Nas ruas e estradas também daqui do nordeste paulista e sudoeste mineiro é hora do Araticum (também chamado de Marolo): ele rende bem segundo o povo do Cerrado
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| O Araticum ou Marolo é um fruto nativo e típico do Cerrado |
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| Povo do Cerrado faz a venda na beira das estradas daqui também |
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| Maior que a Fruta do Conde ou Pinha, menor do que a Jaca |
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| Rica em ferro, potássio, cálcio, vitamina C, vitamina A, vitamina B1 e B2 |
"O Marolo rende bem", fala Josué Silva, que trouxe cerca de 100 frutas da região de Brasília (DF) para vender nas ruas de Franca (SP), que fica a meio caminho entre o Cerrado e a Mata Atlântica. Ele quer dizer que compensa vender por aqui, com o preço variando de 10 a 20 reais a unidade, mas também, que pesando de 1 a 2 quilos, cada fruta dá para abastecer uma família com seus bagos e sementes. Paula Loredo Moraes, pesquisadora, explanando sobre vegetais
comestíveis, me havia dado a dica sobre esta fruta com propriedades
extraordinárias, além de saborosa: ela é tão comum em todo o bioma Cerrado e
também nas regiões menos úmidas da Mata Atlântica, que as pessoas em geral nem
dão bola para ela. É mato. Mais uma desinformação da nossa gente e da mídia sobre
a nossa natureza, o Brasil ainda não descobriu o Brasil: pensei nisso nesse
sábado, é mato sim, mas uma fruta original, gostosa, com propriedades medicinais, segundo pesquisas feitas na Unicamp e na UCG (Universidade Católica de Goiás). Pensei nisso, quando na saída de Franca (SP) para Claraval (MG) de moto com o amigo goiano Di
Pereira dos Anjos, a gente encontrou vendedores humildes junto à
Avenida Presidente Vargas, em frente à escola estadual Caetano Petraglia, nessa
época agora o povo das fazendas faz um dinheirinho extra vendendo os grandes
frutos do Araticum ou Marolo em especial à beira das estradas vicinais, exportando esta maravilha do Cerrado.
O araticum-do-cerrado (Annona crassiflora),
da família Annonaceae, é uma fruta nativa do Cerrado, um dos biomas brasileiros, sendo popularmente
chamada de Marolo, Cabeça-de-Negro ou Bruto, em algumas regiões de Minas Gerais. Outros frutos que pertencem à
família Annonaceae têm forma parecida com o Araticum-do-Cerrado, como a Ata,
também conhecida como Pinha ou Fruta-do-Conde. O nome Araticum vem do tupi e
significa “fruto mole”. A sua prima Fruta do Conde veio do Oriente via Portugal, contam historiadores que as primeiras mudas foram plantadas pelo Conde Miranda, na Bahia, em 1626, originando daí o seu nome. Ela é mais conhecida e usada no Sudeste que o Araticum sertanejo. No entando, é menos famosa na literatura, escritor inovador da linguagem brasileira de romance, Guimarães Rosa escreveu sobre ela, confira a seguir.
"O quanto em toda vereda em que se baixava, a gente
saudava o buritizal e se bebia estável. Assim que a matlotagem desmereceu em
acabar, mesmo fome não curtimos, por um bem: se caçou boi. A mais, ainda tinha
araticum maduro no cerrado” (Guimarães Rosa no livro Grande Sertão: Veredas)
A árvore do Araticum se adapta à arborização urbana
Araticunzeiro é o nome de árvore, o pé do Araticum, que pode atingir até 8 metros de altura, em média do tamanho duma laranjeira. Sua floração ocorre de
setembro a novembro, sendo sua frutificação nos meses de novembro a março.
Essas árvores possuem polinização entomófila, sendo os principais polinizadores
os besouros. Não apresentam grande quantidade de frutos, mas em compensação
apresentam frutos de até 2 kg ou mais. O Araticum-do-Cerrado é um fruto grande, que apresenta
polpa adocicada, rica em ferro, potássio, cálcio, vitamina C, vitamina A,
vitamina B1 e B2. Com relação às polpas ocorrem dois tipos de frutos: o Araticum de polpa rosada, mais doce e macio; e o de polpa amarelada,
não muito macio e um pouco ácido. Na época de sua frutificação (agora, por sinal) são comuns o seu
consumo e várias iguarias feitas com o Marolo pelo povo das fazendas, das roças, do Cerrado, vendedores ambulantes oferecem as frutas em feiras ou em beira de
estradas. Alguns varejões (como o dos Irmãos Patrocínio em Franca) já oferecem o Marolo a seus clientes. Na culinária, o Araticum-do-Cerrado é a espécie
mais bem aproveitada da família Annonaceae. Além de seu consumo in natura,
também são produzidos, a partir dele, bolachas, geleias, sucos, licores, bolos,
sorvetes, doces, entre várias outras receitas. As folhas e sementes do Araticunzeiro são utilizadas para conter a diarreia, induzir a menstruação,
além de serem usadas no tratamento de úlceras, cólicas, câncer de pele ou
reumatismo. Enfim, uma árvore e um fruto preciosos, mas que infelizmente estão sendo
arrancados em razão do desmatamento monstro que vai "avançando" por todo o interior do país. Como a semente demora muito para germinar
(em torno de 300 dias), hoje já se corre o risco de não haver mais essa árvore, típica
do Cerrado, sem o cultivo humano. Algumas fazendas já fazem plantações comerciais do Araticum ou Marolo. "O fruto do cerradão não tem igual nem no gosto nem na cura, sara até reumatismo", opina o vendedor Josué Silva que vendeu um lote de mais de 100 frutas em menos de um dia por aqui na região: "O povo da cidade gosta, todo ano trago". De acordo com as mais recentes pesquisas, além do mais, esta fruta do Cerrado tem mesmo propriedades medicinais, como oxidantes, capazes de fazer a prevenção de doenças degenerativas. As sementes têm uso medicinal, para combater diarreia. A fruta é cientificamente rica em ferro, potássio, cálcio, vitamina C, vitamina A,
vitamina B1 e B2. Mas não passa de mito que seja afrodisíaca. Na verdade, fortalece em geral a pessoa. No sertão se diz, deixa o cabra bruto.
Fontes: www.poderdasfrutas.com
www.folhaverdenews.com





Logo mais, aqui nesta seção de comentários, mais informações sobre o Araticum ou Marolo e também sobre outras frutas nativas do Cerrado: aguarde nossa próxima edição e confira aqui no blog da ecologia.
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ResponderExcluir"Não procede esse papo que o Marolo é afrodisíaco, mas isso é uma das poucas coisas que essa fruta não é, tem mil e uma utilidades, além de ser saborosa, uma tradição do povo do sertão ainda viva": comentário de João Neves, bioquímico formado pela USP e atuando na rede pública em São Paulo (SP): "Foi legal ver essas fotos, que me lembram da infância".
ResponderExcluir"Meu pai trazia de monte os Marolos nessa época do ano, enormes, a criançada fazia uma festa, lá em Goiás é uma das frutas que mais fortalecem o peão": comentário de Di Pereira dos Anjos, que é da região de Brasília (DF) e trabalha atualmente em Franca (SP).
ResponderExcluir"Estou mandando para vocês um material sobre as principais frutas do Cerrado,OK? Um trabalho muito bom valorizar o que é nativo daqui": comentário de Geraldo Silva Mendes, estudante da Universidade Católica de Goiás (UCG), que é de São Paulo e faz Agronomia lá.
ResponderExcluirRealmente, Geraldo Mendes nos enviou material sobre as principais frutas do Cerrado, além do Araticum, Taperebá, Bacupari, Pera do campo, Murici, Cagaita, Mama, Pequi, Buriti, Cereja do Cerrado, Mangaba e Baru: "Baru sim é afrodisíaca", explica o futuro Agrônomo.
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