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quinta-feira, 2 de agosto de 2018

GOVERNO CONTESTA PESQUISA DA GLOBAL WITNESS QUE MOSTRA O BRASIL COMO O PAÍS COM MAIS MORTES DE ÍNDIOS OU DE ECOLOGISTAS E LÍDERES EM CONFLITOS DE TERRAS

Brasil é o país mais letal para defensores da terra ou do meio ambiente e direitos dos povos indígenas: lidera a estatística compilada pela respeitada entidade britânica com 57 mortes de um total de 207 em todo o planeta desde o ano passado. O governo brasileiro mostra que 6 destas mortes são de pessoas envolvidas com tráfico de drogas. Mas e as outras 51 vítimas?


Gráfico da Global Witness resume este levantamento


Duas das 207 mortes foram na fronteira do Brasil com o  Peru na Amazônia


Recebemos por e-mail matéria de Jacqueline Fowks, repórter em Lima (Peru) do jornal e site da Espanha El Pais, bombando na web com este levantamento especializado que coloca o Brasil como o país mais perigoso e fatal para ativistas e defensores da terra ou do meio ambiente entre 2017 e hoje.  A denuncia da Global Witness em seu terceiro relatório anual sobre as lutas pelos direitos humanos ligadas aos recursos naturais, abrange 22 países. O estudo crítico intitulado A Que Custo? aponta o agronegócio como o setor brasileiro mais violento, responsável por 46 mortes no período em que foi feito o levantamento em todo o mundo. Em levantamentos anteriores, mineração era vista como responsável pela maior parte dos conflitos com vítima fatais. No total, pelo menos 207 líderes indígenas, também ativistas de cidadania, lideranças comunitárias ou ecologistas em geral foram assassinados mundo afora em sua luta para proteger a natureza ou suas comunidades dos efeitos da mineração, da agricultura em grande escala e de outras atividades que ameaçam sua subsistência e seu modo de vida. Pelos dados da Global Witness, destas 207 mortes, 57 aconteceram no Brasil e 60% delas, na defesa dos recursos naturais na Amazônia



Casos de mortes em 27 países


Uma das vítimas assassinadas nas Filipinas


Governo brasileiro contesta ranking -  Em nota, a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República afirmou que o relatório da Global Witness mostra "alguns dados equivocados, inflados, frágeis e metodologia duvidosa".Ainda segundo a nota oficial, houve morte atribuída por investigação policial ao tráfico de drogas, por exemplo, transformada em resultado de conflito agrário. "Se consultassems fontes governamentais pesquisadores  do relatório saberiam, por exemplo, que (segundo a Polícia Civil) seis dos 57 listados como mortos por serem defensores da terra ou do ambiente foram assassinados em disputa de tráfico de drogas na localidade de Iúna, distrito de Lençóis, na Bahia, um deles foi vítima de latrocínio. "Isso por si só tira qualquer resquício de credibilidade que tal documento poderia ter, mostrando que esta organização não governamental distorceu os fatos", afirmou ainda a versão de Brasília, que a gente divulga aqui no blog por respeito ao direito de resposta e à liberdade de informação.







Resumo da denúncia da Global Witness - Desde 2017, a região amazônica concentra quase 60% desses crimes. Chama a atenção também o dado das Filipinas, que com 48 homicídios, é a cifra mais alta documentada em um país asiático. O Brasil foi o cenário de três terríveis massacres, só nestas ocorrências 25 pessoas defensoras da terra morreram. “Um fator em comum entre os países com maior número de assassinatos são os altos índices de corrupção governamental. E, embora se pudesse dizer que há menos ataques contra estes líderes em países mais democráticos, vale a pena examinar o papel dos países investidores que facilitam a entrada de suas empresas em contextos em que este tipo de opositores e ativistas são atacados. Não há tantos assassinatos no Canadá ou na Espanha, por exemplo, mas esses países têm investimentos relacionados a ataques no exterior”, reafirmou o coordenador de campanhas da Global Witness, Ben Leather.


Fontes: brasil.elpais.com - Global Witness
              folhaverdenews.blogspot.com.br


(Confira mais informações e debate na seção de comentários e a seguir aqui fotos de algumas vítimas)


Global Witness cita o caso da líder indígena Berta
Já tínhamos divulgado aqui a morte de Berta em Honduras defendida por sua filha em tribunais de todo o planeta
Líder do povo indígena Gamela também já morta


No Brasil este problema vem desde Chico Mendes...

...recentemente houve outro caso emblemático e o assassinato de Marielle Franco ainda não está esclarecido

8 comentários:

  1. Num ano de eleição para os principais cargos do Poder Público no Brasil esta questão precisa avançar e a violência ser contida para que se reafirme a esperança na democracia brasileira.

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  2. "PLANALTO CONTESTA DADOS DO RELATÓRIO DA RESPEITADA ENTIDADE BRITÂNICA GLOBAL WITNESS - Em nota à imprensa, a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República afirmou que o relatório da ONG Global Witness apresenta dados equivocados, inflados, frágeis e metodologia duvidosa. Ainda segundo a nota, a morte atribuída por investigação policial ao tráfico de drogas, por exemplo, é transformada em resultado de conflito agrário. "Se consultassem fontes oficiais, os elaboradores do relatório saberiam, por exemplo, que segundo a Polícia Civil seis dos listados como mortos por serem “defensores da terra” foram assassinados em disputa de tráfico de drogas na localidade de Iúna, distrito de Lençóis, na Bahia, e um deles foi vítima de latrocínio. Isso por si só tira qualquer resquício de credibilidade que este documento poderia ter, mostra que esta Ong distorceu os fatos": comunicado na íntegra, publicado no site e jornal El Pais.



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  3. “Uma pessoa defensora da terra ou do meio ambiente é alguém que toma medidas pacíficas, em caráter voluntário ou profissional, para proteger os direitos ambientais ou da terra, é uma das conclusões do relatório. Frequentemente são pessoas comuns, outras são líderes indígenas ou camponeses que vivem em montanhas remotas ou florestas isoladas, que protegem suas terras ancestrais e seus meios originais de vida contra projetos de mineração, do agronegócio em grande escala, das represas de hidrelétricas e de hotéis de luxo. Outros são guardas florestais que perseguem a caça furtiva e o desmatamento ilegal. Também podem ser advogados, jornalistas ou funcionários de entidades ou movimentos que atuam para expor abusos ambientais e a grilagem de terras”: comentário de Ben Leather. que é o coordenador de campanhas da Global Witness.


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  4. "Na Colômbia, por exemplo, Hernán Bedoya se manifestava contra plantações de dendê e banana em terras roubadas da sua comunidade quando foi assassinado com 14 disparos de um grupo paramilitar, em dezembro último": comentário de Thom Pierce, que é fotógrafo e atua na Global Witness.


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  5. "Das 207 pessoas assassinadas no ano passado, um quarto era de indígenas, em comparação com 40% em 2016. A população indígena representa 5% da população mundial, por isso o relatório destaca que os índios continuam estando enormemente super-representados entre os defensores assassinados”: comentário de Jacqueline Fowks, jornalista do El Pais, que fez matéria em Lima (Peru) sobre este relatório.

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  6. Uma frase de um pesquisador peruano de literatura andina pode nos dar uma pista ou resposta: “A terra nos orienta, a árvore sabe mais”, afirma o catedrático Mauro Mamani, nascido em Arequipa e que cresceu cultivando um lote arrendado por um latifundiário. “Esse pedaço de terra não se cansava de parir e alimentou toda a família”.

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  7. "Em uma dessas chacinas no Brasil, 20 indígenas Gamelas ficaram gravemente feridos depois de um ataque de homens armados com facões e rifles. Alguns deles tiveram as mãos cortadas": comentário extraído do relatório da Global Witness.

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  8. "Espero que o jornalista deste blog não seja mais uma vítima destas violências, a luta pela ecologia e pela cidadania é hoje fundamental para todos em todo o mundo, aqui no Brasil também": comentário de Dolores Santos, do Rio de Janeiro, que nos mandou e-mail, enviando a charge do Cristo Redentor que ilustra nosso post de hoje, uma debate duro mas que precisa ser levado a bem da não violência e da paz.

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