Entre eles destacamos aqui o Dr. Odorico que fez a diferença no trabalho e na vida
Os mais
velhos se lembram de um garoto clarinho, muito vivo e com um sorriso bom. Ele foi no
Champagnat muito participante, tocava na fanfarra, fazia teatro, me lembro dele
se vestindo em casa para uma versão da ópera Barbeiro de Sevilha, a avó e a mãe
que fizeram a roupa, o figurino. Odorico era bom de matemática e de português
também, fazia amizade fácil com a garotada. Porisso, chamou a atenção dos
Padres Maristas do Champagnat, que falaram com a família e o convidaram a ir estudar
no colégio central da instituição no Brasil, em Mendes, no Espírito Santo, onde
se formavam os religiosos desta ordem. Ele foi e ficou lá quase 2 anos,
voltando por saudade dos familiares e amigos, na primeira férias mais longa que
teve, não voltou mais. É o que me lembro desse cara, que desde garoto fazia a
diferença.
Foi assim
também no seu trabalho no Cartório do Jair, na Faculdade de Direito, no
convívio com a família e com os amigos, tinha muitos, até montaram o Clube dos
12. Ele se divertia caçando rã com os amigos. E vizinho do craque da Franca,
Tõe Rosa, desde muito jovem manteve amizade com esta família de esportistas, ia
nos jogos mas não se interessava em jogar, daí talvez nasceu o seu amor pela
Francana. Em casa, nosso pai Jayme Pinheiro Silva, sempre que tinha uma brecha
na Nossa Farmácia, ia aos jogos e até treinos do time, isso também ajudou,
assim como o fato de nosso Tio Manoel (o mais velho da família, o patriarca,
que mantinha na praça central de Franca a Farmácia Modelo), ele havia
sido o presidente do clube em sua época áurea, quando a equipe tinha Tõe
Rosa, Luizinho Rosa, Tim, Tidão, Eca, era um esquadrão de respeito no interior
do país. De toda forma, o Doricada amava a Francana e fez a diferença lá
também, como um torcedor que tentava levar o time à frente, também escrevendo
artigos no jornal Comércio da Franca e dialogando com Jovassi Corrêa Dias,
da Rádio Imperador. Na OAB não
foi diferente: muito atuante e prestativo, se preocupava com o desenvolvimento
profissional dos jovens advogados e deu muita força ao Conselho de Ética,
dedicando-se junto com seus colegas e amigos à entidade que é sempre de
muito valor e cidadania. Hoje, presidida pelo Dr. José Nelson Salerno faz este resgate ao querido Odorico e outros advogados que fazem parte de sua história.
Como
advogado, nosso homenageado também fez diferença, especializado em Direito do Trabalho, mas
com muita cultura e visão de todas as áreas, amor pela profissão, que o consagrou
no Sindicato dos Sapateiros. Foi brilhante também no Sindicato dos
Comerciantes. Esse era o Dr. Odorico, se dava bem com todos, empresários ou
trabalhadores, colocava em primeiro plano o lado humano.
Não foi um
santo e aqui também não se trata de uma cerimônia de canonização.
Mas o
Odorico Antônio Silva, boêmio, que curtia músicas melodiosas e gostava de
ouvi-las em volume baixo no quarto à noite, no quarto que a gente dividiu
por um tempo, antes de eu ir embora de Franca, ele sempre me tratando como se
eu fosse uma criança. A gente ouvia no rádio de noite também os jogos
do Corinthians e fazíamos um ritual de torcedores. Nas vitórias, a gente pulava
a janela e ia comemorar na rua.
Dr.
Odorico, como profissional e como pessoa, foi um líder de cidadania, com
visão humanitária, nem de direita nem de esquerda, muito pelo contrário (como
dizia, imitando Ulisses Guimarães). Era muito ligado e participativo nas
questões da comunidade, mas nunca aceitou dezenas de convites para se
candidatar, poderia ter sido um vereador aqui nesta casa, mas preferia em vez
da política, o trabalho cultural.
Foi
diferente. E a sua alegria, às vezes de palhaço, imitando o Odorico Paraguaçu,
faz falta por onde passou. Severo, ele tentava com bom humor atenuar suas
críticas e desavenças, priorizando a lealdade e o valor humano das pessoas,
desde autoridades a um simples varredor do Forum. Na família, se destacava pela
sua inteligência e carinho aos filhos. A sua inteligência, eu acho que foi
maior, ele tinha a perspicácia daqueles que buscam a sabedoria da vida, algo
que aproxima a gente de Deus. Querido, perspicaz nas suas decisões, inteligente
a todo o tempo, amigo, Dr. Odorico anda fazendo muita falta. Ele continua
fazendo a diferença em nossas vidas. Agora, por não estar fisicamente aqui no
dia a dia do nosso lado. (Antônio de Pádua, ecologista Padinha)
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| Foto recente do Odorico Antônio Silva, advogado ligado à OAB |
Fontes: 13ª Subseção da OAB Franca
folhaverdenews.blogspot.com

Em termos esportivos, Dr. Odorico era um dos raros corinthianos...verdes, pois a outra paixão sua era a Francana. Ele que nunca jogou bola, conviveu com craques como Tonho Rosa, curtia muito este esporte e sabia todas as estratégias e táticas de jogo, se ligava na arte e na cultura da bola, a mais popular aqui no país do futebol.
ResponderExcluirFã das músicas de Frank Sinatra e de canções melodiosas, também italianas, curtia muito as letras das músicas brasileiras, outra paixão cult de sua vida. Sua vida que foi dedicada em extremo ao trabalho, em especial, em Direito, atuando no mais das vezes em causas trabalhistas no Sindicato dos Sapateiros em especial.
ResponderExcluirSua devoção aos direitos dos trabalhadores e à busca da Justiça era uma forma de orar no dia a dia: ele me disse que trabalhando se sentia em paz e se aproximava de Deus, como numa oração: "A busca da justiça é o que dignifica qualquer pessoa", dizia sobre isso.
ResponderExcluirUm detalhe a mais: Dr. Odorico não gostava de se vangloriar de suas vitórias no Fórum e nem na vida, buscava ser humilde e era sempre crítico da realidade e de si mesmo. "Bela roba", falava sobre a sua decantada inteligência, falava isso no dialeto vêneto de sua avó Ignês Furini Marangoni.
ResponderExcluirUma forma de resgatar o valor e a memória do Dr. Odorico e levar adiante os seus ideais de vida, por exemplo, criticando e buscando um avanço da nossa realidade.
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