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segunda-feira, 14 de maio de 2018

NÚMEROS DO IBGE REVELAM O TAMANHO DA DESIGUALDADE SOCIAL DO BRASIL AINDA LONGE DE VIR A SER UMA DEMOCRACIA RACIAL AINDA SÓ UM MITO POR AQUI



Somos todos iguais? Números mostram que não é bem assim e as cores da desigualdade vão além do verde, amarelo, azul, branco e incluem o negro por aqui: pesquisa Nat Geo revela que ser humano do futuro será tipo brasileiro...

 

 
Novos números do IBGE fazem um retrato do Brasil




As estatísticas de cor ou raça produzidas pelo IBGE mostram que o Brasil ainda está muito longe de tornar realidade o mito duma democracia racial, em média, os brancos têm os maiores salários, sofrem menos com o desemprego e são maioria entre os que frequentam faculdades, por exemplo. Já os indicadores socioeconômicos da população negra e parda, assim como a dos indígenas em especial, costumam ser bem mais desvantajosos. Para o  professor Otair Fernandes, doutor em Ciências Sociais e coordenador do Laboratório de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (Leafro/UFRRJ), o retrato real do Brasil ainda é herança do longo período de colonização europeia e do fato de ter sido o último país do mundo a acabar com a escravidão do povo aprisionado ilegalmente e trazido da África. Ele destaca que, mesmo após 130 anos de abolição da escravatura, ainda é muito difícil para a população negra ascender economicamente no Brasil: "A questão da escravidão é uma marca histórica. Durante esse período, os negros não tinham nem a condição humanitária de vida e pós abolição, não houve nenhum projeto de inserção do negro na sociedade brasileira, como as pessoas desta etnia fazem por merecer. Mesmo depois de libertos, os negros ficaram à própria sorte. Então, o Brasil foi se estruturando sobre aquilo que chamamos de racismo institucional”, comentou o especialista neste tema Dr. Otair Fernandes.


Mameluco, Mulata, Cafuso na formação do nosso povo

Brasileiro urbano típico hoje em dia no país...

 ...um país multiracial...

 ...embora novelas e mídia pintem o Brasil de branco


Dr. Otair Fernandes argumenta que atitudes individuais não são suficientes para romper essa questão socialmente ou historicamente, ressaltando a importância de políticas públicas: "É preciso pensar em políticas de afirmação do negro. Políticas de valorização daqueles que foram marginalizados, injustiçados e excluídos".


 Mesmo a massa de negros desiguais

 Ainda se definindo a diversidade brasileira




Há alguns movimentos étnicos nascendo

Nossos índios vítimas de desaparecimento


Para a promotora de Justiça do Ministério Público do Estado da Bahia, Lívia Santana Vaz, reconhecer que o problema existe é o primeiro passo para tentar resolver essa dívida histórica. Por isso, a consideração de cor ou raça nas pesquisas oficiais produzidas pelo IBGE é fundamental. "Há países (a exemplo de Portugal) que, a pretexto de não violarem o princípio da igualdade, proíbem a coleta de dados com base na raça e na cor das pessoas, o que tem impedido que se conheça o contexto de desigualdades raciais e a criação de políticas públicas: ela considera um avanço do Brasil dar liberdade a este tipo de discussão. Esta jurista baiana em grupos de proteção de direitos humanos e combate a discriminações na sua região, uma das que mais concentram afrobrasileiros.



A sua cor ou raça é: branca, preta, amarela, parda ou indígena? Nessa ordem, o agente de pesquisa do IBGE oferece as opções, e o entrevistado escolhe como se classifica. O que ele considera para responder depende de cada um, pois o quesito de cor ou raça é baseado na autodeclaração. Segundo Leonardo Athias, pesquisador da Coordenação de População e Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, responsável pelo tema, este é um conceito de direitos humanos: "A identificação é da pessoa, é ela que sabe como se entende, porque é uma interação social, uma percepção de si mesma e do outro. Eu não vou classificar o outro, até porque muitas vezes isso foi feito para segregar, para perseguir".  


Fotógrafo Martin Schoeller registra o ser humano de 2060 para NatGeo


(Confira mais informações na seção de comentários do nosso blog de ecologia e de cidadania com outros enfoques mais sobre a desigualdade social e racial no Brasil)


Ser humano 2060 Nat Geo se parece com...


...o brasileiro Neymar da Silva Júnior

  
Fontes: IBGE - EcoDebate - Revista Retratos
              folhaverdenews.blogspot.com



7 comentários:

  1. Nosso editor de conteúdo aqui deste blog se autodeclarou no mais recente censo do IBGE como indígena. A sua raça é branca, preta, amarela, parda ou indígena?: "Na dúvida para responder a este questionário, já que sou descendente de todas essas raças aí, coloquei indígena, como tenho uma avó Kayapó também e por considerar por respeito os índios, os Pais do País": comentário de Antônio de Pádua Silva Padinha, ecologista e editor do blog Folha Verde News.


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  2. "Você chega no Japão ou na China ou na África ou no Oriente Médio e olha o povo nas ruas, são todos muito iguais, uns parecidos com os outros, já aqui no Brasil temos a riqueza da diversidade, há os mais variados tipos de rostos e de gente": comentário de Arnaldo Rodrigues, etnobiólogo da USP, que coordena na Secretaria da Cultura em São Paulo o movimento Cultura da Paz.

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  3. "O sistema de classificação adotado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) se apoia em cinco categorias, consolidadas em uma longa tradição de pesquisas domiciliares, mas não deixa de ser passível de críticas. Uma delas lembra que o sistema é utilizado desde 1872, passando por pequenas modificações ao longo do tempo, mas desde sempre utilizando categorias formuladas por uma pequena elite dominante e desconsiderado a realidade das regiões fora dos eixos Sul e Sudeste. Isto criou dificuldades com o termo pardo, por exemplo": comentário da matéria neste tema no site nacional de assuntos socioambientais EcoDebate.

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  4. “O termo pardo remete a uma miscigenação de origem preta ou indígena com qualquer outra cor ou raça. Alguns movimentos negros utilizam preto e pardo para substituir o negro e alguns movimentos indígenas usam indígenas e pardos para pensar a descendência indígena. É uma categoria residual, mas que é a maioria”: comentário de Marta Antunes, da Gerência Técnica do Censo Demográfico do IBGE.



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  5. "Curiosa a pesquisa que mostra que os Mouros (na realidade, negros) escravizaranm brancos na Europa (Espanha e Portugal) por 241 anos? Se trata duma polêmica que precisa ser debatida": comentário de Agenor Miranda, que estuda Sociologia na UFRJ.

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  6. "O genocídio é oficial no Brasil para acabar com os índios, não só por problema racial e sim por interesse econômico em sua terras e recursos naturais neste país cada vez mais ruralista": comentário de Plácido Carvalho, jornalista que é de BH, brasileiro que descende de Judeus ou cristão novos, conforme sua pesquisa pessoal.

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  7. "Superinteressante esta pesquisa da Nat Geo": comentário de Luiza Mattos, de São Paulo, que nos envia noticiário neste tema, a gente agradece e vamos divulgar informações.

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