No romance Grande Sertão:
Veredas, a segunda fase importante da vida do jagunço Riobaldo começa
nas margens do Rio de Janeiro, afluente que deságua no São Francisco na
altura do município de Três Marias. Ali ele chegou criança, com a mãe.
Foi na Barra do Rio de Janeiro que conheceu Diadorim. Lá o jagunço
também atravessou pela primeira vez o São Francisco, maior curso de água
do Grande Sertão. "Muita coisa mudou desde a publicação do livro.
Entre as cidades mineiras de Pirapora e Buritizeiro, o São Francisco
ficou estreito. A água
ficou mais turva. Mas não só ele se transformou. No distrito de Guaicuí
da vizinha Várzea da Palma, deságua assoreado o Rio das Velhas, que
carrega a história da mineração da Vila Rica. Antes de cair sujo no São
Francisco, o das Velhas recebe as águas do Córrego do Batistério, mais
um entre tantos pequenos cursos quase secos, atingidos pela irrigação
irregular e pelo desmatamento em suas margens e através de todo o Cerrado", nos escreve José Alves: "Três Marias,
antiga Barreiro Grande, cresceu com o represamento das águas do São
Francisco, para gerar energia elétrica. De lá até a Barra do Rio de
Janeiro são 55 km de estrada de chão. No caminho, há um cheiro quase
insuportável de uma barragem de dejetos de uma unidade metalúrgica da
Votorantim Metais. Grupos de geraizeiros acusam a empresa de ter jogado
rejeitos industriais diretamente no São Francisco durante anos. Também
dizem que a barragem, construída para interromper a contaminação não
impede a infiltração do lençol freático. Por meio de sua assessoria, a
empresa afirma contra os fatos que possui um sistema de gestão de barragens para
garantir a segurança da sua operação e que a unidade de Três Marias possui
todos os licenciamentos necessários para sua operação. Não é o que se vê na realidade, não só nesta região, mas em todo semiárido, que joje não está mais só no nordeste brasileiro mas também invadiu o norte de Minas Gerais e a Bahia. O nosso parceiro de Pernambuco comenta ainda que "pelo Código da Água, o consumo humano tem prioridade
em relação à geração de energia, mas não é o que acontece por aqui não".
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| Confira no vídeo aqui no blog da ecologia previsão Climatempo |
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| Ainda acontece em todo semiárido o alerta e o sofrimento da seca |
Chuvas de outono são uma bênção por aqui: diante desta ameaça de que a seca vai continuar também em 2017, as previsões da Climatempo confirmadas nesta 5ª feira de chuvas em parte do sudeste contradizem esta tristeza. Deus nos abençoa com estas chuvas porém, fica valendo o alerta em outras partes do país. Por aqui, a previsão é que chova quinta, sexta, também sábado, talvez domingo e segunda, afastando o perigo de uma nova seca no inverno que vem por aí. Contudo, ficam valendo o alerta da seca, a poeira do Cerrado e a tristeza do sertão. (Antônio de Pádua Silva Padinha)
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| Jornal Diário de Pernambuco alerta sobre desmatamento, seca, antiecologia |
Fontes: www.climatempo. com.br
www.diariodepernambuco.com.br
www.folhaverdenews.com
Logo mais, mais tarde, mais informações e detalhes, bem como mensagens que já chegam por aqui, aguarde nossa edição, confira e participe vc tb deste debate.
ResponderExcluir"Esta relação entre o livro do grande Guimarães Rosa e o sertão ou o São Francisco hoje é muito interessante e me faz lembrar dum autor, acho que da região de Delfinópolis, Minas, que escreveu também Veredas mais recentemente": comentário de Jonas Aparecido, de Belo Horizonte (MG), que fez Jornalismo na PUC de BH.
ResponderExcluir"Aos 19 anos, fui para Três Marias em busca de emprego. Trabalhei 26 anos na caldeira da Votorantim. Agora, aposentado por ter atuado em área insalubre, passo boa parte do tempo numa casa simples da beira do rio. Perto daqui e de mim moram dois irmãos, Ném e Elisa. Os rios que o esperavam eram outros. No meu tempo de criança, a água do São Francisco no período da chuva chegava até o alto desse barranco (cerca de 2 metros). Mas houve muito desmatamento nas margens. As pessoas não respeitavam. Tinha embarcação que subia o rio para vender alimentos, carne seca e enlatados, o que não fosse perecível. O dourado gosta de água de correnteza, do São Francisco. Ele entrava no nosso rio de Janeiro, dava uma volta, mas gostava mesmo de água forte agora desaparecendo nas lagoas das hidrelétricas": comentário de Gilmar de Fátima Ferreira, de 48 anos, contando que nasceu e foi criado nas margens do afluente do São Francisco.
ResponderExcluirMais tarde vamos editar aqui mais comentários e mensagens, participe, envie um e-mail para a redação do blog navepad@netsite.com.br ou entre em contato com o nosso editor padinhafranca603@gmail.com
ResponderExcluir"Superlegal, muito oportuna e atual esta matéria deste blog que eu localizei procurando por chuvas no Google, curti muito": comentário de Mariza Santos, do Rio e Janeiro (RJ) que estudava Biologia na UFRJ mas agora virou lojista em Ipanema por necessidade da sua família. Um abraço, Mariza, agradecemos a boa referência ao nosso blog de ecologia e de cidadania. Vamos juntos!...
ResponderExcluirRecebemos mais algumas mensagens e informações, estaremos postando aqui nesta seção, amanhã, aguarde e confira. Se quiser, mande sua mensagem em off adicionando no Facebook nosso editor Antônio de Pádua Silva Padinha, que então posta aqui a sua opinião.
ResponderExcluir"Muita coisa mudou desde a publicação do livro Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa: o rio ficou mais estreito e ganhou ilhas de assoreamento, a seca se espalha e nos preocupa muito": comentário do repórter e ecologista pernambucano, José Alves. Está na matéria de hoje em nosso blog da ecologia.
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