Adiantamos aqui em primeira mão a escola de samba que não vai ganhar o Carnaval deste ano no Rio de Janeiro: é o nosso furo de reportagem ironizando claro a reação por conta dos interesses do agronegócio que não está nem aí para os índios ou para a natureza que ainda sobrevive no país mas (cá entre nós) a nossa última ecologia deverá fazer parte do futuro sustentável que ainda precisamos criar no Brasil
No site Carnavalesco em nome do nosso blog de ecologia e de cidadania Folha Verde News a gente deixou um comentário, que reproduzimos aqui, agora:
"Um marco na história dos povos da floresta, importantíssimo o
sambaenredo, o desfile, a arte fora do comum e nativa, este maravilhoso
desfile com tanta beleza e criatividade não vai ganhar claro por pressão dos ruralistas, do lobby do agronegócio, dos anunciantes das TVs, enfim, de toda forma a Imperatriz Xingu
é a grande vencedora cultural, ecológica e política do Carnaval 2017".
Reafirmamos aqui neste webespaço do movimento ecológico, científico, da
cidadania e da não violência esta opinião e a seguir apresentamos um
resumo deste marco na história das escolas de samba do Rio de Janeiro, a
seguir, confira e divulgue por aí.
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| O desfile foi dos momentos maiores da arte brasileira |
Imperatriz Leopoldinense desfila Brasil de verdade e provoca a ira do agronegócio
Carnaval e polêmica sempre andaram de mãos dadas,
as escolas de samba
atraem os holofotes não só pelo espetáculo, mas, também, pelas críticas
que os seus enredos despertam, seja por abordarem temas religiosos ou
por seus temas patrocinados. Este ano, entretanto, uma escola no Rio
de Janeiro provoca a ira de um setor bem específico: o agronegócio. A
Imperatriz Leopoldinense, terceira escola do grupo especial a desfilar
no domingo colocou muito bem na avenida o enredo “Xingu, o clamor
que vem da Floresta”. Em sua homenagem ao povo indígena, a escola
também faz duras
críticas à construção da hidrelétrica de Belo Monte, ao desmatamento e
ao uso de agrotóxicos". Por tudo isso, conteúdo do maior valor para os
povos da floresta e para a última ecologia brasileira, que resiste, com
certeza a Imperatriz não vai ganhar como a melhor escola do Carnaval do
Rio 2017, porém, é a que vai ficar na memória do povo", por sua vez,
comenta aqui nosso editor de conteúdo, o repórter e ecologista Antônio
de Pádua Silva Padinha: "Pode ser que eu erre este prognóstico, mas o
lobby ruralista é muito forte até mesmo no mundo do samba, tenho 90% de
chances de acertar esta previsão", conclui aqui Padinha. Ele destaca
que até o site da Globo G1 ressaltou que a Imperatriz de maneira
genial levou à Sapucaí a riqueza da flora e da fauna do Xingu, que ainda
sobrevive, a resistência do índio ao chamado desenvolvimentismo. Como
produtor cultural, ele realça também o trabalho da coreógrafa Cláudia
Motta (1ª bailarina do Teatro Municipal do Rio de Janeiro) na
espetacular comissão de frente, o carro abre alas Templo Sagrado,
recriando no asfalto o ritual indígena Kuarup, além do Jacaré Gigante,
da gigantesca Ararinha Azul flutuando a 14 metros de altura, isso, fora a
bateria do Mestre Lobo, antecipado pela madrinha Cris Vianna: a bateria
faz uma paradinha e só ficam os repiques no ar, os puxadores do samba
se calam como num protesto e o sambaenredo é cantado só no gogó. Um
espetáculo da floresta na grande cidade.
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| Os pássaros da comissão de frente: um dos grandes momentos |
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| Uma das razões da ira |
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| Os índios de verdade olharam tudo em silêncio |
A Reação
Três alas são alvo de críticas pelo setor rural: “Fazendeiros e seus agrotóxicos”, “Pragas e doenças” e a “Chegada dos invasores”. Uma das fantasias, por exemplo, mostra um fazendeiro, com um símbolo de caveira no peito, pulverizando agrotóxicos. Isso bastou para a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) soltar nota de repúdio à escola de samba. “A Imperatriz Leopoldinense vai na contramão da história, uma vez que, depois de muitos anos, finalmente o cidadão dos grandes centros começa a ter as informações mais claras acerca da produção rural, que é rigorosamente fiscalizada dentro e fora do país. Para começo de conversa, se o uso de agrotóxicos nas lavouras fosse indiscriminado, como dizem, o Brasil não seria o grande exportador que é, pois os países importadores não aceitariam nossos produtos”, afirmou com todo fôlego, em nota, Marcos Montes, presidente da FPA. A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) também divulgou nota de repúdio e afirmou ser inaceitável que o Carnaval seja palco para “um show de sensacionalismo e ataques infundados”. “Antes de mais nada, é preciso esclarecer e reforçar que o país do samba é sustentado pela pecuária e pela agricultura. Chamados de ‘monstros’ pela escola, nós, produtores rurais, respondemos por 22% do PIB Nacional e, historicamente, salvamos o Brasil em termos de geração de renda e empregos. Com o tempo e com o nosso talento de produzir cada vez mais, trouxemos para nossa nação o título de campeã mundial de produção de grãos e de proteína animal”, proclama a tal nota.
Outros carnavais e escolas desfilaram no sentido contrário
Diferente deste ano, registra também o site Rede Brasil Atual, em que os setores do agronegócio miraram sua
fúria na Imperatriz Leopoldinense, no passado, eles não tiveram do que
reclamar do carnaval carioca. Em 2016, a Unidos da Tijuca homenageou o município de Sorriso (MT), a
capital da Soja com o enredo “Do homem de barro ao agronegócio”,
exaltando a terra que se plantando tudo dá. E em 2013, a Vila Isabel
colocava na avenida o enredo "A Vila canta o Brasil celeiro do mundo -
Água no feijão que chegou mais um...", sobre a agricultura, que foi
patrocinado pela empresa química BASF... E então por que não a voz do Xingu clamando ao Brasil e ao mundo o samba da floresta?
Aqui a letra do samba da Imperatriz Leopoldinense cantado na Sapucaí
"Brilhou… a coroa na luz do luar!
nos troncos a eternidade… a reza e a magia do pajé!
na aldeia com flautas e maracás
Kuarup é festa, louvor em rituais
na floresta… harmonia, a vida a brotar
sinfonia de cores e cantos no ar
o paraíso fez aqui o seu lugar
jardim sagrado o caraíba descobriu
sangra o coração do meu Brasil
o belo monstro rouba as terras dos seus filhos
devora as matas e seca os rios
tanta riqueza que a cobiça do do meu Brasil
estruiu
o belo monstro rouba as terras dos seus filhos
devora as matas e seca os rios
tanta riqueza que a cobiça destruiu
Sou o filho esquecido do mundo
minha cor é vermelha de dor
o meu canto é bravo e forte
mas é hino de paz e amor
Sou guerreiro imortal derradeiro
deste chão o senhor verdadeiro
semente eu sou a primeira
da pura alma brasileira
Jamais se curvar, lutar e aprender
escuta menino, Raoni ensinou
liberdade é o nosso destino
memória sagrada, razão de viver
“andar aonde ninguém andou”
“chegar aonde ninguém chegou”
lembrar a coragem e o amor dos irmãos
e outros heróis guardiões
aventuras de fé e paixão
o sonho de integrar uma nação
kararaô… kararaô… o índio luta pela sua terra
da Imperatriz vem o seu grito de guerra!
Salve o verde do Xingu… a esperança
a semente do amanhã… herança
o clamor da natureza
a nossa voz vai ecoar… preservar!"...
Sou o filho esquecido do mundo
minha cor é vermelha de dor
o meu canto é bravo e forte
mas é hino de paz e amor
Sou guerreiro imortal derradeiro
deste chão o senhor verdadeiro
semente eu sou a primeira
da pura alma brasileira
Jamais se curvar, lutar e aprender
escuta menino, Raoni ensinou
liberdade é o nosso destino
memória sagrada, razão de viver
“andar aonde ninguém andou”
“chegar aonde ninguém chegou”
lembrar a coragem e o amor dos irmãos
e outros heróis guardiões
aventuras de fé e paixão
o sonho de integrar uma nação
kararaô… kararaô… o índio luta pela sua terra
da Imperatriz vem o seu grito de guerra!
Salve o verde do Xingu… a esperança
a semente do amanhã… herança
o clamor da natureza
a nossa voz vai ecoar… preservar!"...
Aqui uma das opiniões que destacamos: veja outros na nossa seção de comentários
Pablo Motta
"Desfile
lindo, intérprete incorporou o samba, as entidades indígenas exercendo
seu poder no meio da avenida! Só corrijo a página porque a polêmica não foi a escolha do enredo - muito bem escolhido - e sim a da tentativa do latifúndio brasileiro de burlar esse desfile".
Fontes: G1 - BBC - Le Monde
www.oeco.org.br
www.redebrasilatual.com.br
www.carnavaleco.com. br
www.folhaverdenews.com
Fontes: G1 - BBC - Le Monde
www.oeco.org.br
www.redebrasilatual.com.br
www.carnavaleco.com. br
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ResponderExcluir"Creio que vocês aqui captaram a dimensão que esse desfile da Imperatriz tem e terá no Brasil, foi mais do que só um desfile": comentário de Auro Moreira dos Santos, do Rio de Janeiro (RJ), economista que se formou pela UFRJ e atua como assessor de exportação e de importação.
ResponderExcluir"Importante a atenção que vocês deram a esta escola e ao seu samba enredo, agora, veja, um desfile assim tão extraordinário e no jornal O Dia aqui no Rio um colunista mostrou dançarinos guardiões imitando índios com o bumbum de fora por causa do traje exíguo, como se isso fosse o mais importante. Alguns enxergam a cabeça, outros a bunda": comentário de Luís Antônio Pereira, do Rio de Janeiro , Leblon, que nos mandou algumas fotos que fez na Sapucaí. A gente agradece e vai divulgar. Abraços e paz aí.
ResponderExcluir"Depois da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) criticar publicamente o enredo da Imperatriz Leopoldinense, o carnavalesco da agremiação, Cahê Rodrigues, resolveu se manifestar sobre o assunto e o artista afirmou em um post, publicado em seu Facebook, que “nunca foi intenção agredir o agronegócio” durante o desfile. Ele afirma que a apresentação é para combater o uso indevido “do agrotóxico, que polui os rios, mata os peixes e coloca em risco a vida de seres humanos, sejam eles índios ou não”: um outro comentário que nos enviou Luís Antônio, do Leblon, Rio de Janeiro, ele que é fotógrafo de arte e designer.
ResponderExcluirA página da Imperatriz nas redes sociais chegou a ser alvo de comentários negativos. Para a ABCZ, “a escola mostra total despreparo e ignorância quanto à história brasileira e à realidade econômica e social do país”. Segundo informações da coluna do Ancelmo Gois, no jornal O Globo, não é o0 mesmo que pensa Zezé di Camargo, que é cantor e também produtor rural e que defende a liberdade de todos se manifestarem.
ResponderExcluirCahê Rodrigues nos lembra que no carnaval do ano passado a escola fez uma homenagem aos cantores Zezé di Camargo e Luciano, além de exaltar as maravilhas do campo no centro do país:
ResponderExcluir“Seria, no mínimo, estranha a nossa posição exaltarmos o trabalho de produtores rurais num Carnaval e criticá-lo no outro. Nem vamos sustentar números ou comparações entre os territórios ocupados pelas etnias indígenas, demarcados por leis federais, com as terras produtivas. Cada uma dessas áreas possui a sua finalidade e devem ser respeitadas como tal, cada uma ter sem valor, seus problemas".
"Quando decidimos falar sobre o índio e, em especial, sobre a importância da reserva do Parque Indígena do Xingu, nosso objetivo não é outro senão fazer um alerta sobre os riscos que ainda ameaçam as 16 etnias que ali resistem e, indiretamente, muitas outras espalhadas pela Amazônia": comentário da assessoria de imprensa da Imperatriz Leopoldinense, que nos enviou um link com a íntegra de suas respostas às críticas.
ResponderExcluirLeia mais: http://extra.globo.com/noticias/carnaval/carnavalesco-da-imperatriz-responde-criticas-de-produtores-rurais-sobre-enredo-rv1-1-20743013.html#ixzz4a0WOYiVV
"Viva o Xingu! Viva os irmãos Villas Boas que foram seus fundadores e todos aqueles que lutam pela causa indígena! Viva o Índio Brasileiro! Viva a Imperatriz Leopoldinense! Para sempre": comentário de Vitor Mendes, de Santos (SP), que é advogado e diz ter assistido uma palestra de Orlando Villas Boas em São Paulo no MASP.
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