Heitor Scalambrini Costa, professor da Universidade Federal de Pernambuco e um dos mais respeitados cientistas do setor, nos enviou aqui para o blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News este texto a seguir que é um documento de extremo valor para todos os que vão à luta para mudar e avançar a realidade do Brasil. Confira que vale as informações de primeira, nesta virada para 2013 e para o futuro...
"Energia é tema central para a sustentabilidade, entendida sob a perspectiva da interdisciplinaridade. No caso da energia elétrica é quase impossível imaginar qualquer atividade sem a sua presença, pois se tornou a principal fonte de luz, calor e força motriz utilizada no mundo moderno. Atividades simples como a de assistir à televisão, acender a luz ou navegar na Internet somente são possíveis porque a energia elétrica está disponível. Hospitais, lojas, fábricas, supermercados, e uma infinidade de outros lugares precisam dela para funcionar. Grande parte dos avanços tecnológicos alcançados se deve à energia elétrica. Obtida a partir de várias fontes primárias de energia, a eletricidade é gerada em grandes usinas. Transportada por fios e cabos condutores chega aos consumidores por meio de sistemas elétricos complexos. Assim é o atual sistema elétrico composto de quatro etapas: geração, transmissão, distribuição e comercialização. O Sistema Elétrico Brasileiro (SEB) é muito peculiar. Dos 128.571 MW instalados até 26/12/2012, 83.844 MW são provenientes de hidroelétricas, ou seja, 65,21 % do total. A energia eólica contribui com 1,41% (1.815 MW). As termoelétricas existentes utilizam diferentes combustíveis. O gás representa 10,31% (13.261 MW), petróleo/derivados, 5,71% (7.347 MW); biomassa, 7,63% (9.812 MW, sendo que o bagaço de cana produz 8.081 MW); carvão mineral, 1,79% (2.304 MW); e o urânio, 1,56% (2.007 MW). E são importados (Paraguai, Argentina, Venezuela e Uruguai) 8.170 MW, correspondendo a 6,36% do total instalado nas 2.729 usinas de geração. Como se verifica a eletricidade, provém mais da metade de potenciais hidráulicos, sendo predominantemente renovável. Depende fortemente das chuvas, pois quando o nível dos reservatórios abaixa, diminui a produção elétrica. O que se pratica hoje é utilizar termoelétricas a combustíveis fósseis (18% do total instalado), altamente poluidoras, para evitar a falta de energia, e assim complementar a geração hidroelétrica. Um marco no setor elétrico foi a Lei 8.987 de 13 de fevereiro de 1995 que promoveu grande parte do processo de desestatização, mercantilizando o setor. A solução dada à sociedade para o setor elétrico foi a privatização dos serviços elétricos. O que acabou acarretando na privatização de 100% das distribuidoras, aproximadamente 30% das geradoras e 20% das transmissoras, que passaram assim para a iniciativa privada. E o que era prometido com a privatização, melhorar a qualidade dos serviços e baratear a tarifa elétrica virou pesadelo. A partir daí o setor público perdeu a capacidade de planejamento deste setor estratégico, resultando no desabastecimento e racionamento em 2001/2002. O planejamento foi resgatado parcialmente com a criação da Empresa de Planejamento Energético (Lei 10.847, de 15 de março de 2004), subordinada ao Ministério de Minas e Energia (MME). Mas mesmo assim uma série de blecautes, com a interrupção no fornecimento de energia têm ocorrido no país, acentuando a freqüência destes eventos desde 2010. A EPE trabalha com premissas de que o país para crescer 7% ao ano nos próximos 12 anos, irá dobrar seu consumo per capita de energia, e para isso deve acrescentar 5.100 MW anualmente ao seu potencial elétrico, até 2022. Não se podem levar a sério estes números, pois provavelmente este planejamento é comandado pelo oligopólio das grandes construtoras de usinas, dos construtores de equipamentos elétricos, das geradoras e distribuidoras de energia, levando em conta seus interesses específicos, e não os do país. Não por acaso, o Governo insiste em leilões de hidroelétricas na região Amazônica, nas bacias dos rios Madeira (Jirau e Santo Antonio), Xingu (Belo Monte), Alto Tapajós (Teles Pires e Juruena) e Baixo Tapajós (Complexo São Luiz); na construção de mais usinas nucleares e nas termoelétricas a combustíveis fósseis. Todas estas financiadas com recursos do BNDES, que na verdade são recursos do Tesouro Nacional".
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| As grandes hidrelétricas causam várias sequelas socioambientais, também no clima, nas águas, na vida dos peixes... |
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| E este é apenas um dos problemas do setor, que tem grandes usinas por aqui na região que abastecem todo o Sudeste |
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| Pelo menos como alternativa Governo deveria investir em usinas Eólicas e Solares para avançar o setor no país |
Fontes: Universidade Federal de Pernambuco
http://folhaverdenews.blogspot.com



Ficamos honrados e estimulados de receber este artigo crítico do mestre Scalambrini aqui em nosso blog e por aqui na macrorregião nordeste paulista e sudoeste mineiro onde estão 15 das maiores hidrelétricas que abastecem de energia todo o Sudeste do país.
ResponderExcluirAlém dos problemas de geração, transmissão e de concentração excessiva de poder (com prejuízo para os consumidores e o preço das tarifas), a questão ecológica e mais ainda, sustentável, indica outro rumo em termos de nova estrutura energética para fomentar o futuro do Brasil e a própria vida, dependente da natureza do nosso país.
ResponderExcluirNós aqui na macrorregião conhecemos na realidade os problemas econômicos e socioambientais das grandes usinas hidrelétricas, temos toda a condição moral de reivindicarmos usinas Eólicas e Solares, para descentralizar, avançar e abastecer o futuro da Nação de forma sustentável, equilibrando economia e ecologia.
ResponderExcluirUmas das sequelas ambientais das grandes usinas hidrelétricas, além da morte dos peixes (alimentos) e extermínio de espécies (biodiversidade) é o extremo grau de poluição das águas nas barragens, devido ao acúmulo subterrâneo de gás carbônico de algumas das últimas matas nativas do interior do país submersas...
ResponderExcluirTanto cientistas da SBPC como da ABC já definiram como proposta que o Governo deveria priorizar pequenas e até médias hidrelétricas (não as megahidrelétricas como Belo Monte etc.), integradas a usinas de energia Eólica e Solar, o que tornaria o país preparado para crescer com equilíbrio, economia, ecologia e toda condição de vida futura.
ResponderExcluirPor sinal, quando a gente estava finalizando a edição desta postagem sobre problemas do setor elétrico no país, aconteceu um pequeno e rápido apagão, suficiente para apagar os textos que ainda não estavam salvos: se isso acontece por aqui8 na região melhor abastecida de uma rede de hidrelétricas, imagine no restante do Brasil...
ResponderExcluir"A continuar assim, vamos voltar a antigamente, quando aqui pelo interior se dizia, basta chover nop Vietnã que acaba a luz por aqui"...Esta é a mensagem que recebemos do professor de Física Álvaro Francisco Queiroz, que comenta ainda como "muito pertinentes os comentários e as informações desta edição deste blog". )brigado, participe sempre da nossa luta cult. Nosso e-mail: navepad@netsite.com.br
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