Tiziana Barillá, da revista Left em Roma, já nos havia informado desde antes da virada do ano que em defesa da água e da terra, povos nativos
norteamericanos se mobilizam contra a construção de um oleoduto em
Dakota do Norte, encarando de frente repressão policial. Anteontem, por aqui no nosso blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News havíamos alertado sobre a luta pelas águas puras do Aquífero Guarani, ameaçado por um esquema governamental de privatização (a bem apenas de empresas transnacionais como a Nestlé ou a Coca Cola), algo que segundo informou a Radio del Sur (Argentina) já leva até a criação de bases militares dos Estados Unidos entre o Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina, não exatamente para proteger os recursos hídricos desta maior reserva da América do Sul e sim talvez pensando na sua exploração, inclusive para captar Gás de Xisto (que quebra todo o equilíbrio e contamina as águas subterrâneas). Como nos Estados Unidos, cientistas, ambientalistas e os indígenas também reagem a esta exploração do Xisto, o projeto em curso é exportar este problema para nós por aqui. Mas, voltando ao texto de Tiziana Barillá, ela escreveu na sua reportagem que "a cavalo, com os rostos pintados de preto e amarelo, os Lakota
Hunkpapa, descendentes diretos do cacique Touro Sentado, combatem contra
os novos caubóis da energia fóssil e suas infraestruturas com um argumento: sob esta
terra estão sepultados nossos antepassados. Ela é sagrada. E o fato é que em um único dia de obras
esta terra sagrada se transformou em um buraco". A tribo Sioux não hesita em definir como resistência a luta contra o
oleoduto subterrâneo no Estado de Dakota do Norte, nos States e convoca
todas as outras tribos para esta luta, inclusive vão hospedar ali o National Powwow, o
encontro anual dos líderes indígenas do país. Acampados desde janeiro de
2016 no Sacred Stone Camp (as suas terras sagradas),
no meio da reserva onde o projeto prevê a passagem do oleoduto, os
indígenas aguardam a decisão do Judiciário norteamericano sobre a
suspensão ou o prosseguimento das obras, algo ainda indefinido. Enquanto isso seguem
os protestos e os confrontos: até agora, 20 pessoas foram presas, já
que o xerife Kyle Kirchmeier considera ilegal o protesto dos indígenas. E
enquanto ativistas ambientalistas se unem aos nativos da América do
Norte na tentativa de bloquear os canteiros de obra e na ocupação da
zona, o governador da Dakota do Norte, Jack Dalrympe, declarou estado de
emergência por motivas de segurança pública devido à resistência indígena ao projeto da empresa petrolífera Energy Transfer, parceira do Texas, que escolheu a terra sagrada para estes índios para ali construir o DAPL (Dakota Access Pipeline), um oleoduto subterrrâneo de 1900 quilômetros de extensão que pretende se estender até ao estado de Illinois, ao custo de quase 4 bilhões de dólares e a dabo de reservas da natureza. Em caso de rompimento do oleoduto haverá ainda uma maior profanação da terra sagrada dos Sioux e além do mais poderá poluir as águas do Rio Missouri, um prejuízo monstro à ecologia, à economia e à toda população dos Estados Unidos. É mesmo o caso duma mobilização de todo o movimento ecológico, científico e de cidadania de vários países em defesa dos recursos hídricos gravemente ameaçados tanto em Dakota do Norte nos States como no Aquífero Guarani aqui na América do Sul, até os último povos nativos da Europa estão indo à luta pela proteção da última natureza.
ATENÇÃO: Agora há pouco na virada de 2016 para 2017, a luta ambientalista dos índios Sioux, com o apoio de Apaches e gente de outras etnias nativas dos Estados Unidos, bem como de cientistas e ecologistas, conseguiu barrar o oleoduto da Energy Transfer. Após uma das maiores mobilizações de resistência indígena da história
recente na América do Norte, o governo federal dos States anunciou que não vai ser
outorgada a licença que permite a continuação da construção do oleoduto
em Dakota do Norte, e que vão procurar vias alternativas para esse
projeto, que realmente era uma ameaça às águas e às terras consideradas sagradas pelos índios. Também havia o perigo de poluição, o oleoduto poderia contaminar as águas do rio Missouri. Por enquanto, uma vitória indígena, algo muito raro nos USA, os povos nativos de lá segundo as pesquisas históricas vem sofrendo um processo de dizimação e até genocídio. Como de resto, por aqui também no Brasil.
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| Uma luta ambientalista com vitória indígena em Dakota do Norte nos States |
Depois mais tarde, aqui nesta seção de comentários, mais informações atualizando ainda mais esta questão de luta por recursos hídricos, envolvendo também além de cientistas e de ecologistas, povos nativos, como os índios Sioux dos Estados Unidos.
ResponderExcluirOs povos indígenas da América do Norte, América do Sul, Europa, Ásia, indo em defesa de suas águas e terras nativas que consideram sagradas poderão avançar o movimento ecológico e científico em nível local ou em cada país ou continente, esta é mesmo uma luta planetária, a ser resolvida só com a implantação de gestões de desenvolvimento sustentável que possibilite a exploração econômica sem agredir a última ecologia.
ResponderExcluirVocê pode inserir aqui nesta seção ou seu comentário ou a sua informação. Se preferir, pode também enviar com este conteúdo a sua mensagem para o e-mail da redação do nosso blog de ecologia e de cidadania navepad@netsite.com.br
ResponderExcluirHá ainda uma terceira opção para facilitar a sua participação neste debate: envie informações, fotos, fazendo contato com o nosso editor de conteúdo aqui neste blog e podendo até também sugerir pautas: e-mail padinhafranca603@gmail.com
ResponderExcluir"Uma dimensão planetária na luta contra a exploração dos recursos fósseis, contra o petróleo ou Gás de Xisto também, envolvendo cientistas, ambientalistas e agora também povos indígenas, isso pode avançar o processo histórico já em atraso para se implantar o desenvolvimento sustentável em todo lugar da Terra, sem o que não teremos futuro em nossa vida": comentário do nosso editor do blog, o ecologista Padinha.
ResponderExcluir"Os geólogos precisam ser consultados e ouvidos tanto nos Estados Unidos como no caso do Aquífero Guarani, os governantes precisam colocar como prioridade recursos como a água cada vez mais ameaçados": comentário de José Portho, do Rio de Janeiro, engenheiro e construtor.
ResponderExcluirA gente já tinha postado a matéria sobre a luta ambientalista dos índios nos States, quando fomos informados que eles venceram, por enquanto. Antes de virar para 2017 e de Trump assumir a presidência dos USA, Barack Obama mandou paralisar a construção do oleoduto em Dakota do Norte, na fronteira com o Canadá, preservando assim águas e terras indígenas, bem como evitando contaminação do Rio Missouri. Mas a luta continua porque se trata duma decisão ainda parcial.
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