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domingo, 7 de abril de 2013

BBC DESTACA VIOLÊNCIA NO BRASIL NA MATÉRIA "MARCADA PRÁ MORRER"


Laísa lamenta absolvição do acusado de mandar matar sua irmã e teme ser a próxima vítima 

Desde que sua irmã, Maria do Espírito Santo, e seu cunhado, José Claudio Ribeiro da Silva, foram assassinados em maio de 2011, Laísa Santos Sampaio sabe que pode ser a próxima vítima da violência do sertão. Ainda mais após o julgamento desta semana que condenou parcialmente dois atiradores mas absolveu o mandante dos crimes, agora seu temor se intensificou como disse na entrevista à repórter Mariana Della Barba do site da BBC. Depois que um júri popular absolveu o principal acusado de mandar matar casal de extrativistas e condena somente os  pistoleiros, Laísa Santos Sampaio desabafou: "Não aguento mais viver escondida". Ela foi ouvida também por representantes da Anistia Internacional e reiterou que madeireiros ilegais desafiam combate ao desmatamento na Amazônia.
"Se forem condenados, você é a próxima".
Foi isso que falaram na véspera do julgamento para Laísa: "Eu recebi esse recado por meio de pessoas da minha comunidade, que me avisaram para não voltar". Ela conta que que já recebeu ameaças dizendo que iam "varrer da região" todos os membros de sua família. Mas, mesmo assim, diz que pretende voltar para onde vive, o assentamento agroextrativista Praialta-Piranheira em Nova Ipixuna, no sudeste do Pará. O local, onde sua irmã foi morta. Ali o lugar continua sendo o alvo de grileiros e outros agopecuaristas que desafiam a lei e a justiça, segundo Laísa Sampaio, que porém confirmou, também em sua entrevista: "Eu vou voltar porque lá é o meu lugar. E uma pessoa não pode simplesmente deixar para trás as ideias em que acredita e o seu canto no mundo. Vou continuar nossa luta". Falando assim, ela se refere à luta que assumiu com mais afinco após a morte da irmã e do cunhado. Os dois eram ativistas conhecidos na região por denunciarem a ação ilegal de madeireiros e de grileiros no interiorzão do Pará.

Esta foto de Laísa marcada prá morrer no Pará corre o mundo via a BBC

Zé Carlos e Maria do Espírito Santo, irmã de Laisa, foram assassinados em 2011

Para você entender melhor o caso: No começo da noite da quinta-feira, um júri popular condenou a mais de 40 anos de prisão Lindonjonson Silva Rocha e Alberto Lopes do Nascimento, os dois acusados de terem executado o casal. No entanto, os jurados absolveram o agricultor José Rodrigues Moreira, acusado de ser o mandante do crime. A absolvição gerou protestos dentro e fora do Fórum de Marabá (PA). Tanto a promotoria como a defesa dos dois condenados informaram que irão recorrer. "Quando o juiz leu as sentenças, senti um misto de dor e revolta", disse Laísa. "Foi como se matassem minha irmã e meu cunhado de novo. E como se me matassem também, porque no dia do enterro, eu ainda tinha esperança na Justiça. Agora não. E agora minha descrença também é com a sociedade". Ela falou desta forma porque a decisão judicial foi feita por um juri popular. De toda forma, em vários países muitos estão informados de toda a situação. José Cláudio e Maria do Espírito Santo lutavam contra a ação de madeireiros e de grileiros  e foram premiados nos Estados Unidos pelo Greenpeace em homenagem póstuma no ano passado, premiação que divulgamos também por aqui no blog da ecologia e da cidadania, Folha Verde News. Na sua matéria agora, um dos maiores sites do mundo, a BBC comenta que Moreira, absolvido no julgamento em Marabá, era acusado de ocupar um lote de terra que teria sido comprado ilegalmente no assentamento. E, segundo a promotoria, ele teria mandando matar o casal para que eles parassem de ajudar as famílias que ali viviam e seriam expulsas com a efetivação do negócio. "O mais perigoso, o Moreira, está solto. Vou conviver com ele diariamente. Para ir para o lote dele, ele passa pelo meu. Para ir para rua, ela passa pela escola onde trabalho", explicou Laísa, repetindo, "estou marcada prá morrer".
O veredicto também revoltou ativistas e defensores de direitos humanos: "Ficamos frustrados especialmente por repetir o padrão brasileiro de condenar só o "peixe pequeno" e absolver o mandante", disse Átila Roque, diretor-executivo da Anistia Internacional no Brasil, que acompanhou o julgamento em Marabá.
"Esse caso revela a falência do Estado em dois níveis. Tanto o de fazer valer o direito da posse de terra dessas pessoas, como o garantir a segurança delas. José Claudio e Maria fizeram várias denúncias de que estavam sendo ameaçados, inclusive no Incra. E essa negligência é uma constante nessa região desde os anos 80." Neste cenário de violência, Laísa Sampaio conta que gostaria de ter proteção permanente, especialmente no caminho até a escola - o trajeto mais perigoso de seu dia a dia. De acordo com a Secretaria Nacional de Direito Humanos da Presidência da República, ela está incluída em um programa de proteção a defensores de direitos humanos: "Ela é acompanhada periodicamente pela Equipe Técnica Federal do Programa de Defensores de Direitos Humanos da Secretaria e a proteção ocorre por meio de deslocamentos com escoltas pontuais quando solicitadas pela senhora Laísa, feitas pela polícia militar do Pará". Porém, temendo ser a próxima vítima, Laísa afirma que essa proteção periódica não é a ideal. "A polícia de Nova Ipixuna fica a 50 quilômetros do assentamento. Se algo acontecer comigo, quando eles chegarem, eu já estarei gelada".

Fontes: BBC
             http://folhaverdenews.blogspot.com

4 comentários:

  1. Mais uma vez o Brasil é manchete em todo mundo por causa da violência no Pará, ligada à questão de madeireiros e grileiros de terras. Em busca de melhorar sua proteção, Laísa Sampaio embarcou ainda na sexta-feira para Brasília para discutir seu caso pessoalmente na Secretaria de Direitos Humanos.

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  2. Não só os internautas que acessam nosso blog mas gente de todo o planeta, que diariamente se informam no site BBC, estão atentos a estes acontecimentos que destacam negativamente nosso país, mais uma vez pela violência no interior, violência que também está nas grandes cidades e áreas mais urbanizadas, de formas variadas.

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  3. A Anistia Internacional, de acordo com informações do seu representante no Brasil, Átila Roque, está promovendo uma troca de informações com autroridades judiciárias do país e de outros países, que se mostram interessados na questão.

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  4. É mais um ângulo da cultura da violência da atualidade, o pior para Laisa Santos Sampaio é a tensão que ela sofre entre a vida e a morte todos os dias, uma verdadeira tortura: este sofrimento desumano precisa mobilizar a todos os líderes de cidadania no Brasil a exigir que o Governo mude esta situação.

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