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quarta-feira, 1 de agosto de 2018

COOPERATIVA PROCESSA CASTANHAS DO PARÁ AJUDANDO A REGIÃO E LIDERANDO PLANO SUSTENTÁVEL PARA DESENVOLVER A AMAZÔNIA NO ACRE



Martin Raise (diretor do Banco Mundial no Brasil) escreve livro sobre produtividade brasileira e elogia o exemplo da Castanha do Pará se bem que nosso país ainda perde para a Bolívia em exportação deste produto da nossa natureza



Castanhas do Pará são destaque no Acre...


...através de cooperativa que busca sustentabilidade



A Cooperacre é positiva, processa as castanhas localmente e comercializa ao mercado doméstico e ao mercado internacional. Apesar de avanços como este, atualmente é a Bolívia que lidera o mercado mundial deste produto, o que evidencia que este setor brasileiro precisa de ajustes e avanços para ter maiores oportunidades de exploração. Um dos pontos que carece de mudanças: o pequeno valor agregado às castanhas. Acompanhe a seguir um relato de Martin Raise. 


Busca de avanço brasileiro que vem do Acre...


...é o tema do livro de Martin Raise


"Fico feliz em relatar que em uma viagem recente ao Acre, que possui fronteira com a Bolívia, há sinais de que esse cenário começa a mudar. A Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre (Cooperacre), fundada há 16 anos por agricultores empreendedores que hoje estão na casa dos 80 anos, concentram uma crescente parcela da produção de castanha-do-pará no Acre. Inspirada nas ideias de Chico Mendes, a Cooperacre processa as castanhas localmente e comercializa ao mercado local, nacional e  internacional. O lucro do ano passado chegou a 30 milhões de reais. Esse montante é suficiente para pagar os 269 trabalhadores e ajudar a sustentar mais de 3 mil famílias da região. Visitei a maior e mais antiga fábrica de processamento do Brasil, pertencente à Cooperacre, que fica logo depois da capital, Rio Branco. Lá as castanhas são armazenadas, limpas, quebradas, secas e empacotadas, com as cascas usadas para fazer biocombustível suficiente para abastecer mais de dois terços da energia necessária para a fábrica funcionar. As famílias trabalhadoras coletam mais de 200 sacos de castanhas por ano e recebem entre 30 e 80 reais por saco (a média para esse ano é de 50 reais). Ainda que o valor não seja suficiente para sustentar toda a família, as castanhas-do-pará podem crescer junto com mandioca, bananas, abacaxis e outros tipos de árvores frutíferas. Isso oferece diversidade e aumento na produção local. Em um assentamento fora de Rio Branco, mais de 200 famílias estão atuando em parceria com a Cooperacre para processar suas colheitas de palmito, abacaxi e outras frutas. Os investimentos desta cooperativa foram parcialmente financiados por uma série de projetos multissetoriais do Banco Mundial, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento rural integrado e sustentável", comenta Martin Raise.  


TV regional do Acre mostra a cooperativa (veja vídeo)

Mais de 60% do Acre ainda tem matas e castanheiras


Há outros projetos que fazem parte de uma série de investimentos do Banco Mundial para apoiar parcerias produtivas em diversas regiões do Brasil. Nem todos os investimentos são bem-sucedidos. É particularmente difícil conectar as cooperativas produtoras com os grandes mercados consumidores, o que permitiria acabar com a dependência aos subsídios do Governo para investir em equipamentos e transformar um estado ou uma região no maior mercado produtor. Mesmo no Acre, a Cooperacre é uma exceção ao conseguir projeção que ajuda o acesso ao mercado nacional e internacional. No entanto, o apoio às cooperativas rurais de produtores no Acre é importante por outro motivo também: 87% do território do estado ainda é tomado pela floresta amazônica preservada e a maioria dos produtores vive em ecossistemas vulneráveis. Assim, quando se oferece oportunidades econômicas aos produtores naturais destas regiões para que incentivem práticas sustentáveis, o governo do Acre poderá então reduzir drasticamente os conflitos entre a conservação do meio ambiente e o crescimento econômico. Isso então virá a ser uma prática pioneira do desenvolvimento sustentável em nosso país. 


Via o Acre Brasil busca avançar no mercado de castanhas


As conquistas no Acre podem ensinar o caminho para a gestão sustentável de florestas tropicais pluviais. O Acre foi o primeiro estado a receber pagamentos internacionais para preservar a floresta nativa por meio do programa REDD. As florestas nativas da Amazônia cobrem 87% do estado, bem acima do estipulado pelo Código Florestal (80%), mesmo a área tendo diminuído em cerca de 90 mil hectares nos últimos três anos, por problemas que todos conhecem, entre eles, o desmatamento. A região acreana é a primeira que está registrando quase todas as propriedades de acordo com a nova lei florestal, autorizando os fazendeiros a recuperar a área degradada, por meio do reflorestamento, e a promover a integração das práticas de gestão ecológica em áreas de proteção ambiental. Isso evidencia algo importante como estratégia para reconciliar objetivos econômicos, sociais e ambientais, aproximando assim a realidade por ali dum modelo sustentável. 

 Dois dos pioneiros da cooperativa do Acre...

...que se inspiraram na luta de Chico Mendes


(Confira na seção de comentários aqui no blog da gente mais informações sobre esta tendência positiva, bem como, mensagens e opiniões) 


Castanheiras, riqueza da floresta e do povo amazônico



Importante nesse processo de busca da sustentabilidade, a estratégia de algumas prefeituras de apoiar cooperativas de produtores rurais, complementando os investimentos com mais infraestrutura e serviços sociais. Por exemplo, baseado no planejamento territorial do Projeto de Inclusão Econômica e Social e de Desenvolvimento Sustentável do Acre (Proacre), quatro comunidades antes isoladas foram identificadas e selecionadas para investimentos prioritários em água e saneamento básico, o que estimula os avanços. A gente aqui em outras regiões brasileiras, onde não há sinais tão claros assim de novo formato de desenvolvimento de verdade, uma das maiores urgências brasileiras hoje, a gente torce pela Cooperacre, como o embrião de um futuro programa nacional de desenvolvimento sustentável nos meios rural e urbano, a bem da saúde e da prosperidade da população brasileira, objetivo que deveria estar sendo agora debatido no país neste momento de eleição. Está passando da hora de se planejar a criação do nosso futuro. 



Cerca de 300 catadores de castanhas da Cooperacre...

...garantem a sobrevivência de 3 mil pessoas lá




Fontes: nacoesunidas.org.br
              folhaverdenews.blogspot.com.br


8 comentários:

  1. Esta cooperativa de castanheiros ensaia uma atuação que é o embrião dum desenvolvimento sustentável no Acre, indo à luta lembra Chico Mendes, se destaca agora de forma mundial através do livro de Martin Raise.

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  2. Martin Raiser tem doutorado em Economia pela Universidade de Kiel, na Alemanha, diplomado em Economia e História da Economia pela London School of Economics and Political Sciences, na Inglaterra. Ele trabalhou para o Instituto Mundial de Economia de Kiel e para o Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento, onde atuou como Diretor de Estratégia para Países e editor do Relatório de Transição. Hoje é diretor no Brasil do World Bank Group.

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  3. Martin Raise, autopr de vários livros, destacou agora a Cooperacre, que processa as castanhas localmente e comercializa no mercado doméstico e busca avançar mais no mercado internacional deste produto natural. Esta cooperativa ensai uma forma sustentável de se desenvolver a economia na Amazônia, preservando a sua ecologia, hoje tão agredida.



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  4. "Atualmente, a Bolívia é o maior exportador, o que evidencia as perdas das oportunidades de exportação do Brasil e o pequeno valor agregado ao produto": comentário de Pedro Paulo Santos, jornalista em Rio Branco, que acompanhou as pesquisas de Marin Rise sobre a castanha do Pará no Acre.

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  5. Depois, aqui nesta seção, mais informações tanto sobre a Cooperacre, como sobre a luta pela sustentabilidade na Amazônia e em outras regiões brasileiras, onde é possível, avançar a economia sem destruir a ecologia: mande a sua mensagem para o e-mail do nosso blog que aí depois postamos aqui para você, envie seu conteúdo para navepad@netsite.com.br

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  6. Vídeos, fotos, material de ionformação, críticas ou sugestão de pauta você pode também enviar direto pro e-mail do nosso editor padinhafranca603@gmail.com

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  7. "A Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre (Cooperacre), fundada há 16 anos por agricultores empreendedores e pioneiros, desde os tempos de Chico Mendes, concentra uma crescente parcela da produção de castanha-do-pará no interior acreano, sim, é um destaque em meio ao desmate e as queimadas, tanto por madeireiras como para a criação de gado ou o plantio de soja: o Brasil ruralista precisa descobrir este filão mais adequado à realidade da Amazônia": comentário também de Pedro Paulo Santos, jornalista no Acre.

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  8. "Quase três décadas depois, as propostas de Chico Mendes para os seringueiros estão sendo executadas pelos castanheiros, de toda forma, valeu": comentário de João Idário, de São Paulo, produtor cultural alternativo, sua família veio de Manaus.

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