Direto de Beirute para a BBC News, Samer Mohajer e Ellie Violet Bramley relatam que Dana Bakdounis, de 21 anos, gerou páginas em toda a mídia e discussões no Facebook em torno da revolta na Síria, algo que tem se multiplicado conforme avançam os embates entre rebeldes e o regime, que duram quase dois anos já matou milhares de pessoas. Mas a jovem Dana Bakdounis aproveitou o momento para acirrar a a luta sobre o direito das mulheres ao postar na Internet uma foto sem véu, justificando seu ato poeticamente: "sentir a beleza do mundo, o sol e o ar". Criada na Arábia Saudita, um dos países mas conservadores do mundo árabe, Dana decidiu retirar pela primeira vez o véu usado durante toda a vida em agosto do ano passado. Nestes momentos em que a Inglaterra reconhece os rebeldes como representantes da Síria, eles que tomaram o aeroporto nacional como sua base militar, Dana prefere comentar mais a sua ação de cidadania, explicando que ela já acompanhava e interagia com a página "A Revolução das Mulheres no Mundo Árabe" no Facebook desde o meio deste ano. Com mais de 70 mil membros, o site acabou se tornando um fórum de debate sobre direitos das mulheres na região, com participações ativas de mulheres e homens, árabes e não-árabes, simultaneamente à revolução armada dos rebeles e a performance de Dana Bakdounis foi a mensagem que causou mais furor, desde que foi fotografada e postada no dia 21 de outubro: "O véu não era para mim, mas eu tinha que usá-lo por causa da minha família e da sociedade. Eu não entendia por quê meu cabelo estava coberto. Eu queria sentir a beleza do mundo, eu queria sentir o sol e o ar", dise nesta manifestação original. Olhando diretamente para a lente da câmera, com o cabelo cortado muito curto à mostra, Dana nesta postagem segura um documento oficial com sua foto usando véu, e ao lado um bilhete que diz: "A primeira coisa que eu tirei foi meu véu. Eu estou ao lado da revolução das mulheres no mundo árabe porque, durante 20 anos, não me permitiram sentir o vento no meu cabelo e no meu corpo". Isso, para expressar - como disse aos repórteres Samer Mohajer e Ellie Violet Bramley - o seu desejo de liberdade política e também cultural. A imagem dela no Facebook acabou gerando muita polêmica, com mais de 1.600 likes, quase 600 compartilhamentos e cerca de 250 comentários., que continuam sendo enviados. Entre as reações houve muitas manifestações de apoio e pedidos de amizade. Muitas mulheres copiaram a ideia, postando fotos sem véu, mas Dana também enfrentou rejeição. Vários de seus contatos na rede social decidiram encerrar a amizade. As relações com a mãe, que desaprovou o protesto e chegou a receber ameaças de morte contra a filha, ficaram estremecidas.
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| Dana Bakdounis acabou por liderar uma revolução cultural na Internet |
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| Além da tomada do poder pelos rebeldes, eles querem a Síria com mais liberdade cultural |
"Luto por uma Síria repleta de direitos, com justiça entre homens e mulheres, eu quero justiça e porque já tenho minha liberdade, e eu não estou com medo de nada agora, agora posso fazer o que eu acreditar que é a coisa certa a fazer, ajudando assim da minha parte o futuro do meu povo". (Dana Bakdounis).
Fontes: BBC News
http://folhaverdenews.blogspot.com


Gerações brasileiras que enfrentaram nos anos 70 e 80 a Ditadura já sabem que além de política e armada, como no caso da Síria agora, a revolução precisa ser cultural, ampliando os direitos de cidadania de todos os setores do povo.
ResponderExcluirNesse sentido, a câmera e a coragem de Dana Bakdounis, bem dimensiomnadas nesta reportagem da BBC News, têm o mesmo peso e valor das armas e da luta política dos rebeldes sírios.
ResponderExcluirA luta armada e a cultural são paralelas e simultâneas, ambas de grande importância e até de emergência porque têm morrido nesta guerra civil dezenas de milhares de sírios.
ResponderExcluirE mais uma vez, a Internet mostra também a sua força do ponto de vista da liberdade de informação, com a mensagem de Dana Bakdounis no Facebook revolucionando mais que todo a volumosa comunicação da grande mídia da Síria, dominada por outros interesses.
ResponderExcluirO internauta Antônio Carlos Santos, advogado em São Paulo, nos enviou por e-mail esta informação a seguir.
ResponderExcluirAE - Agência Estado
BEIRUTE - O enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, chegou à capital do Líbano neste domingo, 23, e planeja viajar por terra para Damasco, onde deve se encontrar com o presidente Bashar Assad. Desde que assumiu o posto, em setembro, Brahimi tem obtido poucos progressos em negociar uma solução para a guerra civil na Síria.