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quinta-feira, 11 de abril de 2013

PLANTE COMIDA E NÃO GRAMADOS: ALTERNATIVA PARA MUDAR A REALIDADE

Agricultura Urbana para avançar as cidades: aqui resumo do artigo de André Aroeira Pacheco


Apresentamos aqui no blog da ecologia e da cidadania parte do texto do biólogo e mestre em Ecologia, André Aroeira Pacheco, escrito agora no site de assuntos socioambientais EcoDebate, "nossa visão é a de divulgar esta proposta que tem o potencial de mudar a realidade e a qualidade de vida em qualquer espaço urbano, ampliando as chances da gente ecologizar a vida na atualidade, o que é um superdesafio hoje", comenta aqui o repórter e ecologista Padinha, editor de conteúdo do blog Folha Verde News. Confira.

Este tipo de agricultura urbana já é uma realidade em Genebra, na Suiça
 Já faz algum tempo que a página Grow food, not lawns vem sendo a minha favorita no Facebook. Um misto de paz, otimismo e boas intenções em um mar de caos, futilidades e ostentação que caracteriza a rede social, talvez o preço que temos de pagar para ter acesso a ferramentas importantes de descentralização de informação e aprendizado (pra quem quer). Mas a imagem que eu vi numa quarta-feira dessas pra trás foi um tanto impressionante, mesmo para o alto nível de conteúdo da página, que se baseia em uma proposição simples ao seu público de 250.000 curtidores de todo o mundo: plante comida, não gramados.A primeira reação ao ver esta imagem de Genebra é simples de descrever: “Minha nossa, é assim que tinha que ser!!!”. Vamos esquecer que estamos falando da Suíça, imaginar que esse exemplo é perfeitamente replicável em qualquer lugar do Brasil e tentar responder uma pergunta simples: quais as vantagens de ter uma cidade ou um bairro planejados desta forma?...Em primeiro lugar, como o próprio nome implica, a agricultura urbana traz um benefício explícito, a produção local e descentralizada de alimentos. Isto significa dizer que as pessoas plantam sua própria comida, ou boa parte dela, e não têm muitos problemas para sobreviver ainda que estejam em épocas de crise (ou até desempregados). Com toda certeza, podemos dizer também que a qualidade nutricional destes alimentos será sensivelmente melhor, pelo simples fato de que quem planta o que vai comer o faz da melhor maneira possível, o que ninguém pode garantir quando a produção é feita por terceiros. Este terceiro pode estar cuspindo, urinando ou pior – e mais comum – envenenando sua comida na tentativa de não perder uma única folha da safra e maximizar o lucro. Ainda assim, na agricultura urbana, você tem a opção de terceirizar essa produção: já pensou no lado mais romântico de dar essa responsabilidade para seu(s) filho(s), desenvolvendo nele(s) de forma definitiva um senso (necessário) de responsabilidade e respeito à natureza? É certamente benéfico – e divertido – para uma criança, fugir da televisão, da internet e do videogame e conhecer o mundo real, ser responsável pelo jantar da semana que vem, ver seu trabalho dando frutos, entender de fato de onde vem a comida, criar uma conexão com o meio natural ao qual pertence (talvez os pais também estejam precisando dessas lições). Ainda, comer coisas realmente saudáveis, plantar e colher flores, árvores, resgatar as sementes, plantar tudo de novo no mês que vem.. Este trabalho terapêutico de poucas horas diárias pode envolver muito mais, um idoso, os vizinhos, uma ‘gangue’ de crianças da rua e do bairro, algumas crianças com necessidades especiais, um autista. E ainda vai economizar uma grana pra família. Pensando em uma escala maior, os benefícios da agricultura urbana também podem ser maiores. Em um país como o Brasil, que manda diariamente para lixões ou aterros, comida suficiente para alimentar 20 milhões de pessoas com as três refeições, uma simples composteira poderia resolver o problema da disposição final do desperdício. Os resíduos orgânicos gerados no preparo ou no desperdício em casa seriam mandados de volta para o ‘jardim’ e, reciclados, alimentariam as próximas ‘safras’, economizando no transporte de comida para os aterros e lixões, na superlotação precoce destes e na decomposição de matéria orgânica em ambiente anóxico, que gera gases de efeito estufa muito piores que o CO2. Advém ainda deste cenário a possibilidade de que quem se preocupa com resíduos orgânicos talvez se preocupe com resíduos recicláveis por uma simples mudança de mentalidade, dando um fim (ou um novo início) adequado este tipo de material (na página GFNL são ensinadas milhares de maneiras de se reaproveitar estes materiais na própria horta, vale dar uma olhada). O alívio na cadeia de resíduos da cidade e consequentemente no meio ambiente podem ser extraordinários. E dando um passo além e pensando ainda em maior escala (ou menor, como preferem os geógrafos, já que o denominador da fração é quem aumenta), a agricultura urbana representa também um incremento de justiça social e econômica. Com a reforma agrária inacreditavelmente empacada em países como o Brasil há décadas, essa atividade pode se transformar em fonte alternativa de renda e levar à descentralização da produção de alimentos, que tem causado genocídio (inclusive cultural), concentração de renda, destruição ambiental e êxodo rural, aliados ao aumento do trabalho escravo, muitas vezes característicos da agricultura industrial (o agronegócio). Ainda, as menores distâncias entre produtores, agora na cidade, e consumidores, fortalecem os mercados locais, contribuindo também para a distribuição de renda e diminuindo a necessidade de transporte, notável poluidor e responsável por perdas substanciais da produção. No mundo todo são crescentes as iniciativas de criação de hortas comunitárias no lugar de praças abandonadas (ou praças de esportes etc) em comunidades pobres, e as vantagens nutricionais, ambientais e socioeconômicas desses modelos têm dado ótimos retornos. (Parte do texto de André Aroeira Pacheco, caso você tenha se interessado por esta alternativa ecológica consulte as fontes indicadas aqui ao final da postagem).


A agricultura urbana hoje é um movimento internacional de agrônomos e de ambientalistas

Em alguns locais como no morro de Santa Tereza no Rio de Janeiro já há um embrião disso
Fontes: www.ecodebate.com.br
             https://www.facebook.com/GrowFoodNotLawns
             http://www.bancodealimentos.org.br/o-desperdicio-de-alimentos-no-brasil/
             http://www.ecodebate.com.br/2012/04/13/enchentes-em-sao-paulo-governador-e-preciso-virar-a-mesa-artigo-de-alvaro-rodrigues-dos-santos/
             http://marte.dpi.inpe.br/col/dpi.inpe.br/sbsr@80/2008/11.17.16.32.46/doc/707-714.pdf
             www.bolapramata.blogspot.com
             http://folhaverdenews.blogspot.com

8 comentários:

  1. Esta alternativa Grow food, not lawns que é o tema do biólogo e mestre em Ecologia André Aroeira Pacheco não é nada fora do possível e do necessário no Brasil: no Rio de Janeiro, só para citar um exemplo, a Secretaria do Verde de Carlos Minc desenvolve nos morros o embrião de algo similar à agricultura urbana.

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  2. Este artigo de André Aroeira Pacheco, publicado na íntegra na edição atual do site EcoDebate, é nada menos do que uma revolução urbana e ecológica, inteiramente possível e até necessária em quaisquer cidades do Brasil.

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  3. Entre nos webespaços indicados como fonte nesta postagem aqui do nosso blog da cidadania e da ecologia e levae adiante esta proposta de plantar alimentos e não gramados em sua cidade também.

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  4. Queremos desde já parabenizar André Aroeira Pacheco e colocar nosso blog Folha Verde News à disposição destas informações sobre agricultura urbana que na verdade são uma forma objetiva de ecologizar ou de reecologizar a vida da população nas cidades.

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  5. Ainda neste ano, postamos aqui no nosso blog matéria sobre a iniciativa da equipe verde de Carlos Minc no Rio (plantio de árvores nativas e hortas nos morros e periferias cariocas), bem como, também, informação sobre arquitetura verde, a tendência de se inserir nas cidades construções com elementos da natureza brasileira.

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  6. Há quase 20 anos atrás, fiz reportagem para a TV da iniciativa de um zelador ou síndico do grande prédio sede do então Banco do Estado de São Paulo (hoje, Nossa Caixa, BB): este homem era visto como louco ou fora da realidade por plantar vegetação nativa e alimentos no alto do prédio no centro de Sampa, em vez de mais um heliporto. Hoje, a gente vê que ela era um pioneiro.

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  7. Antes disso ainda, quando na década de 70, fui preso no Dops como subversivo, convivi com honra ali com o General Zerbini, que estava sendo investigado como comunista por lutar para que nas margens das rodovias brasileiras fossem plantados alimentos, com o apoio do Exército Nacional. O Exército na época preferia prender estudantes e idealistas...

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  8. O texto de André Aroeira Pacheco, da Universidade Federal de Minas Gerais, a Agricultura Urbana e o movimento Grow food, not lawns todos eles são na verdade contemporâneos do futuro que todos juntos precisamos criar, o que é o tema central deste nosso blog. Envie seu comentário vc tb para nosso e-mail navepad@netsite.com.br

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