Um processo de criação de Área de Preservação Ambiental na foz do Rio São Francisco, considerada de valor essencial por técnicos ambientais que estudaram o ecossistema regional, está em curso desde 2003 e ainda não foi finalizado, informam o Ministério Público Federal em Sergipe e também o site de assuntos socioambientais EcoDebate na edição de hoje: "Dez anos de burocracia ou de prevalência de outros interesses que não o ecológico travam a aprovação desta unidade de conservação que já foi tecnicamente recomendada como fundamental", comenta aqui no blog da ecologia e da cidadania - Folha Verde News - o nosso editor de conteúdo, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha. A seguir os principais dados sobre mais este problema burocrático e de falta de gestão pública sustentável, em prejuízo do equilíbrio ou do reequilíbrio do meio ambiente no Brasil e isso, no rio considerado um símbolo do interior do país. O Ministério Público Federal está processando a União e o Estado de Sergipe para que finalizem a criação de uma unidade de conservação que proteja a região do Baixo São Francisco, próximo à sua foz. O projeto de criação da Área de Preservação Ambiental (APA) foi iniciado em 2003 pela União e jamais finalizado, quando então faltava apenas o ato da Presidência da República editando o decreto. A situação continua a mesma até agora, 10 anos depois. Em outubro de 2003, a sociedade Canoa de Tolda, em conjunto com o Conselho Comunitário da Foz do São Francisco, encaminhou ao Ministério do Meio Ambiente, uma proposta de criação de uma Unidade de Conservação de Uso Sustentável – Área de Proteção Ambiental – na região sergipana do Baixo do São Francisco. O projeto passou pela tramitação normal no Ibama, tendo sido realizados os estudos técnicos e consulta pública às comunidades locais, antes de ser aprovado. Este trabalho, resultou na elaboração de uma minuta de decreto presidencial para criação desta Unidade de Conservação. O decreto, entretanto, não chegou a ser assinado e publicado e depois, em 2008, informava
a Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos de Sergipe (Semarh) ao Ministério do Meio Ambiente interesse em assumir a responsabilidade pela consolidação da área de preservação. A Semarh relatou à época ainda haver um decreto estadual de 2004 prevendo a criação da unidade de conservação.
No processo agora, contudo, a Procuradora da República Lívia Nascimento Tinôco explica que o decreto estadual é ilegal encontra-se em desacordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, uma vez que foi publicado sem realização de estudos técnicos e consultas públicas prévias, que são etapa obrigatória. “Restaria impossibilitada a promulgação de um decreto de criação de uma APA, sem percorrer devidamente as fases técnica e de consulta, isto porque estaria desprovido de qualquer parâmetro para a fixação da modalidade e extensão da proteção”, afirmou a Procuradora. Ela frisou ainda que a unidade de conservação de uso sustentável, que se pretende implantar na região, tem como traço marcante a participação ativa da população, tanto em sua criação, com a realização de consultas públicas, como na sua gestão, com a exigência de Conselho, cuja composição possui representação dos líderes das comunidades locais.
Diante disso, o MPF requer, no processo, que seja declarada a nulidade do Decreto Estadual nº 22.995/04, que cria a unidade de conservação da região do Baixo São Francisco no âmbito do Estado de Sergipe. A ação civil pública requer ainda que a União retome o processo de criação da APA que protegerá a foz do Rio São Francisco, tendo em vista que o processo está quase concluído, faltando apenas a edição do decreto presidencial, cabendo portanto esta iniciativa agora à Presidenta Dilma Rousseff. Por outro lado, o MPF também requer que a União seja obrigada a adotar as providências necessárias para a criação e implantação de APA Federal visando à preservação da região da foz do Rio São Francisco. A Procuradora Lívia Tinôco lembra que, além de uma importante diversidade biológica na flora local, a região também é área de desova de tartarugas marinhas, berçário de várias espécies de peixes e fonte de insumos essenciais para a estabilidade de diversas aves migratórias. No processo, o MPF ressalta que esse importante patrimônio natural encontra-se ameaçado por ações humanas e até empreendimentos. A localidade recebe impacto dos empreendimentos energéticos, industriais e agrícolas, como por exemplo, realização de obras públicas, exploração de petróleo, pesca predatória e emissão de poluentes agrícolas. Além disso, ainda há o inchaço urbano da região, bem como o turismo, como, por exemplo, o asfaltamento de rodovias de Pirambu (SE) até a foz, bem como o projeto de construção de ponte ligando os municípios de Brejo Grande (SE) a Piaçabuçu (AL), obras que tendem causar uma exploração desordenada da região. "Todos estes problemas ocorrem na foz do rio que é ícone da natureza do interior do Brasil, o que agrava esta situação de erro ou de desgoverno ambiental", conclui ainda o ecologista Padinha ao postar aqui neste blog estas informações.
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| O São Francisco que nasce por aqui e enfrenta dezenas de problemas ambientais ao longo do seu curso.... |
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| ...agora sofre mais um na foz, causado por desgoverno, burocracia e causando mais ameaças a seu equilíbrio |
Fontes: Ministério Público Federal em Sergipe
www.ecodebate.com.br
http://folhaverdenews.blogspot.com


Esta situação gerou um processo do MPF contra a União e o estado de Sergipe que causaram este impasse ambiental, um problema burocrático e de falta de gestão pública sustentável, em prejuízo do reequilíbrio do meio ambiente no Brasil e isso, em plena foz do rio considerado um símbolo do interior do país.
ResponderExcluirEnquanto se discute se será uma APA estadual ou federal, na prática, não se instala nenhuma área de proteção ambiental na foz do rio São Francisco: o MPF também requer que a União seja obrigada a adotar as providências necessárias para a proteção ecológica ali, a Procuradora Lívia Tinôco lembra que, além de uma importante diversidade biológica na flora local, a região também é área de desova de tartarugas marinhas, berçário de várias espécies de peixes e fonte de insumos essenciais para a estabilidade de diversas aves migratórias. Um importante patrimônio natural encontra-se ameaçado por ações humanas e recebe impacto dos empreendimentos energéticos, industriais e agrícolas.
ResponderExcluirEnquanto o Governo Federal e o de Sergipe discutem quem fará a área de proteção a foz do Velho Chico fica desprotegida diante de ameaças como como por exemplo, realização de obras públicas, exploração de petróleo, pesca predatória e emissão de poluentes agrícolas...
ResponderExcluirO Rio São Francisco, que nasce aqui na macrorregião, na Serra da Canastra, protegido por um parque nacional, enfrenta ao longo do seu caminho por todo o interior do país muitos problemas e ameaças que estão destruindo este símbolo da natureza brasileira: agora, mais um problema, na foz do Velho Chico.
ResponderExcluirA partir de um decreto presidencial, para a instalação de uma APA federal ali na foz, é urgente toda uma série de medidas sustentáveis e socioambientais para recuperar o equilíbrio vital e revitalizar o Rio São Francisco, um dos maiores patrimônios naturais do Brasil.
ResponderExcluirSe o rio ícone do interior do país está assim, imagine o resto de nossa natureza e dos recursos da nossa ecologia, vitais para um desenvolvimento sustentável do Brasil. Mande a sua opinião, informação ou comentário para o nosso blog por e-mail: navepad@netsite.com.br
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