Claudia Facchini, do Valor Econômico, argumenta que a falta de chuvas neste ano está jogando contra o Governo, que preparou um pacote de medidas para reduzir em 20% os custos da energia elétrica no país a partir de 2013, porém, como o custo da energia (calculado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), registrou um salto de 35% nesta semana na região sudeste e centro-oeste e de 39% na região nordeste, devido à queda nos reservatórios das hidrelétrica, a proposta governamental ficou complicada.
Aliás, os Preços de Liquidação de Diferenças (PLD) estão nos patamares mais altos desde janeiro de 2008, quando atingiram níveis recordes, em torno de R$ 570 por MWh. Nesta semana, o PLD foi reajustado de R$ 180,5 para R$ 235 MWh na região sudeste e centro-oeste e no nordeste, o preço subiu de R$ 180,5 para R$ 256. A queda nas vazões dos rios, que estão entre 40% e 50% abaixo da média histórica no país, obrigou o ONS a ligar as térmicas a gás natural para garantir o abastecimento de energia. Como os gastos com essas usinas são bem mais altos que o das hidrelétricas, o custo marginal de operação do sistema elétrico aumentou. Se a seca e/ou escassez de chuva persistir, o ONS precisará ligar térmicas que queimam carvão, óleo diesel e óleo combustível, que são ainda mais caras. Se essa situação se confirmar, os custos da energia podem atingir os níveis históricos de 2008, em torno de R$ 500 por MWh, acreditam executivos de comercializadoras. Os meteorologistas preveem chuvas apenas moderadas nos próximos dias, o clima tende a ficar predominantemente seco (o fenômeno El Niño, que deveria causar mais chuvas, foi mais breve do que previam os institutos de meteorologia).
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| Esta seria a hora de o Brasil já contar com a Energia Solar ou outras alternativas, como a Eólica |
Esta seria a hora das energias mais ecológicas desprezadas no Brasil
Se a produção de eletricidade no Brasil está em crise não é só por escassez de chuvas nem é por falta de opções tecnológicas. Inúmeros meios viáveis de gerar eletricidade têm sido ignorados ou mal-aproveitados.
Nesse pacote tecnológico de ponta estão, entre outras, a energia do vento (ou eólica), a solar e a da biomassa, ou seja, a produção de eletricidade pela queima de matéria-prima vegetal como o bagaço de cana ou o óleo de dendê. Nenhum desses recursos representa uma solução mágica e, assim como as fontes de energia tradicionais, também têm suas vantagens e/ou desvantagens, mas poderiam complementar e ampliar a produção de energia no Brasil, onde mais de 90% da eletricidade consumida ainda vem das hidrelétricas. Deu no que deu: a escassez de chuva terminou em tarifaços de surpresa e ameaça de apagões. "Se tivéssemos diversificado nossas fontes energéticas, não estaríamos hoje nessa situação", diz o engenheiro Célio Bermann, do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo. Ele cita o exemplo da energia solar, cuja importância é fácil de perceber num país tão ensolarado quanto o nosso. "Contudo, é mais fácil ecômodo para a falta de uma gestão governamental sustentável deste problema, colocar a culpa na natureza, na falta de chuvas", comenta aqui na redação do blog de ecologia "Folha Verde News", o editor Padinha, se bem, ele reconhece, que as usinas operam abaixo da capacidade devido à escassez de chuva por exemplo na região sul e no rio Paranapanema, os níveis de água nos reservatórios estão baixos também no sudeste e no nordeste. A carência de chuvas durante o fim do ano é a principal causa apontada para explicar o baixo nível de água registrado nos reservatórios das hidrelétricas do país. Isso ocasionou um quadro atípico nas usinas hidrelétricas, no Paraná, para se ter uma idéia, em reservatórios como os de Chavantes e Jurumirim, o índice de operação está funcionando praticamente abaixo da metade, cuja média normal é da ordem de 60%. Em 11 meses, o nível dos reservatórios das hidrelétricas caiu para menos da metade nas principais usinas hidrelétricas do país. Trata-se do menor volume de armazenamento de água desde 2001, nas regiões sudeste, centro-oeste e sul. Para alguns analistas, a forte queda nas represas é um indício do que vem pela frente quando grandes hidrelétricas a fio d’água (sem reservatórios) entrarem em operação, a exemplo da tal de de Belo Monte e das usinas do Rio Madeira (Santo Antônio e Jirau). Apesar das chuvas que começaram a cair em algumas regiões, os reservatórios continuam em nível baixo. Na semana passada, apenas o sistema nordeste, que apresenta os piores níveis de armazenamento, conseguiu uma modesta melhora. O volume de água nas represas subiu entre 32,4%e 32,8%, nesta semana. Nos sistemas sudeste, centro-oeste e no sul, a queda nos níveis atingiu 1 ponto porcentual no período, segundo relatório do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). No norte, a queda foi de 0,6 ponto. Mas, de acordo com Marcelo Roberto Rocha de Carvalho, gerente da Divisão de Hidrologia de Furnas, controladora da usina, o volume de água em Itumbiara melhorou nos últimos dias. "Ela atingiu o menor nível em 1.º de novembro, com 9% de armazenamento." O pior resultado foi em 2001, quando por exemplo Furnas alcançou 7% de volume de água na represa. Os executivos explicam que, apesar do nível baixo, a operação da usina funciona normalmente, sem a necessidade de ampliar as medidas de segurança. "Uma usina é projetada para operar com qualquer nível de armazenamento, sem alterar os custos de manutenção e operação", completa o gerente do Departamento de Estudos Eletroenergéticos da Operação de Furnas, Luiz Edmundo dos Santos Ferreira. Mas os especialistas do setor não veem com tanta naturalidade a queda expressiva de armazenamento das hidrelétricas. Na avaliação deles, não há risco de racionamento, mas a situação pode ficar mais complicada se o volume de chuvas não aumentar. As previsões do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para os próximos três meses não são muito animadoras para o país e mais ainda para a região nordeste, que vive a maior seca dos últimos anos. De acordo com relatório divulgado sexta-feira, a previsão para o período de dezembro de 2012 a fevereiro de 2013 continua indicando maior probabilidade de ocorrência de chuvas abaixo da normalidade (40%) para grande parte do nordeste e extremo leste da região norte. No sul, há maior probabilidade de chuvas acima do normal. Nas demais áreas do Brasil, não há uma tendência forte definida. Pode ficar abaixo, normal ou acima do normal. "Esta indefinição da meteorologia é normal da natureza do clima, porém, anormal tem sido a lentidão para o Brasil implantar uma nova cultura ou uma estrutura energética mais sustentável, com energias mais ecológicas, que viriam a ser mais econômicas também, depois, evitando assim prejuízos para a população e até para as metas governamentais de redução de tarifas", conclui o nosso editor Padinha, daqui do blog de ecologia e de cidadania. Neste ponto vale incluir um trecho do texto de Heitor Scalambrini Costa, da Universidade Federal de Pernambuco, que nos enviou o artigo que também foi agora publicado no jornal Folha de São Paulo, ponderando ao final de toda uma análise sobre os erros governamentais energéticos que "o pior é que a prorrogação das concessões não mudará em nada o custo da energia no Brasil. Os aumentos previstos nos próximos anos vão absorver toda a redução da tarifa obtida com a medida provisória. Positivamente, alguns encargos serão extintos, mas isso não interferirá no ponto nevrálgico que tem garantido os elevados custos da energia: os contratos draconianos feitos desde os anos 1990, permitindo retornos e lucros exorbitantes para algumas empresas --em particular as distribuidoras", demonstra o professor e cientista Scalambrini: "Não adianta somente impor tarifas menores na geração sem mexer na distribuição, cujas empresas ano após ano, depois da privatização, têm apresentado nos seus balanços contábeis lucros extraordinários para a realidade brasileira, sendo imperativo que prevaleça no setor elétrico um modelo participativo e regionalizado do planejamento. Que se democratize e torne transparentes as decisões dos gestores deste setor. E que seja extirpado de vez a interferência de grupos políticos que tornaram o Ministério das Minas e Energia um verdadeiro feudo", finaliza Heitor Scalambrini Costa, dimensionando a realidade de agora que precisamos mudar para o avanço da Nação no setor vital da energia.
Fontes: www.terra.com.br
Valor Econômico
Folha de São Paulo
http://clipping.planejamento.gov.br
http://www.asterportal.org
http://folhaverdenews.blogspot.com

Por sinal, quando estávamos na redação do FVNews em Franca finalizando esta matéria houve um apagão de energia...
ResponderExcluirOs riscos de apagões, de escassez ou até falta de chuvas, bem como erros na gestão energética nacional como um todo podem ameaçar a economia e a estabilidade do Brasil, que urge implantar um sistema sustentável de energia.
ResponderExcluirPelo menos como alternativa, como forma complementar de energia, o que ficou claro neste final de 2012 é a urgência no avanço de um desenvolvimento sustentável no país em termos também de se instalar opções energéticas como a Solar e a Eólica, que têm potencial de virem a ser geradoras de nosso futuro.
ResponderExcluirDiante destes problemas, limites, impasses, complicação na meta governamental de baixar tarifas, escassez de chuvas, falta de alternativas suplementares de energia (Solar, Eólica etc.) podemos imaginar em breve uma situação dramática na vida da Nação, impedida de continuar crescendo devido a seus próprios erros.
ResponderExcluirOs vários comentários especializados do cientista e professor pernambucano Heitor Scalambrini Costa (que temos publicado constantemente aqui em nosso blog de ecologia) podem ser a bússola caso o Governo queira mesmo encontrar o caminho da sustentabilidade e da criação do futuro da Nação e da vida.
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