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domingo, 23 de dezembro de 2012

JOVEM SÍRIA USA O FACEBOOK PARA SUA LUTA DE CIDADANIA

Dana Bakdounis busca revolucionar costumes ao postar foto sem véu no Facebook



Direto de Beirute para a BBC News, Samer Mohajer e Ellie Violet Bramley relatam que Dana Bakdounis, de 21 anos, gerou páginas em toda a mídia e discussões no Facebook em torno da revolta na Síria, algo que tem se multiplicado conforme avançam os embates entre rebeldes e o regime, que duram quase dois anos já matou milhares de pessoas. Mas a jovem Dana Bakdounis aproveitou o momento para acirrar a a luta sobre o direito das mulheres ao postar na Internet uma foto sem véu, justificando seu ato poeticamente: "sentir a beleza do mundo, o sol e o ar". Criada na Arábia Saudita, um dos países mas conservadores do mundo árabe, Dana decidiu retirar pela primeira vez o véu usado durante toda a vida em agosto do ano passado. Nestes momentos em que a Inglaterra reconhece os rebeldes como representantes da Síria, eles que tomaram o aeroporto nacional como sua base militar, Dana prefere comentar mais a sua ação de cidadania, explicando que ela já acompanhava e interagia com a página "A Revolução das Mulheres no Mundo Árabe" no Facebook desde o meio deste ano. Com mais de 70 mil membros, o site acabou se tornando um fórum de debate sobre direitos das mulheres na região, com participações ativas de mulheres e homens, árabes e não-árabes, simultaneamente à revolução armada dos rebeles e a performance de Dana Bakdounis foi a mensagem que causou mais furor, desde que foi  fotografada e postada no dia 21 de outubro: "O véu não era para mim, mas eu tinha que usá-lo por causa da minha família e da sociedade. Eu não entendia por quê meu cabelo estava coberto. Eu queria sentir a beleza do mundo, eu queria sentir o sol e o ar", dise nesta manifestação original. Olhando diretamente para a lente da câmera, com o cabelo cortado muito curto à mostra, Dana nesta postagem segura um documento oficial com sua foto usando véu, e ao lado um bilhete que diz: "A primeira coisa que eu tirei foi meu véu. Eu estou ao lado da revolução das mulheres no mundo árabe porque, durante 20 anos, não me permitiram sentir o vento no meu cabelo e no meu corpo". Isso, para expressar  - como disse aos repórteres Samer Mohajer e Ellie Violet Bramley - o seu desejo de liberdade política e também cultural. A imagem dela no Facebook acabou gerando muita polêmica, com mais de 1.600 likes, quase 600 compartilhamentos e cerca de 250 comentários., que continuam sendo enviados. Entre as reações houve muitas manifestações de apoio e pedidos de amizade. Muitas mulheres copiaram a ideia, postando fotos sem véu, mas Dana também enfrentou rejeição. Vários de seus contatos na rede social decidiram encerrar a amizade. As relações com a mãe, que desaprovou o protesto e chegou a receber ameaças de morte contra a filha, ficaram estremecidas.


Dana Bakdounis acabou por liderar uma revolução cultural na Internet

Além da tomada do poder pelos rebeldes, eles querem a Síria com mais liberdade cultural
No Facebook, os administradores da página sobre os direitos das mulheres acusaram a rede social de censura por terem removido do ar a foto de Dana no dia 25 de outubro, quatro dias depois de ter sido postada. Além disso, a jovem foi bloqueada e os administradores do site também tiveram suas contas bloqueadas. Eles dizem que a página como um todo ficou bloqueada entre os dias 29 de outubro e 5 de novembro e que as cópias da foto que foram postadas por outras pessoas também foram removidas. Ao ser questionada por correspondentes internacionais da imprensa, a direção do Facebook diz que houve um equívoco ao aplicar algumas de suas regras: "As imagens da mulher não violaram nossos termos. Ao contrário, um erro foi cometido no processo de resposta a um alerta de conteúdo controverso", diz um membro do Departamento de Relações Públicas da empresa, acrescentando que "o que tornou essa situação pior foi o fato de termos cometido múltiplos erros durante alguns dias, e que levamos tempo para ratificar cada um desses erros". Polêmica como esta à parte, o fato é que com o webprotesto, Dana tornou-se uma das ativistas pró-direitos das mulheres mais conhecidas da Síria. Ela diz que pretende agora tirar uma foto de dentro do país. "Eu quero fazer outra fotografia, desta vez na Síria, só para mostrar que eu posso lutar contra a injustiça e o poder. Com a minha câmera, eu posso ajudar as pessoas e apoiar o Exército Livre da Síria". Os rebeldes lutam contra o regime do presidente Bashar al-Assad, e exigem sua renúncia. Os embates levaram o país a uma guerra civil e segundo a ONU dezenas de milhares já morreram. "Do ponto de vista cultural, a coragem e o posicionamento de Dana foram e são vitais para promover mudanças de comportamento e avançar os direitos de cidadania das mulheres", comentou o ecologista Padinha, ao editar esta reportagem aqui no Brasil dentro do webespaço do blog Folha Verde News. A posição de Dana é crucial, já que há cada vez mais relatos da presença de grupos islâmicos fundamentalistas lutando ao lado dos rebeldes oposicionistas, o que poderia indicar que uma vitória política da coalizão rebelde não mudaria necessariamente os costumes rígidos do país.

"Luto por uma Síria repleta de direitos, com justiça entre homens e mulheres, eu quero justiça e porque já tenho minha liberdade, e eu não estou com medo de nada agora, agora posso fazer o que eu acreditar que é a coisa certa a fazer, ajudando assim da minha parte o futuro do meu povo". (Dana Bakdounis).

Fontes: BBC News
             http://folhaverdenews.blogspot.com

5 comentários:

  1. Gerações brasileiras que enfrentaram nos anos 70 e 80 a Ditadura já sabem que além de política e armada, como no caso da Síria agora, a revolução precisa ser cultural, ampliando os direitos de cidadania de todos os setores do povo.

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  2. Nesse sentido, a câmera e a coragem de Dana Bakdounis, bem dimensiomnadas nesta reportagem da BBC News, têm o mesmo peso e valor das armas e da luta política dos rebeldes sírios.

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  3. A luta armada e a cultural são paralelas e simultâneas, ambas de grande importância e até de emergência porque têm morrido nesta guerra civil dezenas de milhares de sírios.

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  4. E mais uma vez, a Internet mostra também a sua força do ponto de vista da liberdade de informação, com a mensagem de Dana Bakdounis no Facebook revolucionando mais que todo a volumosa comunicação da grande mídia da Síria, dominada por outros interesses.

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  5. O internauta Antônio Carlos Santos, advogado em São Paulo, nos enviou por e-mail esta informação a seguir.
    AE - Agência Estado
    BEIRUTE - O enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, chegou à capital do Líbano neste domingo, 23, e planeja viajar por terra para Damasco, onde deve se encontrar com o presidente Bashar Assad. Desde que assumiu o posto, em setembro, Brahimi tem obtido poucos progressos em negociar uma solução para a guerra civil na Síria.

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