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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

GUARANIS-KAIOWÁS INDO À LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA


Apoio da cidadania no Facebook e de parlamentares em Brasília não diminuem desafios
Uma série de fotos feitas pela fotógrafa paulistana Rosa Gauditano mostra a luta pela sobrevivência de índios Guarani-Kaiowá na beira das estradas de Mato Grosso do Sul, duas delas estão aqui no blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News, foram inicialmente postadas no site da BBC, junto com informações sobre o dia a dia dos índios Guaranis-Kaiowás: eles têm sido apoiados intensamente nas redes sociais pelo movimento socioambientalista e nos últimos dias, através de uma comissão especial de parlamentares em Brasília, por iniciativa da Bancada Verde, deputados federais do PV: "Além disso, nos contatos entre o Presidente Francois Hollande, da França, com a Presidenta Dilma Rousseff  agora recentemente foram também feitas ponderações sobre a importância dos índios até para um desenvolvimento sustentável do Brasil, bem como, foi colocado que uma melhor adequação da questão indígena poderá melhorar a imagem internacional brasileira e sinalizar com um avanço na qualidade de vida no interior do país", comentou o nosso editor de conteúdo, o ecologista Padinha que, ainda em junho, durante a Rio+20 da ONU, contatou positivamente a delegação francesa, pelo movimento da Não-Violência, acompanhado de dois líderes das tribos Xavante (do Mato Grosso) e Guaguajara (Pará): "Entregamos um documento feito em conjunto com os índios e que já nesta época foi bem assimilado pela delegação francesa, creio que estes documentos ajudaram também a embasar a posição da França agora".
Com todos estes novos fatores positivos, os desafios no dia a dia dos índios, por exemplo, também dos Guaranis-Kaiowás, enfocados em matéria especial pela BBC, com fotos de Rosa Gauditano, continuam sendo muito difíceis. São cerca de 500 mil índios de várias etnias no país, 50 mil deles no Mato Grosso do Sul, a maioria, Guaranis-Kaiowás. Há hoje mais de 30 acampamentos deles nas rodovias do Estado, habitados, em grande parte, por Kaiowás: "Fazem isso por desespero, mas também como uma forma de protesto", disse a fotógrafa: "Eu fotografo povos indígenas há 20 anos e nunca havia visto situação de penúria tão grande. O que está acontecendo no Brasil é um genocídio silencioso".
"Em algum momento, os índios, os fazendeiros, o governo e a sociedade brasileira como um todo terão de chegar a um consenso e resolver a situação desse povo. São 43 mil pessoas que precisam de sua terra para viver com dignidade". Mais adiantes, ela afirma: ""E se a solução é indenizar os fazendeiros que geram riqueza para o Brasil e que adquiriram a terra por meios legais, que seja".
Nas imagens, feitas ao longo dos últimos três anos, o povo da segunda maior etnia indígena brasileira também é visto acampado provisoriamente em fazendas onde há disputa pela propriedade da terra ou vivendo em reservas demarcadas - às vezes, à custa de sangue derramado.

Nosso blog já vinha acompanhando a questão indígena também dos Guaranis-Kaiowás...

...e agora amplia o enfoque com estas fotos de Rosa Gauditano na matéria da BBC...

...que discute a tribo pressionada pelo agronegócio e à beira das estradas e da vida do país
Assim como as matas nativas, os índios estão cada vez mais ameaçados em sua vidaGauditano começou a fotografar povos indígenas no Brasil em 1991. Desde então, vem documentando a cultura de diversas etnias indígenas, publicando livros e realizando exposições sobre o tema, no Brasil e no exterior (ela expôs seu trabalho no centro cultural South Bank, em Londres, Grã-Bretanha, em 2010). Ao lado de representantes da etnia Xavante, Gauditano é também co-fundadora da ONG Nossa Tribo, que tenta ampliar a comunicação entre povos indígenas e o resto da população. Segundo dados do último censo, há hoje 896,9 mil índios no Brasil. Os cerca de 43 mil Kaiowás são naturais da região onde hoje ficam o Estado de Mato Grosso do Sul e o Paraguai. Em outubro, o caso de uma comunidade dessa tribo, acampada na fazenda Cambará, no município de Iguatemi, MS, causou comoção no Brasil. Após uma ordem de despejo emitida pela Justiça Federal, os 170 índios do acampamento, em um local conhecido como Pyelito Kue, escreveram uma carta que dizia: "Pedimos ao Governo e à Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui". A carta, divulgada pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) foi interpretada como uma ameaça de suicídio coletivo. Ela circulou pelas redes sociais e deu origem a uma grande campanha em defesa dos índios, com protestos em vários pontos do país. Como resultado, um tribunal decidiu pela permanência dos índios no local, apesar das pressões do grande agronegócio. Mas a situação do grupo ainda não está regularizada, apesar das negociações conduzidas no Congresso por uma comissão de parlamentares, liderados pelo PV. Segundo o antropólogo do Centro de Estudos Ameríndios da Universidade de São Paulo, Spensy Pimentel, que estuda a etnia Guarani-Kaiowá e trabalha com Gauditano, há 42 mil hectares de terras demarcadas pelo governo no Estado. "Essas são as áreas efetivamente disponíveis", disse Pimentel à BBC Brasil. "Há mais uns 50 mil hectares demarcados, mas tudo embargado pela Justiça". À primeira vista, o território disponível parece grande. Mas se fosse dividido entre a população Kaiowá, cada índio receberia pouco menos do que um hectare de terra – 10.000 m2 (100m x 100m). Ali, ele teria de viver e dali tirar seu sustento - algo impossível para qualquer agricultor. Pimentel lembrou, no entanto, que esse tipo de cálculo usa critérios que não se aplicam à cultura indígena. "A Constituição brasileira assegura aos índios o direito às suas terras tradicionalmente ocupadas segundo seus próprios critérios ou sua própria cultura". Espremidos em reservas superpovoadas, os índios vivem sob estresse físico e mental. O alcoolismo e o uso de drogas são comuns. E o suicídio, uma ameaça real, no caso dos Guaranis-Kaiowás. Segundo o Ministério da Saúde, de 2000 a 2011 houve 555 suicídios de índios, a maioria Guaranis-Kaiowás. E o Estado de Mato Grosso do Sul é o campeão em número de suicídios no interior do Brasil.

Fontes: BBC
              http://folhaverdenews.blogspot.com

4 comentários:

  1. Das 10 últimas matérias do Folha Verde News, 5 enfocam a questão dos índios, hoje, dos Guaranis-Kaiowás, Mato Grosso do Sul, e em outros posts, também dos Xavantes do Mato Grosso do Norte: dois dramas bem similares.

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  2. Apesar das sinalizações positivas da sociedade civil e de avanços governamentais em relação à questão indígena, a luta dos indígenas brasileiros que restam é muito intensa, tanto quanto à da natureza do país, para sobreviver na atualidade.

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  3. Esta situação é mais um das formas de violência da atualidade, crescente no país neste ano, porém, há flashes de esperança e alternativas de solução para o drama dos índios, o que nos leva também a intensificar o debate aqui.

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  4. Valem destaques tanto a luta dos movimento socioambientalista e de cidadania pelos índios nas redes sociais, como a instauração de uma comissão especial no Congresso Nacional (por iniciativa dos Verdes), bem como, últimas decisões judiciais favoráveis aos povos nativos que até pouco tempo antes, eram apoiados apenas pelo Cimi e por setores mais avançados da Ireja e do movimento ecológico.

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