PODCAST

domingo, 26 de maio de 2013

ECONÔMICA E ECOLÓGICA A ENERGIA DOS VENTOS ESTÁ EM EXPANSÃO EM TODO PLANETA


Mas no Brasil 32 dos 71 parques eólicos não funcionam: falta linha de transmissão da energia

Com base em reportagem que está no site de assuntos socioambientais - ecodebate -  e na matéria de Gero Rueter, da Agência Deutsche Welle, DW, abrimos o nosso blog da ecologia e da cidadania para divulgar e debater a alternativa energética das usinas eólicas: "No Brasil tem havido problemas na demora, na própria instalação e na operação e uso da energia destas usinas mas são dificuldades que podem ser resolvidas, temos um potencial de ventos fora do comum e uma necessidade urgente de uma opção energética ao mesmo tempo econômica e ecológica, para haver um país sustentável", comentou aqui no Folha Verde News o nosso editor de conteúdo, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha. Já se sabe que cerca de cem países já produzem esta energia mais barata e de menos impacto ambiental, Ásia, América do Norte e Europa Ocidental são mercados em expansão, mas Leste Europeu e América do Sul, incluindo o Brasil, concorrem. Nunca se construiram tantas unidades de  produção de energia eólica no mundo desde 2012, de acordo com um relatório divulgado na semana passada em Bonn, no oeste da Alemanha, pela World Wind Energy Association (WWEA, Associação Global de Energia Eólica). A capacidade total das unidades eólicas construídas no ano passado chegou aos 45 gigawatts (GW), enquanto em 2011 havia sido de 40. Segundo Stefan Gsänger, secretário geral da WWEA, a capacidade eólica instalada no planeta somou 282 GW em 2012. O número cobre 3% da demanda mundial de energia. O documento  da WWEA ressalta que os investimentos no setor são constantes, no ano passado, recebeu 60 bilhões de euros no mundo todo. Os líderes da expansão são a China e os Estados Unidos. Só no ano passado, os dois países construíram usinas capazes de gerar, juntas, 13 gigawatts. Atualmente, a China tem potencial para gerar 75 gigawatts, sendo a líder de produção de energia eólica no mundo. Os EUA vêm em segundo lugar, com capacidade instalada de 60 gigawatts. A Alemanha ocupa o terceiro lugar, com capacidade instalada de 31 gigawatts. A projeção do ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Peter Altmaier, é de que a ampliação da capacidade de produzir energia a partir do vento continue no país em 2013 e 2014. O crescimento estimado é de 3 a 5 gigawatts nesse período. O relatório da WWEA indica também que, no Leste Europeu e na América Latina, é nítida a expansão da energia eólica. Na Romênia, Ucrânia, Polônia, Estônia, Brasil e México houve aumento de 40% nos investimentos e na construção de novas unidades dessa eletricidade que já é chamada de verde. Como motivos para a expansão, Gsänger enumera o preço mais barato, a atenção dos governos aos impactos ambientais e o desejo de “reduzir a dependência de importações de energia com a eletricidade gerada localmente”. Gsänger enxerga duas tendências no crescimento global de energia eólica: em primeiro lugar, as unidades estariam maiores e com mais capacidade de produção. A segunda tendência seria um número maior de sistemas de pequeno porte para abastecer apenas uma casa ou vila. Na Alemanha, haveria uma tendência de construir os chamados “aerogeradores” sobre torres mais altas. Assim, os geradores integrados aos cataventos podem gerar eletricidade a partir de uma corrente de ar mais leve. Com menos vento, a produção continua sendo rentável. Os alemães estão na vanguarda dessa tecnologia e segundo Gsänger, ela já está sendo adotada em outros países. O secretário-geral da WWEA disse ainda que um quilowatt (KW) de eletricidade gerada a partir da energia eólica custaria entre cinco e dez centavos de euro. Um preço muito competitivo na comparação com outras fontes. “Uma nova usina de carvão, ou nuclear, vai ser bem mais caro do que a de vento, levando em conta todas as despesas”, analisa Gsänger. Nas próximas duas décadas, de acordo com ele, um aumento de dez vezes na produção de energia eólica é “perfeitamente possível”. Se a demanda mundial por energia ficar no mesmo nível, a energia eólica poderia ser responsável por 30% da eletricidade produzida no mundo. A Dinamarca foi o primeiro local onde a ideia saiu da teoria. “Houve integração dos vários tipos de energia, o que tem funcionado muito bem. E os dinamarqueses ainda usam a força do ar para aquecimento”, diz Gsänger: a energia eólica que sobra é redirecionada para a rede de calefação urbana. Embora a energia eólica esteja entre as fontes de energia mais em conta, Gsänger afirma que uma remuneração mínima estabelecida por lei ainda é necessária para financiar novas unidades de produção. Na Turquia, por exemplo, o preço estabelecido por lei fica abaixo daquele que é pago pela energia eólica na bolsa. “Mas essa taxa fixa é importante para que os planejadores de novos parques eólicos consigam empréstimos dos bancos para financiar as novas unidades.” Outra ideia é envolver a comunidade. Na Europa central e do norte, muitos parques eólicos são de propriedade da população local. Gsänger acredita que o envolvimento dos cidadãos é um elemento a mais para a causa ganhar força e aceitação. “Eles sabem que eles também podem ser beneficiados”, afirma Stefan Gsänger, secretário geral da WWEA.

Opção energética aprovada e crescente em todo o mundo, no Brasil enfrenta problemas "colaterais" de gestão

Alguns problemas das primeiras usinas eólicas brasileiras que atrapalham esta energia sustentável no paísApesar de não queimarem combustíveis fósseis e não emitirem poluentes, fazendas eólicas não são totalmente desprovidas de impactos ambientais. Elas alteram paisagens com suas torres e hélices e podem ameaçar pássaros se forem instaladas em rotas de migração. Emitem um certo nível de ruído (de baixa freqüência), que pode causar algum incômodo. Além disso, podem causar interferência na transmissão de televisão. Um impacto bem menor do que o provocado pelas termoelétricas, usinas nucleares e projetos de megahidrelétricas como estão sendo programadas até no Pantanal e na Amazônia. Se o custo dos geradores eólicos é ainda elevado, porém o vento é uma fonte inesgotável de energia. E as plantas eólicas têm uma retorno financeiro a um curto prazo. Para a especialista Marilia Bugalho Pio, "há alguns processos judiciais e reclamações quanto aos impactos ambientais provocados pela energia eólica levantando a polêmica: afinal, este tipo de energia é mesmo positiva para a economia e o meio ambiente? Em tempos de preocupação com o meio ambiente as questões de desenvolvimento sustentável e de matriz energética renovável ganham destaque mundial". O Brasil, que já foi apontado por um estudo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente como maior mercado mundial de energia renovável – apresenta-se como grande expoente no mercado de energias renováveis, tendo atraído a atenção de investidores estrangeiros e encontrado respaldo governamental por meio da realização de leilões em que se comercializa energia oriunda de fontes renováveis, a exemplo das eólicas, da biomassa e das PCHs (pequenas centrais hidrelétricas), energias verdes. A grande estrela das fontes renováveis no Brasil tem sido inquestionavelmente a energia eólica. Nos dois leilões realizados em agosto de 2010 (leilão de energia de reserva e leilão de fontes renováveis), 70% da energia negociada provém dos ventos. Recentemente circularam notícias, principalmente pela Internet, de ações judiciais e queixas sobre poluição sonora e visual, sobre desvalorização imobiliária das propriedades vizinhas dos gigantes cataventos, alteração nos componentes geoambientais (água, solo, morfologia, topografia e paisagem), alteração dos fluxos das marés e até alegações mais extremas como a que atribui aos sons e vibrações dos aerogeradores impactos fisiológicos como taquicardia, náuseas e visão turva. Analisar a veracidade ou não de tão drásticas alegações (até mesmo porque para isso são necessários dados técnicos e científicos até agora inexistentes), mas alertar para os extremismos das expressões e afirmações. "Em vez de erguerem-se bandeiras antiventos e alçarem-se vozes contrárias à instalação de parques eólicos, há que se exigir o estabelecimento de critérios técnicos que conduzam a diligências eficazes e conscientes para diminuir eventuais impactos sobre o meio ambiente", analisa ainda Marilia Bugalho Pio. Ela explica também que falta no Brasil uma padronização para estabelecer criterios únicos e seguros também para a mitigação dos impactos ambientais. Assim, por exemplo, é exigência de EIA (Estudo de Impacto Ambiental) e seu consequente RIMA (Relatório de Impacto Ambiental) ao invés de RAS (Relatório Ambiental Simplificado) para a concessão das indispensáveis licenças ambientais para as instalações dos parques. Pelo país há órgãos ambientais que exigem o EIA e o RIMA ao passo em alguns estados se contentam com o RAS. Será suficiente? De toda forma, o alastramento de parques eólicos parece inevitável. Estudo do Conselho Mundial de Energia Eólica (GWEC) aponta que a energia eólica deverá atender 12% da demanda elétrica mundial em 2020, podendo chegar a 22% em 2030. Em 20 anos estima-se que serão gerados três milhões de empregos diretos e indiretos ligados à energia eólica (atualmente são 600 mil trabalhadores). O meio ambiente, por sua vez, será beneficiado na próxima década com 1,5 bilhão de toneladas anuais de dióxido de carbono que deixará de ser lançado na atmosfera. A tendência de ampliação de aerogeradores espalhados pelo mundo, e em especial no Brasil, revela-se também pela ampliação da competitividade da “indústria eólica” na medida em que essa indústria já vem se desenvolvendo, tanto no aspecto tecnológico quanto no econômico. A energia eólica, que até há poucos anos era proclamada como proibitivamente cara, no último leilão já alcançou patamares inferiores aos preços das PCHs. Todos esses fatores indicam como tendência crescente o desenvolvimento do setor eólico. Mas um outro problema que pode se citado é que em regiões onde o vento não é constante, ou a intensidade é muito fraca, obtêm-se pouca energia e quando ocorrem chuvas muito fortes, acontece um desperdício de energia. Outra dificuldade, 32 parques eólicos estão parados à espera das linhas de transmissão de energia. Quase metade das usinas licitadas no primeiro leilão de energia eólica do Brasil está pronta sem poder gerar um único megawatt (MW) de eletricidade. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram que 32 dos 71 parques eólicos leiloados em 2009 estão parados por causa da falta de linhas de transmissão. E todos já sabem que a conta do atraso quem vai pagar será o consumidor, quando as linhas de transmissão estiverem finalmente funcionando. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) entende que a estatal tem de ser responsabilizada pelo atraso na entrega de três sistemas de transmissão, que incluem as subestações e as linhas. São elas: Acaraú II, Igaporã e João Câmara. Até agora, a Aneel já emitiu três autos de infração contra a estatal, no valor de R$ 10,9 milhões. Na penúltima reunião da diretoria, a agência autorizou a Procuradoria-Geral da República a entrar com uma ação judicial contra a Chesf. Segundo o diretor da Aneel, Romeu Rufino, a idéia seria pedir uma indenização à empresa para não onerar o consumidor. "Ela foi a causadora dos prejuízos. Portanto, tem de assumir a responsabilidade. Não é justo o consumidor pagar por algo que não tem culpa."

As eólicas são uma tecnologia já desenvolvida e o Brasil precisa aperfeiçoar e agilizar a sua implantação

ww.ecodebate.com.br
www.ambientebrasil.com.br
www.ambientenergia.com.br
www.anacebrasil.org.br
http://folhaverdenews.blogspot.com

6 comentários:

  1. Apesar do Brasil ter um maior potencial em termos de energia eólica, países como a China e os Estados Unidos avançaram mais na sua implantação, por aqui poderiam estar sendo gerados milhares de empregos pelos parques eólicos, que garantem uma estrutura energética com menos agressão ambiental.

    ResponderExcluir
  2. De positivo, é que aumentaram em 40% ós investimentos no Brasil em energia eólica, de negativo, são problemas de gestão e de implantação, como a demora de se implantarem linhas de transmissão, quase a metade dos parques eólicos brasileiros estão parados por causa deste detalhe...

    ResponderExcluir
  3. Por ser ao mesmo tempo econômica e ecológica é que a alternativa de usinas de energia eólica está em grande expansão mundial, porém, há boicotes e até má vontade em relação à implantação dos parques eólicos, talvez em função dos megainteresses em torno das termoelétricas, dos projetos de gigantescas hidrelétricas e até de usinas nucleares, que já são vistas pela ciência como uma tecnologia obsoleta.

    ResponderExcluir
  4. Os problemas políticos ou dos lobbies, bem como os de implantação no Brasil não tiram o impacto muito positivo das informações sendo divulgadas no planeta pela Agência Deutsche Welle, DW,e pelo site socioambiental EcoDebate no Brasil: realmente, as usinas eólicas são o futuro em termos energéticos, lado a lado com a energia solar e outras opções sustentáveis que ainda estão em desenvolvimento.

    ResponderExcluir
  5. No Brasil há estudos de pesquisadores universitários e jovens cientistas que mostram que, além de gerarem energia sem agredirem tanto o meio ambiente, os parques eólicos podem ajudar a captação de água em lugares remotos do sertão e do nordeste do país, sofrendo o drama da seca.

    ResponderExcluir
  6. O site iG faz matéria nesta terça-feira, 28 de maio, informando que já aumentou de 71 para 115 parques eólicos no Brasil, tendo a tendência de aumento de 40% de avanço nesta energia limpa no país: a previsão da Abeeólica é que a capacidade instalada no uso dos ventos para produzir energia elétrica cresça 141% em 2013, na comparação com 2012, chegando a 6 gigawatts. Ainda de acordo com a associação, o setor pode receber investimento de até US$ 10 bilhões entre 2013 e 2017.

    ResponderExcluir

Translation

translation