A previsão para o inverno brasileiro de 2016 está sendo divulgada pela Nasa e por sites como Observatório do Clima e Envolverde depois da pesquisa feita pela Universidade da Califórnia
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| O alerta vermelho da seca e de queimadas toma conta de quase todo país |
A Amazônia, o Cerrado e boa parte do Brasil deverão ter neste ano má temporada de queimadas, a pior da história desde o início dos registros, que vem sendo feitos desde 2001: a informação chega ao nosso blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News via Cláudio Ângelo, do OC: pela gravidade da situação a Nasa, a agência espacial americana, fez um alerta sobre este fato em Irvine (USA). Isso significa que o risco de incêndios graves é maior do que 90% em todas as dez
regiões analisadas, que incluem seis estados brasileiros, a
Bolívia e o Peru. O risco mais alto é no Mato Grosso (97%) e no Pará
(98%), justamente as regiões que têm sido tradicionalmente campeãs de desmatamento.
No Amazonas, onde a floresta queima relativamente menos, o risco neste
ano também aumentou para 96%. As análises foram feitas com auxílio de satélites mostram que a quantidade de
água no solo na floresta este ano é a mais baixa desde o início das
medições, com 2016 superando 2005 e 2010, anos em que a Amazônia e parte do país viveram
duas de suas piores secas de todos os tempos. Urgente que se tomem medidas ambientais sustentáveis no Brasil porque a gravidade deste problema crônico será maior ainda neste ano. A temporada de queimadas da Amazônia geralmente começa no inverno, o
período seco, chamado de verão amazônico. O pico de focos de calor
ocorre em setembro, com um declínio a partir de novembro, quando começa a
estação de chuvas (o inverno amazônico). Em 2016, porém, mesmo os meses chuvosos já registraram queimadas
acima da média. No Amazonas, foram 3.469 focos de calor registrados por
satélites em fevereiro, um dos meses mais chuvosos do ano. O recorde
para o mês na série histórica foi 250, em 2004. No Mato Grosso, foram 2.576 focos em fevereiro de 2016, contra 2.286
do recorde anterior, do ano passado. No Pará, onde fevereiro de 2015
também havia batido recorde para o mês (1.425 focos), em 2016
registrou-se mais do que o dobro disso (3.601). Para as dez regiões
avaliadas, a soma do número de focos de calor em fevereiro era mais do
que o dobro do recorde anterior, de 2015 (12.974 contra 5.268). Este alerta se estende para todo o interior do país, também por aqui em nossa macrorregião, onde além da ação do El Niño e de falta de gestão ambiental, há um "avanço" na cultura do desmatamento. Veja
todos os dados aqui.

Número de focos de calor entre 2003 e 2016 (linha vermelha)
“Nossa expectativa é de que este ano vá bater o recorde”, comentou Douglas Morton, pesquisador do Centro Goddard de Voo Espacial, da Nasa, um dos cientistas que foram responsáveis pela previsão. Um dos culpados pelo risco maior neste ano é o El Niño, o aquecimento cíclico das
águas do Oceano Pacífico que eleva as temperaturas no mundo inteiro e
deixa a Amazônia, o Cerrado e o Nordeste mais secos do que o normal. O fenômeno
começou em 2015 e ajudou a secar o solo da floresta, enfraquecendo a
temporada de chuvas. Seu impacto deverá ser plenamente sentido neste
ano. “Em Santarém, por exemplo, a temporada de queimadas termina em
novembro. Mas a do ano passado continuou em 2016 por causa do El Niño”,constatou agora Morton, que faz pesquisas no Brasil desde o início da
década passada. Segundo ele, o padrão de seca observado em 2015-2016, a chamada anomalia de precipitação, é muito semelhante ao visto em 1998. Naquele ano, um mega-El Niño causou incêndios
catastróficos em Roraima e botou as relações entre clima, fogo e
floresta no radar dos cientistas e entre as preocupações climáticas e ambientais da ONU. As autoridades brasileiras vão se mexer?... A suscetibilidade de toda uma ampla região a incêndios varia também em função da
temperatura do oceano e, neste ano, tanto o Pacífico quanto o
Atlântico estão muito quentes. Um Atlântico mais quente desloca o
cinturão de chuvas da região equatorial (a chamada Zona de Convergência
Intertropical) para o norte, secando a Amazônia, o Cerrado, o interior brasileiro. Há efeitos também nos Estados Unidos e no Canadá, esta situação do fenômeno oceânico turbina também a ameaça dos furacões
na América do Norte. Douglas Morton pondera que ainda existe a possibilidade de que uma mudança
brusca na superfície do Atlântico ocorra no segundo semestre e produza
chuvas, interrompendo graças à própria natureza, a tendência de acontecimentos trágicos. Isso já aconteceu em 2013. Neste caso, só rezando. O modelo de previsão usado pela Nasa e pela Universidade da
Califórnia em Irvine não é perfeito, seus criadores esclarecem. Afinal,
ele só considera a base física das queimadas. A correspondência entre o
modelo e as observações depende, claro, de outro fator: no caso do Brasil, os produtores
rurais e madeireiros da Amazônia, a tendência do desmatamento e alguma política pública socioambiental que venha a ser tomada ainda. Mas não é 100% certo que haja uma reversão da pior expectativa. “A exploração de madeira descontrolada deixa a floresta mais seca e
com troncos e folhas mortas, que são altamente inflamáveis. O uso do
fogo para limpar as áreas agrícolas e incêndios acidentais em pastos
secos chegam às florestas degradadas e se espalham rapidamente. Há ainda as queimadas criminosas. Nos anos
mais secos, o fogo se espalha muito mais, pois as políticas de combate
ao desmatamento são insuficientes para lidar com os incêndios”, diz
por sua vez Paulo Barreto, pesquisador do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente
da Amazônia). Hoje não é possível separar essas duas grandes variáveis e atribuir
peso a cada uma. Não dá para saber ainda o quanto a agropecuária e a
grilagem de terras vão influenciar na taxa final de queimadas. Mas a
situação de Mato Grosso, por exemplo, acendeu um alerta máximo nos
pesquisadores. Em 2003, quando Mato Grosso teve sua maior taxa de
desmatamento, as queimadas eram menores nesta época do ano. “As metas frouxas do Brasil para combate ao desmatamento, o corte de
recursos para a área ambiental e fiscalização, associado aos planos do
PMDB e aliados para o país, além de retrocessos na legislação e ameaças de
flexibilização ainda maior do Código Florestal, tudo isso soma e junto pode por ainda mais
gasolina nessa fogueira”, advertiu Carlos Rittl, secretário-executivo do
Observatório do Clima. Ele será ouvido por aqui no Brasil?...
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| Na Amazônia, no Cerrado, no Nordeste, no interior do país... |
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| ...pode ocorrer um recorde de queimadas e de seca no Brasil em 2016 |
Fontes: Observatório do Clima
www.envolverde.com.br
www.folhaverdenews.com




Logo mais, aqui nesta seção de comentários, mais informações sobre esta pesquisa da Universidade da Califórnia sobre condição do clima e do ambiente na América do Sul e também na América do Norte.
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ResponderExcluirNo caso do Brasil, além da forte influência do fenômeno oceânico El Niño neste ano, há um aumento das condições favoráveis às queimadas e à seca em quase todo o país, também por conta da falta duma gestão pública ambiental sustentável.
ResponderExcluir"Um alerta da maior importância, não sei como a grande mídia brasileira não enfoca este assunto que vejo como grande urgência": comentário de José Ramos de Souza, engenheiro ambiental, ligado à UFRJ, que atua no norte de Minas Gerais, "onde a situação já está uma calamidade desde já e as secas bravas nem começaram".
ResponderExcluir"Com a intensificação do fenômeno El Niño, em 2015, as águas estão mais quentes na superfície do Pacífico, levando à supressão de chuvas no leste da Amazônia e ao aumento do risco de queimadas. Maranhão, Mato Grosso e Pará são os estados brasileiros com maior risco de queimadas este ano. Diante desta notícia, as autoridades do país precisam fazer alguma coisa urgente": quem comenta é Isabela Mendes Fernandes, que fez Geografia na Unesp de Araraquara (SP) e hoje é empresária em Cuiabá (MT).
ResponderExcluir"Eu vi num trecho de noticiário da NBC dos Estados Unidos que captei online sobre o risco de queimadas para a Floresta Amazônica é baseado em dados de satélites, foi divulgada pela Nasa e aponta que a intensidade de incêndios na região vai variar muito entre as porções leste e oeste da floresta. O oeste sofre risco mais baixo de queimadas que nos anos anteriores, enquanto o leste tem risco maior este ano. A previsão foi feita a partir de uma metodologia criada por cientistas da Nasa e da Universidade da Califórnia": comentário de Fábio Sanches Silva, do Rio de Janeiro, que atua com TI.
ResponderExcluir"Há uma outra informação que completa a gravidade desta previsão, é sobre a quantidade de águas subterrâneas na região. Este ano, o risco de incêndios vem acompanhado de uma seca severa nas regiões Nordeste e Sudeste do Brasil, onde informações de satélites mostraram uma contínua redução no volume das chuvas e diminuição da água subterrânea, associada a precipitações abaixo da média. Isso significa que o Aquífero Guarani, a maior reserva subterrânea de água no interior do país e do continente também corre risco": quem nos manda mais este detalhes da pesquisa feita pela Universidade da Califórnia é Pedro Pereira Alves, técnico em poços artesianos na região de Bauru (SP).
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