A entrevista de Cássio Freires na Faculdade de Jornalismo da Universidade de Franca com o ecologista Antônio de Pádua Padinha (editor do blog Folha Verde News) questiona alguns problemas da área socioambiental que ocorrem simnultaneamente em várias cidades e regiões do interior paulista e brasileiro: publicamos esta matéria do repórter da Rádio Imperador AM, que edita também o seu próprio site de jornalismo, entrevista que foi realizada na Unifran, como um estímulo aos debates no setor de resíduos sólidos, recuperação do equilíbrio ambiental, novas alternativas tecnológicas e criação de um futuro sustentável no país. Na realidade, na maior parte dos municípios brasileiros a situação socioambiental é pior ainda do que este quadro crítico aqui apresentado, Franca tem grande porcentagem do seu esgoto e água tratadas, já implantou cerca de 70% do tratamento dos efluentes nos curtumes de couro, mas sem um avanço radical na recuperação do equilíbrio do meio ambiente, mesmo assim, está longe de um desenvolvimento de verdade, sustentável, equilibrando o avanço da economia com a proteção ecológica, sem este reequilíbrio ambiental, as chances de futuro de qualquer cidade estão bastante ameaçadas.
| Aqui, Cássio Freires e Padinha ao centro da foto em um encontro na Faculdade de Jornalismo da Unifran |
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| A reciclagem, precisa se tornar um processo industrial e de educação ambiental |
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| A proteção dos recursos naturais simultânea ao avanço econômico cria o futuro sustentável |
CF-Qual é a sua opinião sobre o Plano Nacional de Resíduos Sólidos?
Padinha- Poderia ser melhor se a sociedade civil, em especial ambientalistas e cientistas, tivessem participado de sua elaboração e não somente técnicos do Ministério do Meio Ambiente. O que há de bom no Decreto 7.404 do MMA é que a cada 4 anos ele pode ser reavaliado, podendo então ao longo dos 20 anos de sua validade serem corrigidos erros ou limites da política nacional do setor, isso, se houver democracia e cidadania nas audiências públicas de avaliação, parece que em 2014 haverá uma, isso precisa ser melhor divulgado e mais discutido na Nação.
CF-Como você avalia o sistema de coleta de lixo em Franca ? Lixo comum e reciclado.
P - O Aterro Sanitário que substituiu o terrível Lixão já nasceu como uma tecnologia obsoleta, defasada, a ciência ambiental tem outras soluções mais contemporâneas (como o tratamento químico do lixo com geração de subprodutos que geram recursos para o setor). Por sua vez, há uns 20 anos havia um movimento cultural e educação ambiental ajudando o processo de reciclagem, que vem diminuindo, diminuindo, diminuindo em vez de crescer nestes anos sem um programa sustentável nesta área fundamental para o ambiente e a saúde pública.
CF-Quais são suas dicas para a elaboração de um trabalho envolvendo jornalismo e educação ambiental ,voltado aos alunos da rede municipal e estadual ?
P - Usar uma linguagem de comunicação que consiga mobilizar a garotada, por exemplo, Quadrinhos e Internet, shows de Música e de Teatro também, motivando uma visão ecológica da nova geração que pode criar um futuro sustentável.
CF-Franca necessita de uma secretaria municipal exclusivamente voltada as questões ambientais da cidade ?
P - Com certeza, deveria existir uma secretaria municipal de Meio Ambiente e mais, com verba e estrutura ao mesmo nível da Secretaria de Planejamento ou a Secretaria de Obras, em busca de se criar na cidade um equilíbrio entre a economia e a ecologia, o tal de desenvolvimento sustentável.
CF-Você tem conhecimento sobre o processo de funcionamento do aterro sanitário de Franca ? Tem informações sobre lixões na cidade ?
P - Sim, fiz matérias, participei de audiências públicas, contrapuz o modelo de Aterro Sanitário com de outras alternativas científicas mais contemporâneas, ao mesmo tempo mais ecológicas e mais econômicas, como a proposta da Química Drª Joana D’Arc Félix de Sousa, premiada em 1º lugar em Harvard e desprezada equivocadamente em Franca.
CF-Qual a avaliação que você faz sobre as políticas públicas voltadas ao meio ambiente em Franca?
P - Burocráticas, medíocres, sem uma discussão aberta com especialistas do setor e sem um processo de discussão com a comunidade, com a cidadania, nem ao menos educação ambiental, verba reduzidíssima, é a coordenadoria com menores recursos embora seja a área atualmente de maior importância em qualquer lugar do mundo.
CF-Se você fosse o secretário municipal do meio ambiente , quais as ações que você desenvolveria na cidade de Franca ?
P - Basicamente estas indicadas na resposta anterior, ou seja, quase o contrário do que vem seja feito há anos, enquanto o processo de desequilíbrios socioambientais avançam a 1000 por hora, as políticas públicas do setor estão devagar, quase parando.
CF-O francano joga muito lixo nas vias públicas , como resolver essa questão ?
P - Educação ambiental, um programa que use recursos e linguagem de comunicação, como quadrinhos, música, teatro, internet, além de estímulos da mídia a exemplos positivos de cidadãos e cidadãs que fazem o que deve ser feito pela ecologia, pela saúde ou pelo reequilíbrio socioambiental da comunidade.
CF-Como tem sido o trabalho dos jornalistas especializados na questão meio ambiente no Brasil ? Falta profissionais nessa área ?
P - Está cada vez mais despertando maior interesse de jovens profissionais as questões socioambientais e como vivemos uma época sem censura política (apenas algumas formas de censura econômica ainda existem na realidade), este fato favorece a formação de uma nova geração de repórteres ambientais que na prática são contemporâneos do futuro que coletivamente precisamos criar em cada cidade ou país.
CF-Como você analisa o trabalho da imprensa francana voltada às questões ambientais do município?
P - Frágil, em termos de quantidade de matérias e em especial de qualidade de informação ou oportunidade e alcance do enfoque, na mídia tradicional, quase inexistente, uma ou outra TV, uma ou outra rádio, os jornais se calaram, sobram os blogs, os sites, as redes sociais como avanço de informação socioambiental.
CF-Sobre a coleta de lixo, você acha que a imprensa de Franca deveria fazer uma trabalho investigativo devido as inúmeras reclamações?
P - Com certeza, estimulando também uma retomada da coleta seletiva, que inclui um programa de educação ambiental, sem a participação da comunidade não vinga.
CF-Como trabalhar fotojornalismo e lixo?
P - Na minha ótica, basta ligar a câmera nas ruas, mas também pode ao invés de sujeira e poluição se fazer o caminho contrário, mostrar casos positivos de limpeza, higiene, prática ecológica e vida saudável para estimular mudanças na realidade.
CF-Franca tem mercado para publicações sobre as questões ambientais?
P - Tem sim, como na maioria das cidades do interior, isso, desde que ela tenha abertura para variados setores da comunidade, em especial, especialistas, como cientistas, médicos, ecologistas, tendo mais ou menos a diretriz editorial que pode ser captada na resposta anterior, nas respostas anteriores, fazer algo para mudar e avançar a nossa realidade socioambiental, com a meta de se criar um futuro sustentável, equilibrando o avanço da economia com a proteção da última ecologia urbana.
CF-Que avaliação que você faz das mídias eletrônicas , sites , blog , facebook , youtube , voltadas à imprensa e meio ambiente?
P - Estão vivenciando um boom no momento, nas redes sociais é o assunto nº 1 quase todos os dias em número de postagens, meio ambiente, lutas socioambientais, criação do futuro são temas bombando na web cada vez mais, graças à liberdade de informação deste meio e a velocidade com que se pode comunicar.
Fontes: www.cassiofreires.com
http://folhaverdenews.blogspot.com


Segundo levantamentos da Abrelpe, no Brasil as cidades do sul e do sudeste são as que melhor resolvem estes problemas socioambientais, mesmo assim, em parte, poderia ser muito melhor com uma gestão socioambiental e sustentável.
ResponderExcluirAinda segundo a Abrelpe, no norte do país há 81 aterros e 263 lixões, no nordeste brasileiro, 431 aterros e 866 lixões, no centroeste a situação está menos resolvida ainda (apenas 146 aterros sanitários e ainda 174 lixões), enquanto no sudetes há 793 aterros, no sul, 687, nestas regiões continuam existindo lixões, 245 e 140 respectivamente.
ResponderExcluirDentro da luta para avançar o setor socioambiental do país acontece em breve em Brasília um seminário nacional de resíduos sólidos, iniciativa do deputado federal José Luiz Penna (PV), que agora preside a Comissão de Meio Ambiente da Câmara Federal.
ResponderExcluirCitada na entrevista a doutora em Química, professora de pós-graduação da USP em São Paulo, Joana D'Arc Felix de Sousa, que desenvolveu um sistema químico de tratamento do lixo que resulta também em subprodutos (que geram recursos para o setor) e que é uma alternativa mais econômica e mais ecológica do que os tradicionais Aterros Sanitários: o seu projeto foi inclusive premiado em 1º lugar nos States na Universidade de Harvard.
ResponderExcluirEm relação à Política Nacional de Resíduos Sólidos, o decreto 7.404 do Ministério do Meio Ambiente é a cada 4 anos reavaliado, podendo então ao longo dos 20 anos da implantação desta legislação ser atualizado em termos de tecnologias e procedimentos, desde que as audiências públicas sejam bem divulgadas, para a participação de cientistas, ecologistas e pesquisadores também da sociedade civil e não apenas governamentais.
ResponderExcluirMande informações e comentários sobre o problema dos resíduos sólidos em sua região ou sobre a questão socioambiental do lixo na sua cidade para nosso levantamento, apenas começando. Vc pode enviar para o e-mail da redação deste blog navepad@netsite.com.br
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