Pelo menos sete universidades
americanas estão sob investigação do Departamento de Educação dos EUA
por supostamente ignorar casos de estupro em suas dependências, é o que informa Alessandra Correa de Nova Iorque, via a
BBC: segundo denúncias de estudantes, as
universidades não informam de maneira clara os procedimentos para
reportar abusos sexuais e não investigam os casos adequadamente, algumas delas afirmam ainda que, em muitos casos, as vítimas são censuradas ou sofrem
retaliações, enquanto os agressores não são punidos, configurando machismo, sexismo e cultura da violência contra a mulher. "Não é apenas no mundo árabe, aqui mesmo na Califórnia isso está acontecendo", falou uma das estudantes universitárias, Tucker Reed, de 23 anos. A pergunta que não quer calar: "Será que nas universidades brasileiras está acontecendo algo similar? A gente questiona porque a cultura da violência, também a sexual e a contra as mulheres parece estar se ampliando nas sociedades de consumo de todos os lugares", comenta no blog da ecologia e da cidadania, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha, editando por aqui no
Folha Verde News um resumo deste post da
BBC que está bombando entre internautas em especial nos States. O episódio mais recente é o da
University of Southern California (USC), em Los Angeles. Na semana
passada, um grupo de alunas veio a público divulgar detalhes da denúncia
encaminhada em maio ao Gabinete de Direitos Civis
(OCR, na sigla em
inglês) do Departamento de Educação. O documento de 110 páginas relata mais de cem
casos em que a universidade teria falhado em sua resposta a relatos de
violência sexual no campus e serviu de base para a investigação oficial
iniciada em junho. Uma das estudantes, T.R.
disse à reportagem que foi estuprada no campus pelo ex-namorado, em
2010, e denunciou o caso à universidade e à polícia em 2012. Ela afirma
que chegou apresentar gravações em que o suposto agressor teria admitido
o estupro, mas seu caso foi rejeitado até agora, julho de 2013. "Esse processo se arrastou por vários meses", diz. "Senti como se tivesse sendo estuprada novamente". Uma das vítimas citadas na denúncia relatou que
ouviu da polícia responsável pela segurança no campus que mulheres não
deveriam "sair com estas roupas, ficar bêbadas e esperar não ser estupradas". Outra se revoltou porque foi obrigada a continuar na mesma turma do acusado de
estuprá-la. A investigação aberta pelo OCR busca determinar
se os direitos civis das alunas foram violados e é baseada no chamado
Title IX , lei federal que proíbe discriminação sexual na
educação. Em carta enviada a universidades, o Departamento de
Educação afirma que "assédio sexual a estudantes, incluindo atos de
violência sexual, é uma forma de discriminação sexual proibida pelo
Title IX". A USC disse em comunicado que quer trabalhar com
os agentes federais para esclarecer qualquer preocupação e está
revisando suas políticas para garantir o cumprimento da lei. O caso não é isolado. Também são alvo de
investigações as universidades da Carolina do Norte (em Chapel Hill), do
Colorado (Boulder), da Califórnia (Berkeley), Occidental College (Los
Angeles), Darthmouth College (Hanover, em New Hampshire) e Swarthmore
College (nos arredores da Filadélfia, na Pensilvânia). Em alguns casos, a investigação tem como base
outra lei, o Clery Act, que exige que instituições de ensino superior
monitorem e divulguem estatísticas criminais nos campi, incluindo crimes
sexuais. Ao responder às investigações, todas as
universidades concordam que o assunto é muito sério. Algumas,
como Swarthmore e Occidental, já iniciaram revisões de suas políticas,
treinamento de funcionários e alertas sobre a violência.
Geração Facebook lidera este movimento nos Estados Unidos
 |
| Estudantes criaram movimento nacional contra violência sexual nas universidades norteamericanas |
Essa onda recente de investigações é fruto da
articulação das próprias estudantes. Diante do que consideram desprezo e
abandono por parte das universidades, elas romperam o isolamento
geralmente sofrido por vítimas de estupro e iniciaram, com a ajuda da Internet e das redes sociais, um movimento nacional contra violência
sexual nas universidades. A líder deste movimento relatou sua experiência em um blog e criou o
grupo Scar (palavra que significa cicatriz, mas também sigla em inglês
para Coalizão de Estudantes Contra o Estupro). Seus relatos inspiraram
alunas da Universidade do Colorado a fazer a denúncia ao governo. As estudantes que denunciaram o Occidental
College e o Swarthmore College afirmam ter recebido orientação das
alunas que haviam feito a denúncia contra a Universidade da Carolina do
Norte. Essas, por sua vez, dizem ter se inspirado no projeto "It Happens
Here" ("Acontece Aqui", em tradução livre), iniciado por alunas do
Amherst College, em Massachusetts, chamando atenção para o problema. As alunas do Amherst buscaram ajuda na
experiência de Alexandra Brodsky, uma das 16 alunas que denunciaram a
Universidade de Yale (no Estado de Connecticut) ao Departamento de
Educação em 2011. "Estamos trabalhando em uma campanha para
pressionar o Departamento de Educação a fazer com que a lei seja
cumprida", disse Brodsky à BBC. No mês passado ela coordenou um protesto em
frente à sede do departamento, em Washington, como parte da campanha Ed
Act Now ("Lei da Educação Agora", em tradução livre), que já coletou
mais de 160 mil assinaturas. As estudantes também estão lançando o projeto
"Know your Title IX" ("Conheça seu Título IX"), para educar as alunas
sobre seus direitos de cidadania. Brodsky conta que entrou nesta luta desde quando relatou à universidade
que havia sido vítima de estupro e ouviu dos diretores que era
melhor não comentar o caso com ninguém: a tortura do silêncio...
Fontes: BBC
http://folhaverdenews.blogspot.com
Pelas redes sociais um grupo de estudantes nos Estados Unidos veio a público divulgar detalhes da denúncia encaminhada em maio ao Gabinete de Direitos Civis (OCR, na sigla em inglês) do Departamento de Educação. O documento de 110 páginas relata mais de cem casos em que universidades teriam falhado em sua resposta a relatos de violência sexual no campus e serviu de base para a investigação oficial agora em julho.
ResponderExcluirAlém desta oportuna reportagem da Alessandra Corr~ea para a BBC, vale destacar a luta das garotas da geração Facebook nos States, realizando agora a campanha Ed Act Now ("Lei da Educação Agora", em tradução livre), que já coletou mais de 160 mil assinaturas. As estudantes também estão lançando o projeto "Know your Title IX" ("Conheça seu Título IX"),o código de leis contra a violência sexual.
ResponderExcluirNão adianta nem nos casos nos Estados Unidos ou no mundo árabe nem no Brasil também, apenas denúncias, investigações e leis: é fundamental que haja um movimento para mudar a cultura de violência da atualidade, não somente nas relações sexuais mas em toda relação humana, digo, desumana hoje em dia em todo lugar.
ResponderExcluirCaso vc tenha alguma informação, comentário, denúncia, articulação de movimento mou queira simplesmente expressar a sua opinião, nos envie um e-mail para o blog da cidadania e da ecologia: navepad@netsite.com.br
ResponderExcluir"Concordo com uma jovem norteamericana mostrada num vídeo na web dizendo que o problema não são os garotos, os homens mas o sexismo, a cultura da violência da sociedade de consumo": esta foi a mensagem que recebemos de Clara Arantes, de Santos (SP).
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