Uma das reportagens que mais se destacam, do ponto de vista de alerta negativo na BBC nestes dias foi feita por Ricardo Senra sobre trabalhadores bolivianos encontrados nas piores condições em oficina de produção em São Paulo destinada à marca Brooksfield Donna, uma das mais sofisticadas do setor moda de luxo no Brasil. "Desenvolvemos
nossos produtos com o objetivo claro de atender mulheres que valorizam a
sofisticação, o requinte, o conforto sempre com um olhar
contemporâneo", é o slogan publicitário desta marca de roupas femininas. Nos bastidores da produção, a realidade é bem outra. Investigação de fiscais do Minstério
do Trabalho e Emprego sugere que esse objetivo possa estar sendo cumprido com uma
ajuda extra da exploração de trabalho escravo. Após inspeção em uma
das oficinas subcontratadas pela empresa, em São Paulo, auditores do MT, do Programa de Erradicação do Trabalho Escravo, autuaram a marca por trabalho análogo à
escravidão, além de exploração infantil, em mais um triste flagrante escondido
por trás de catálogos de roupas luxo. Isso estará acontecendo com outras roupas de marca ou em outros setores da economia brasileira nesse momento de sufoco? Esta pergunta ainda não tem resposta, fica a suspeita mas o fato constatado é que pelo menos cinco
trabalhadores bolivianos - incluindo uma menina de 14 anos - depois de série de investigações foram
encontrados na pequena oficina no bairro de Aricanduva, a produção
era 100% destinada à marca Brooksfield Donna. Sem carteira assinada ou férias, eles
trabalhavam e dormiam com suas famílias em ambientes com cheiro forte,
onde os locais em que ficavam os vasos sanitários não tinham porta e
camas eram separadas de máquinas de costura por placas de madeira e
plástico. Os salários dos trabalhadores bolivianos dependiam
da quantidade de peças produzidas, cerca de R$ 6,00, em média, por roupa
costurada. Na cozinha, perto de pilhas de retalhos e muita sujeira,
foram encontradas panelas com arroz e macarrão para a alimentação de
famílias inteiras.
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| Aqui, outras fotos divulgadas pela investigação no bairro de Aricanduva, São Paulo |
O outro lado - A Via Veneto,
proprietária da marca, negou vínculo com a oficina e afirmou
que "não mantém e nunca manteve relações com trabalhadores
eventualmente enquadrados em situação análoga a de escravos pela
fiscalização do trabalho". A situação está sob processo na Justiça. E este fato foi citado nos bastidores também da entrevisdta do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade que ao trocar 60 por 80, acabou por ser chamado de "explorador" e até escravocrata no começo deste mês de julho, dias atrás. Há
duas semanas, após uma reunião do Presidente interino do Brasil Michel Temer com
líderes empresariais, Andrade dissera a jornalistas que o país deveria
"estar aberto" a mudanças na legislação trabalhista. Ele citou o exemplo
da França, onde o governo adotou uma reforma no setor: "A
França, que tem 36 horas, passou agora para 80, a possibilidade de até
80 horas de trabalho semanal e até 12 horas diárias", ele afirmara na
ocasião. Na verdade, a mudança no país europeu prevê 60 horas em
casos excepcionais. Logo depois a informação foi corrigida pela própria CNI, mas o equívoco de Braga
foi o suficiente para levantar um debate sobre possíveis alterações nas
leis trabalhistas e suas consequências.Por sua vez, o Ministro do Trabalho Ronaldo Nogueira, afirmou que o governo vai enviar
ao Congresso Nacional até o final do ano três propostas na área, entre elas uma
atualização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A ideia é abrir a
possibilidade de flexibilizar jornada e salário.Está criada toda uma polêmica e ela tem tudo a ver com a cidadania e a qualidade de vida nesta época de crise e caos ou pelo menos de sufoco, desemprego e dificuldades de milhões de pessoas para sobreviver com dignidade no Brasil agora.
Logo mais, em nova edição aqui no blog, editaremos mais informações nesta seção de comentários sobre esta pauta de hoje, aguarde e confira.
ResponderExcluirDesde já você pode inserir aqui um comentário, a sua opinião, informação ou mensagem que se preferir pode também nos enviar por e-mail para a redação deste blog no webendereço navepad@netsite.com.br
ResponderExcluirVocê pode também enviar mensagem diretamente para o e-mail do nosso editor padinhafranca@gmail para inclusive enviar fotos ou sugerir pautas dentro deste tema ligado à cidadania e condição de trabalho e de vida.
ResponderExcluir"Um absurdo o que aconteceu com a Brooksfield Donna, o fato de a BBC ter registrado esta operação liga um alerta nos bastidores de toda economia do país em crise nesses tempos agora": o comentário é do nosso editor, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Silva Padinha. Expresse vc tb a sua opinião ou informação sobre esta pauta de interesse geral.
ResponderExcluir"Esta fiscalização do Ministério do Trabalho deveria contar também com o MP e até a Polícia Federal, em vários regiões e polos industriais brasileiros, tendo em vista a gravidade de situações como estas, que podem até levar a um bloqueio de vendas brasileiras no exterior": quem comenta é Marília Santos Ribeiro, de Campinas (SP) que atua no comércio de produtos importados.
ResponderExcluir"É a China made in Brazil": comentário de Alberto da Silva Pires, advogado em Santo André (SP).
ResponderExcluir"A exploração de crianças em trabalhos forçados não se dá somente no sertão do Brasil, pelo visto": o comentário é de Juarez Ramos, de Campinas (SP), que trabalha com Tecnologia da Informação.
ResponderExcluir"Não se trata só da Via Veneto que comercializa as roupas femininas de luxo Brooksfield Donna, outras marcas também usam oficinas tão precárias quanto, pelo que fui informado por pessoas da Justiça do trabalho parece que há umas 20 etiquetas que usam trabalho escravo e isso só em São Paulo": comentário de Odair mendes Souza, de São Paulo (SP), promoter e produtor cultural.
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