Diretor do Centro da União Europeia da Universidade de Miami analisa saída do Reino Unido da Unidade Européia: este fato já provoca protestos em Londres onde milhares de pessoas criticaram o Brexit
Cerca de 50 mil pessoas participaram nesta terça-feira de um protesto na Trafalgar Square de Londres contra a decisão do Reino Unido de abandonar a União Europeia (UE), apoiada por 51,9% dos britânicos em referendo votado na quinta-feira passada, mas derrotada na Irlanda e na Escócia. O evento de cidadania contou com diversas bandeiras europeias e britânicas, manifestantes cantaram palavras de ordem contra o Governo da Inglaterra como "Não há um plano", "Mentiram para nós", "Destruíram nosso futuro" e também criticaram o ex-prefeito de Londres Boris Johnson, um dos líderes da campanha a favor do Brexit, que hoje analisamos aqui no blog Folha Verde News a partir de informações dos sites Terra, Envolverde, IPS e em especial, resumindo comentários de Joaquin Roy, que é um especialista em temas europeus na Universidade de Miami. Confira a seguir este resumo. O Brexit tem muito a ver também com a gente por aqui, é um problema a mais para nós.
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| Joaquin Roy analisa efeitos do Brexit na América do Norte e na América Latina |
"Desaparecido o otimismo de muitos
que confiavam em uma rejeição do Brexit, a saída da União Europeia após o
impacto da decisão do eleitorado britânico, é forte e somente nos resta meditar
brevemente sobre as causas e o cenário de fundo da lamentável operação, bem como
as consequências para as relações com os Estados Unidos. Primeiramente, deve-se ressaltar (e isso também é uma crítica global
ao sistema atual da Grã-Bretanha) o alto grau de irresponsabilidade que
impeliu o primeiro-ministro David Cameron a embarcar nesse rumo, o que
levou ao maior desastre de seu país em meio século, sendo algo que vai infligir grande dano não somente à União Europeia (UE), mas a todo o
entorno atlântico. Cameron apostou em uma arriscada operação, a fim de conseguir
controle total para seu partido nos próximos anos. Depois seguiu por uma
agenda surrealista de campanha de voto contrário ao referendo, que ele
precisamente havia desenhado. Ouvia-se nas janelas e no tratamento
especial que havia recebido da União Europeia uma vez que conseguisse a
resolução positiva. Já fora advertido desde Bruxelas que não poderia haver outra
ampliação dos benefícios especiais, além das condições que deveriam
aceitar todos os demais colegas. Recordava-se que o Reino Unido já era
um sócio privilegiado. Era eximido da adoção do euro, com um acordo
especialíssimo que nem mesmo contemplava um calendário de adesão em um
futuro hipotético. Londres também conseguia ter seladas as fronteiras,
sem aceitar o inovador sistema de Schengen. Tudo se fazia para agradar um governo e um país que tinham que demonstrar que eram diferentes.E chegou a hora fatal. O efeito na Europa já está sendo demolidor.
Somente se salva um sentimento dissimulado pudicamente: o único
benefício pode ser ter se livrado de um sócio persistentemente incômodo,
um convidado que frequentemente se fazia notar de modo negativo. Era um
mau exemplo, um freio à plena integração europeia, uma tentação para a
imitação de outros reticentes. Esse processo começou a ser visto recentemente com certa preocupação
em Washington. Convém notar que foi o próprio presidente Barack Obama
que expressou seu desejo de uma boa resolução, excedendo-se nas maneiras
diplomáticas. Cameron e os eleitores que apoiaram o Brexit prestaram um mau
serviço. A imagem que a Grã-Bretanha terá nos Estados Unidos se
deteriorará até extremos antes inesperados. De pouco servirá a chamada
“relação especial” para apoiar uma das alianças mais sólidas da história
recente. A primeira vítima do desastre poderá ser o processo de aprovação (já
duvidoso no curto prazo) do acordo de livre comércio e investimentos
entre os Estados Unidos e a União Europeia (conhecido como TTIP) que
deveria ser uma réplica do que está inicialmente pactuado entre
Washington e os países do Pacífico. A onda de populismo e oposição ao livre comércio (já presente nas
declarações dos candidatos à presidência nos Estados Unidos) contribuirá
para deixar pior ainda o que se considera como excessiva globalização,
optando pelo nacionalismo controlador das iniciativas econômicas e,
sobretudo, políticas. O sucessor de Obama terá problemas para prosseguir a aliança com
Londres em temas estratégicos, já que o Reino Unido será visto como um
agente livre da já difícil cooperação europeia em matéria militar.
Somente ficará a ligação por intermédio da Otan, com alguns sócios
europeus que se sentirão cautelosos em atuar com um colega que verão
livre de acordos dentro da UE. No campo puramente comercial, de Washington não se perceberá como
positiva a nova situação na “City” de Londres, desprovida de seu
invejável status de eixo financeiro ancorado na UE. Os cantos da sereia
de outras capitais europeias, solidamente conectadas com a nova rede
comunitária, sobretudo se os líderes da Europa adotarem uma política de
reforço da zona do euro. Já em termos de América Latina, a saída do Reino Unido será lida como a
confirmação do abandono da prioridade dos esquemas cimentados na
supranacionalidade e na integração profunda. A mensagem do Brexit será a
confirmação da opção da soberania nacional. Todos os anos que a UE
investiu em compartilhar a bondade do modelo de integração europeu,
baseado na força de seus tratados e na eficácia de suas instituições,
serão considerados como uma perda lamentável de tempo e de energia. O “modelo de integração” inspirado na agenda norte-americana tendente
a acordos individuais ou acordos limitados ao comércio, superará a já
debilitada doutrina europeia. O Caribe, sub-região com grande influência
britânica, sofrerá por falta de vínculo seguro e se inclinará mais para
Washington, algo que poderá ocorrer também com o Brasil. Em resumo, a América, o continente mais próximo do ponto de
vista histórico e cultural, além de político-econômico, ficará mais
distante do que antes da Europa".
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| Brexit distanciará o Brasil da Europa e aproximá-lo mais dos States, diz Joaquin Roy |
Fontes: Envolverde/IPS/Terra
www.folhaverdenews.com






Ainda hoje estaremos aqui nesta seção de comentários postando mais informações sobre o processo do Brexit e as suas consequências também para o Brasil, a América Latina, a América do Norte.
ResponderExcluirEste fato histórico vai mexer com todo o planeta, através da relação econômica entre os países. Na opinião que postamos aqui no blog, do catedrático da Universidade de Miami, especializado em Europa, todo o continente americano sofrerá efeitos.
ResponderExcluirNa prática, o único vencedor deste processo histórico do Brexit, cheio de erros e de dúvidas, são os Estados Unidos. O Brasil terá que se aproximar mais dos norteamericanos na falta de parcerias com os ingleses e oa europeus? Esta parece ser a tendência agora.
ResponderExcluir"Pelo visto, o Brexit foi um golpe dos Estados Unidos, que enfraqueceu a Europa e se fortaleceu": comentário de Juliano Morgan, de São Paulo, que é empresário de Comunicação.
ResponderExcluir"Agora parece que cada um ficará no seu canto, nessas horas é que valeria ter uma maior autosuficiência brasileira": comentário de Isais Mendes Pereira, de Campinas (SP), exportador e importador, que mantém relação comercial com a UE.
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