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domingo, 18 de novembro de 2012

NOVOS ZUMBIS NO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Educafro ocupou reitoria da Unesp no centro de São Paulo e estudantes iniciam greve de fome


Cinco integrantes da Educafro, organização não-governamental que luta pela inclusão de negros e brancos pobres nas universidades brasileiras, algemaram-se às catracas de acesso à reitoria da Unesp, no centro de São Paulo. A informação é que já iniciaram greve de fome. O protesto é uma forma de exigir que as universidades paulistas e brasileiras adotem medidas de inclusão de negros, brancos pobres, indígenas e portadores de necessidades especiais. Segundo o frei David Santos, um dos fundadores da ONG, o protesto só irá acabar quando a Unesp reunir o Conselho Universitário para aprovar mudanças na forma de acesso: "Nós queremos que o reitor da Unesp convoque uma reunião extraordinária do Conselho Universitário e defina um plano de inclusão igual ou melhor do que o plano aprovado pelo Congresso Nacional", afirmou, referindo-se à chamada Lei de Cotas, sancionada em outubro pela presidente Dilma Rousseff e que definiu a reserva de 50% das vagas em universidade federais para estudantes que cursaram o ensino médio em escolas públicas.
Em nota oficial, a Unesp disse que "tal atitude ocorre justamente num momento em que o governador do Estado de São Paulo chamou recentemente os reitores de USP, Unesp e Unicamp demandando uma ação rápida na questão de um plano de inclusão" e que "a correspondência a nós enviada menciona que nada vem sendo feito, o que não corresponde aos fatos, inclusive porque a própria Unesp recebeu, em 28 de junho, comitiva da Educafro em seu Conselho Universitário". Por sua vez, a Educafro afirma que, apesar do diálogo com a universidade, nenhuma atitude concreta tem sido realmente tomada. Segundo frei David, além dos cinco integrantes algemados, há ainda uma "equipe de apoio" formada por 20 pessoas, podendo a greve de fome ser ampliada até dia 20, feriado nacional da próxima terça-feira quando então se celebra o Dia Nacional da Consciência Negra.
"Estes estudantes e os manifestantes do movimento negro são os novos Zumbis, o Brasil precisa vivenciar os ideais do líder do Quilombo dos Palmares, um ícone para toda a população brasileira, sendo esta luta por cotas e inclusão nas universidades de muita importância não só para os negros mas para todos o menos privilegiados do país", comentou aqui no blog da ecologia e da cidadania, Folha Verde News, o nosso editor de conteúdo Padinha, abrindo este webespaço para a manifestação.

O Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (Cruesp) criou recentemente uma comissão para discutir propostas de inclusão social. A ideia é chegar a um consenso e submeter o assunto ao Governador do Estado de São Paulo. De acordo com a Assessoria de Imprensa da USP, no dia 4 de dezembro haverá um seminário sobre inclusão social no auditório da Faculdade de Medicina Veterinária, cujas propostas serão analisadas posteriormente pelo Conselho Universitário da instituição, que tem poder deliberativo. A Unicamp afirma que é "pioneira na implantação de ações afirmativas visando a inclusão social com mérito acadêmico", fazendo referência ao PAAIS - instituído em 2004 e que dá pontos extras na nota final da segunda etapa do vestibular - e ao Profis, que criou 120 novas vagas aos melhores alunos de escolas públicas de Campinas. As medidas, porém, não atendem às demandas da Educafro. "O protesto (agora na Unesp) está dirigido às três universidades. Já temos um processo contra a USP, que está bem adiantado, e com a Unicamp vamos retomar no começo do ano que vem", disse frei David.
O movimento teve início já há uma semana e não tem data para terminar, sendo que no dia 20 de novembro, data de Zumbi, faz exatamente um ano que uma outra greve foi levada a cabo,"mas nada mudou até agora no que se refere à inclusão de estudantes negros nas universidades, a família Educafro está triste.  O reitor em exercício, Julio Cezar Durigan, e o Conselho Universitário continuam a decretar a exclusão e expulsão de negros/as e brancos/as pobres dos bancos universitários da Unesp. Diante dessa omissão, estamos sendo obrigados a retomar esta luta", informaram manifestantes ao site socioambiental EcoDebate.
Neste site, a Educafro argumenta ainda: "Sabemos que a compreensão de meritrocacia adotada pela Unesp, USP e Unicamp é equivocada. O maior ideólogo da Universidade de Harvard, Michael Sandel, afirma e alerta há anos que as universidades devem evitar a aplicação da meritocracia injusta."
Estudantes ligados ao movimento negro e de cidadania estão indo à luta...

...por medidas de justiça social e de inclusão nas universidades paulistas e brasileiras

Esta manifestação marca o dia de Zumbi, terça-feira, 20

Fontes: www.brasildefato.com.br              Agência Estado              http://folhaverdenews.blogspot.com

4 comentários:

  1. Dentro do movimento de cidadania, a luta por cotas ou a inclusão social de negros, brancos pobres, indígenas se trata de algo de muito valor para toda a população, seja nas universidades, seja também em outros setores do país.

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  2. Esta luta da Educafro levanta às vésperas do Dia Nacional da Consciência Negra, a ser celebrado no feriado da terça-feira agora, dia 20, um sentido bem atual e dentro da realidade do dia a dia agora da luta de Zumbi.

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  3. É uma forma de toda a população entender e vivenciar os ideais de Zumbi dos Palmares e do movimento negro do Brasil, sendo fundamental que as autoridades governamentais e universitárias desta vez atendam esta manifestação de cidadania.

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  4. Como deixou claro Frei David Santos existe a opção pela forma pacífica de lutar (inclusive, a greve de fome)e esperamos que os manifestantes não sejam vítimas de violência e sim sejam respeitados em sua reivindicação a bem da evolução cultural de todo nosso povo.

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