Cresce no Brasil a polêmica se
Temer privatizará ou não o uso da águas que seriam entregues a
multinacionais: até o maior patrimônio brasileiro em terra firme está
correndo este risco? Algumas fontes afirmam que até o Aquífrero Guarani
(que abrange também nossa região aqui no interior do país) entrará no
mercado das águas e em meio a riscos e controvérsias isso será ou não
debatido pela mídia?
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| Um bem ecológico a serviço do interesse econômico é algo insustentável |
O Aquífero Guarani
tem 84 mil km² e a água depositada nele daria para
abastecer toda a população brasileira atual por 2.500 anos, sem nenhum
prejuízo aos habitantes do Paraguai, Uruguai e Argentina que também
podem ser abastecidos por este megamanancial, uma das maiores reservas
hídricas do planeta, a maior da América do Sul. ."Agora, o Governo Temer
vai transferir o seu domínio a empresas como
Coca-Cola ou à Nestlé", denuncia o jornalista Carlos Alberto Reis
Sampaio, no site Jornal Expresso. Mas não há ainda, oficialmente,
nenhuma definição sobre este tipo de privatização das aguas no país, o
que vem sendo mais debatido deste agosto e setembro do ano passadonos
bastidores por especialistas e repórteres. As autoridades mantém
silêncio ou sigilo. Um outro jornalista, Roberto Malvezzi, no site Outras Palavras,
chegou a afirmar que o Governo Michel Temer está somente esperando um
momento politicamente mais oportuno para divulgar esta meta. Malvezzi
foi entrevistado também pelo jornal Folha de São Paulo e comentou que está havendo uma nova investida no momento da Agência Nacional das Águas para
a criação do que chamou de mercado outorga das águas. Anos atrás esse
tema foi polêmica em meio a integrantes do movimento ecológico,
científico e de cidadania. Agora, está de volta. Na entrevista à Folha,
algumas informações e declarações do entrevistado não foram publicadas e
foi dado mais espaço à opinião dos defensores do mercado das águas.
Esta situação fez aumentar a polêmica. O que se comenta ainda em off é
que a proposta de privatização das águas brasileiras vem do Banco Mundial e do FMI como
uma alternativa à crise hídrica global. Mas, no Brasil, a água é
definida como um bem da União (Constituição Federal de 1988), não
podendo ser privatizada nem marcantilizada. Porém, multinacionais que
atuam neste setor estariam negociando com o Governo para a criação do
mercado das águas, pelo mecanismo de compra e venda de outorgas. Este
tipo de solução está longe de ser sustentável (equilíbrio entre
interesse econômico com ecológico) e mais ainda, em países ela foi
implantada, foi um fracasso. Na Bolívia gerou uma revolta popular
conhecida como Guerra da Água no ano de 2000 e o interesse público
acabou prevalecendo. Na França, depois de alguns anos de privatização, o
serviço voltou ao controle público. Roberto Malvezzi, na sua
entrevista, comentou ainda que pela nossa atual legislação, existe uma
ética no uso da água, por exemplo, em caso de escassez a prioridade é o
abastecimento humano, bem como, o direito à vida dos animais. Contudo,
há o risco da legislação ser mudada para que então possa em todo caso
prevalecer o mercado, por exemplo, com a comercialização da água para
projetos particulares de irrigação. Neste momento, no site nacional de
assuntos socioambientais EcoDebate, esta polêmica está bombando,
debatida com profundidade por Flávio José Rocha da Silva, que é um dos
mais respeitados especialistas deste setor, sendo doutorado em Ciências Sociais, ele é também um dos principais líderes da OPA, o Observatório da Privatização da Água. A seguir, alguns dos argumentos e das informações que Dr. Flávio José questiona têm espaço aqui no blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News. Confira.
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| O Aquífero Guarani é nosso: até quando? |
A água brasileira corre para as multinacionais
"A história do Brasil, não é novidade, foi forjada por uma sucessão de
saques contra as nossas riquezas naturais. A lista é longa: pau-brasil,
açúcar, ouro, diamantes, algodão, café, ferro, borracha, nióbio, sal,
mogno, petróleo, etc. Como o que está ruim pode piorar, como diria um
pessimista empedernido, eis que agora podemos acrescentar a água a esta
lista. Antes
já comprovadamente explorada na irrigação e dando base para o que hoje é
chamado de “exportação da água virtual” com a venda de frutas e de soja
para fora do país (há outros itens, mas estes são os mais relevantes
atualmente), o controle dos recursos hídricos avança no país por parte
das multinacionais. A água nossa de cada dia já gera, há muito tempo,
lucro para alguns grupos econômicos estrangeiros vindos de países sem a
mesma abundância em mananciais como tem Brasil. Há razões para essas
empresas se instalarem aqui no nosso país. Basta afirmar que para
produzir 1 quilo de banana são gastos 790 litros de água, segundo a Waterfootprint
(organização que mede o gasto de água para produzir alguns alimentos e
produtos). No caso da soja, para produzir 1 quilo desta leguminosa são
necessários 1.500 litros de água. Adivinhe o nome do país que se tornou o
maior produtor de soja no mundo!...Sobre
a questão da propriação da água para a fruticultura irrigada, pergunte aos
moradores do entorno do Canal da Integração construído pelo então
governador do Ceará, Ciro Gomes, o que eles acham da presença das
grandes empresas de fruticultura na Chapada do Apodi cearense e o acesso
que eles tem sobre aquela água. É que por lá a água tem dono, e não são
os moradores locais. Experimente ter que amarrar a si próprio em uma
estaca para descer em um canal e conseguir uma lata de água durante a
madrugada correndo o risco de ser pego por seguranças e ainda ser
acusado de roubo. Nem todos são convidados para o banquete do progresso
da agricultura em grande escala e mecanizada do Apodi. Quero
tratar também de outra forma de comercializar/mercantilizar/privatizar a
água. É sobre o que vem acontecendo com a administração das
distribuidoras de água do nosso país. Desde a Era Collor de Mello,
aprofundando-se no “reinado” de Fernando Henrique Cardoso e nos governos
petistas, a posse deste serviço pelos estados e municípios vem sendo
lentamente desconstruída e repassada para empresas privadas. Não tenho
nada contra as empresas privadas, mas água é importante demais para
ficar sobre o controle de algumas empresas. Privatizar pode significar
privar as pessoas do acesso a um bem natural em muitos casos. Se você
não pode pagar a conta da água, você será privado do acesso a ela nas
torneiras da sua casa. Empresas privadas precisam pagar funcionários,
impostos e ter lucro. E quanto mais lucro melhor para garantir a
sobrevivência no mundo cruel dos negócios. É a natureza delas". (Trecho do artigo do Dr. Flávio José Rocha da Silva, do OPA)
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| Este é um dos interessados Perter Brabeck, presidente da Nestlé |
17 milhões de pessoas hoje no Brasil já são servidas por águas administradas por empresa canadense em 12 estados brasileiros: confira as informações do OPA
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| O interesse da Nestlé já predomina nas termas de São Lourenço (MG) |
"O
BNDES está financiando grupos econômicos que queiram entrar no negócio
da água e 18 estados estão na fila para entregar o leite a um bebê
faminto. Mas se engana quem pensa que as multinacionais da água ainda
vão chegar. Hoje o Brasil já tem 17 milhões de pessoas atendidas na distribuição de suas águas por uma multinacional canadense em 12 estados brasileiros. Ela comprou esta “fatia do mercado” da Odebrecht Ambiental. Parece pouco, mas o valor da transação foi de quase 3 bilhões de reais. Não é um mercado para qualquer um, como se vê. O
Ouro Branco, como é chamada a água em contraposição ao título de Ouro
Negro dado ao petróleo, é um bom negócio, mas não é para as populações
carentes. Em um pequeno livrinho chamado O Manifesto da Água (2002), de autoria Riccardo Petrella e em outro livro publicado pela canadense Maude Barlow intitulado O Convênio Azul: a crise global da água e a batalha futura pelo direito a água (2009),
as consequências negativas para as comunidades e positivas para as
empresas estão descritas com vários exemplos ao redor do planeta. São
Paulo conhece bem as negativas quando sofreu um choque com o
racionamento provocado pela ideia do lucro primeiro, população depois.
É que 49,7% da Sabesp pertencem a empresas privadas. Cão vários os analistas
da questão hídrica que culparam esta empresa por não ter investido na melhoria
da infraestrutura por anos, uma das causas do problema. Teoricamente o
governo paulista tem maioria de 0,3 para a tomada de decisões. Mas nós todos sabemos como falham as teorias…O
avanço das ondas das novas privatizações vem como um tsunami. O
problema é que agora não há mais estatais como Vale do Rio Doce,
Embraer, Telebras, Rede Ferroviária, etc. Tudo já foi vendido nos anos
noventa. Se é preciso satisfazer a sede dos grupos econômicos, que venha
a bebida disponível no momento e esta é a água nossa de cada dia". (Flávio José Rocha da Silva, doutorado em Ciências Sociais).







Depois, mais tarde, postaremos aqui outras informações e mais detalhes sobre a polêmica do mercado das águas ou da privatização dos recursos hídricos, um patrimônio da nossa natureza e um direito constitucional da nossa população. Aguarde nova edição, confira.
ResponderExcluirParticipe você também do debate, de interesse público geral, você pode colocar aqui a sua mensagem ou então enviar com este conteúdo um e-mail para a redação deste blog navepad@netsite.com.br
ResponderExcluirOutra opção é você contatar o editor de conteúdo do nosso blog de ecologia e de cidadania para trocar informação, mandar fotos ou sugestão de pauta, no caso, mande e-mail para padinhafranca603@gmail.com
ResponderExcluir"O que vai prevalecer enfim, o interesse das multinacionais como Nestlé e Coca Cola ou o direito à água da nossa população e da nossa natureza? Vi em TVs da Europa Peter Brabeck (presidente da Nestlé) eE. Neville (executivo da Coca Cola) defendendo o mercado das águas, o que acho um absurdo": comentário de Inês Gonçalves, de Brasília (DF), que como ecologista fez uma pesquisa sobre este tema em universidades da França.
ResponderExcluir"Soube que em setembro houve uma reunião executiva em Brasília, secreta, entre grandes empresários mundiais do setor com o Governo sobre a questão de privatizar águas no Brasil": comentário de Jarbas Morais, do Rio de Janeiro (RJ), advogado.
ResponderExcluir"Um verdadeiro sarcasmo, deboche dos maiores, o presidente da Nestlé bebendo nossa água e defendendo a sua privatização, um bem ecológico brasileiro a serviço do interesse das multis": comentário de Mário Duarte, de Santos (SP), técnico de exportação.
ResponderExcluir"Superlegal o trabalho de alerta do OPA, observatório da privatização da água, o povo precisa ficar esperto com estes políticos, para eles o que vale é a indústria da privatização, nem pensam nos recursos da nossa natureza e muito menos nos nossos direitos constitucionais sobre a água": comentário de Aldo Magalhães Silva, de Campos do Jordão (SP), agente de turismo.
ResponderExcluir"Ah, não, brincadeira, esse país realmente me deixa cada vez mais desanimado, só falta entregar nossas águas e nossos últimos recursos hidrominerais pros maiores negociantes do mundo": comentário de Alice dos Santos, de São Paulo (SP), advogada e professora universitária.
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