Três deputadas Verdes da Áustria e da França vieram se informar sobre Belo Monte e outros problemas da questão socioambiental do Brasil que já estão levando para a UE
Com base em informações do site dos parlamentares Verdes europeus - greens-efa - bem como de texto de Cristiano Morsolin no portal brasileiro EcoDebate (Morsolin é ecologista do grupo Selva e um dos líderes da luta pelos direitos das crianças na América Latina), nós aqui do blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News registramos a passagem pelo Brasil nestes dias de três parlamentares Verdes da Europa. Os ecos lá da polêmica aqui sobre a construção no Xingu da megahidrelétrica de Belo Monte fizeram com que as três deputadas do Partido Verde de países europeus
viessem ao país conhecer de perto a usina e trocar impressões com
autoridades do Governo, do Ministério Público Federal, do Judiciário, cientistas e lideranças movimentos sociais e ecológicos, em especial de Altamira.Outra motivação da visita de Ulrike Lunacek (PV da Áustria), Catherine Greze e Eva Joly (PV da França) é que que além das preocupações com a questão social e
ambiental brasileira na Amazônia, o interesse da comitiva verde do Parlamento
Europeu foi reforçado porque várias empresas
europeias participam do projeto Belo Monte, seja como fornecedoras de equipamento, seja como
acionistas indiretas da Norte Energia S.A, a responsável pelo megaempreendimento. Entre as empresas da Europa envolvidas no negócio estão a
austríaca Andritz, a espanhola Iberdrola, a francesa Alstom e as alemãs
Voith Siemens, Munich Re e Allianz.
A
comitiva das deputadas da Eurocâmara, Ulrike Lunacek, Catherine Greze e Eva Joly têm como objetivo reunir dados e
informações sobre a construção da barragem de Belo Monte e trocar
opiniões com autoridades locais, cientistas, técnicos, Verdes brasileiros e comunidades que serão afetadas pela
hidrelétrica, priorizando também o contato com pesquisadores, para levar os resultados das discussões ao
Parlamento Europeu: "A partir destes contatos e observações feitas in loco, as trêrs parlamentares Verdes terão mais elementos e argumentos para propor em seguida um posicionamento do Parlamento Europeu nesta polêmica, que é nacional mas que tem um alcance internacional, no sentido dos direitos socioambientais, na questão indígena e de populações prejudicadas por Belo Monte, bem como, pelos efeitos de desequilíbrio do meio ambiente que com certeza refletirão no país e no planeta, isso e mais a busca pela ética, pelas soluções energéticas mais atualizadas, como as energias solar e eólica, em defesa também do desenvolvimento sustentável, algo que interessa a todos os que lutam pela Terra", resume aqui o editor do Folha Verde News, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha. Ele comenta ainda que o
grupo dos Verdes/ALE (Greens-Efa) existe desde 1989 e é considerado o
quarto maior grupo dentro do Parlamento Europeu, com 58 membros de 15
países da União Europeia. Seus principais objetivos são a construção de
uma sociedade que respeite os direitos humanos fundamentais e da justiça
ambiental; o aprofundamento da democracia, a descentralização e a
participação direta da sociedade civil na decisão de assuntos de seus
interesses: "Como ambientalistas estamos preocupadas com a situação dos índios e moradores de Altamira", afirmou Ulrike Lunacek. Desde
o início do projeto de Belo Monte, a Bancada dos Verdes no Parlamento
Europeu acompanha a controvérsia sobre a barragem. “O tamanho, o custo e
os efeitos projetados convidam a refletir sobre o modelo energético que
queremos para preservar a terra para o futuro”, diz Ulrike Lunacek. Segundo
Eva Joly, da Bancada Verde da França, apesar da obra ser construída em
Vitória do Xingu, sudoeste do Pará, a Europa está interessada em
conhecer mais sobre o assunto: "A Amazônia está no território
brasileiro, mas a sua função não é só para o Brasil". A parlamentar
ressalta, porém, que o país tem autonomia para decidir sobre suas
soluções energéticas: "Não viemos dizer o que o Brasil tem que fazer",
completou. Eva Joly também destacou que a comissão, composta também por
Ulrike Lunacek, da Áustria, e Catherine Greze, da França, está voltada
para entender as intervenções ambientais e impactos na vida das
comunidades que já estão sendo afetadas pela obra. "Nós
estamos olhando para as pessoas que lutam por direitos humanos em todos os países e
queremos conscientizar a opinião pública na Europa. Mais, a usina não é uma
tecnologia deste século. Haverá a remoção de milhares de metros cúbicos
da floresta e isso é um tremendo impacto. Há possibilidades poderosas de
uso da energia solar e da energia eólica. Achamos esse projeto danoso e
o mundo está olhando para o Brasil", disse Eva Joly. Outra
dúvida das parlamentares em relação à usina é sobre a destinação da
energia que será gerada. Elas afirmaram que há contratos com mineradoras
instaladas ali no Pará para a produção de alumínio a baixo custo, que
será revendido a preço caro ao mercado internacional. Além do mais, a energia da megahidrelétrica já teria também "outros objetivos".
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| Deputadas Verdes captaram informações para um posicionamento do Parlamento Europeu |
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| O equilíbrio socioambiental da Amazônia está em jogo e isso preocupa também a Europa |
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| Parlamentares ouviram cientistas, indígenas, religiosos, ecologistas e comunidades locais |
Fontes: www.ecodebate.com.br
www.greens-efa.eu
http://folhaverdenews.blogspot.com



Alguns pontos a serem questionados pelo Parlamento Europeu é a quantidade de recursos financeiros destinados a Belo Monte (orçada em R$ 28,9 bilhões:"Estudos mostram que seria melhor destinar os investimentos para fontes renováveis de energia, essa é uma obra contestada aqui mesmo no Brasil, são brasileiros que estão aqui que nos informaram de detalhes", disse um das deputadas, Lunacek, do PV da Áustria.
ResponderExcluirAs parlamentares Verdes da Europa na sua vinda ao Brasil contataram também gente do PV daqui, como os presidentes nacional (José Luiz Penna) e estadual (Mroz) do PV, além de variadas lideranças brasileiras do movimento ecológico e de cidadania, para assim ampliar a visão dos problemas que as trouxeram até aqui.
ResponderExcluirApesar de terem se posicionado contra a instalação da Usina, as parlamentares Verdes européias dialogaram também com a Norte Energia, empresa responsável pela implantação da usina Belo Monte, em Vitória do Xingu, no sudoeste do estado do Pará.
ResponderExcluirAlém das críticas ao modelo hidrelétrico de geração de energia, apontado como uma escolha do Governo Federal, as representantes européias também criticaram o funcionamento do Poder Judiciário no Brasil, que considerou permissivo em relação ao julgamento das ações contra o Belo Monte e a falta de proteção aos povos tradicionais.
ResponderExcluirO Ministério Público Federal informou que existem atualmente 16 ações cautelares na Justiça, que pedem a paralisação das obras, baseadas no entendimento de que há desrespeito no posicionamento do governo brasileiro aos povos tradicionais. “Depois de anos discutindo Belo Monte, dizer que a obra não vai afetá-los chega a soar absurdo”, criticou o procurador Ubiratan Cazetta, ouvido também pelas parlamentares Verdes da UE.
ResponderExcluirAs três representantes dos PVs europeus na vinda ao Brasil homenagearam a Erwin Kräutler, bispo de Altamira, com os desejos de saúde para seu 74o aniversário. Uma missa especial foi organizada em homenagem ao Bispo muito popular, que defende os direitos dos povos indígenas e pobres, e fala contra lobbies poderosos – o que resultou em ameaças contra a sua vida nos últimos anos, razão pela qual ele tem guarda-costas com ele 24 horas por dia.
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ResponderExcluirBelo Monte Blog
"It is a monster"
Greens/EFA MEPs went to Brazil for a delegation mission where they met with officials and NGOs about the Belo Monte Mega-Dam project