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domingo, 13 de fevereiro de 2011

A "PELADA" NA ERA DO FUTEBOL BUSINESS

Se acabar a pelada ou a liberdade de brincar com a bola será o fim do futebol arte?

Editor deste blog e peladeiro, Padinha responde a esta pergunta com outra: o futebol está em extinção?

O futebol está tão comercializado que camisa de time ou nacionalidade ou amor pela equipe e até o prazer de jogar bola, além de vários outros conceitos do mundo futebolístico já mudaram: se Roberto Carlos aos 38 anos usa o alibi da perseguição de parte da torcida do Timão para sair do Brasil e ir ganhar 20 milhões de dólares na Rússia nos 2 últimos anos de sua carreira, por que Ganso, aos 21, não pode mudar de clube, por conta de alguns 7 ou 8 milhões de reais a mais que o Santos preferiu investir somente em Neymar? A lógica financeira está predominando, veja também o Ronaldo S/A, a estrutura de superstar de Ronaldinho Gaúcho no endividado Flamengo e outros casos que não são exceção e sim a nova regra do futebol business.

O atleta vai ter que ser grande ser humano para sua arte sobreviver numa estrutura destas, é ou não é? Jogar na várzea e na praia é mais gostoso, porque também não tem este clima de overdose financeira ou megamerchandising. Garrincha jogava pelada em pleno Maracanã. Hoje nem um cabeça de bagre pode fazer isso nem ao menos num anônimo estádio da Série C do Brasileiro…
O último peladeiro que fez sucesso nesse negócio chamado futebol foi Sócrates. Aliás, a Seleção de 82, dirigida pelo Mestre Telê Santana, foi o maior show de bola na Copa do Mundo na Espanha e perdeu o título para um selecionado medíocre, mesmo tendo no Brasil o futebol-arte de Toninho Cerezzo, Sócrates, Zico e companhia. Surgiu este espécime raro de repente agora no Corinthians, um jogador peruano que joga de forma tão irreverente e indisciplinada, que se destaca, Luiz Cachito Ramirez, talvez o último peladeiro do futebol business de hoje. A não ser que a geração de Neymar, Dentinho e Ganso supere este dilema...
Levanto ainda uma outra questão: Pelé, símbolo maior do talento no futebol brasileiro e mundial, pois é, se Pelé, a palvra, vem de pelada, então estamos perdidos.
Será mais fácil encontrar flashes de genialidade com a bola num rachinha de crianças na rua ou num bate-bola de praia na praia ou na aldeia de índios do que no estressado futebol profissional, marcado pela correria, super-performance física, tensão em excesso, stress e até violência demais nas jogadas. A violência maior vem de fora do campo, desta estrutura supercomercial do futebol atualmente.
Só mesmo um ser humano maior será capaz de driblar toda esta estrutura e bater um bola com liberdade e alegria. Ou seja, hoje no futebol business quem sabe, talvez, ao invés de a cada mil, um, como é o dito popular, atualmente a cada 1 milhão de futebolistas, a gente possa encontrar só uma meia dúzia de craques da bola. Capazes até de superar os limites da cultura futebol de agora e do futuro, estes últimos peladeiros do mundo serão mais do que superatletas (hoje já existem milhares deles por aí): somente escaparão os seres humanos que não se deixam escravizar por dinheiro ou os loucos da bola, santificando
de vez este esporte, ícone do país do samba, do carnaval  e da ginga.



A geração Neymar vencerá o dilema?


No Brasil de 100 milhões de futebolistas vai morrer a pelada?

Jogar descalço e com ginga leva à arte da bola?

A liberdade e a alegria de jogar acabou?

A pelada só sobrevive nos rachas das aldeias e das ruas?

No país do futebol este dilema significa crise no futebol?

Na tradição de Garrincha e Sócrates, Ramirez e Neymar são alguns dos últimos peladeiros da bola?



Fonte: http://folhaverdenews.blogspot.com/

Um comentário:

  1. No domingo de sol está meio que raro ver a arte da bola no país do futebol. A pelada está morrendo ou é o futebol-arte? Dentro do universo do futebol business de hoje gênios como Garrincha, Pelé e Sócrates sobreviveriam agora? E realmente, cabe mais a última questão do repórter, ecologista e peladeiro Padinha: o futebol está em extinção? Há indícios que sim.

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