviado desde Brasília por Carlos Alves Pereira, engenheiro e ambientalista, matéria de João Fellet feita para a BBC, informando que segundo a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde, já houve 16 confirmações da doença em aldeias no Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro (região administrativa que engloba a maioria das aldeias no município de São Gabriel da Cachoeira): duas da internações já resultaram em morte. Em todo o país, informa a Sesai, houve 606 casos de contaminação pelo Coronavírus e 31 mortes de indígenas que vivem em aldeias remotas e onde só se chega de barco ou de avião. É o caso de São Gabriel da Cachoeira, a cidade mais ameaçada do Amazonas, no sentido de um surto de Covid-19 entre índios de várias etnias.
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Tubos de oxigênio são vitais em São Gabriel da Cachoeira, cidade com mais aldeias indígenas em torno e que é epicentro da tragédia desta pandemia...
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...que já tumultua a vida e a sobrevivência das comunidades do alto do Rio Negro no Amazonas
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Seis pessoas que acompanham o combate à doença em São Gabriel da Cachoeira — e que pediram para não ter os nomes divulgados por medo de represálias — falaram ao repórter João Fellet que a falta de testes fez com que profissionais de saúde, que não sabiam estar com Covid-19, acabaram por viajar até aldeias para ajudar comunidades indígenas, mas acabaram levando o vírus para lá. Já se sabe que parte do grupo tenha sido contaminado durante uma longa viagem de barco que levou os profissionais até comunidades na região dos rios Uaupés e Tiquié, na fronteira do Brasil com a Colômbia. Esta embarcação era conduzida pelo barqueiro Jorge Gabriel da Silva, a serviço do Ministério da Saúde partiu da sede de São Gabriel da Cachoeira no fim de abril com cerca de 30 pessoas, a maioria profissionais de saúde, para serem distribuídos no trabalho entre unidades básicas de saúde (polos-base) da região, muita carente em termos médicos e sanitários. A viagem durou cerca de uma semana. Na volta a São Gabriel da Cachoeira, o barqueiro apresentou sintomas de Covid-19 e foi internado. O exame deu positivo e, em 6 de maio, Jorge Gabriel da Silva, o barqueiro, morreu.
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A morte por Covid-19 de um barqueiro de São Gabriel da Cachoeira...
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...alarma hoje as aldeias indígenas e toda a população do alto do Rio Negro
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Dias depois da viagem, profissionais que haviam tido contato com o barqueiro Silva também começaram a adoecer. O temor de que médicos e enfermeiros infectados na viagem estivessem expondo indígenas à doença fez com que a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) escrevesse uma carta ao principal responsável do Ministério da Saúde na região, o coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) do Alto Rio Negro, Franklin de Souza Quirino. No documento, enviado ainda em 5 de maio, a organização questionou quais medidas vinham sendo adotadas em relação a profissionais com sintomas e se eles estavam sendo testados antes de entrar nas aldeias. A BBC News Brasil fez as mesmas perguntas a Franklin Quirino e à Secretaria Especial de Saúde Indígena em Brasília, além de questionar quantos profissionais e indígenas tiveram contato com o barqueiro e se eles haviam sido isolados. Não houve resposta e a secretaria se limitou a mencionar uma expedição recente à região para a entrega de materiais hospitalares. Ela aconteceu mas talvez tenha sido tardia demais. Pelo menos ajudou a atenuar a falta de equipamentos, por exemplo, o estoque de tubos de oxigênio que são essenciais por ali no alto do Rio Negro e em todo o interior do Amazonas.
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Urgente um novo mutirão de socorro médico e humanitário na região...
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...também junto às aldeias Yanomamis do norte do Amazonas
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Médicos e enfermeiros têm se manifestado também em emissoras de rádio locais que, no polo-base de Pari-Cachoeira, distrito onde vivem cerca de 4,2 mil indígenas, um profissional de saúde que teve contato com o barqueiro testou positivo para Covid-19, e todos os outros membros da equipe apresentaram sintomas. Mesmo assim, o grupo passou cerca de três semanas no polo-base e só foi substituído agora nesta semana, há dois dias, segundo já estava programado para uma troca periódica da equipe de socorro. Enfim, este episódio expressa bem a realidade agora das aldeias e povos indígenas em torno de São Gabriel da Cachoeira, que é por sinal o município com uma maior proporção de índios em sua população e que sofre nestes dias uma disparada de casos de Coronavírus.
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Chegará a São Gabriel mais equipamentos e profissionais de saúde?
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Centenas de comunidades indígenas estão ameaçadas nesta região que enfocamos hoje aqui, agora
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(Confira depois mais tarde mais informações e dados na seção de comentários deste blog de ecologia e de cidadania a partir destas fontes já citadas nesta postagem e de outras que estamos pesquisando: na seção de vídeos do nossa nossa webpágina um da TV Cultura sobre o surto de Coronavírus em São João Gabriel da Cachoeira no alto do Rio Negro e outro JC sobre esta cidade do interior do Amazonas, que mais tem aldeias indígenas em torno dela e está se transformando num epicentro da Covid-19 por lá)
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Por sinal, uma das regiões com maior beleza, mais fauna e recursos da nossa natureza na Amazônia
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Fontes: BBC - Terra - folhaverdenews.blogspot.com
"O perigo duma tragédia com povos indígenas aumenta agora com essa situação que postamos aqui": comentário de antônio de Pádua Silva Padinha, editor deste blog;
ResponderExcluir"No interior do Amazonas, pandemia zera estoque de oxigênio e expõe indígenas a trabalhadores infectados pelo Coronavórus.
ResponderExcluirMunicípio com maior proporção de indígenas do Brasil vive disparada de casos; barqueiro João Gabriel Silva a serviço do Ministério da Saúde viajou por várias comunidades dias antes de morrer com a doença Covid-19": comentários extraídos da reportagem de João Fellet hoje na BBC News Brasil.
"Profissionais de saúde com covid-19 circulando em aldeias indígenas, médicos fazendo vaquinha para comprar oxigênio para pacientes intubados, comunidades inteiras apresentando sintomas da doença. Segundo a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde, já houve 16 confirmações da doença em aldeias no Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Rio Negro — região administrativa que engloba a maioria das aldeias no município de São Gabriel da Cachoeira —, das quais duas resultaram em morte. Em todo o país, diz a Sesai, houve 606 casos e 31 mortes de indígenas que vivem em aldeias": comentários extraídos também do texto de João Fellet, da BBC, hoje, postado também no site Terra.
ResponderExcluirSeis pessoas que acompanham o combate à doença em São Gabriel da Cachoeira — e que pediram para não ter os nomes divulgados por medo de represálias — afirmam que a falta de testes fez com que profissionais de saúde que não sabiam estar com Covid-19 tenham viajado a aldeias. O que se acredita é que
ResponderExcluirparte do grupo tenha sido contaminado durante uma longa viagem de barco que levou os profissionais até comunidades na região dos rios Uaupés e Tiquié, na fronteira do Brasil com a Colômbia. Conduzida pelo barqueiro Jorge Gabriel da Silva, a embarcação a serviço do Ministério da Saúde partiu da sede de São Gabriel da Cachoeira no fim de abril com cerca de 30 profissionais, a serem distribuídos entre unidades básicas de saúde (polos-base) da região": comentário também da notícia da BCC e Terra em podcast na Rádio Nacional da Amazônia.
Depois, mais tarde, mais informações aqui nesta seção, venha conferir depois outros comentários.
ResponderExcluirVocê pode postar direto aqui nesta seção a sua opinião, se preferir, mande o seu conteúdo (notícia, foto, vídeo, pesquisa, comentário) pro e-mail do blog navepad@bol.com,br e/ou também pro e-mail do editor padinhafranca603@gmail.com que mais tarde atualizaremos o material por aqui.
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