Na avaliação da organização
Amigos da Terra Internacional, uma das maiores organizações ambientalistas do mundo, o documento oficial da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, é "um atentado aos povos, porque é um documento vazio, sem alma e sem compromissos concretos com o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável". O movimento socioambiental brasileiro também repudiou o texto final das autoridades políticas, foi redigido por Marina Silva e logo no título deixa claro o tom extremamente crítico, "O futuro que não queremos", ao parodiar um dos slogans da ONU para o evento que se encerra neste sábado no Rio de Janeiro. Aqui no blog
Folha Verde News já havíamos em duas ou três postagens publicado críticas de cientistas e de ecologistas, por exemplo, pela ausência no documento oficial da
Rio+20 dos problemas de saúde e de violência, que consideramos vitais para mudar e avançar a realidade: "Como pode uma análise da questão socioambiental de hoje no país e no planeta omitir o drama da saúde pública em pelo menos metade dos países e a tragédia do aumento da violência em praticamente todo o planeta?", tem questionado nosso editor Antônio de Pádua, o ecologista Padinha, que inclusive ficou 8 dias na capital carioca realizando um documentário que se chama
"Não-Violência X Fim do Mundo": o documentário ainda terá mais gravações e filmagens em outros lugares do país, não é um registro somente da
Rio+20 e sim deste problema que ele considera fundamental na atualidade: "Como podemos buscar um equilíbrio sustentável entre economia e ecologia com os índices atuais de violência?"...Ontem à noite em uma plenária a Ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, debateu democraticamdente com ecologistas os erros e os limites das conclusões da Conferência Mundial mas negou qualquer chances de mudança neste documento final da ONU na
Rio+20 que em resumo poderia ter avançado muito mais se indicasse objetivamente as alternativas para mudar a realidade de agora.
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| Marina Silva ajudou a redigir o documento crítico "O futuro que não queremos"... |
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| A sociedade civil participou intensamente, índios vieram de todo país e planeta | |
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| O jornal inglês Financial Times criticou trânsito, poluição das praias, desorganização do evento |
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| Nosso documentário mostrou a única praia despoluida, no Recreio dos Bandeirantes |
Socioambientalistas criticam conteúdo da Conferência Mundial da ONU
Entrevistada pelo site
Terra e pela
Agência Brasil a ativista da organização, Lúcia Ortiz, sa entidade
Amigos da Terra, um das mais fortes internacionalmente, já criticou hoje a síntese do documento oficial que será publicado amanhã, ao qual teve acesso por causa de suas funções técnicas no evento da ONU. Na avaliação de Lúcia Ortiz, é gritante a falta de compromisso dos chefes de Estado e de governo para com o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável "em um momento em que se necessita, de fato, de medidas urgentes para que os governos possam prevenir e mudar os rumos que a humanidade está tomando".
Segundo ela, há toda uma preocupação com a questão da promoção da justiça climática, da perda da biodiversidade e da contaminação dos oceanos. "O que a gente vê é a elaboração de um documento que ainda abre portas para a mercantilização dos bens comuns, sejam eles o ar, a biodiversidade e a água, ou mesmo a comunicação ou as diversidades culturais, que também estão sendo mercantilizadas em um processo onde a política está sendo substituída pela 'financeirização'". No entendimento da ativista, mesmo com o texto não explicitando tanto quanto esperavam os países industrializados e as grandes corporações o sentido da promoção de "uma falsa economia verde", ainda assim, ficou claro que "mais importante que uma decisão sobre o meio ambiente na Rio+20 foi a indicação do grupo do G20 (formado pelas maiores economias mundiais) e dos poderosos, de que continuarão a fazer empréstimos para salvar os bancos europeus e a gerar para esses bancos em crise novas oportunidades de negócios, que se traduzirão em especulação, em novas bolhas financeiras - como seria a bolha da economia verde". Lúcia Ortiz ressaltou que os participantes da
Cúpula dos Povos ficaram com a plena consciência de que, em parte, "derrotaram os poderosos ao enfraquecer a agenda da economia verde e mudar a correlação de forças, ao chamar a atenção para a necessidade de que a voz povo venha a ser escutada, e não só a das grandes corporações".
Vinte anos após a
Eco92, o Rio de Janeiro volta a receber governantes e sociedade civil de diversos países para discutir planos e ações para o futuro do planeta. A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorre até o dia 22 na cidade, deverá contribuir para a definição de uma agenda comum sobre o meio ambiente nas próximas décadas, com foco principal na economia verde e na erradicação da pobreza. Depois do período em que representantes de mais de 100 países discutiram detalhes do documento final da Conferência, o evento ingressou quarta-feira na etapa definitiva e mais importante. Até amanhã, ocorre no Riocentro o Segmento de Alto Nível da
Rio+20, com a presença de diversos chefes de Estado e de governo de países-membros das Nações Unidas. Apesar dos esforços do secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, vários líderes mundiais não vieram ao Brasil, como o presidente americano Barack Obama, a chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro ministro britânico David Cameron. Além disso, houve impasse em relação ao texto do documento definitivo, que segue sofrendo críticas dos representantes mundiais. Ainda assim, o governo brasileiro aposta em uma agenda fortalecida após o encontro. O jornal inglês
Financial Times também critica desorganização do evento e falta de preparo do Rio de Janeiro para sedir a conferência mundial na sua edição de hoje.
Fontes: Agência Brasil
www.terra.com.br
FT
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