O problema dos desaparecidos brasileiros é analisado pela
Cruz Vermelha como um drama humanitário, os dados do sistema estão defasados e
a chance de se encontrar uma pessoa desaparecida hoje com toda tecnologia
digital é mínima: este setor precisa também mudar e avançar com urgência no país, isso deveria ser uma prioridade pros Governos, afinal é direito à vida
O Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas está desatualizado. Mesmo com centenas
de casos emblemáticos entre milhares de desaparecimentos que acontecem todos os
dias no Brasil não existe uma pesquisa ou mesmo um arquivo de dados
estatísticos precisos a respeito de desaparecimentos. Também não existe um
sistema regional, nacional ou internacional, integrado, que concentre os dados
e outras informações sobre pessoas desaparecidas. Nosso país vive nesse sentido
uma situação extrema, mas em geral em todos os países do planeta são muito
grandes as dificuldades neste setor. No território brasileiro não existem
delegacias especializadas, de fato, em desaparecimentos, apenas departamentos
dedicados ao registro deste tipo de ocorrência. Nenhuma lei federal é
direcionada para casos específicos de desaparecimentos. Esta carência dificulta
o trabalho de todos os órgãos de segurança pública e aumentam o drama das
famílias que buscam entes desaparecidos. O que se encontra
em uma busca por dados referentes a pessoas desaparecidas são apenas
estimativas desatualizadas. Entretanto, os números são gigantescos. A
Associação Brasileira de Busca e Defesa das Crianças Desaparecidas (ABCD), organização da sociedade civil, fez o levantamento que
constatou o desaparecimento de quase 200 mil pessoas por ano em todo o Brasil.
![]() |
| 1 entre 693,076 BOs |
Desaparecido é sinônimo de morto - 693.076 boletins de
ocorrência foram registrados por desaparecimento no Brasil em uma década, entre 2007 a 2016, segundo os dados atuais e inéditos compilados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em estudo
feito a pedido do Comitê internacional da Cruz Vermelha. Em média, 190 pessoas
desapareceram por dia nos últimos dez anos, oito por hora. É a primeira vez que
dados de desaparecimento estão presentes no anuário de violência deste Fórum. Só
no ano passado, 71.796 desaparecimentos foram registrados. Em
números absolutos, São Paulo lidera as estatísticas, com 242.568 registros de
desaparecimentos em 10 anos, seguido por Rio Grande do Sul, com 91.469, e
Rio de Janeiro, com 58.365. Acre, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Goiás, Mato
Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná e Roraima não passaram os dados
completos de todos os últimos dez anos. O Distrito Federal de alguma forma concentra o maior número de
registros: 106 por 100 mil habitantes. E a razão é bastante simples: embora não
registre um número maior de desaparecidos do que os outros estados, esta unidade
da federação tem pelo menos um banco de informações que interliga os órgãos, como
hospitais, asilos, institutos médicos legais, serviços de verificação de óbito,
entre outros, considerado por especialistas um ponto chave para entender e
combater o desaparecimento de pessoas. “As
pessoas estão desaparecendo, e não há uma preocupação em cruzar os dados. Uma
pessoa registrada como desaparecida pode aparecer em outro boletim de
ocorrência como morte decorrente de intervenção policial, mas esse dado não é
cruzado e não se chega à conclusão de que ela foi encontrada morta, por
exemplo”, comenta Olaya Hanashiro, consultora sênior do Fórum Brasileiro de
Segurança Pública: “Ninguém
estava olhando para esse fenômeno para além do período da Ditadura Militar, época em que sumia muita gente. Mas os casos de desaparecimento não deixaram de ocorrer no cotidiano da população hoje em dia”.
![]() |
| O problema não acabou pós Ditadura... |
![]() |
| ...época com recorde de gente desaparecida |
Das
1.195 mortes violentas registradas de 21 a 27 de agosto pelo Monitor da Violência, projeto do site G1 da Globo em
parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e com o Núcleo de Estudos de Violência (NEV) da USP, mais
de 150 não têm o nome da vítima. Podem ser pessoas desaparecidas, com
familiares à procura.
No âmbito mundial,
o site da Polícia Internacional (Interpol) possui, atualmente um cadastro com pouco mais de 1 mil desaparecidos: se levarmos em conta os
dados da ABCD, que são limitados ao território brasileiro, os números da
Interpol revelam que este é um sistema defasado.
ICMP é a sigla em inglês da Comissão Internacional de Pessoas Desaparecidas que mantém um banco de dados, segundo informações obtidas no
próprio site da instituição, com 150 mil perfis genéticos de desaparecidos em
todo o planeta. A organização não governamental desenvolve um projeto para a
criação de um banco de dados genético único, visando ajudar na identificação de
desaparecidos. O número de registros de desaparecimentos no ICMP também reflete
uma defasagem, uma vez que representa menos pessoas desaparecidas por exemplo do que somente
no Brasil (200 mil/ano).
Organizado pelo Ministério da Justiça do Brasil, o Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desparecidos possui pouco mais de 360 casos de desaparecimento cadastrados, também um número muito baixo, que não representa a realidade, segundo as associações de famílias de pessoas desaparecidas e noticiário na mídia.
![]() |
| Ainda se busca uma solução para esse drama |
(Confira na seção de comentários deste blog mais dados e informações sobre este problema que a gente debate aqui no blog da gente de cidadania e da ecologia humana, porque se trata claramente duma questão de violência)
Fontes: semvestigiostcc.worldpress.com - G1
folhaverdenews.blogspot.com.br









"Os números defasados, ainda assim são alarmantes. Uma pesquisa nacional feita em 1999 já mostrava que 200 mil pessoas desaparecem todos os anos no país. Número semelhante ao detectado pela Associação Brasileira de Busca e Defesa das Crianças Desaparecidas, em pesquisa realizada 10 anos depois, em 2009. E agora continua o mesmo drama": comentário extraido do site da associação Mães da Sé, uma das mais tradicionais organizações de familiares de desaparecidos no Brasil.
ResponderExcluir"Em Minas Gerais, atualmente, há pouco mais de 1700 pessoas desaparecidas cadastradas em seu banco de dados, mas não informa quando foi a última atualização. O site é administrado pela Polícia Civil do estado, órgão responsável pelas investigações de casos de pessoas desaparecidas nesta região. O número de desaparecidos na realidade parece ser maior. O portal foi criado pela lei estadual nº 15432/05, decreto 44310/06, que tinha como objetivo estabelecer um “sistema de comunicação e cadastro de pessoas desaparecidas”: comentário do Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas), órgão do governo de Minas Gerais.
ResponderExcluir"Além da defasagem nos bancos de dados e da ausência de um sistema integrado para o cadastro de desaparecidos, outro problema encontrado pela Polícia Civil de Minas Gerais é o efetivo reduzido e a falta de equipamentos para a busca imediata de pessoas que desaparecem. As ações são tomadas imediatamente após o registro da ocorrência pela família. O que fazemos é colher os depoimentos dos familiares, amigos e outras pessoas que tenham mantido contato com o desaparecido mas se trata dum labirinto": comentário de Thiago Saraiva, delegado que comanda a Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida em Minas Gerais.
ResponderExcluir“A polícia não tem como realizar buscas imediatas e nem constantes, pois não há efetivo suficiente para isso”: comentário do deputado estadual Rogério Correia, primo de segundo grau de Pedro Augusto Santos, um garoto desaparecido em BH, ele conta que acompanhou todas as investigações sobre o desaparecimento do garoto e sentiu o drama.
ResponderExcluir"Por essas e outras, muita, muita gente no Brasil defende a criação de um cadastro nacional de pessoas desaparecidas. Esta matéria neste blog é oportuna, problema de cidadania, com a eleição quem sabe um iluminado consiga um avanço nessa situação que é mesmo um drama humanitário": comentário de Neuza Mendes Silva, de São Paulo, advogada, que nos conta sobre alguns casos que tomou conhecimento no Fórum na capital paulista.
ResponderExcluir"Quase 200 pessoas desaparecem todos os dias no Brasil, o que significa que oito pessoas desaparecem por hora no país, informou um relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Essa situação realmente precisa mudar, concordo com esta edição que coloca essa questão como humanitária e de ecologia humana diante da violência agora": comentário de Jair dos Santos Alemida, empresário do Rio de Janeiro, ele relata o caso de um familiar seu, vindo de Portugal a passeio, que desapareceu há quase 10 anos e a família nunca mais teve notícias dele: "Eu sei o que é esse sofrimento".
ResponderExcluir"Eu vi na mídia na virada do ano que houve mais de 70 mil queixas de desaparecimento, cerca de 200 por dia. O pior é que não há um sistema especializado para se reduzir ou evitar ou reparar estes casos": comentário de Júlia Morato, de São Paulo, estudante da USP: "A gente que veio do interior, como eu, morre de medo aqui em São Paulo de desaparecer de repente para sempre".
ResponderExcluir