Unicef está pedindo o fim de recrutamento e outras
violências contra crianças
O Fundo das Nações Unidas para Infância apelou agora para a República
Centro-Africana (RCA) para que impeça o recrutamento de crianças por grupos
rebeldes e milícias pró-governo em meio a denúncias de uso crescente dessa
prática: o representante da Unicef no país, Souleymane Diabate lembrou
que tanto as milícias quanto os rebeldes estão mais ativos nas últimas semanas
em todo o país, sendo que fontes confiáveis afirmaram que cada vez mais crianças
são recrutadas por esses grupos: “A nossa equipe na região está trabalhando com
parceiros para monitorar, verificar e responder a graves violações dos direitos
das crianças, incluindo o recrutamento por grupos armados”, acrescentou Diabate.
Antes mesmo da última rodada de violência eclodir na RCA, em dezembro, 2.500
meninos e meninas estavam associados com vários grupos armados, incluindo grupos
de autodefesa. A agência afirmou que este número vai subir em razão do recente
conflito. Nas últimas semanas, o grupo rebelde Séléka atacou várias
cidades no nordeste da RCA, realizando saques e espalhando a violência, além de
ameaçar uma marcha para a capital Bangui. Esta semana, o Séléka teria
parado seu avanço para a capital e concordou em iniciar negociações de paz com o
governo no Gabão. Este país da África tem um histórico recorrente de
instabilidade política e conflitos armados. A autoridade do Estado é fraca em
muitas partes do país, em maioria controlado por grupos rebeldes e grupos
armados criminosos. Além das tensões étnicas no norte, a RCA sofre com as
incursões armadas de rebeldes oriundos de nações vizinhas e da presença do grupo
armado Exército de Resistência do Senhor (LRA), de Uganda. Atualmente,
há 170 mil pessoas deslocadas na República Centro-Africana. O documento da
Unicef ressaltou que mais de 300 mil crianças já foram afetados pela
violência no país e suas consequências, por meio do recrutamento, da separação
da família, da violência sexual, do deslocamento forçado e do acesso limitado a
serviços de educação e saúde.
Segundo também já havíamos difundido aqui neste blog de ecologia e de
cidadania, a reportagem de John P. Sullivan, Patrulha de jovens membros do
Exército Sudanês de Libertação, a guerra contemporânea já não é mais
domínio exclusivo dos adultos e das forças estatais. Cada vez mais há crianças
envolvidas em conflitos travados por agentes não-estatais: estes grupos utilizam
crianças soldados que operam à margem das normas da guerra e do império da lei e
deixaram de lado as proibições ao terrorismo, a ataques a não-combatentes, a
tortura, à vingança e à escravidão e exploração sexul de menores que vigoraram
por muito tempo. Esses agentes lutam entre si e contra Estados por controle
territorial, lucro e saques, acelerando o retorno da guerra à barbárie. E neste
universo de extrema violência, estão as Crianças Soldados. Mais
de meio milhão de crianças e adolescentes (menores de 18 anos) participam de
forças armadas, forças paramilitares e forças não-estatais. Estima-se que de
250.000 a 300.000 dessas crianças soldados, algumas menores de 10 anos, estejam
envolvidas em mais de 30 conflitos. Estudos independentes no sudeste da Ásia e
na África Central determinaram a idade média das crianças soldados como pouco
abaixo de 13 anos. Freqüentemente elas são “recrutadas” ou seqüestradas e, em
seguida, manipuladas para participarem de uma violência brutal dirigida às vezes
contra suas próprias comunidades e famílias. Tanto meninas quanto meninos são
explorados para participarem de atos que freqüentemente não têm capacidade de
compreender. É comum que das meninas sejam exigidos serviços sexuais, além dos
de combate. "Há várias denúncias, matérias e sites de jornalismo debatendo este
problema nos últimos 5 ou 6 anos e hoje chegamos a uma situação-limite", comenta
o editor do blog Folha Verde News, o ecologista Padinha: "Temos todos
os líderes de cidadania e da luta pela não-violência nos unirmos a este apelo da
Unicef, como o começo de um movimento pelo resgate da infância nos países
envolvidos neste problema, que espelha a desumanidade atual do ser humano". Ele
faz ainda um alerta sobre a violência infantil que rola solta nas favelas e
periferias do Rio, São Paulo e de variadas cidades da América Latina: "E não só
na América Latina, basta ver os crimes que aconteceram recentemente nos Estados
Unidos".
Fontes: www.onu.org.br
http://www.além-mar.org
http://folhaverdenews.blogspot.com

Realmente, atinge a condição de barbárie a violência da atualidade, ao envolver crianças em guerras e outros conflitos armados, além de todo tipo de exploração infantil, na escravidão, no sexo e até na falta de valores humanos no dia a dia das atuais sociedades de consumo.
ResponderExcluirO nosso blog existe há cerca de dois anos e nossa proposta tem sido, através de variadas postagens e comentários, lutar via a informação para se ampliar a inteligência e se diminuir a violência da atualidade.
ResponderExcluirSó com o uso da inteligência e não da força, o ser humano poderá ser assim considerado, porque hoje em dia (e não só na África e nem somente em países mais pobres) esta violência contra as crianças revela toda a desumanidade do ser humano de agora.
ResponderExcluirNosso blog concvlama a todos nos unirmos em torno deste alerta da Unicef como um ponto de partida para mudar esta realidade, começando a tornar possível assim o futuro da vida de nossa espécie.
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