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sábado, 8 de dezembro de 2012

DESOCUPAÇÃO DA TERRA DOS ÍNDIOS XAVANTES CAUSA POLÊMICA NO MATO GROSSO

Terra Indígena Marãiwatsèdè leva a uma nota de solidariedade a Dom Pedro Casaldáliga

Ao se aproximar a desintrusão da Terra Indígena Marãiwatsèdè, após mais de 20 anos de invasão, quando os não-indígenas estão para ser retirados desta área, multiplicam-se as manifestações de fazendeiros, políticos e dos próprios meios de comunicação contra a ação da justiça no Mato Grosso. Neste momento de desespero, uma das pessoas mais visadas pelos invasores e pelos que os defendem é Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia, a quem estão querendo, irresponsável e inescrupulosamente, imputar a responsabilidade pela demarcação da área Xavante nas terras do Posto da Mata. As entidades que assinam esta nota querem externar sua mais irrestrita solidariedade a Dom Pedro. Desde o momento em que pisou este chão do Araguaia e mais precisamente, desde a hora em que foi sagrado bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia, sua ação sempre se pautou na defesa dos interesses dos mais pobres, os povos indígenas, os posseiros e os peões. Todos sabem que Dom Pedro e a Prelazia sempre deram apoio a todas as ocupações de terra pelos posseiros e sem terra e como estas ocupações foram o suporte que possibilitou a criação da maior parte dos municípios da região. Em relação à terra indígena Marãiwatsèdè, dos Xavantes, os primeiros moradores da região nas décadas de 1930, 40 e 50 são testemunhas da presença dos indígenas na região e como eles perambulavam por toda ela. Foi com a chegada das empresas agropecuárias, na década de 1960, com apoio do governo militar, que a Suiá Missu se estabeleceu nas proximidades de uma das aldeias e até mesmo conseguiu o apoio do Serviço de Proteção ao Indio para se ver livre da presença dos indígenas. A imprensa nacional noticiou a retirada de 289 Xavantes da região, que então foram transportados em aviões da FAB, em 1966, para a aldeia de São Marcos, no município de Barra do Garças. Em 1992, a AGIP, empresa italiana que tinha comprado a Suiá Missu das mãos da família Ometto, quis se desfazer destas terras. Por ocasião da ECO-92, sob pressão inclusive internacional, a empresa destinou 165.000 hectares para os Xavante que, durante todo este tempo, sonhavam em voltar à terra de onde tinham sido arrancados. Imediatamente fazendeiros e políticos da região fizeram uma grande campanha para ocupar a área que fora reservada aos Xavantes, precisamente para impedir que os mesmos retornassem. Já no dia 20 de junho de 1992, algumas áreas tinham sido ocupadas e foi feita uma reunião no Posto da Mata, da qual participaram políticos de São Félix do Araguaia e de Alto Boa Vista e também havia repórteres. A reunião foi toda gravada. As falas deixam mais do que claro que a invasão da área era exatamente para impedir a volta dos índios Xavante. “Se a população achou por bem tomar conta dessa terra em vez de retorná-la para os índios, nós temos que dar esse respaldo para o povo” (José Antônio de Almeida – Bau, prefeito de São Félix do Araguaia). “A finalidade dessa reunião é tentarmos organizar mais os posseiros que estão dentro da área... Se for colocar índio no seu habitat natural, tem que mandar índio lá para Jacareacanga, ou Amazonas, ou Pará...” (Osmar Kalil – Mazim, candidato a prefeito do Alto Boa Vista). “Nós ajudamos até todos os posseiros daqui serem localizados... Chegou a um ponto, ou nós ou eles (os Xavantes) porque nós temos o direito... Dizer que aqui tem muito índio? Aqueles que estão preocupados com os índios que tem que assentar. Tem um monte de país que não tem índios. Pode levar a metade... Na Itália tem índio? Não, não tem! Leva! Leva pra lá! Carrega pra lá! Agora, não vem jogar em nós, não... ( Filemon Costa Limoeiro, à época funcionário do Fórum de São Félix do Araguaia).

Opinião de um ecologista
"Esta questão de Marãiwatsèdè, a volta dos Xavantes às suas terras, bem como dar destino correto e apoio aos pequenos agricultores que estão nesta desintrusão, tudo isso se insere num problema maior que é criar uma gestão de desenvolvimento sustentável em dodo o Cerrado, também ali no Mato Grosso, de forma que se desenvolvam por exemplo núcleos de produção econômica integrados à ecologia que precisa ser reconstituída para ter equilíbrio ambiental, o Governo e entidades civis podem atuar juntos no sentido de conseguir a partir desta situação polêmica, uma alternativa mais definitiva de solução", comentou aqui no blog Folha Verde News, o repórter Padinha, que vem acompanhando há anos a situação dos índios Xavantes e os problemas do Cerrado, que pode ter muito futuro via a agroecologia e a produção de alimentos orgânicos, por parte dos pequenos agricultores.

Chegou a hora da desintrusão da Terra Indígena Marãiwatsèdè

A área reservada aos Xavantes foi toda ocupada por fazendeiros, políticos e comerciantes. Muitos pequenos foram incentivados e apoiados a ocupar algumas pequenas áreas para dar cobertura aos grandes. O governo da República, porém estava agindo e logo, em 1993, declarou a área como Terra Indígena que foi demarcada e, em 1998 homologada pelo presidente FHC. Só agora é que a justiça está reconhecendo de maneira definitiva o direito maior dos índios. O que o Bispo D. Pedro sempre pediu, em relação a esta terra, foi que os pequenos que entraram enganados, fossem assentados em outras terras da Reformas Agrária. Mas o que se vê é que, ontem como hoje, os pequenos continuam sendo massa de manobra nas mãos dos grandes e dos políticos na tentativa de não se garantir aos povos indígenas um direito que lhes é reconhecido pela Constituição Brasileira. Mais uma vez, queremos manifestar nossa solidariedade a Dom Pedro e denunciar mais esta mentira de parte daqueles que tentam eximir-se da sua responsabilidade sobre a situação de sofrimento, tensão e ameaça de violência que eles mesmos criaram, jogando esta responsabilidade sobre os ombros de nosso Bispo Emérito.
Conselho Indigenista Missionário – CIMI - Brasilia
Comissão Pastoral da Terra – CPT - Goiânia
Escritório de Direitos Humanos da Prelazia de São Félix do Araguaia – São Félix do Araguaia
Associação de Educação e Assistência Social Nossa Senhora da Assunção – ANSA – São Félix do Araguaia
Instituto Humana Raça Fêmina – Inhurafe – São Félix do Araguaia
Associação Terra Viva – Porto Alegre do Norte
Associação Alvorada – Vila Rica
Associação de Artesanato Arte Nossa – São Félix do Araguaia


O bispo Dom Pedro Casaldáliga tem apoiado indígenas e pequenos agricultores matogrossenses

Os Xavantes buscam historicamente e agora mais ainda delinear as terras de Marãiwatsèdè

Por exemplo, a comunidade de Namunkurá mostra Xavantes preocupados com sua cultura nativa e a ecologia
    
Fontes: www.brasildefato.com.br
             http://folhaverdenews.blogspot.com

5 comentários:

  1. Realmente, como deixa claro no contexto desta matéria, o editor do nosso blog ecologista Padinha, que acompanha há anos a questão Xavante, o problema de Marãiwatsèdè não deve ser visto à parte da questão indígena como um todo nem da necessidade de um desenvolvimento sustentável no Cerrado.

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  2. A questão indígena pode vir a ter um marco positivo de avanço no Brasil a partir deste problema de Marãiwatsèdè, a volta dos Xavantes às suas terras de origem: para isso, é urgente que o Governo implante programas sustentáveis para serem desenvolvidos pelos índios ali e pelos pequenos agricultores que vão deixar esta região, em outras terras também do Mato Grosso.

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  3. Marãiwatsèdè pode vir a ser um marco positivo na questão indígena no Brasil, com a volta dos Xavantes às suas terras históricas, mas o Governo precisa apoiar ali o desenvolvimento de citriculturas, artesanatos, agroecologia e proteção ou recuperação ambiental nestas terras, dentro da estrutura cultural destes povos nativos do Mato Grosso, em harmonia com eles.

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  4. Esta sustentabilidade é possível também ser colocada junto aos pequenos agricultores que serão retirados das terras de Marãiwatsèdè, em suas novas terras ali no Mato Grosso, eles poderiam desenvolver com apoio governamental programas de produção de alimentos orgânicos, agroecologia, ajudando assim também a recuperação da ecologia do Cerrado e a economia da região.

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  5. Se Marãiwatsèdè significar o início desta revolução cultural e ecológica, aí sim, o Cerrado poderá vir a ser novamente um ponto de avanço da criação do futuro no Brasil.

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