Há um mês 17 ecobarreiras impedem
resíduos sólidos vindos de rios, córregos e esgotos poluírem o visual
da Baía de Guanabara mas mesmo com uma verba de 1 bilhão de reais a
poluição de verdade continua a dano do ambiente, da saúde dos atletas,
do povo e da imagem do país em todo planeta
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| Uma jogada nada olímpica para diminuir o visual da poluição da Baía |
Na língua Tupi, Sarapuí significa "rio dos sarapós", uma espécie de peixe que produz sinais elétricos. Há décadas, porém, neste rio de águas imundas, não há sinal de sarapós nem de nenhuma outra espécie de peixe. O rio nasce na Serra de Bangu, Zona Oeste do Rio, desemboca na Baía de Guanabara, depois de serpentear regiões pobres de seis municípios e receber uma tabela periódica de poluentes. O Sarapuí é um dos 17 rios que receberam o principal programa do governo do estado para evitar um vexame na Baía de Guanabara durante as competições olímpicas de vela: as ecobarreiras que porém não eliminam a poluição química das águas, causada por lixo, esgoto, efluentes industriais e resíduos de petróleo...O paliativo, que consiste na captura do lixo flutuante antes que ele chegue ao espelho d’água da Guanabara e estrague o visual, está longe de ser uma novidade: foi lançado há 13 anos, ainda quando Rosinha Garotinho era governadora do Rio de Janeiro. De 2003 para cá, o programa sofreu dezenas de interrupções. Só foi plenamente restabelecido em meados de julho de 2016, quando 17 ecobarreiras passaram a capturar os resíduos sólidos, diminuindo a impressão de águas poluídas, mas não a poluição.
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| Baía de Guanabara: poluição não é só de resíduos sólidos |
"De
2003 para cá, o programa sofreu dezenas de interrupções. Só foi
plenamente restabelecido em meados de julho de 2016, quando 17
ecobarreiras passaram a capturar os resíduos" (site O ECO)
DETALHES DO VEXAME AQUI
O Brasil, o esporte e a ecologia perdem de goleada tipo 7 a 1 para a poluição, as doenças, a corrupção e o caos da poética Baía de Guanabara na realidade violenta e nada olímpica da ex-Cidade Maravilhosa hoje
A Olimpíada de 2016
no Rio de Janeiro, que poderia ser nesse momento de crise da economia,
uma força ao Brasil começa com a Baía de Guanabara sendo o símbolo de um
país sem políticos de verdade e sem gestão ambiental e social,
essenciais para um desenvolvimento sustentável: Deutsche Welle,
site alemão e europeu de grande prestígio diz que "evento começa com
uma de suas principais promessas nem perto de ser
cumprida, o saneamento da Baía de Guanabara, atletas competirão num
local infestado de lixo, como num símbolo da decadência e da violência
desta linda cidade cidade, pela sua natureza, que poderia ser
maravilhosa mas é terrível pelos homens que a comandam".
Alex Sandro dos Santos não é um jogador nem atleta, ele está de pé
sobre um velho cais de madeira que
leva até os barcos dos pescadores, a partir do bairro de Tubiacanga, na
Ilha do Governador, na zona norte do Rio de Janeiro. Com 48 anos de
idade, ele pesca na Baía de Guanabara desde que tinha dez anos."Aqui
ainda tem uns 20 mil pescadores, cada um com três ou quatro
filhos para criar. Mas com a queda da população de peixes, nem todos
conseguem viver da pesca. Muitos trabalham como garçom para ganhar um
extra", queixa-se Alex Sandro, que complementa o orçamento construindo
caixas de madeira. O motivo para o desaparecimento dos peixes fica claro
assim que se dá
uns poucos passos pelo cais: o cheiro é de fezes e lixo, na água há
garrafas plásticas, sapatos, até móveis inteiros flutuando; o lodo nas
margens é uma massa mal-cheirosa e imunda. Nessa área próxima ao
Aeroporto Internacional do Galeão, a vista para o
mar é dominada pelas chaminés das refinarias de petróleo e pelo mar de
casas do Rio, a cidade de 6 milhões de habitantes que lança seus esgotos
não tratados na Baía de Guanabara, como se fosse a coisa mais normal do
mundo: 18 mil litros de água por segundo.A indústria pesada igualmente
deposita há décadas os seus dejetos
altamente tóxicos na baía oceânica. A 32 metros de profundidade, o lodo
do fundo está fortemente contaminado com metais pesados, e a água pulula
de bactérias multirresistentes. Além disso, em janeiro de 2000 a
ruptura de uma tubulação resultou no
vazamento de mais de 1 milhão de litros de petróleo para dentro da baía e
para a reserva ecológica dos manguezais costeiros. Muitos moradores
estão esperando até hoje para receber as indenizações devidas da
semiestatal Petrobrás. Autoridades iIgnoraram as bactérias.
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| Na Baía de Guanabara peixes só graças ao fluxo de água limpa do mar |
Esta lendária baía - cujo belo nome em tupi significa "mar do seio",
provavelmente devido à uma antiga abundância de peixes - serve ao Rio de
Janeiro, ao mesmo tempo, como cloaca, lixão e depósito para restos de
óleo mineral. Fato que não impediu o Comitê Olímpico Internacional (COI)
de escolhê-la como local para as competições de vela dos Jogos
Olímpicos de verão.Em pleno inverno da política brasileira...Depois
participar de um teste de regata em 2015, o velejador alemão
Erik Heil contraiu infecções nas pernas e quadris, que só cederam após o
retorno a Berlim, com a ministração de um antibiótico de amplo
espectro. Diversos atletas dizem ter receio de entrar na Baía de
Guanabara, e
pretendem evitar todo contato da água com a pele. O alemão Heiko Kröger,
medalha ouro de vela nos Paraolímpicos de 2000, escreveu para Thomas
Bach, presidente do COI: "Se eu fosse o senhor, não conseguiria mais
dormir de noite". Especialistas confirmam que as bactérias das águas do Rio podem
desencadear doenças bem piores que a de Erik Heil. "Os esportistas
devem, de todo modo, se vacinar contra hepatite A, antes de começar no
Rio", aconselha o biólogo marinho Mario Moscatelli. Com a densidade
bacteriológica que ele constatou, tampouco estão descartadas doenças
como a meningite.Foram gastos 1 bilhão de reais na despoluição....e nada. Fundador do Movimento Baía Viva, o ecologista Sérgio Ricardo se ocupa
há anos do escândalo ecológico da enseada carioca. "Nós chamamos isso de
'o milagre da Guanabara': aqui se encontram todas as espécies, fora
baleias." De fato, se ainda há alguma vida no local, é graças a um
pequeno afluxo de água fresca do Oceano Atlântico. Por outro lado, vem da cidade esgotos e cerca de 100 toneladas diárias de lixo continuam
sistematicamente destruindo vidas. Ele entra com o barco na baía, para mostrar as dimensões do desastre
ecológico, provando como fracassaram todos os diversos esforços para
sanear o corpo d'água - os quais COI gosta muito de mencionar,
sempre
que há críticas à escolha do Rio como cidade-sede. Puro marketing
hipócrita. Entre 1994 e 2006, o estado do Rio de Janeiro investiu algo
que é equivalente a
mais de 1 bilhão de euros na construção de estações de tratamento de
água, com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da
Agência para Cooperação Internacional, do Japão. O problema é que
até hoje a maioria das tubulações necessárias não foi
instalada, e a maior parte do esgoto continua caindo diretamente no mar,
sem qualquer tratamento. Enquanto isso, as seis estações já
construídas
vão se arruinando. "O programa quase não teve efeito", acusa Sérgio
Ricardo. "Em vez disso, o governo aposta em medidas cosméticas: por
exemplo, barcos para pescar o lixo da água. E o vazamento de petróleo é
outro vilão...Mais detalhes na seção de comentários aqui em nosso blog
Folha Verde News que se solidariza com ecologistas e com a população do
Rio de Janeiro, vamos juntos à luta para resgatar a ex-Cidade
Maravilhosa e devolver à natureza, aos atletas, aos pescadores, à
comunidade carioca e aos turistas de todo o planeta a Baía de Guanabara.
Fontes: www.terra.com.br
www.oeco.org.br





Logo mais, nova edição de comentários aqui, com mais informações e mensagens sobre o problema da Baía de Guanabara, do Rio de Janeiro e do Brasil neste início da Olimpíada carioca.
ResponderExcluirVc pode postar aqui o seu comentário, sendo outra opção enviar um e-mail para a redação do nosso blog ligado ao movimento ecológico, científico e de cidadania, webendereço navepad@netsite.com.br
ResponderExcluirOutra opção: envie sua msm pro e-mail do nosso editor de conteúdo neste blog, podendo tb mandar uma sugestão de pauta, mais informações ou fotos para padinhafranca@gmail.com
ResponderExcluir"Com as críticas da mídia internacional é capaz que haja mudanças e avanços não só na realidade da Baía de Guanabara mas de toda política carioca e brasileira, um vexame mundial, medalha de lixo": comentário de Isac Mendes, que nos enviou uma música de compositor carioca, seu xará, que vamos postar aqui no blog como um clip. Mendes é corretor de seguros e mora ao lado da Lagoa Rodrigo Freitas: "Dá pena de ver como tudo está nessa cidade".
ResponderExcluir"Tudo o que esta cidade tem de natureza, por isso é uma lenda maravilhosa, não tem de políticos e de homens de verdade": opinião de Flávia Ribamar dos Santos Pereira, moradora do Botafogo, no Rio, e que tem ajudado o movimento Baia Viva, liderado pelo ecologista Sérgio Ricardo: "Nossa última esperança do Rio voltar a ser Rio".
ResponderExcluirFriedel Taube, foi o jornalista que fez no Rio de Janeiro esta matéria bomba sobre a Baía de Guanabara para o site Deutsche Welle (Alemanha): assim como aqui no blog da gente, webespaços importantes do Brasil também noticiaram estes fatos, como os portais Terra e Carta Capital.
ResponderExcluir"Fracassaram todos os diversos esforços para sanear o corpo d'água, não faltaram verbas internacionais, faltou gestão e política pública bem feita": comentário de Israel Morais, de Niterói (RJ), que hoje mora em São Paulo e atua no mercado do Turismo: "O prejuízo também atinge com certeza o meu setor".
ResponderExcluir"Para culminar o desafio da Baía de Guanabara, não se pode excluir que nos próximos anos a indústria petroleira continue a perfurar no local: a cerca de 7 mil metros de profundidade ainda se encontram grandes jazidas de petróleo e a economia brasileira segue dependente do combustível fóssil. Aí é questionável se a técnica de filtragem bastará para compensar a utilização industrial intensiva, ou seja, mais poluição": trecho da matéria no site Carta Capital que nos enviou também Morais, de Niterói, comentando que "é urgente no Rio e em todo o país mudar a estrutura energética, a opção pelas energias limpas é a única saída sustentável para o ambiente e a saúde humana".
ResponderExcluir"Além da vergonha agora é vexame também": comentário de José Luiz Alves Pereira, que está atuando como repórter free-lancer nos Jogos do Rio, ele que é carioca e se formou em Jornalismo na PUC de Minas em BH.
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