José Eustáquio Diniz Alves: os números da violência do desmatamento na Amazônia
Destaque na edição deste fim de semana no site de assuntos socioambientais EcoDebate, o texto do demógrafo do IBGE e cientista José Eustáquio Diniz Alves ocupa hoje o webespaço aqui no Folha Verde News: "Ele demonstra com argumentos científicos, muitos dados atuais e uma projeção inteligente e ecológica os rumos e as causas da destruição da Amazônia". comenta o editor de conteúdo do nosso blog de ecologia de de cidadania, Antônio de Pádua Padinha: "José Eustáquio chega a projetar a visão dos extraterrestres para daqui uns 270 anos quando nada mais restaria desta megarregião brasileira, que pode ser vista por outro lado também como uma chance de vida e de futuro para o país e o planeta, desde que haja mudanças radicais com a implantação de um desenvolvimento sustentável que equilibre avanço econômico com proteção ecológica, mas isso, convenhamos, agora ainda é uma hipótese fora da realidade do Brasil".
Há 25 anos o INPE monitora como e quanto cresce o desmatamento na Amazônia
"Desde 1988, o Ministério do Meio Ambiente (MMA), em parceria com o
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) monitora, via satélite,
o desmatamento na Amazônia. Um dos sistemas utilizados é o Programa de
Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes),
utilizado para identificar visualmente os polígonos de desflorestamento
por meio de imagens.
Os
dados são assustadores. O Brasil gastou 500 anos para destruir 93% da
Mata Atlântica. Mas, no ritmo atual, a destruição da Amazônia (que ocupa
60% do território brasileiro) vai ocorrer em um espaço de tempo menor. A
Amazônia Legal brasileira possui(a) uma área de 5.217.423 km². De 1988 a
2012, os dados do Prodes mostram que o desmatamento atingiu o montante
de 396.772 km². Essa área desflorestada é maior do que a soma dos territórios dos estados de São Paulo (248.209 km²), Rio de Janeiro (43.696 km²), Espírito Santo (46.078 km²), Alagoas (27.768 km²) e Sergipe (21.910 km²). No total, as cinco Unidades da Federação possuem uma área de 387.661 km², menor portanto do que os 397 mil km² destruídos da Floresta Amazônica entre 1988 e 2012. Outros 400 mil km² foram destruídos entre 1965 e 1988. Na média dos 25 anos de dados do Prodes o desmatamento foi de 15.871 km²,
ao ano. Isto significa, que mantendo-se está média anual a amazônia
brasileira vai ser totalmente destruída em um período de 329 anos (5,2
milhões dividido por 15,8 mil). Porém, como cerca de 20% da floresta já
foi abatida ao longo da história recente, só temos cerca de 270 anos
para derrubar o resto. Ou
seja, as atividades antrópicas desenvolvidas na Amazônia para atender
ao consumo da população brasileira e global estão promovendo a extinção
da maior área de biodivesidade do planeta: a Amazônia está sendo
destruída pelas madeireiras, pelas mineradoras, pelo garimpo, pelas
hidrelétricas, pelas cidades, pelas estradas, pela plantação de soja,
pela criação da gado, pelo tráfico de espécies vegetais e animais e pela
cobiça e egoísmo humano. Algumas pessoas otimistas olharam os dados de 2004 a 2012 e perceberam uma diminuição do desmatamento de 27 mil km², em 2004, para 4,5 mil km², em
2012. Isto alimentou o sonho de que o desmatamento líquido da Amazônia
pudesse chegar a zero ou até mesmo haver uma taxa de desmatamento
negativa ou de reflorestamento positivo. Todavia, os dados parciais de 2013 mostram uma aceleração da destruição. Dados de junho mostram que o desmatamento na Amazônia
Legal, em junho de 2013, aumentou 437% em relação a junho de 2012. Se
esta tendência continuar nos próximos meses, nenhuma esperança vai
sobreviver, nem mesmo o Novo Código Florestal.
Para
complicar a situação, o desmatamento detectado, em junho de 2013,
comprometeu 3,5 milhões de toneladas de CO2 equivalente. No acumulado do
período (agosto 2012 a junho de 2013) as emissões de CO2 equivalentes
comprometidas com o desmatamento totalizaram 97 milhões de toneladas, o
que representa um aumento de 90% em relação ao período anterior (agosto
de 2011 a junho de 2012). Desta
forma, se nada for feito para mudar o ritmo de destruição da Amazônia, o
futuro do Brasil e do mundo será marcado por menor biodiversidade e
maiores níveis de aquecimento global. O Antropoceno – era de dominação
da ganância humana – poderá ser conhecido, talvez pelos extraterrestres,
como o período em que uma espécie mesquinha provocou a destruição em
massa da vida na Terra". (José Eustáquio Diniz Alves).
![]() |
| Os dados atuais demonstram uma aceleração do desmatamento apesar da propaganda |
![]() |
| Demógrafo e ecologista José Eustáquio adverte sobre esta realidade de violência e destruição |
![]() |
| No atual rítmo de desmatamento e destruição a Amazônia não escapará da extinção |
Fontes: www.ecodebate.com.br
http://folhaverdenews.blogspot.com



Estamos vivendo a era do Antropoceno, a destruição da natureza pela ganância humana, cada vez a vida terá menor biodiversidade e menores chances de futuro: este alerta resume a análise dos dados do desmatamento e da destruição da Amazônia, aumentando agora em 2013, segundo os levantamentos do satélite do INPE.
ResponderExcluirUm outro resumo essencial do artigo extraordinário de José Eustáquio Diniz Alves: as atividades antrópicas desenvolvidas na Amazônia para atender ao consumo da população brasileira e global estão promovendo a extinção da maior área de biodivesidade do planeta: a Amazônia está sendo destruída pelas madeireiras, pelas mineradoras, pelo garimpo, pelas hidrelétricas, pelas cidades, pelas estradas, pela plantação de soja, pela criação da gado, pelo tráfico de espécies vegetais e animais e pela cobiça e egoísmo humano.
ResponderExcluirUm terceiro resumo para se entender a biotragédia da Amazônia: dados de junho de 2013 mostram que o desmatamento na Amazônia Legal aumentou 437% em relação a junho de 2012.
ResponderExcluirMande sua informação, opinião, comentário ou pergunta para o demografo e ecologista José Eustáquio Diniz Alves aqui para o e-mail do nosso blog: navepad@netsite.com.br
ResponderExcluirSó temos a lamentar, a cupidez por dinheiro, a falta de proteção da floresta por parte do governo, o pouco investimento na proteção, vide os créditos de carbono, cadê as grandes nações europeias que mostram uma tendência ecológica e simpatia pela amazônia também não fornecem ao governo os créditos de carbono. Os caçadores e as madeireiras agem a vontade. Disculpe mas não acredito em tantos anos para acabarem com a floresta, acredito que no máximo em 50 anos ela estará toda no chão.
ResponderExcluir