PODCAST

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

JUSTIÇA DO PAÍS DESTA VEZ ESTÁ DO LADO DOS XAVANTES

Os não-índios têm 4 dias para vila erguida em área indígena ser desocupada no Mato Grosso


A desocupação do vilarejo de Posto da Mata, último reduto de resistência dos não-índios contrários à saída da Terra Indígena de Marãiwatsédé, em Alto Boa Vista, a 1.064 quilômetros de Cuiabá, tem data marcada para acontecer. Ocupado por pelo menos 50 agentes da Força Nacional de Segurança, Polícia Federal e Rodoviária desde este último domingo, o lugar terá que ser desocupado definitivamente até o dia 4 de janeiro, nesta próxima sexta-feira. Oficiais de Justiça acompanhados por policiais estão passando de casa em casa para alertar os moradores sobre o prazo de saída. Segundo a Associação dos Produtores Rurais de Suiá Missú, a imagem que imperava ontem era a movimentação de caminhões de frete com a mudança dos últimos moradores. Muitos deles também estão desmontando as casas levando consigo partes de telhas, madeiras, tijolos para reconstruir uma nova moradia nos municípios vizinhos à comunidade. O posto de combustíveis que antes concentrava as lideranças dos produtores rurais foi tomado pelos agentes de segurança. No local, eles formaram uma espécie de ‘Quartel General’. Na madrugada deste domingo, quando chegaram ao vilarejo, os agentes identificaram e prenderam cinco pessoas envolvidas no incêndio do caminhão da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), na sexta-feira passada, que carregava sete toneladas de alimentos para os índios da região. Por telefone, o secretário de Articulação Social da Presidência da República, em Brasília, Paulo Maldos, informou a repórteres brasileiros e das agências internacionais de notícias que o motorista e mais um rapaz da Funasa haviam sido rendidos por um grupo de 20 homens armados. “Eles renderam o motorista e mais um acompanhante e levaram os dois para um hotel. Lá, eles fizeram tortura psicológica e ameaças de morte”, afirmou Paulo Maldos. Alimentos foram saqueados pelos moradores que alegaram estar ‘passando fome’ na localidade em decorrência da escassez de alimentos. Há informações que as cestas básicas já foram apreendidas pela polícia. Um dos detidos, o gerente do posto de combustíveis do local, teve que pagar fiança de R$ 6,2 mil para ser liberado. O clima está tenso ainda hoje, primeiro dia de 2013. Os moradores relataram que desde a chegada dos agentes no local isso causou pânico e desespero. Muitos deles disseram que os homens da Força Nacional de Segurança utilizaram bombas de gás lacrimogênio e spray de pimenta. “Saí para conversar com uma vizinha para ver o que estava acontecendo e eles soltaram umas três bombas perto de nós”, disse a moradora Neuza Fernandes: "É um exagero, temos que dialogar antes de qualquer coisa".
O processo de desocupação dividiu a Terra Indígena de Marãiwatsédé, historicamente do povo Xavante, em quatro áreas. Pelo plano, serão desocupadas primeiro as grandes propriedades, seguidas pelas médias e pequenas. A comunidade de Posto da Mata será a última a ser desocupada. Em comunicado à imprensa, a Funai informou que em quase 20 dias de operação foram vistoriadas 83 fazendas, sendo que 46 delas foram desocupadas. Somente entre os dias 20 e 27 de dezembro foram atingidas mais 30 fazendas, estando 16 desalojadas. A mesma fundação afirmou ainda que em alguns locais as equipes estão tendo dificuldades de acesso e, por isso, há a necessidade do uso de aeronaves para o cumprimento dos mandados. A área em disputa tem uma extensão aproximada de 165 mil hectares. Ainda de acordo com a Funai, o povo Xavante ocupa a área Marãiwatsédé antes da década de 1960.  Desde esta época, a Agropecuária Suiá-Missú instalou-se na região. Em 1967, índios foram transferidos para a Terra Indígena São Marcos, na região sul de Mato Grosso, e lá permaneceram por cerca de 40 anos. "Agora, parece que finalmente está sendo resgatada a justiça  para os índios Xavantes, no que se refere à sua terra, isso poderá representar um avanço de cidadania, importante para todos os indigenas brasileiros e também para a própria Nação, que assim passa a ser mais respeitada moralmente, aqui dentro do país e também no exterior, onde se acompanha esta questão com muito interesse", comentou por sua vez o editor do Folha Verde News, o repórter Padinha, ao editar estas informações aqui no blog, após pesquisá-las na Reuters, nos sites G1 e Ambiente Brasil: "Acredito que também os Xavantes da aldeia de Namunkurá, perto de São Marcos, possam vir a ser convidados a ocupar este espaço para ali esta tribo desenvolver a sua cultura nativa e também a criação do seu futuro, que se mistura com a luta de todo nosso povo do Brasil", opinou o ecologista e blogueiro que já havia feito outras matérias dias atrás sobre Marãiwatsédé.

Marãiwatsédé pode vir a ser um marco para a questão indígena no Brasil

Os Xavantes podem agora em Marãiwatsédé desonvolver sua cultura nativa e buscar....

...no interior do Mato Grosso a criação de outra realidade ali no Posto da Mata

Deputado Penna, da Bancada Verde do Congresso, foi um dos que apoiaram o resgate...

...e a partir de agora os pajés Xavantes têm mais condição de valorizar suas raízes culturais

Fontes: www.ambientebrasil.com.br              G1              Reuters              http://folhaverdenews.blogspot.com  

5 comentários:

  1. Há alguns dias atrás, em duas das várias postagens sobre a questão indígena, publicamos no blog da ecologia a Carta dos Xavantes e as articulações da Bancada Verde em Brasília: agora, a vitória dos índios do Mato Grosso.

    ResponderExcluir
  2. Na verdade, não se trata de uma vitória definitiva, mas os Xavantes estão vencendo uma batalha entre dezenas que perderam ao longo de mais de um século de disputas em todo o interior do Brasil.

    ResponderExcluir
  3. De toda forma, Marãiwatsédé pode mesmo vir a ser um marco no país para um avanço atual da questão indígena, algo que se concretizado, aumentará a autoridade moral do Governo tanto em nível interno como no exterior: por exemplo, na França, jornalistas e ecologistas estão acompanhando em todos os detalhes estes acontecimentos.

    ResponderExcluir
  4. O nosso editor aqui do blog da ecologia tem contato direto e constante com os Xavantes do Mato Grosso (em especial os da aldeia de Namunkurá) e argumenta: "Muitos deles têm visão ecológica, querem preservar as suas raízes nativas e ajudar a revolução cultural que pode levar os índios junto com todo o povo do Brasil a criarmos nosso futuro".

    ResponderExcluir
  5. Caso vc internauta de algum ponto do país tenha mais alguma informação ou comentário, poderá nos enviar pelo e-mail: navepad@netsite.com.br

    ResponderExcluir

Translation

translation